Quando o Apostos mal existia, o Igor já estava por aqui, fazendo a fineza de nos espantar com o talento, assim mesmo, com artigo definido e sem adjetivos. Na comemoração do centenário do portal, terá placa de bronze. Enquanto isso, embora seja de casa (e já tenha me confessado não suportar a metáfora doméstica para falar de blogs), convidou-se para ocupar a tribuna por uma semana, tramando traquinagens no Outros A Postos. A honra é nossa; e a esperança também: uma semana bem que pode virar um mês, e de mês em mês se chega a um ano... Bem, vocês entenderam.
Posted by apostos at 11:00 PM | Comments (1)

A partir de agora, publicaremos a contribuição de um blogueiro convidado a cada nova Aposta. Pensando no conforto dos amigos, acabamos de levar ao ar o "Outros A Postos", nosso luxuoso bangalô com vista para o mar. Não deixem de conferir.
Posted by marcioguilherme at 03:54 PM | Comments (0)
A arte existe para entreter. Divertir as gentes. Arte que não é divertida não merece existir. Nada que não seja divertido, na verdade, pois a chatice é um pecado grave. A sofisticação não está na arte, e sim no consumidor da arte. O artista verdadeiramente independente faz a arte sem pensar no consumidor e, quando não há público algum para se divertir com aquela obra, com alguma sorte, o tempo cuida de esperar que o público chegue ao ponto em que possa apreciar adequadamente a pobre arte que nasceu estranha ao próprio tempo. Mas voltemos à diversão. A arte apenas arte, obra do artista independente, demanda, ou até talvez engendre, um público suficientemente sofisticado que se divirta com ela. Elomar costuma dizer "eu não faço música pro povo, se o povo quiser que suba até minha arte". Pena, para o povo, que prefere andar pra trás no que diz respeito à sofisticação de suas diversões. Uma coisa é o conteúdo da obra de arte, outra coisa é a forma com que ela chega ao consumidor. Imaginando um público igual e uniformemente sofisticado, o que se poderia chamar de mais ou menos divertido? No que diz respeito à forma da arte, certamente é mais divertida aquela obra que chegar ao público da forma mais confortável possível para o público, pois o conforto é preferível ao esforço (eu poderia aqui escrever três páginas na forma de diálogos para demonstrar maieuticamente essa afirmação da superioridade do conforto sobre o esforço, mas não o farei, estou com preguiça). Sigamos. Sendo o conforto a coisa mais confortável (sic) que existe, não há dúvida de que as artes cênicas são superiores a todas as outras artes na função de contar uma história. Aquele papo furado de que o livro é superior e enriquecedor porque exige mais da imaginação do leitor etc. Ora, ora, isto é, sim, um defeito enorme dessa coisa deficiente que é o livro. O livro às vezes exige leitores gênios para que se entenda a história mais simples do mundo e, às vezes, não tem imaginação que dê jeito; isto sem falar que muitas pessoas (eu?!) são analfabetos funcionais que lêem, mas não entendem aquela gororoba toda que o autor jura que é uma excelente forma de contar história. A defesa do livro (em relação a ir ao cinema, por exemplo) é tão convincente quanto tentar defender a leitura da partitura confrontada com ir a uma sala de concerto ver a Filarmônica de Berlim. Mas voltemos à aventura. Passada para a arte cênica, a história fica mais mole para o espectador justamente porque não exige imaginação alguma dele. De todas as artes cênicas, o cinema é a melhor, superior porque, além de não exigir imaginação, você ainda pode viver a história da tela junto com seu amor e um saco de pipocas. "Viver a história" é o que acontece quando se vai ao cinema, você não pode ir ao cinema para fazer outra coisa (como pensar, por exemplo), senão você perde o filme. Cinema para pensar é como almoço para estudar. O filme lhe puxa pelo braço, leva você junto ao que é contado e só larga seu braço com o "the end". Todo bom livro deveria ser filmado, obrigatoriamente, de preferência pelo Peter Jackson, com atores falando em inglês da Inglaterra. Economizaríamos muito tempo, pois qualquer filme de duas horas em livro corresponde a, no mínimo, duas semanas de leitura. Deixaríamos os livros para os tarados por regências verbais, figuras de linguagem e teorias filosóficas, coisas chatas que nenhuma relação têm com a verdadeira função da arte, que é, confortavelmente, nos tirar deste mundo cruel por algum tempo. Por acaso, essa também é a função do amor.
(Do nosso primeiro "apostador convidado", César Miranda, dono do Pró Tensão. Muitíssimo obrigado pelo texto, César. É uma honra.)
Posted by Ruy Goiaba at 09:43 PM | Comments (16)