February 23, 2008

Existe uma tendência estúpida do

Existe uma tendência estúpida do espírito a falsificar sem perceber a memória de uma alegria, a transformando na memória de uma felicidade; distorcendo a lembrança de um prazer passado, que na hora foi completamente não-sentimental, ao cobrir essa lembrança com a sentimentalidade da sua nostalgia. A própria palavra felicidade tem uma conotação infeliz de vaga tristeza, de prazer mesclado de musiquinha triste, que é uma calúnia contra o prazer de fato sentido no passado; um prazer muitas vezes tão pouco sentimental que era só saudável, vigoroso, divertido: um período de dias em que você estava tão longe de se sentir poético quanto de sair voando. Mas quando você se lembra desse período de dias, imbecilmente cobre o seu prazer antigo com uma melancoliazinha poética nauseabunda. Não é tanto que você se sinta triste porque o prazer está no passado - é mais que você passa a imaginar o seu prazer antigo, sem perceber a distorção que está fazendo, como já tendo sido, mesmo naquela época, vagamente triste, sentimental, poético - feliz.

Posted by Alexandre S. at February 23, 2008 02:35 PM
Comments

Como diria o cantor/compositor "cabeça", Odair José: "Felicidade não existe, o que existe na vida são momentos felizes" Ai, que pedrada.

Posted by: marie tourvel at February 23, 2008 03:13 PM

Tolstoy said, so they say, that life was a "tartine de merde" which one was obliged to eat slowly. Do you agree?

I've never heard that story. The old boy was sometimes rather disgusting, wasn't he? My own life is fresh bread with country butter and Alpine honey.

Posted by: Dude at February 23, 2008 06:49 PM

Quando criança eu me chateava por não conseguir pensar enquanto sentia prazer. Na verdade eu não conseguia era sentir prazer e pensar neste prazer ao mesmo tempo. Ocorre até hoje, especialmente consumindo qualquer coisa que seja de qualidade superior, chocolates, bebidas. Às vezes não acontece, e aí é muito bom, mesmo.

Posted by: Rafael at February 23, 2008 07:39 PM

Alexandre Soares,
Pq que o "feliz" esta escrito num formato differente no fim do post?
Eh para dar um sentido de negahcao ou confirmahcao?
Or , excuse me for sounding french, neither?
Quero saber, favor responder.

Posted by: Alexandre Satni at February 24, 2008 06:25 AM

Nosso problema é que usamos os adjetivos de maneira um tanto irresponsável.

Posted by: Cristina at February 24, 2008 10:36 AM

E não sei se nossa realidade está menos na memória do que no presente.

Um abraço.

Posted by: Cristina at February 24, 2008 10:39 AM

topas uma troca de links conosco ?
www.perolaspoliticas.com

Posted by: lilloedeia at February 24, 2008 03:42 PM

Pode escrever de novo. Não entendi nada.

PS: O seu site é uma bosta!

Posted by: cherifinho at February 24, 2008 05:59 PM

É, Alexandre. Eu me rendo. Você é bom.

Posted by: Bear at February 24, 2008 06:54 PM

Para quem escreve um texto com essa reflexão de crítica quase uterina, uma enfiada de dedo na gênese meio hipócrita das sensações passadas falsificadas no presente, ler esses comentários deve ser decepcionante...

Posted by: Kleber Diabolin at February 24, 2008 07:59 PM

Soares, poderia você, fazer uma lista de escritores que você gosta a um adolescente imaturo como eu?

Posted by: alkimo at February 24, 2008 08:27 PM

E quando passamos a vida inteira, como se estivéssemos sobre uma linha, sem nenhum grande acidente ? E de repente o som de uma flauta, rouca e malucamente integrada num rock, que ouço agora novamente, num vídeo, me remetesse a um momento do passado remoto, com a mesma intensidade? Uma lembrança de um acidente de percurso que ficou como um memento? Abraço.

Posted by: Djabal at February 25, 2008 09:09 AM

É porque somos animais e vivenciamos cheiros, cores e gostos, e não saímos flutuando em transportes de ternura, que conseguimos guardar bons momentos na memória.
Porque se bons momentos fossem sentimentos, num dia em que acordasse gripado, você seria incapaz de se lembrar de algo bom, porque estaria mal-humorado.
Felicidade é como a salvação da alma: um termo arbitrário que usam para nos chantagear.

Posted by: Badá at February 25, 2008 10:02 AM

cara, cada dia pior, mas nao desespere, ninguém na dita blogosfera leva ninguém mesmo a sério. você nao escreve mal nao, mas... êta auto-complacência! parabéns.

Posted by: ian at February 25, 2008 03:53 PM


Isso se chama sobrevivência, filho.

Posted by: Elisa at February 25, 2008 04:29 PM

Mas então, gentê: o Alexandre não é uma gracinha de lucidez quando tenta falar sério? ;)

Posted by: Ronald at February 25, 2008 07:52 PM

Pois, eu queria saber se esses diminutivos ridículos que ele usa são para efeito cômico...

Posted by: Dude at February 25, 2008 09:03 PM

Fiz aniversário anteontem, considero este post um presente de aniversário adiantado(porém lido com atraso). Maravilhoso. Até me fez vir comentar pela primeira vez(mesmo já acompanhando há um bom tempo).

E, como não me falta cara-de-pau, digo logo: dá uma passadinha lá no blog, se esboçar um sorriso já valeu.

Posso dizer que seu blog foi um dos principais que me deu vontade de fazer um. Provavelmente você não vai achar isso um grande feito pela humanidade, o contrário na verdade, estimular meliantes como eu a fazer blogs e ainda postar comentários por ai. Mas, pra mim, a humanidade não merece muito mesmo.

E, no mais, quem se importa?
Abraços.

Posted by: Luis at February 26, 2008 02:57 AM

Ora ora ora, caro Alexandre. A gente tem que fingir que teve mais graça do que teve. Senão a gente vai lamentar ter perdido o quê, hã?

Posted by: srta. rosa at February 26, 2008 02:51 PM

e aí, quando fico ciente desse sentimento estúpido e que (às vezes) me prejudica a respiração , sinto que traio a mim mesma. a capacidade de me iludir me torna feliz. mas me entristece também, pela fragilidade. não acho que vale a pena, mas -ainda- não controlo.
concordo contigo, ainda que o sentimento final seja diferente.

Posted by: TM at February 26, 2008 09:07 PM

Alexandre,
A propósito desse texto, desculpe the insufferable familiarity, mas bem vindo à meia-idade. Sorry.

Posted by: Mevisto at February 27, 2008 12:31 AM

o que aqui escreve não é infelizmente para o entendimento de muitos mas especialmente para a compreensão de alguns. eu agradeço as suas palavras sábias. bom dia.

Posted by: alice campos at February 28, 2008 07:41 AM

Pior do que distorcer as alegrias do passado é quando falseamos os momentos de merda do passado, que por estranhos caminhos psicológicos somos capazes de transformar em saudades e melancolia, com direito a musiquinha romântica triste...
Aí sim, calúnia e poética nauseabunda!, que não sei bem o que significa, mas achei sonoramente perfeito.
Saudades de passar pelo seu blog, Alexandre.
Abraços, Maria

Posted by: Maria at February 28, 2008 03:23 PM

Oi Alexandre. Sou seu leitor, mais silencioso, mas esse video me chamou a atencao, porque me lembrei imediatamente de vc: trata-se de Paulo Francis em seus momentos bravos, durante as gravacoes de tv. Espero que vc curta: http://www.youtube.com/watch?v=PICFe4fhj9s

Posted by: Rcesar at February 28, 2008 07:19 PM

EU ODEIO A NOSTALGIA

Posted by: Fernanda at February 28, 2008 10:07 PM

Alexandre, que Deus alumie essa sua cabecinha.

Matou a pau!

Esse teu post me economizou 2 anos de psicanálise.

Parabéns!


ps: povo, fiz uma aposta com um editor que se minha enquete batesse nos 100 votos (será verificado um IP = 1voto) meu conto seria publicado numa coletânea pra jovens escritores. Faltam 4 dias e 10 votos! É coisa rápida, nem precisa deixar e-mail. Clicou, já era.
Tá lá no rodapé do meu blog:
www.sujinsgrado.blogspot.com

Posted by: Tilty at February 28, 2008 10:55 PM

gostei do post como gosto de carros compactos. estão ali as linhas, como eu poderia imaginar, mas não imagino - estão ali.
às vezes fez-me rir, noutras colocou reticiências sobre minha cabeça... desta vez, achei perfeito

Posted by: Rômulo Arbo Menna at March 4, 2008 05:09 PM

Alexandre,
23 de fevereiro é o dia do meu aniversário, mas só hoje li este post.
Lembro que no dia, acordei com a nostalgia bem ao meu lado e resolvi perguntar a mim mesmo sobre o que eu tinha feito até então. Qual tinha sido minha melhor conquista.
Aos que me perguntavam o que eu faria para comemorar meu aniversário, eu dizia: "Vou fazer como na minha infância: Pegar meu banquinho, tomar um banho, às 17 horas e sentar na porta de casa para esperar a sorte passar." Deu certo. A sorte trouxe bons amigos e uma família que me fez perceber que valeu a pena estar vivo até hoje.
Talvez eu esteja sendo narcisista ou falando de mim para mim mesmo e este comentário não tenha nada a ver com o texto do post.
Mas senti vontade. Pronto!
Tenha bons momentos de descuido na qual a felicidade possa se aproximar de você!

Posted by: Alberto at March 9, 2008 08:00 PM

casa comigo.

Posted by: international jetset at March 10, 2008 02:17 PM
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