Vejam-me ir para a minha varanda imaginária, andando com as mãos nas costas, cada passo sendo executado com a deliberação de alguém que esmaga um charuto.
Faz muito tempo que quero dizer isto. Como começar? Pois bem, assim: cada país tem duas versões de si mesmo além da real: a ideal e a horrenda. Chamemos a primeira de a versão Logres, e a segunda de a versão Albion, seguindo a conotação negativa que os franceses dão à palavra.
A maior parte dos países flutua entre uma versão e outra, nunca realmente atingindo nenhuma das duas versões completamente. O Brasil, me parece, tem apenas uma versão, que é a real, que é a horrenda, que é a versão Albion. Falta uma versão Logres, e minha empáfia, aquilo que os gregos chamavam de minha audácia da pilombeta (hubris? aretê?) é tamanha que pretendo criá-la com um post - curto o suficiente para que eu possa ir para a cama antes do nascer do sol, mind you, e dormir doze horas, possibilitando assim a máxima recuperação dos meus músculos depois dos vários sets de squats e military presses que executei precisamente às dez horas da noite.
Vamos encarar os fatos. O Brasil não deu certo. O Brasil tal como hoje existe é um país qliphótico e declassé de bezonianos, de morlocks, de chavs, de asdas, de neds, de spides, de skangers, de lazzaronis. Um país em que quem reclama da corrupção é quase tão asqueroso quanto quem a pratica. Um país de meninos de Jorge Amado dando estrelas na areia e soltando guinchos e tendo ereções com seus pintos fininhos. Um país cujo momento mais excitante foi quando Carlos Lacerda levou um tiro no pé - Carlos Lacerda, esse Kennedy que nem levar tiro na cabeça sabe. Um país sem um único ladrão sofisticado de jóias que seja. Um país em que o seu sonho de virar um detetive que anda com a mulher de hovercraft por aí resolvendo crimes será para sempre, para sempre frustrado. Ou mesmo numa van (nem numa van). Todos os seus sonhos irrealistas da infância serão frustrados por este Brasil albionesco, um por um e completamente, e você sabe disso. E até mesmo a graça de falar mal do Brasil diminuiu um pouquinho quando as pessoas burras cansaram de reclamar de quem reclama do Brasil, circa quatro dias atrás.
Vamos aceitar que acabou. Vamos dar um reboot. Vamos salvar um mínimo de coisas, realmente um mínimo de coisas - as coisas que encontrarmos que sejam as mais bacaninhas e menos contaminadas de brasileirice qliphótica - e com essas coisas vamos construir uma versão Logres do país, que existirá primeiro nas nossas mentes, aqueles de nós que as temos, senhores, e depois fisicamente em algum lugar qualquer.
Quem vai decidir que coisas salvaremos? Eu. Você tem nojo do Brasil, acredito, mas provavelmente tem menos do que eu. O risco de deixar alguém como você fazer a lista das coisas que salvaremos é que não duvido nada que você incluísse, sei lá, um filme brasileiro que você achou "surpreendentemente bom", ou todas as letras do Carlinhos Trenó ou seja lá como se chama o letrista que estou pensando. Ou a sua banda favorita dos anos oitenta. Ou aquele poderoso intelecto marxista que explicou o ciclo da farinha de mandioca.
Esse é um risco que não podemos correr. Esta é como uma lista de coisas que estamos tirando de uma cidade contaminada pela peste, e que vamos levar para usar numa ilha, para começar uma vida nova. Temos que pegar as coisas melhores e menos contaminadas do local, e como eu tenho mais nojo do que você (no parágrafo acima ia realmente escrever o nome de um diretor brasileiro, mas não consegui) sou um selecionador melhor - o único brasileiro vivo capaz de levar esta tarefa a termo, porque o mais enojado de tudo, a ponto de andar pelas ruas saltando poçinhas, usando roupas de explorador na África e olhando alarmado para todo mundo.
Eis a minha lista:
1) Paçoca.
2) Café com leite.
3) Cafuné.
4) O Sítio do Picapau Amarelo.
5) Goiabada.
6) Pão de queijo.
E a princípio é isso, as bases civilizacionais da versão Logres do país. Posso ouvir sugestões, tipo "pé-de-moleque", mas acho que isso é o suficiente para criar uma civilização inteira.
E agora, uns detalhes.
Nenhum livro brasileiro entra, com a exceção dos do Sítio do Picapau Amarelo, que serão a epopéia formadora do país, e, bom, claro, os meus. E talvez Machado de Assis, por mais besuntada que a sua barba esteja de brasileirice (há um certo risco em deixar entrar Machado de Assis, que pessoalmente estou disposto a deixar entrar pela qualidade, mas preciso pensar mais.)
O Sítio do Picapau Amarelo na verdade vai ser, ao mesmo tempo, nossa epopéia nacional - a Emília como nossa Aquiles de macela e olhos de botão - e nossa origem esotérica, aquilo a que nosso Reino aspira ser, nossa realidade perdida nos tempos - a Tia Nastácia como nossa Boadicéia quituteira e beiçuda.
Só dois filmes brasileiros entrarão, que não são filmes brasileiros: Flying Down to Rio e Notorious. Tenho certeza que um país muito decente poderia ser construído apenas com os filmes de Mazzaropi, com marchinhas e Virginia Lago, Oscarito e sei lá mais quem, mas honestamente não quero viver nele, de modo que os impeço de entrar.
Não entra nenhuma música brasileira. Teremos que criar músicas inteiramente diferentes ou ficar ouvindo Cole Porter. Esse é um ponto em que não vou, não posso ceder. Eu entendo seja lá quem foi que disse "o Brasil não merece a Bossa Nova", e concordo que se o país todo subisse ao nível da Bossa Nova seria um país melhor. Não deixo entrar a Bossa Nova porque ela tem brasiidade demais, ia contaminar tudo de novo; e além disso eu apenas aprovo a Bossa Nova, mas não chego a gostar gostaaaar. Mas boa sorte criando a sua própria República da Bossa Nova na sua mente, se você quiser, feita toda ela de joelhinhos e miçangas e patinhos e barquinhos. Receberei com gosto missões diplomáticas da sua República se forem constituídas na forma de vários barquinhos de moças tristes e descalças, cheias de saudades e miçangas.
Nosso folclore envolverá o saci apenas porque mencionado no nosso épico nacional, e ele certamente assombrará nossas florestas e aterrorizará nossas noites, junto com a Cuca, o Capitão Gancho e a aritmética. Oh, ok, inclui aí fantasmas, lobisomens, a Sadako e a Medeiros de REC.
Nossa língua será a portuguesa, falada num sotaque muito elegante de meio-atlântico, que soará meio-brasileiro, meio-português, ou ambos ao mesmo tempo ou nenhum - o equivalente luso-brasileiro do sotaque midatlantic de Cary Grant.
Viveremos em casas de fazenda, com mucamas, que nos darão de mamar em varandas na frente dos visitantes estrangeiros invejosos e embasbacados, e nos farão cafuné enquanto lêem Virgílio. O único programa na nossa televisão vai ser, não sei, estou chutando agora, Buffy. Ok, deixarei entrar Ugly Betty, Curb Your Enthusiasm, The Office (ambas as versões), e mais algumas séries anglo-americanas, e Gilmore Girls será tão popular que a Casa Real ficará de luto cada vez que a Lorelai brigar com a Rory de novo.
O patrono do nosso exército vai ser o Pedrinho, e teremos uma praça com uma famosa estátua dele usando pernas de pau para fugir das onças. Teremos um único regimento, que será de dragões. Nossa arma nacional será o nunchaku. Nosso rito de passagem para os meninos vai ser jogo de botão com o avô.
Nossa economia girará em torno da produção de café e sonetos. Quem trabalhará nos cafezais? Todo mundo, até mesmo eu, quatro horas por mês. Não admitiremos turistas, com a exceção da Srta. Anne Hathaway, que convidarei pessoalmente.
Nosso único filósofo será Mário Ferreira dos Santos, porque ele é suficientemente abstrato para não carregar brasilidade na barba ou no pelo das axilas.

Uma rua típica do novo Reino do Brasil, circa 2009.
Não teremos, propriamente, cidades. Pensei em salvar o Rio de Janeiro da década de trinta, mas pensei melhor e me ocorreu que as pessoas que andavam naquelas ruas são as mesmas que criaram o Rio de Janeiro atual, e não posso correr o risco de que façam o mesmo ao meu Reino. Se você quer visualizar o meu Reino, pense em algumas das alamedas do Jardim Botânico do Rio, e imagine que essas são as ruas. A cada quilômetro ou dois tem uma casa de fazenda, a cada três um cinema belle-epoque. As pessoas que andam nas ruas (bem poucas, somos muito poucos) usam ternos de linho, e panamás, e bengalas, e vestidos de chita, e às seis da tarde se apressarão nas suas charretes para ver mais um episódio de Buffy.
Seremos uma monarquia, claro. Eu receberei a coroa numa cerimônia bonita em que quatro mil araras formarão as palavras VIVA O REI no céu azul da Baía de Quindim. Adicionalmente serei também detetive e percorrerei o país no hovercraft real resolvendo crimes.
Essas me parecem as bases suficientes para criar um país vivível nas nossas mentes. Com o tempo criaremos novos costumes, festas, livros, músicas etc.
Se as tais necessidades da vida o forçarem a passar a maior parte do dia na República Brasileira trabalhando, vai, não é vergonha nenhuma; e ao cair da tarde, ou o mais cedo que puder, atravessa de novo a fronteira e volta para o Reino do Brasil. E se você me encontrar por aí na versão Albion do Brasil, basta beijar o meu anel porque sou muito simples.
Quem aceitar estas condições, vive no meu país, onde não entra republicano; se não, faço um leve cumprimento com a cabeça e o deixo em paz. E sou até capaz de mandar botar uma paçoquinha no seu bolso para a viagem, porque (como notarão os poucos viajantes ilustres que admitirei, como a Srta. Anne Hathaway) o cafuné que recebo continuamente de minhas mucamas na área não coberta pela coroa dá um caráter para sempre tolerante, benigno e essencialmente civilizado ao meu Reinado. Amém.
Posted by Alexandre S. at July 15, 2008 03:01 AMAh, sempre gostei da palavra "Albion". Muito mais bonita do que Britain ou England. E quem quer seguir os franceses em qualquer coisa mesmo?
Posted by: John Santos at July 15, 2008 07:17 AMEm meu país não entra professor universitário.
Posted by: raoni at July 15, 2008 09:14 AMNo meu país não entra professor universitário.
Posted by: raoni at July 15, 2008 09:22 AMAssombroso texto, Alexandre. Tiro o chapéu.
Mas... mas... ¿Língua portuguesa? O problema básico, o pecado original do Brasil é estar preso à língua portuguesa – seja pq ela *causa* problemas, seja pq *não resolve* aqueles q não causou. Escolhe outra língua aê ô.
A bem da verdade, teu Reino do Brasil me soou bem século XIX. O português até q funciona, no século XIX.
Posted by: Dr Plausível at July 15, 2008 10:57 AM"Vamos encarar os fatos. O Brasil não deu certo. O Brasil tal como hoje existe é um país qliphótico e declassé de bezonianos, de morlocks, de chavs, de asdas, de neds, de spides, de skangers, de lazzaronis. Um país em que quem reclama da corrupção é tão asqueroso quanto quem a pratica. Um país de meninos de Jorge Amado dando estrelas na areia e soltando guinchos e tendo ereções com seus pintos fininhos. Um país cujo momento mais excitante foi quando Carlos Lacerda levou um tiro no pé - Carlos Lacerda, esse Kennedy que nem levar tiro na cabeça sabe. Um país sem um único ladrão sofisticado de jóias que seja. Um país em que o seu sonho de virar um detetive que anda com a mulher de hovercraft por aí resolvendo crimes será para sempre, para sempre frustrado. Ou mesmo numa van (nem numa van). Todos os seus sonhos irrealistas da infância serão frustrados por este Brasil albionesco, um por um e completamente, e você sabe disso. E até mesmo a graça de falar mal do Brasil diminuiu um pouquinho quando as pessoas burras cansaram de reclamar de quem reclama do Brasil, circa quatro dias atrás."
Ainda há o Millor Fernandes: Um país onde a maior esperança no futuro é a loteria, um país cuja maior gloria passada é ter derrotado o Paraguai.
Posted by: Jorge Nobre at July 15, 2008 11:22 AMMuito bom, Alexandre, é preciso continuar a planejar. E em matéria de poesia? Manuel Bandeira, apesar de um ou outro tique, às vezes é decente. Bruno Tolentino eu sei que já está dentro. E o que dirá dos árcades, por exemplo?
Posted by: Rafael at July 15, 2008 12:19 PMEu gostaria muitíssimo de visitar seu país, na qualidade de embaixador do meu. Sentar numa varanda, de tarde, tomando chá e conversando sobre os aspectos proustianos de As Memórias de Emília. Eu daria, de presente, um exemplar autografado (minha tia tem um) para a biblioteca real. Depois comentaria que existe uma sala, no nosso palácio do governo, onde pode-se ouvir Jobim e canções do Clube da Esquina, para elevar o sentimento ético dos nossos governantes. Mas acrescentaria que as músicas foram gravadas por sextetos de cordas e é apenas instrumental. E, ao me despedir, afirmaria que "o que é bom para o Reino do Brasil, também é bom para nós". :)
Posted by: FritzGG at July 15, 2008 03:10 PMDeixa o bolo de fubá? E a jabuticaba? Eu adoro jabuticaba.
Posted by: Alessandra at July 15, 2008 03:54 PMEu... Eu...
Péra.
Eu...
GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
INVEJA!
MORRA!
Alex: não acredito.
E o Pelé, ia moer salsa pró inferno? E o Jobim? E o Batalhão de Operações Policiais Especiais? E a Adriana Lima? E a Gisele? E a Izabel? E os irmãos Cavalera, sobretudo o Max? E a boa cachaça 51? O Henrique Mecking? Edir Macedo? Scolari? O churrasco gaúcho? E, já agora, o Ronaldinho?
E pra vocês que lêem isto e dizem «ámen!»
"Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?"
2 Coríntios 6:14
:P
É só. Agora as beijocas do costume: bah, pah, cãotinua o boum trabalho, 1 abc.
Posted by: j..... at July 15, 2008 04:56 PMVirginia Lane. Mas de Lago tem o Mário, que certamente entraria. Ah, e o Fluminense, claro.
Posted by: Larry at July 15, 2008 05:33 PMPaçoca? Nhé. Teríamos guerra.
Posted by: mauro at July 15, 2008 05:49 PMEsse post faz lembrar o "Quinto Império" de Padre António Vieira.
Posted by: Matias Ayres at July 15, 2008 06:03 PME o Bar Luiz? Seria permitido? Se não fosse não pisava nesse país... Onde comer quando se aportasse, extenuado, nessa bela cidade?
E deixe-me que lhe diga, um país onde não soasse a voz de Dick Farney não iria longe...
Além do mais, a sua lista me parece tão familiar, tão lusa na ambição, que me parece que o erro se iria repetir...
Quanto aos arruamentos, 5 estrelas.
Ah, e viva o Rei!
Posted by: carlos vieira reis at July 15, 2008 06:29 PME o Bar Luiz? Seria permitido? Se não fosse não pisava nesse país... Onde comer quando se aportasse, extenuado, nessa bela cidade?
E deixe-me que lhe diga, um país onde não soasse a voz de Dick Farney não iria longe...
Além do mais, a sua lista me parece tão familiar, tão lusa na ambição, que me parece que o erro se iria repetir...
Quanto aos arruamentos, 5 estrelas.
Ah, e viva o Rei!
Posted by: carlos vieira reis at July 15, 2008 06:30 PMPosso sugerir que as senhoras guardem as jóias como aqueles báus dos piratas de romance, com colares de pérolas a transbordar e anéis que rebrilham com uma luz que parece que vem de dentro. E de vez em quando o Cary Grant podia vir roubar os tesouros um bocadinho, desde que fosse para ficar com o lucro para ele, claro.
Posted by: Mariana at July 15, 2008 08:40 PMCho! Que coisa com o Cary Grant! Desse, só se aproveitava «mêijmo» o Creed Green Irish Tweed com que (dizem) se perfumava...
Quem curte essas coisas charmosas «de época», consuma Tamara de Lempicka, cabriolets Auburn sobrealimentados, Schiapparellis (quem daqui já cheirou o So Sweet que me atire pedras) e cenas assim.
Ah, ya & don't feed the troll!
Posted by: j......... at July 15, 2008 10:24 PMÓtimo texto, old top.
"E talvez Machado de Assis, por mais besuntada que a sua barba esteja de brasileirice"
Hummm. Concedo, mas você parece achar que a monocelha do Monteiro Lobato não está tão besuntada quanto (talvez até mais). Por quê?
(Proponho um teste razoavelmente fácil pra avaliar "brasileirice": transposição para o inglês. As "posthumous memoirs" do Brás Cubas sobrevivem bastante bem nessa língua. Aconteceria o mesmo com "Reinações de Narizinho?" :))
*****
Longe de mim descartar o Sítio do Picapau Amarelo como epopéia formadora, aliás. Mas você gosta do Lobato mesmo quando ele liga o "modo militante", eme livros como "O Poço do Visconde"? Abraços!
Concordo em gênero, número e grau com o Ruy. E ainda exemplifico o "caso Machado de Assis" com um ilustre fã do bruxo: Woody Allen. Talvez seja uma relevante prova da vitalidade de Machado de Assis em inglês. Sei lá.
Grande abraço, Alexandre.
Posted by: Gabriel Trigueiro at July 16, 2008 11:28 AMPro Ruy Goiaba...
Ruy, claro que o "Poço do Visconde" entra. O que seria dos súditos brasileiros se desconhecessem o "blowout preventer"?
Posted by: Marcos Diniz Ribeiro at July 16, 2008 04:20 PMMas só eu vou protestar contra o Gilmore Girls? Fora isso está tudo ok, a meu ver. (Acompanho seu blog faz tempo, e adoro, mas nunca tinha comentado antes. A propósito, vi para vender o Wunderblogs na feira de livros da minha faculdade. A vendedora esta lendo e rindo!) Até mais!
Posted by: Camila at July 16, 2008 07:37 PMAinda acho que a Biblioteca Infantil da Livraria Quaresma (12 volumes) é que deveria ser a Epopéia Fundadora do novo País.
Posted by: Maia at July 16, 2008 10:28 PME as bibliotecas, como serão?
Teremos religião oficial?
Poderemos atacar outros países?
Teremos títulos nobres?
Aprovo o português como língua oficial, mas só este nosso português precioso e indolente de mediterrâneos subtropicais. O inglês como idioma diplomático e de corte real. Pois afinal, se o Brasil tivesse dado certo, teríamos uma relação mais afim à Aliança Luso-Britânica:
A Aliança Luso-Britânica, em Portugal conhecida vulgarmente como Aliança Inglesa, entre Inglaterra (sucedida pelo Reino Unido) e Portugal é a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor. Foi assinada em 1373 - em plena Idade Média, portanto.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alian%C3%A7a_Luso-Brit%C3%A2nica
Posted by: Dude at July 16, 2008 11:12 PMAlexandre, veja so: Paçoca, eu encontrei em Cingapura ("peanut cake", ligeiramente mais salgada); Café com leite, os indianos tambem tomam, agora a surpresa fundamental veio lendo o Lonely Planet da Tailandia, ao descobrir que pratica-se por la um esporte similar o volei, so que jogado com pes e cabeca -- futevolei!
Ou seja, cuidado como se definem os marcos da brasilidade.
E eu sabia que seu Brasil Logres ia ter muito de aborigene, quero dizer, de Rio de Janeiro.
Joondalup nyoongar para voce,
Rafael
Pô, Alexandre, tive que fazer uma busca no Google para o achar novamente! Tinha completamente desaparecido dos meus favoritos apesar de estar seleccionado. Pura e simplesmente "not available". Não gostei! Não repita a brincadeira.Pô mesmo! Minha doçura!
Posted by: Miucha at July 17, 2008 01:40 PMDoce de leite. E biquinis para as moças.
Mas meu, que post hein. É tão bom que eu apenas narrei mal e porcamente fragmento que lembrei para amigos e cheguei a conclusão que se lessem realmente o original, passariam mal e morreriam de tanto rir.
Posted by: Alberto at July 18, 2008 06:44 PMA estàtua de Pedrinho seria, obviamente, baseada nas ilustrações de André Le Blanc.
Não vou me meter a fazer mais sugestões ou alterações porque o rei sempre tem razão. Curvo-me e beijo o anel do rei.
(e você sempre se superando...)
Posted by: linha at July 18, 2008 07:27 PMVocê é ruim.
O que você tem é um jeito acadêmico de escrever irreverentemente.
Mas você é ruim.
Agora fiquei curioso, Insônico: quais são os textos acadêmicos parecidos com o post do Alexandre que você tem lido? Os que eu leio são longos, um tanto tediosos, escritos em jargão especializado, e cheios de referências bibliográficas. Eu estou lendo todas as publicações acadêmicas erradas, ou você nunca leu uma na vida?
Posted by: John Santos at July 20, 2008 12:40 PMAprazível o novo Reino, sim, extremamente. Mas:
Se o Escolhedor Do Que Levar Pro Novo Reino tem de ser o mais enojado filho desse paisinho de merda, eu sou esta pessoa: meu nojo é tamanho que nem o nome eu levava daqui.
Brasil é um nominho nojento. Veja-me andar até a janela, afastar a cortina com a ponta dos dedos e lançar lá pra fora um olhar desdenhoso enquanto jogo a questão:
O que vem a ser um brasil? Um brasido? Um braseiro? De assar churrasco, talvez? Um ajuntado de brasa, mora? Um nome tirado do pau-brasil? Pau, brasil? Um nome que já começou no pau? Um nome queimado? Um nome vermelho?
A primeira coisa que me enoja no Brasil é precisamente o nome Brasil. Tanto que sempre preferi o Brazil dos yankees. Tanto que desde criança eu curtia aquela plaquinha na traseira dos carros escrito Brésil, sonhava com a cena em que alguém me perguntava "de onde você é, menina?" e eu respondia "do Brésil".
Dou uns passinhos em sua direção e me abano com o leque de madrepérola, que aponto pra você nos momentos mais dramáticos:
Pense: isso aqui seria o país do carnaval se não se chamasse Brasil? O país da cachaça? Da bunda? Do sááámbah, como dizem os gringos, babando de lubricidade? Do PT? Desculpe, acho que PT já está contido nos itens cachaça e bunda. Em suma, esse nome está contaminadíssimo, Milord.
Levar esse nome pro Reino seria o mesmo que levar a cadela Baleia sarnenta, *prenha*, amarrada num pedaço de corda seboso, com aquela cara de coitada-morta-de-fome-abnegada-da-caatinga que contém o mais alto poder de contaminação, verdadeiro vetor do vírus do Ipiranga, eca!
Largo o leque sobre a mesinha, depois de ameaçar com ele um morlock ali agachadinho, sirvo-me de um café apreciando a porcelana e fazendo "hmmm!" (na verdade inspeciono a limpeza da xícara) e continuo:
Milord, você vai ter de se enojar um pouco mais, até começar a pensar num outro nome para o Reino. Enquanto isso, porém, mantém a coroa sobre tua cabeça e segura firme, pra que nenhum carnavalesco dela se aposse. Ninguém ficaria mais tchaptchura com ela do que você.
O que me conduz ao segundo mas: é preciso levar o Ruy Goiaba e tudo o que ele escreveu (incluindo aqueles primeiros posts que ele sempre tenta desencorajar a gente de ler, principalmente aqueles).
O Ruy, com seu talento diplomático, sua elegância e seu poder de sedução, podia ser o grande ladrão de jóias do Reino, like, Cary Grant em O Ladrão de Casaca. Mais: ele é iniciado naquela igreja de jazz. Em suma: ele é um must. Cá entre nós, eu me ofereço pra ir de French maid pra ele.
Quanto à programação de tv, sem essa de dizer que "chutou" a Buffy, assim dissimuladamente. Como se a gente não soubesse.
Saideira (Milord deixa esta terra conclamando os escolhidos no gogó):
Eu quero é ir embora eu quero dar o fooora
e qué ro qui vo cê venhá comiguuu
Haverá blogs?
Posted by: Bruno at July 20, 2008 10:32 PMHum, mas e se fosse pra chamar um poeta? Ou a poesia brotará espontaneamente? Penso que é preciso um poeta para deixar este projeto completo.
Posted by: Ricardo at July 21, 2008 12:21 PMRefleti um pouco durante o almoço e pensei o seguinte, a respeito da questão da poesia: Esta é a reconstrução do Brasil somente. Ou a construção de um Novo Brasil. Ou talvez a construção de algo que não seja em nada semelhante com o Brasil. Mas, de qualquer forma, algo novo. Novo, porém não desvinculado do que já existe de esforço civilizatório no mundo, estou certo? Dado que "Teremos que criar músicas inteiramente diferentes ou ficar ouvindo Cole Porter", podemos presumir que Cole Porter existirá neste universo, correto? Isto posto, talvez não seja necessário, afinal, que se leve um poeta. Este espaço pode perfeitamente ser preenchido por poetas de outras nações. Ao Alexandre caberá indicá-los. Não opinarei sobre essa questão.
Assim, deixo somente a sugestão de que se inclua na lista as coxinhas fritas. Aquelas de aniversário, que se comem numa abocanhada só, e não as graúdas e gordurosas, das padarias. Obrigado.
Posted by: at July 21, 2008 02:32 PMPerdão, o comentário acima foi meu.
Posted by: Ricardo at July 21, 2008 02:34 PMPoeta, poeta mesmo acho que não dá pra levar muita coisa daqui, não. Mas se Vossa Majestade assim permitir, posso levar um pouco de Auden? Tenho um bocado dele em minha estante descascada e a metro que tenho aqui no velho Brasil. Prometo deixar a estante e não olhar para trás.
Ah! pode levar queijo tipicamente bananeiro também? Sabe como é, goiabada sem queijo tipicamente bananeiro, não rola. Apesar de contarmos com o pão de queijo e o Ruy Goiaba por lá que são muito melhores que qualquer queijo com goiabada, quero só me garantir. Obrigada.
um clássico da "literatura blog". Mais um que vou imprimir para ler nas aulas de Ética & Comunicação da Faculdade. Eu apenas incluiria o quadril da mulher brasleira, só o quadril. Imagino aquele monte de quadril passeando naquela rua da Circa. abrazoz.
Posted by: caiocito at July 22, 2008 04:52 PMmonte de quadris. corrigindo.
Posted by: caiocito at July 22, 2008 07:11 PMAchei divertido, mas o Brasil proposto está fadado a repetir a mesma história do existente.
1) Paçoca: feita de farinha de mandioca e carne seca; gerador espontâneo de intelectos marxistas.
2) Café com leite: para que haja café é preciso um ciclo do café; leite precisa de agro-pecuãria e portanto espontaneamente gera música sertaneja.
3) Cafuné: para que haja termos como esse, é preciso que haja imigração africana em massa.
4) O Sítio do Picapau Amarelo: escolha agradável porém insossa; igualmente a tantas coisas no país existente, falta-lhe masculinidade, pujança, universalidade.
5) Goiabada: palavras terminadas em -ada inserem um quê de povinho no país proposto: paulada, marmelada, cacetada, nadada, garibada, criançada.
6) Pão de queijo: contradição em termos; carboiidrato com proteína denuncia a tendência ao prato-feito, dieta de bóia-fria, falta de sofisticação.
Além desses problemas, nota-se no caudilho auto-proposto uma clara tendência comunista e populista ao decretar que todo cidadão trabalhe quatro horas por mês nos cafezais. A medida resultará nos males comuns do Brasil existente: corpo-mole, corrupção endêmica, clientelismo, joôes-sem-braço e malandragem.
Posted by: graeme h at July 23, 2008 11:05 AM"Imagino aquele monte de quadril passeando naquela rua da Circa"
Putz, Caiocito, rua da Circa foi de f*dê! E 2009 é o número?
E a correção? Hilariante!!!
Milord, tu é badass demais!
Posted by: Amélie at July 23, 2008 12:07 PMGraeme:
Falta masculinidade no sítio do picapau? Olha o nome do sítio, mané.
E o preto véio, tio Barnabé? Vai estar lá pra te recepcionar com aquele seu pito enorme.
Tá faltando carboiidrato na tua idéia, Gra-eme.
Posted by: Amélie at July 23, 2008 12:19 PMEntão, o melhor ideal possível para o Brasil é uma releitura de Pásargada? Acho que ainda prefiro o original, onde pelo menos as putas são bonitas.
Posted by: Anon at July 23, 2008 07:24 PM Lord Ass recebe os primeiros convidados de seu novo reino em companhia de seu ajudante de ordens Ruy Goiaba.
Mariana esta entre as convidadas.
http://br.youtube.com/watch?v=GX-pVhTZg0U
Posted by: The Gritty Poet at July 23, 2008 08:21 PMFavor trocar goiabada, pão de queijo, café com leite e paçoca por café da tarde colonial brasileiro- que se não é um chá das cinco chega perto. Possibilitaria a inclusão de doce de leite, quindim, pão na chapa e bolo de fubá, coisa muito necessária. Jabuticabeira está incluso no sítio do pica pau amarelo, um jabuticabal imenso no lugar da (eca) caatinga. E bossa nova não, que estes 50 anos estão me dando nos nervos.
Posted by: Dona Benta at July 24, 2008 03:25 PMrsrs. Gostou Amélie. Me superei, não?
Posted by: caiocito at July 24, 2008 11:20 PMAlexandre, vc tem o áudio daquela sua entrevista para o Francisco José Viegas?
Post for us, pleeeease.
Eu sabia que não era o único que gostava de Ugly Betty.
Posted by: Adriano at July 27, 2008 04:00 AMTomara que esse novo tenha um pouco de auto-estima - a julgar pelo seu texto e comentários relacionados, deve ser o principal problema do povo brasileiro.
Posted by: Ana at August 2, 2008 09:53 PMO principal, não digo...
Mas esse comentário fez-me lembrar um tipo com que certa vez me cruzei.
Depressinha, a história pode ser contada assim: eram praí 9 da manhã de um dia ensolarado e já estava na secção de xadrez do sítio onde estudava — porta fechada — a jogar na net.
Alguém bate à porta — abro — era um ucraniano — a sério! Daqueles ucranianos ilegais que certas redes passa(va)m a salto para a Europa (um pouco) mais rica que o ex-bloco comunista.
Sem dinheiro, sem documentos, sem saber falar qualquer idioma que não ucraniano e um pouco de russo, sem emprego, a dormir numa garagem, imundo, era um influente ex-professor de xadrez (por Deus, tinha na agenda o número de telefone do sr. Ivanchuk, por exemplo!) na terra dele, esquelético, já a aparentar mais de 40 anos e uma saúde que teria sem dúvida visto melores dias... — que tinha vindo para cá "em busca" de um lugar nas obras e, ainda por cima, tinha de pagar à máfia uma "renda" pelo maravilhoso serviço que lhe haviam prestado ao metê-lo cá, ou a família dele lá na Ucrânia... — crash-bang-kaboom!
Lá o convidei a entrar, lá consegui "falar" qualquer coisa com ele — abençoada tradução automática online — lá jogámos umas partiditas.
Entretanto chegou mais gente e eu fui à minha vida, mas o homem estava entregue — e, em jeito de parêntesis/conclusão, a vida até lhe correu bem.
Mas, aqui, onde quero chegar — e tanta caca para só chegar *aí*, pensarão — a dada altura, falávamos de problemas e o homem sai-se-me com esta:
"Problemas!... Toda a gente tem problemas..."
E riu-se connosco.
Aprende, Brasil :P
Posted by: j..... at August 3, 2008 05:50 AMFoda-se, porra!A qualidade da língua aqui nesta caixa é alarmante! Devo estar com uma alucinação pós-lusitânica (o que quer que isso seja), ou o enterro de mim em vida. Sinto-me absolutamente em extinção, uma sensação de que o futuro não está onde eu estou nem jamais será remotamente parecido com o que faço e digo. Só tu Alexandre para me dar alento para continuar a ler as tuas postas. Nunca, mas nunca voltarei a ler os teus fãs. Sem ofensa para os ditos e desculpem lá a intromissão e mais qualquer coisinha...
Posted by: Miucha at August 4, 2008 02:21 PMQue tal índios canibais perdidos nas florestas? Assim teremos onde jogar os insurgentes. Sugiro também manter o Lourenço Mutarelli.
Posted by: Simone at August 4, 2008 11:12 PM"Foda-se, porra!A qualidade da língua aqui nesta caixa é alarmante! Devo estar com uma alucinação pós-lusitânica (o que quer que isso seja), ou o enterro de mim em vida. Sinto-me absolutamente em extinção, uma sensação de que o futuro não está onde eu estou nem jamais será remotamente parecido com o que faço e digo. Só tu Alexandre para me dar alento para continuar a ler as tuas postas. Nunca, mas nunca voltarei a ler os teus fãs. Sem ofensa para os ditos e desculpem lá a intromissão e mais qualquer coisinha..."
Está desculpada, vagabunda.
Posted by: Carlos at August 5, 2008 08:08 AMêssa miucha cmós os brasilêro típico não percebe pêvas dji concordância náis fráisi.
Posted by: Bonga at August 8, 2008 02:33 AMAlexandre, dado a prolongada ausência de notícias tuas, creio que andarás nalguma expedição de bandeirantes nas terras ignotas do interior do teu reino? Confesso que estou a ficar um bocado preocupado: não me estás a ouvir no bucho dalguma jibóia?
Posted by: Alexandre S. at August 8, 2008 12:02 PMAlexandre, volte a postar, estou sentindo falta da sua ranzinzice na minha rotina. Não digo saudades porque seria muita brasileirice.
Posted by: Maria at August 8, 2008 06:56 PM-
À
Vossa Majestade Real & Imperial do Reino do Brasil Alexandre Soares Silva I , autoridades eclesiásticas, nobres súditos e plebeus.
Notei algo curioso. Li o texto uma vez - no mesmo dia em que foi publicado - e gostei muito. Tanto que fiquei sem palavras e com vergonha de vir cumprimentar e beijar a mão de V. M. R. & I. do R. B. A. S. S. I.
Acabo de relê-lo, fazendo uma simples troca em minha mente; onde se lê "País/países", imaginei "pessoa/pessoas".
E onde se lê "brasil" imaginei " minha ex-esposa".
A partir daí a leitura renovou-se, fluindo melhor que da primeira vez; mais engraçada, cínica e mordaz (obviamente, fazendo-se as devidas conversões e compensações em alguns parágrafos).
Algum outro leitor, gostaria de participar da brincadeira, sugerindo alguma troca similar que permita um outro nível de profundidade à leitura?
Seria uma espécie de passatempo, enquanto aguardamos o próximo post de S. M. R. & I. R. B. A. S. S. I .
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Posted by: Alexandre - fotografo at August 11, 2008 12:54 PMOlha, pão de queijo e cafuné totalmente sou totalmente a favor. O mesmo com paçoca, mas em menor grau. Agora, café-com-leite não. Café-com-leite é... café-com-leite. Inócuo.
O mesmo com goiabada. É até legal, mas não é grandes coisas.
Sítio do Picapau tá fora. Chato demais, naïve demais. ("O Sítio do Picapau Amarelo na verdade vai ser, ao mesmo tempo, nossa epopéia nacional - a Emília como nossa Aquiles de macela e olhos de botão - e nossa origem esotérica, aquilo a que nosso Reino aspira ser..." - pelo amor de deus, NÃO!!!)
De resto, a parte sobre "o Brasil [que] não deu certo" e "vamos aceitar que acabou" é muito, muito boa ;-)
Vamos refletir bastante sobre o que lemos...
Posted by: NÃO SOMOS APENAS ROSTINHOS BONIT... at August 13, 2008 08:40 PMPuxa, todo mundo dizia que você era um salta-pocinhas, mas eu não acreditava. Agora você vem admitir isso...
Posted by: Um leitor at August 15, 2008 09:03 AMcom ressalva aqui ou ali, encantou-me o seu brasil. não entendi muito a da buffy, mas ir de chácara em chácara pelas alamedas botânicas podendo usar um panamá e linho é de se sonhar, mesmo. deveriam fazer isso em alguma ilha, do pacífico ou do atlântico, tanto faz.
Posted by: bruno at August 23, 2008 09:15 PM