April 23, 2008

Valha-me Deus, sou eu que tenho que resolver tudo

Quando alguém quer matar uma pessoa, às vezes por acidente mata duas. E quem pode ser a favor disso? Ninguém que não seja maluco. Ficar repetindo que assassinato é errado ( o que ninguém discute, ok?) e não se importar com o fato de que a ilegalidade do assassinato empurra milhões de assassinos de baixa renda para a marginalidade, para os becos imundos onde eles tentam matar um e erram a pontaria e acabam matando dois, três, quatro, quando não morrendo eles mesmos - à míngua!, - à tal da míngua!, - senhores, desculpem, mas não é religião, não é moralidade, mas paródia de religião e de moralidade.

Vale mais aceitar que os assassinatos vão acontecer mesmo, ao ritmo de tantos a cada ano, e tratar de diminuir o dano organizando os assassinatos legalmente em clínicas, onde só morre a vítima mesmo, sob supervisão médica e seguindo procedimentos higiênicos, e onde o assassino, que já está passando por um dos momentos mais difíceis da sua vida, não tem que passar pelo trauma extra de ir para um beco escuro ou coisa assim.

Digo, uma mulher que vive na rua da minha empregada tentou matar o marido e pegou tétano porque o cabo da faca estava enferrujado. E se isso não serve de argumento para a legalização do assassinato, estou sem calças neste exato momento.

Posted by Alexandre S. at April 23, 2008 06:18 PM
Comments

Vejo alguns erros em sua argumentação. Primeiro porque sugere a comparação de um ato como assassinato que por definição precisa de uma vítima que não o autor. A um ato como o consumo de drogas, em que a vitima é o próprio autor. Segundo é achar que porque uma regra tem um objetivo bom e justo, ela deve ser criada esquecendo que regras têm uma dimensão que vai além do campo das idéias, elas de fato interferem na vida das pessoas e, portanto podem ter efeitos adversos.
Esses atos não são iguais.
Não existe dúvida em relação a esse ponto. Se alguém no exercício de sua liberdade, afeta diretamente outrem de forma negativa, sendo esse resultado negativo, constante. Nestes casos, talvez, deveríamos criar leias para impedir que essa liberdade seja exercida, criando a lei, é claro, após diligente análise de cada situação. Leis que impedem assassinato, incesto, que pessoas dirijam intoxicada são todas leis importantes. O preço de se dirigir embriagado não é apenas do próprio condutor, mas é pago também pelas vítimas. O assassino não pode assassinar a si mesmo, do contrário será chamado de suicida, e qual é a justificativa de se criar uma lei contra o suicídio? O Assassinato de si mesmo é evidentemente reprovável, no entanto a intervenção do estado, de um código de leis é inócua. Quem defende esse ponto de vista fica como aquele Reizinho do episódio do Chapolin que passava decretos contra tudo, de gigantes serem proibidos de atacarem seu reino, à proibição de que haja terremoto ou tufões. Devemos criar um sistema de leis que sejam moralmente desejáveis, mesmo que sua aplicabilidade seja completamente inviável? Um exemplo dessa visão:
Abra a constituição brasileira. Se as leis fossem boas somente porque o resultado que desejam é bom. Nosso país seria um paraíso.
O mundo não é assim tão simples.
A Moralidade não é suficiente para se criar uma Lei. Há de se observar a eficácia da mesma, e de eventuais efeitos negativos de uma lei que busca resultados positivos pode causar. Leis são instrumentos de controle social, são aplicadas no dia a dia, devem, portanto, se ater a coisas não tão nobres como eficácia. Aqui entra o argumento do CRACK
A cocaína na forma de crack é uma solução orgânica “de mercado” à proibição das drogas. Já que todo o processo econômico, da produção ao consumo, é ilegal e reprimido fervorosamente, e existe um gigantesco aparato estatal instalado para esse objetivo. Tornou-se necessário criar uma nova tecnologia que com menos cocaína, se conseguisse um efeito maior. A Resposta foi o Crack. A proibição criou incentivos para que os bandidos e traficantes criassem novas tecnologias tornando o consumo de droga ainda mais destruidor. Esse exemplo é eloqüente, de como a intervenção do governo, feita pelo clamor popular, sem duvidas, resultou em mais problemas, e não menos. De como o mercado é amoral e essa amoralidade dificilmente pode ser combatida com a ação do estado, que o melhor resultado, não o resultado ideal, não o resultado ótimo, não o resultado utópico. Seria deixar que as pessoas tomassem as decisões por só próprias, mantendo a demanda de drogas lícita o que aumentaria as mortes por consumo, mas diminuiria as mortes por brigas de traficantes, balas perdidas e crime, que são muito maiores e bem mais perversas. (Talvez, com o tempo até as mortes dos consumidores diminua, pois consumidores mais informados preferem consumir substancias que não os matem, como no caso do Cigarro)
Curiosamente, o melhor argumento para não se fumar Crack, não é o fato de haver uma lei contra essa atividade. E sim o singelo fato de que fumar crack destrói a vida do consumidor, e as pessoas informadas sobre esse assunto, bem...
De uma forma bastante egoísta, buscando interesses próprios:
Escolhem não terem seus cérebros destruídos por essa droga maldita.
Liberar o consumo de drogas não significar achar que essa medida vai diminuir o consumo. Nada disso. O Consumo irá aumentar.
Significa estudar o caso a fundo e perceber que por mais que seja desejável prevenir certos hábitos, a proibição colocará certas forças em movimento que irão ao final trazer MUITO mais infelicidade para a sociedade, e os custos dessa proibição serão pagos por gente inocente, que nem mesmo escolheu consumir drogas. O inocente que morre com bala perdida no Rio de Janeiro, ou o cidadão que nunca tocou em um baseado, e é obrigado a pagar a conta exorbitante de um sistema de repressão que é atordoantemente ineficaz, caro e cujo custo geralmente não é compreendido pela população. Já que custo de reprimir de forma burra o consumo de drogas, não é o dinheiro que foi gasto para manter a polícia. É, de fato, o que aquele dinheiro deixou de comprar, como Metrô, Tribunais mais eficientes, Segurança pública para impedir, hum... digamos... assassinatos. Portanto do ponto de vista da eficiência, que é importantíssima no tocante a leis, porque leis são instrumentos aplicados de controle social. Proibir o consumo de drogas pode custar caro, e quem paga a conta não é o próprio consumidor. Pra defender a vida dos consumidores de droga, iremos dispor da vida de muitas outras pessoas. Isso não me parece, depois de somarmos e multiplicarmos, muito ético e moral.

Sem contar a questão Moral. Se uns podem Beber Vinho. Porque outros não podem fumar maconha?
Assim, respondendo a sua pergunta inicial: SIM, Quem tem que resolver É VOCÊ!

Posted by: FIXtheMAD at May 12, 2008 02:27 PM

Escrevi um comentário comprido, FIXtheMAD, mas ele se perdeu para sempre. Basicamente dizia o seguinte: que relendo o post eu percebo como dá pra achar que estou falando de drogas, e legalização das. Mas não estou. Na verdade concordo com você, embora ache droga um tanto brega e tenha nojo das pessoas que queriam ir na passeata.

Posted by: Alexandre S. at May 12, 2008 08:13 PM
Post a comment









Remember personal info?