April 15, 2008

Continuo obcecado com a estupidez das pessoas estúpidas

Um grande momento na vida de uma pessoa de inteligência mediana acontece quando ela descobre que generalizações não cobrem todos os casos específicos. A excitação causada por essa descoberta e o prazer inocente em simplesmente pensar na existência de exceções o deixa incapaz, durante algumas décadas, de entender generalizações simples - de tal forma que se alguém disser que "a maior parte das mulheres chamadas Joana são morenas", ele é capaz de levantar e dizer de um jeito sabido que conhece uma Joana que não é morena.

Pelo menos pelo que eu vejo em jornais e fóruns na internet, a vida mental de muitas pessoas consiste numa única coisa, numa espécie de cacoete, que é pensar automaticamente em exceções sempre que ouvem uma tentativa de formulação de uma tendência geral. Essas exceções lhes causam tanto prazer que ficam um pouco tontos, um pouco distraídos, talvez, e assumem que a existência dessas exceções nega a tendência geral que acabaram de ouvir. Ver, por exemplo, o número de pessoas que dizem "meu avô fumava e viveu até os 97 anos", "eu fumo crack e estou vivo até hoje", "eu sou ateu mas sou bonzinho", etc.

-87% dos jogadores de futebol são mamelucos.
-Besteira, conheço um que é japonês - e caolho!
-95% dos repórteres da Globo sofrem de ginecomastia.
-Não fala bobagem, e o Tunico que tem bócio?,

etc etc.

Atualização: Logo depois de ter escrito isso encontrei este exemplo de pessoa-que-acha-que-a-exceção-invalida-a-tendência: "Some of her blanket statements are wildly irritating. In the chapter on language, she asserts that "male brains are simply less versatile when it comes to language, written or spoken" (and cites plenty of erudite studies). But surely such distinctions, even if scientifically proven, are largely meaningless when we all know that there are so many exceptions to these rules, exceptions dependent on education, family, opportunity?" Só posso achar que algumas pessoas encaram toda espécie de generalização como uma imposição, uma diminuição da liberdade, própria ou alheia, e se apegam a cada exemplo de exceção à regra como prova de que não há regra nenhuma. É um impulso bonzinho, mas cabeça oca, que parece atuar na maior parte das pessoas que negam as diferenças inatas e não socialmente adquiridas dos sexos e das raças.

Posted by Alexandre S. at April 15, 2008 06:27 AM
Comments
Post a comment









Remember personal info?