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Saber perder não é o que se imagina. Baixar a crista e aplaudir o vencedor não é saber perder, é dever de civilidade. Saber perder é, acima de tudo, perder com caráter - não no sentido "ético", mas no expressivo. Está aí o fato, portanto: perdemos sem caráter, sem ethos.
Se era pra ser caso perdido, que fosse caso trágico, ao menos. Que fosse teatro e não reality show. Que houvesse, como previa o Kfouri, um esquema e não esse suflê do hiperreal, mais real que o real que, na realidade, não tem graça nenhuma. As derrotas de 38, 50, 54, 82, 86 e 90 tiveram pulso de tragédia. Foram grandes. Tinham caráter, tinham ethos. Aquelas seleções tombaram. Em 2006, a seleção estrelada não se moveu nem para isto: cair. Permanecemos de pé, firmes quem nem aquelas barreiras de treino.
Antes o sem caráter fosse macunaímico. Que, na véspera, tivessem os jogadores enchido a cara, catado umas alemoas e dormido demais, a ponto de jogar com remela, mas não - ao menos, xingaríamos com uma ponta de inveja: VAGABUNDOS. E quem se atreve? O affair foi de anticlímax. Não houve vagabundo, não houve mercenário, não houve crime, não houve orgia, não houve cadáver, nem cabeça de burro, simplesmente não houve. Ganhamos quatro partidas, perdemos uma e saímos sem história pra contar. É a antimatéria.
lançado por david às 20:22