April 28, 2008

Links e Whatnot

* Ok, este texto aqui (em inglês). Eu concordo que esse tipo de chato é sempre homem, mas o que a autora toda feminista do texto não leva em conta é que esse tipo de chato chateia todo mundo que estiver à volta, e não só mulher. Outro dia um chato desses estava me explicando tudo sobre a produção de queijo de cabra, sem que eu tivesse perguntado nada - ele escolheu o assunto e desenvolveu em grandes detalhes, todos eles errados.

* The Moral Obligation to be Intelligent (via Márcio Hack).

* Dois vídeos de Nabokov falando de Lolita com Lionel Trilling.

* Eu gostei desses dudes com vasos na cabeça. Estas chinoiseries também. (via alessandrasouza).

* Passei algumas horas vendo isto. Oh, ok, alguns minutos.

* Testando esse negócio de Tumblr. (Muié mais-ou-menos-pelada no link se você clicar.)

* Dá pra ver vários episódios de Twilight Zone aqui (via Ieda.)

* Um post sobre a adultice que você nunca vai alcançar.

* Se nunca ouviu falar dela, pesquise, pesquise.

* Esta página tem vários manuais clássicos de esgrima, e, surpresa, de boxe também.

* Weenies são os donos dos blogs que eu menos gosto por aí (obrigado, Jules).

* Andrew Sullivan começou a tomar injeções de testosterona e descreve os efeitos na personalidade dele. Se os críticos de cinema da Folha fizessem a mesma coisa iam gostar de filmes completamente diferentes.

* Estava pra postar este link faz tempo. Uma conversa entre uma defensora dos direitos dos - ih, qual é o termo? Como se traduz de jeito PC "disabled people" mesmo? Enfim, entre uma defensora dos direitos dos aleijados e (estremeço, quase) Peter Singer.

* Resenha de um livro sobre vegetarianismo, escrita por B.R.Myers. Sinta-se livre para não ler, ué - mas eu gosto deste trecho: "But the idolatry of food cuts across class lines. This can be seen in the public's toleration of a level of cruelty in meat production that it would tolerate nowhere else. If someone inflicts pain on an animal for visual, aural, or sexual gratification, we consider him a monster, and the law makes at least a token effort at punishment. If someone's goal is to put the "product" in his mouth? Chacun à son goût."

* Bom ponto sobre Rocky.

* Fico aliviado de ver que gostar de Chico Buarque pode ser realmente coisa de geração (ver o comentário número 4. Claro, aproveita e vê o post todo, e depois o blog todo.) (via Martelada).

* Chico Buarque é para cougars.

* Para terminar, por enquanto (talvez coloque mais links depois): estou sem comentários ainda - desde fevereiro, caso você não tenha notado. Problemas técnicos, não (como você deve estar resmungando) "covardia". E, ah, umas mudanças por aí acontecerão, digo eu misteriosamente.

Atualização, pára tudo - Mais uns links, what the hell.

* Primeiras fotos coloridas da Inglaterra.

* Terapeuta esquerdinha e bobalhão acha que os problemas do mundo serão resolvidos se todo mundo falar sempre a verdade e tal. Isso ocorreu a todos nós quando tínhamos 16 anos, mas ele põe em prática. O jornalista lá tenta fazer isso durante algum tempo.

* A diferença entre coolness e cavalheirismo.

* A Mula-Sem-Cabeça não é kosher.

* Ignora a primeira parte do post, eu só estou interessado no apartamento da Coco Chanel.

* Get On Down with the Stepfather of Soul!

* Lê só mais Margaret Soltan corrigindo o texto dos outros e parei. (Muito divertido. Às vezes sinto vontade de fazer a mesma coisa em português.)

Posted by Alexandre S. at 12:33 PM | Comments (1)

April 25, 2008

Guerra

Sempre que leio alguém argumentando contra a Guerra do Iraque percebo que ele mistura, acho que sem perceber, argumentos contra a Guerra do Iraque e argumentos contra todas as guerras que jamais existiram. Assim no meio de argumentos mais ou menos cabíveis contra a Guerra do Iraque a pessoa começa a falar em crianças sendo bombardeadas, etc. Isso talvez aconteça com todas as guerras que acontecem no presente e não no passado: você aceita que algumas guerras devem ser travadas apesar do sofrimento dos civis, especialmente uma ou outra guerra escolhida a dedo no passado, mas se a guerra está sendo travada agora, e o sofrimento dos civis aparece com frequência nos jornais, em fotos coloridas, e a guerra é impopular ainda por cima, você esquece que havia aceitado que algumas guerras devem ser travadas apesar do sofrimento dos civis, e passa a mencionar crianças bombardeadas no meio de argumentos contra aquela guerra específica. Isso faz com que cada governo que queira travar uma guerra tenha que defender não só aquela guerra específica, mas voltar atrás a um ponto que já parecia ter sido universalmente aceite e defender de novo, e de novo e de novo, a necessidade de algumas guerras em abstrato.

Posted by Alexandre S. at 06:07 PM | Comments (0)

April 24, 2008

Observação Antropológica

Estava vendo The OC e o garoto pobre vai jogar videogame com o garoto rico, mas como o garoto pobre é cool ele fica jogando videogame com uma colher de sobremesa enfiada na boca, assim casualmente. A adolescência é a única fase em que você acha que deixar uma coisa enfiada na boca, assim casualmente, é cool: fio de palha ou de trigo, canudinho de refrigerante, caneta bic sem o reservatório de tinta - apropriadamente colocada não nos cantos da boca, o que é considerado brega, mas balançando nonchalantemente entre os dentes da frente -, o papel em que você anotou um telefone, a medalhinha na ponta da corrente que você está usando no pescoço, um copo de plástico, as obras completas e encadernadas de Philip K. Dick. Depois disso, claro, é só coisa pegando fogo.

Posted by Alexandre S. at 12:30 AM | Comments (0)

April 23, 2008

Valha-me Deus, sou eu que tenho que resolver tudo

Quando alguém quer matar uma pessoa, às vezes por acidente mata duas. E quem pode ser a favor disso? Ninguém que não seja maluco. Ficar repetindo que assassinato é errado ( o que ninguém discute, ok?) e não se importar com o fato de que a ilegalidade do assassinato empurra milhões de assassinos de baixa renda para a marginalidade, para os becos imundos onde eles tentam matar um e erram a pontaria e acabam matando dois, três, quatro, quando não morrendo eles mesmos - à míngua!, - à tal da míngua!, - senhores, desculpem, mas não é religião, não é moralidade, mas paródia de religião e de moralidade.

Vale mais aceitar que os assassinatos vão acontecer mesmo, ao ritmo de tantos a cada ano, e tratar de diminuir o dano organizando os assassinatos legalmente em clínicas, onde só morre a vítima mesmo, sob supervisão médica e seguindo procedimentos higiênicos, e onde o assassino, que já está passando por um dos momentos mais difíceis da sua vida, não tem que passar pelo trauma extra de ir para um beco escuro ou coisa assim.

Digo, uma mulher que vive na rua da minha empregada tentou matar o marido e pegou tétano porque o cabo da faca estava enferrujado. E se isso não serve de argumento para a legalização do assassinato, estou sem calças neste exato momento.

Posted by Alexandre S. at 06:18 PM | Comments (2)

April 17, 2008

Cada época escolhe achar um

Cada época escolhe achar um horror normal, e escolhe achar o horror considerado normal pela época anterior como sendo especialmente horrível. É uma espécie de Rodízio de Horrores praticado desde sempre. E o problema de ser simplesmente um bom menino da sua época é que, por bons que sejam, bons meninos da sua época sempre vão achar normal fazer sejam lá quais forem os horrores que as suas épocas decidiram que são normais.

Não duvido que uma época futura vai achar normal, por exemplo, o estupro de avozinhos (e se calhar vai acontecer justamente quando você for velhinho.) Nesse caso um bom menino, uma boa menina da sua época estuprará seu avozinho; ou pode até não estuprar, se for um pouco mais delicadinho, mas vai dizer "Olha não sei, eu mesmo nunca estuprei o vô, dei só uns amassos, mas tenho uma amiga que estuprou e eu defendo o direito dela, vai da consciência de cada um, né", e tal.

E se os opositores do Estupro de Vozinho forem meio chatos, como por exemplo se forem rapazes espinhudos com óculos feios, ou fizerem piquetes na porta dos motéis de estupro de vozinhos levando faixas com erros ortográficos e parecendo talvez um pouco boçais, um pouco virgens, um pouco religiosos, garotas perfeitamente boas e normais e delicadas vão se sentir tão repelidas pela semjeitice dessa gente que vão passar a ter alguma, ah sim alguma, simpatia pelo Estupro de Vozinho.

Posted by Alexandre S. at 05:24 PM | Comments (0)

April 15, 2008

Continuo obcecado com a estupidez das pessoas estúpidas

Um grande momento na vida de uma pessoa de inteligência mediana acontece quando ela descobre que generalizações não cobrem todos os casos específicos. A excitação causada por essa descoberta e o prazer inocente em simplesmente pensar na existência de exceções o deixa incapaz, durante algumas décadas, de entender generalizações simples - de tal forma que se alguém disser que "a maior parte das mulheres chamadas Joana são morenas", ele é capaz de levantar e dizer de um jeito sabido que conhece uma Joana que não é morena.

Pelo menos pelo que eu vejo em jornais e fóruns na internet, a vida mental de muitas pessoas consiste numa única coisa, numa espécie de cacoete, que é pensar automaticamente em exceções sempre que ouvem uma tentativa de formulação de uma tendência geral. Essas exceções lhes causam tanto prazer que ficam um pouco tontos, um pouco distraídos, talvez, e assumem que a existência dessas exceções nega a tendência geral que acabaram de ouvir. Ver, por exemplo, o número de pessoas que dizem "meu avô fumava e viveu até os 97 anos", "eu fumo crack e estou vivo até hoje", "eu sou ateu mas sou bonzinho", etc.

-87% dos jogadores de futebol são mamelucos.
-Besteira, conheço um que é japonês - e caolho!
-95% dos repórteres da Globo sofrem de ginecomastia.
-Não fala bobagem, e o Tunico que tem bócio?,

etc etc.

Atualização: Logo depois de ter escrito isso encontrei este exemplo de pessoa-que-acha-que-a-exceção-invalida-a-tendência: "Some of her blanket statements are wildly irritating. In the chapter on language, she asserts that "male brains are simply less versatile when it comes to language, written or spoken" (and cites plenty of erudite studies). But surely such distinctions, even if scientifically proven, are largely meaningless when we all know that there are so many exceptions to these rules, exceptions dependent on education, family, opportunity?" Só posso achar que algumas pessoas encaram toda espécie de generalização como uma imposição, uma diminuição da liberdade, própria ou alheia, e se apegam a cada exemplo de exceção à regra como prova de que não há regra nenhuma. É um impulso bonzinho, mas cabeça oca, que parece atuar na maior parte das pessoas que negam as diferenças inatas e não socialmente adquiridas dos sexos e das raças.

Posted by Alexandre S. at 06:27 AM | Comments (0)

April 08, 2008

Muxtape

Subi umas músicas aqui. Quando fiz a lista dos meus autores favoritos, não tinha nenhum judeu e insinuaram antisemitismo nas minhas fuças - mas não era, é que eu realmente não gosto de histórias de gueto e pobre e parentes pitorescos. Mas desta vez coloquei um klezmer só pra disfarçar (via).

Posted by Alexandre S. at 12:09 AM | Comments (0)