January 27, 2008

Kafka Schkafka

Ser chamado de elitista é sempre gostoso, mas quando penso nos autores que gosto percebo que prefiro os meros talentos aos gênios. Talvez porque eu não veja outra característica que diferencie os gênios dos meros talentos além da profundidade, e a idéia de profundidade me pareça boba.

Eu mesmo não sou muito profundo, nem valorizo a profundidade nos outros. O gosto pela profundidade aparece durante a adolescência e depois, se tudo der certo, some. Não dá pra dizer "É profundo" sem dizer "cara" depois. Profundidade é coisa de gente de dezessete anos, que é a idade quando você deve ler os gênios todos.

O que diabos é a tal profundidade na literatura? É mostrar que as pessoas são, sei lá, complicadas? É isso que as pessoas querem dizer quando falam de psicologia na literatura?

Era a isso que Nietzsche se referia quando disse que ninguém além de Dostoiévski ensinou alguma coisa de psicologia pra ele? Que as pessoas são meio contraditórias e tal? Que elas têm ataques epilépticos, impulsos masoquistas, essas coisas?

Ê, Nietzsche, viu.

Eu lia Conan Doyle aos onze e Dostoiévski aos dezessete, e hoje relendo os dois, não posso dizer que seja maduro demais pra ler Conan Doyle. Ninguém pode, só uma besta. Já Dostoiévski, três pontinhos.

Oh, se você só quer saber de gênios, você está interessado em outras coisas, não em literatura: revelações sobre a alma humana, a sociedade, essas bobagens. Ninguém demonstra um verdadeiro amor pela literatura se não sair da península putrefata dos gênios por volta dos vinte anos para explorar o arquipélago dos talentos menores, de onde, com sorte, não vai sair com vida.

Eu vejo alguém muito empolgado falando de "gnosticismo em Joyce" e me dá vontade de perguntar, você tem o quê, dezesseis? Vai falar do quê agora, anarquismo?

A rigor pode-se dizer (bom, eu vou dizer) que o intelectual corresponde à faixa dos 16 aos 19 anos, o esteta dos 19 aos 25, e o hedonista dos 25 até a morte - se tudo der certo com a sua alma, pelo menos. E isso quer dizer que você deve ler os gênios dos 16 aos 19, os grandes mestres do estilo dos 19 aos 25, e que depois disso praticamente só vai querer ler Rex Stout até morrer.

Eu acharia embaraçoso ser profundo. Gênios, como disse Max Beerbohm, são "generally asinine". As pessoas mais inteligentes costumam funcionar exclusivamente na superfície, onde me mantenho e de onde vos faço uma vênia com o meu chapeuzinho côco.

Posted by Alexandre S. at January 27, 2008 02:13 AM
Comments

Amém para o título.

Mas eu ainda gosto bastante de "Memórias do Subsolo", e já passei bem dos 19 anos... Deve haver algo de errado com a minha alma.... :-P

Posted by: Marcio at January 27, 2008 04:25 AM

However, de Crime e Castigo não consigo passar da página cento e pouco. Aqueles pobres do Dostoiévski são chatos e histéricos demais. Prefiro a pobreza charmosa de "Na pior em Paris e Londres", do Orwell.

Posted by: Marcio at January 27, 2008 04:33 AM

Ai que profundo.

Posted by: rafael at January 27, 2008 05:53 AM

Clap, clap, clap... Excellent! Keep on track. Rgds, RR.

Posted by: RandomReader at January 27, 2008 12:38 PM

Hmmm, quando li O Homem de Areia, de Hoffmann, achava que estava me divertindo, me assustando, me espantando com aquela história estranha. Aí o Freud veio me dizer que não, que aquilo era mais profundo que uma mera diversão.
Aqui está a peça criminal que atesta que Freud tentou sim roubar o MEU Homem de Areia:

"Sabemos, no entanto, pela experiência psicanalítica, que o medo de ferir ou perder os olhos é um dos mais terríveis temores das crianças. Muitos adultos conservam uma apreensão nesse aspecto, e nenhum outro dano físico é mais temido por esses adultos do que um ferimento nos olhos. Estamos acostumados, também, a dizer que estimamos uma coisa como a menina dos olhos. O estudo dos sonhos, das fantasias e dos mitos ensinou-nos que a ansiedade em relação aos próprios olhos, o medo de ficar cego, é muitas vezes um substituto do temor de ser castrado. O autocegamento do criminoso mítico, Édipo, era simplesmente uma forma atenuada do castigo da castração - o único castigo que era adequado a ele pela lex tallionis. (...) Ademais, eu não recomendaria a qualquer oponente da concepção psicanalítica que escolhesse particularmente essa história do Homem da Areia, para apoiar o argumento de que a ansiedade em relação aos olhos nada tem a ver com o complexo de castração. Por que razão, então, colocou Hoffmann essa ansiedade em relação tão íntima com a morte do pai? E por que o Homem da Areia aparece sempre como um perturbador do amor? Ele separa o infeliz Nataniel da sua noiva e do irmão desta, seu melhor amigo; ele destrói o segundo objeto do seu amor, Olímpia, a linda boneca (...). Na história, elementos como estes e muitos outros parecem arbitrários e sem sentido, na medida em que negamos toda ligação entre os medos relacionados com os olhos e com a castração; mas tornam-se inteligíveis tão logo substituímos o Homem da Areia pelo pai temido, de cujas mãos é esperada a castração. Arriscar-nos-emos, portanto, a referir o estranho efeito do Homem da Areia à ansiedade pertencente ao complexo de castração da infância."

Posted by: Roger Prado at January 27, 2008 12:42 PM

O Igor "Gendarme" Barbosa me explicou sua distinção entre gênio e talento ao dizer que, para ele, Chesterton era um gênio, mas Lewis era mais talentoso. Me parece uma boa distinção, embora eu ainda não saiba exatamente como ela funciona. Eu tenho problemas em distinguir entre gênios e talentosos, em parte devido ao fato de eu elogiar tudo o que gosto como genial (esta torta de chocolate está genial, este conto do O Henry é genial, essa música é genial, etc).

Mas concordo que a leitura "dos clássicos" apenas por causa de seu status como clássicos é uma atividade adolescente, embora alguns realmente merecem ser recomendados e lidos a todo tempo. Nabokov, por exemplo; eu mando todo mundo ler Pale Fire, não porque seu autor é um gênio, mas porque é verdadeiramente e completamente um excelente livro. E sim, e sei que eu não sei como identificar gênios, mas que Nabokov era um gênio ele era. Tão genial quanto esta torta de chocolate.

Posted by: John Santos at January 27, 2008 02:35 PM

Acentuar a palavra coco é um erro grotesco. Há alguma piada nisso que eu não entendi?

Posted by: Márcio Também at January 27, 2008 08:15 PM

Gostei do texto. É bem verdade. Apenas lembro q falar de grandezas é sempre relativo: ou seja, no caso de escritores, a discussão limita-se ao q está disponível. Se não existissem esses q vc chamaria (o q vc ouve outros chamando) de "gênios", então aqueles mais medianos q vc prefere agora é q seriam os gênios. E daqui a mil anos, ¿quem sabe?, os gênios de agora serão os medianos de então. É uma versão do paradoxo da precisão: se o professor pergunta "¿qual é a distância entre Rio e Brasília?", a reação inteligente é dizer "depende do tamanho da régua".

Mas, claro, tudo isso é bobagem. (Relativizar demais também acontece.)

Posted by: Permafrost at January 27, 2008 09:33 PM

Oba oba!

Estou no começo da minha morte.

Posted by: Luiz at January 27, 2008 09:55 PM

E Henry Cecil, já leu Henry Cecil? Li um que comprei por indicação do Filthy e é mighty good. Não tão bom quanto the Old Plum, porque ele varia enredos, mas quase.

Posted by: mauro at January 28, 2008 12:56 AM

Olá, Mauro! Eu li um livro chamado "Much in Evidence", e gostei bastante. Preciso comprar mais dele. Tentou John Mortimer?

Posted by: Alexandre S. at January 28, 2008 01:18 AM

Ler os clássicos todos dos 16 aos 19 é, além de impossível, uma atividade estéril. Um bom leitor guarda os clássicos para ler e reler durante a vida toda.

De resto, "profundidade" é simplesmente um pouco de seriedade em relação aos livros, considerando a leitura uma vocação, e não somente um lazer de leitores hedonistas, preguiçosos e engraçadinhos; e é o que todos, gênios e talentos, possuem.

Posted by: Dude at January 28, 2008 09:07 AM

Ah, Alexandre, deve ser por isso que abandonei Crime e Castigo pela metade para ler Huckleberry Finn.
Mas não é sempre assim, eu gosto do Dostô, e do Gógol. O Gorki eu descobri muito cedo que era um comunista iludido e foi bem aos dezenove anos que, de adorá-lo, passei a detestá-lo e sentir vergonha de tê-lo adorado.
Mas é necessário ler consciente, a profundidade é chata mas nem sempre é inútil. O problema é que o Belo geralmente anda longe da profundidade, que é feia, velha e rabugenta. Mas não dá para desprezá-la para sempre.
O meio termo é ótimo, eu leio Stendhal e Victor Hugo feliz da vida. Talvez seja a juventude recalcitrante falando alto das profundezas.
Não parei de ler Dostô, porque é legal, mas intercalo sempre com alguma coisa leve e saborosa. Não seja radical consigo mesmo; alguém citou "Memórias do Subsolo", de fato este é muito bom. Eu li este e depois li Alice no País das Maravilhas. Alguém me falou que este é profundo, prendam o criminoso!
Adorei o acento de "chapeuzinho" no côco.

Posted by: Badá at January 28, 2008 09:40 AM

No, not yet. Vi que é um barrister, também. Talvez não sejam coisas tão incompatíveis assim afinal. Ou talvez só na Inglaterra.

Posted by: mauro at January 28, 2008 09:41 AM

Às vezes me sinto num eterno "17 anos". Releio um amontoado de profundidades e acabo descobrindo em conversas amistosas com gentes profundas, mais gênios e alguns talentos. Gosto de Diderot e sei que é profundo. Gosto de John Cheever, por exemplo. É profundo isso? Ou será só talento? Ou nenhum dos dois?

Posted by: marie tourvel at January 28, 2008 11:55 AM

Tenho a impressão de que esse post foi escrito depois de ler esse artigo:

http://www.weeklystandard.com/Content/Public/Articles/000/000/001/840zushq.asp?pg=2

Além disso, devo lembrar que Borges, Chesterton e Nabokov não são "meros talentos", mas gênios.

Posted by: Dude at January 28, 2008 12:12 PM

Pô, mas nem uma recaída de vez em quando? Sei lá, quando os velhos de mais de 25 anos perdem um parente, descobrem que tem problemas cardíacos ou qualquer merda do gênero? Eu concordo que a ignorância é uma bênção, não escarafunchar as maluquices alheias e próprias idem... mas a gente consegue se conter moto contínuo? Pô me ensina como aí então!

Posted by: srta. rosa at January 28, 2008 12:24 PM

Os "génios" e os "grandes mestres do estilo" até aos 25 anos? LOL. Foi o que você fez, Ó Alexandre, squire? Então, volte atrás e leia os mesmos outra vez, agora bem devagar e com calma. Não, não, volte ainda mais atrás e aprenda a ler e os rudimentos mais básicos do pensamento primário. Meu Deus do Céu, mas que post hilariante! Ah, e Depois dos 25 anos, a gente só vai querer ler o Rex Stout e o blog do Alex, né? E comer fish and chips num cottage em Oxford.

A Badá é a leitora perfeita e padronizada do Alexandre Soares Silva. Você não lê outra coisa, pois não, querida? Chegou ao Nirvana;) Adorei!

Posted by: caramelo at January 28, 2008 12:26 PM

Isso mesmo. O negócio da profundidade é que adolescentes não podem, por absoluta falta de profundidade, apreciar só o talento literário. Ficam atrás de "filosofias" como cachorrinhos atrás de osso. Pegam e vão roendo. Sempre confundem literatura com filosofia. Querem aprender sobre a vida lendo Dostoievsky e esses russos sacais. Goethe e o que mais. Vão atrás de Kafka procurando sarna pra se coçar. E esses caras "profundos" fizeram da literatura o pé no saco que ela é. Quer saber? O Pequeno Príncipe é mais profundo que essa porcaria de Crime e Castigo. Além de ser muito mais bonitinho, imaginativo e tal. Ah, e houve época, Márcio Também, que a palavra coco teve acento: côco. O mundo não começou ontem, você deveria saber.

Posted by: Fritz G at January 28, 2008 01:58 PM

Ótimo texto, só não gostei porque descobri que estou quase passando da idade de ler os clássicos todos e mal comecei...E concordo com a Badá e tal, também adorei o acento.

Posted by: manteuffel at January 28, 2008 02:41 PM

eu achava que "profundo" é como "intelectual": um adjetivo usado exclusivamente por gente burrinha

Posted by: M. Forcheville at January 28, 2008 02:43 PM

Oi caramelo, alguém que escreve LOL nos seus posts não é a pessoa mais adequada para me questionar, mas sim, eu gosto de ler este blog. É para ser lido, ou não?
Claro que já foi melhor. Mas somos condescendentes, ou não estaríamos aqui.
Não cheguei ao Nirvana, nem chegarei; ouvi falar desse lugar e estou sabendo que só gente tonta vai pra lá.

Posted by: Badá at January 28, 2008 05:02 PM

Olá,

Adoro ler só não tenho muita grana, então resolvi pedir livros de presente... se você puder me enviar algum (ou alguém quiser e puder), agradecerei muito.

Cinthia de Miranda
Rua: A Qd.05 Lt.11 Jd.Santana
Cuiabá/MT
CEP.78090-255

Muito Obrigada!!!!!!!!

Posted by: Cinthia at January 28, 2008 05:22 PM

Olha lá, olha lá, Khalil Gibran é bem profundinho

Posted by: redatozim at January 28, 2008 05:35 PM

No fundo, o grande segredo é o seguinte: os gênios não existem. Eu sou um gênio e portanto sei. O que há é uma conspiração para fazer de conta que os gênios existem e uma escolha das pessoas certas para assumir o papel imaginário de gênio. O difícil é ser escolhido.

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:11 PM

Pensando bem, acho que isso é simples demais para servir de explicação. Vamos tentar outro caminho. Você admitirá, pelo menos, que embora o Homem tenha - como cinicamente acredita - excelentes razões íntimas para não se dar muito valor, tem também um nobre desejo de aperfeiçoar-se - ele aspira a coisas melhores, como se diz normalmente. Pois bem: quando uam criança deseja algo que não tem, o que ela faz? Faz de conta que tem. Monta numa varinha e promove uma conspiração para fazer a varinha passar por cavalo. Ao crescer, ela deixa de fazer de conta que a varinha é um cavalo, não porque tenha superado a mania de conspirar para sustentar ilusões, mas sim porque a vida adulta a coloca em um plano em que pode conseguir cavalos de verdade e a partir desse ponto torna-se desnecessário fazer de conta. Nesse momento, levanta-se a mão que mantinha os olhos fechados para o absurdo do fazer de conta. É só por isso que se diz que o homem adulto, ou o civilizado, é mais "ajuizado" que a criança, ou o selvagem. Como ele pode conseguir mais, finge menos. Mas com relação às coisas que estão fora do seu alcance, ele faz de conta com tanta desfaçatez quanto uma criança de cinco anos.

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:16 PM

Por exemplo, como dissemos, ele deseja aperfeiçoar-se. Mas será que isso é possível? - pois o Homem, mesmo que pense o contrário, não tem a capacidade de conceber nada que não faça parte da sua própria experiência e, portanto, em certo sentido, não pode conceber nada que seja maior que ele próprio, nem desejar algo que não tenha concebido. Mas essa dificuldde é de fácil transposição. Diga-me, prezado senhor ou senhora: quem é você? É você quando está com pessoas amigas, ou quando está entre pessoas hostis? É você antes, ou depois do jantar? É você rezando, ou fazendo negócios? OUvindo uma sinfonia de Beethoven, ou sendo empurrado por um policial para dar passagem a um cortejo? Comprando um presente para o seu primeiro amor, ou pagando imposto? Fascinando a todos com as suas melhores roupas, ou escondendo os chinelos do olhar alheio? Se um inimido seu selecionasse um momento de sua vida para julgá-lo, você não apareceria mau, feio, covarde, vulgar, lascivo, mesmo que fosse um Goethe? E se você próprio escolhesse esse momento, não apareceria generoso e belo, ainda que, na média de todos os momentos, seja uma pessoa miserável e repulsiva? Por pior que seja, você é corajoso quando não há perigo e dadivoso quando ninguém lhe pede nada. Daí a atração pelos heróis de novelas e livros prediletos.

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:23 PM

Assim, nossa experiência nos oferece material para o conceito de uma pessoa sobre-humana. Basta você imaginar alguém que seja sempre tão bom quanto você nos dez melhores segundos de sua vida, sempre corajoso como você se sentiu ao ler Os Três Mosqueteiros, sempre instantaneamente sábio como os livros em qeu os filósofos registraram as corrreções dos erros de seu temppo, sempre desprendido como você se sente quando está plenamente satisfeito, sempre belo e nobre como sua esposa ou seu marido lhe pareceu no auge da paixão que levou à experiência matrimonial que depois você tenha lamentado, e aí está o seu poeta, o seu herói, a sua Cleópatra, ou quem quer que você escolha para simbolizar o nível sobre-humano, por meio de uma simples reorganização de sua própria experiência, a qual, por sua vez, foi construída em grande parte pelo mesmo processo.

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:27 PM

Em verdade eu digo que sábio é aquele que diz: Para que iludir-me assim tão tolamente? Por que não dirigir meu afeto, minha esperança e meu entusiasmo aos homens e mulheres como eles são, mudando de um dia para o outro, raramente capazes de enxergar o céu além das nuvens, ao invés de fixar-me nesses monstros ideais que nunca existiram e nunca existirão e por causa dos quais os homens e mulheres se desprezam mutuamente e tornam a terra ridícula com o pessimismo, que é o fim inevitável de todo idealismo? Mas o homem médio ainda não é sábio: ele tem seus ideais assim como a criança tem o seu cavalo de varinha. E quanto mais baixo ele estiver, mais extravagantes serão suas exigências. Todos sabemos quão exigente e severo é o subalterno mais reles quando se trata do caráter e do comportamento da mulher a quem ele propôs confiar a honra do seu nome, e como o grande homem escandaliza os amigos com sua tolerância para com os publicanos e pecadores. Aqui também, se você escreve peças como essas que são exibidas em teatros de baixa reputação, cujos freqüentadores são todos batedores de carteira, o seu personagem tem de mostrar grande indignação e fervente honestidade, com uma ênfase que uma platéia habituada a respeitar a lei não agüentaria nem por meia hora.

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:32 PM

(...)
Agora vamos do microcosmo para o macrocosmo - do teatro barato para o grande palco shakespeariano do "mundo todo", que tem também, observe-se, os seus ladrões na platéia. Nesse palco há muitos papéis a serem atribuídos, pois o público tem seu ideal de reai, presidente, homem de Estado, santo herói, poeta, Helena de Tróia e gênio. Ninguém pode SER esses entes fictícios; mas alguém tem de representá-los para que o público não ponha o teatro abaixo.
(...)

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:35 PM

(...)
Está claro agora como proceder para tornar-se um gênio. Você deve ativar a imaginação do público de modo que as pessoas o escolham como a encarnação de seu ideal de gênio. Fazer isso requer, sem dúvida, algumas qualidades extraordinárias e bastante engenho profissional; mas não é de modo algum necessário ser aquilo que o público faz de conta que você é. Ao contrário, se você próprio acreditar no ideal e não tiver a vaidade necessária para crer-se capaz de realizá-lo; se desistir, desencorajado por sentir que você não é como se imagina; se não souber, como sabe todo conspirador, que a imaginação do público compensará todas as suas deficiências e lutará em defesa de sua total autenticidade como o fanático luta por sua crença, então você será um fracasso. "Cumpra bem o seu papel: é aí que está a honra".

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:39 PM

É possível, contudo, que as circunstâncias lhe reservem um papel tão humilde que mesmo o maior dos talentos dificilmente logrará levá-lo à notoriedade. Você deve então contentar-se com a obscuridade ou fazer o que fez Sothern com o papel de lorde Dundreary em Our American Cousin, ou o que fez Frédéric Lemaître com o papel de Robert Macaire em L;augerge des Adrets. Drespreze a intenção do autor e crie para si mesmo um fantástico papel a partir de um personagem meramente circunstancial ou de um vilão melodramático comum e corrente. Este é o recurso ao qual fui levado. Há muito pouco tempo a produção de uma peça minha (Arms and the Man) em Nova York levou os jornais da cidade a publicar uma série de críticas brilhantes e estudos biográficos de uma pessoa notável chamada Bernard Shaw. Supõe-se que eu seja essa pessoa; mas não sou. Não existe tal pessoa; nunca existiu; nunca existirá, nem poderá existir. Pode acreditar no que digo porque eu o inventei, divulguei, promovi e personinfiquei e agora estou aqui, sentado no meu surrado apartamento no segundo andar de uma praça decadente de Londres, comendo um mingauzinho barato no café da manhã e dando este retoque adicional em sua maquiagem por intermédio de minha máquina de escrever. Minha confissão não abalará nem um pouco a fé do público; eles dirão apenas "Como ele é cínico!" e talvez os mais sensíveis digam: "Que pena que ele seja tão cínico!".

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:45 PM

(...)
Somos forçados a simplificar os problemas, dividindo os homens entre heróis e vilões, as mulheres entre boas e más, o comportamento entre a virtude e o vício e a personalidade entre a coragem e a covardia, a verdade e a mentira, a pureza e a licenciosidade, e assim por diante. Tudo isso é infantil; e por vezes, quando toma a forma de um homem vestido como Justiça, que determina a morte de outro homem, encarcerado como Crime, é bastante assustador. De todos os modos, esse cortejo de reis, bispos, juízes e o que mais seja é, para os intelectos mais elevados, praticamente tão válido em sua pretensão a realidade quanto a Festa do Prefeito de Londres em sua pretensão a dignidade. Um dia, nos livraremos de tudo isso.
(...)

Posted by: Bernard Shaw at January 28, 2008 10:50 PM

Oi, Alexandre. Já li você falando sobre gênios (e idiotas) em outros posts. Na ocasião, comentei sobre um texto do Bernard Shaw a respeito desse assunto. Resolvi copiá-lo nos comentários abaixo como um presente pra você. Espero que tenha paciência para ler tudo, mesmo que discorde.

P.S: não se esqueça de começar de baixo pra cima.

Um abraço.

Posted by: Cristina at January 28, 2008 11:10 PM

E perdoa meus erros de digitação. É sono.

Posted by: Cristina at January 28, 2008 11:13 PM

A digressão de Shaw postada pela Cristina me lembrou o conto "Eu e Borges", de Jorge Luis Borges. Um prato cheio para os ficcionistas que se assumem como farsantes.

Mas interessante que um pouco da idéia deste post do Alexandre está na minha reflexão sobre filmes famosos e filmes ruins (mas que adoramos - nossos cults). Está em http://www.kwriter.com.br/ojardimdodiabo/?p=250

K.

Posted by: Kleber Diabolin at January 29, 2008 12:23 AM

Então já tou um velho preguiçoso e pós-moderno ao ler este blogue?

Posted by: Alberto at January 29, 2008 01:07 AM

os comentários aqui são um desfile (ops, o carnaval aí está) de...sei lá do quê.

alguém aí falou da 'profundiade' de o pequeno príncipe (indeed) e a Badá sobre a necessidade de 'intercalar' algo 'leve e saboroso'. isso é ok, é uma necessidade. mas não estamos intercalando profundidades, estamos intercalando estilos. salinger (que é 'leve') não pode ser muito mais profundo que, sei lá, tolstói? então.

Posted by: Ed at January 29, 2008 11:38 AM

os comentários aqui são um desfile (ops, o carnaval aí está) de...sei lá do quê.

alguém aí falou da 'profundidade' de o pequeno príncipe (indeed) e a Badá sobre a necessidade de 'intercalar' algo 'leve e saboroso'. isso é ok, é uma necessidade. mas não estamos intercalando profundidades, estamos intercalando estilos. salinger (que é 'leve') não pode ser muito mais profundo que, sei lá, tolstói? então.

Posted by: Ed at January 29, 2008 11:38 AM

"...os grandes mestres do estilo dos 19 aos 25,..."

Me confundi, já não sei se me encaixo nesse parâmetro. Ai ai.

Posted by: Pam Machado at January 29, 2008 01:31 PM

Tenho mais de vinte e cinco anos; se seguir os conselhos do post, vou parar de ler este blog.

Posted by: Cristina at January 29, 2008 02:37 PM

Mas o mundo está mesmo entregue aos fedelhos, como se diz qui na terrinha… Valha-nos Nosso Senhor Jesus Cristo! Mas então, ó rapazes e raparigas, vocês já devoraram mesmo o tio “Dostô” (adorei essa) e as tragédias gregas e já estão relaxando os neurónios com as aventuras do sherlock holmes? Mas que juventude dourada essa! E aposto que já sabem trautear de cor toda a música do barroco norte europeu e do tardo romantismo alemão e estão agora se aposentando com Elgar e as marchas do John Philip Sousa. Eu quero adoptar um desses mininos!

(O Alex ainda está pensando qual a atitude que deve tomar com alguns dos comentaristas: se deve ser rude, se deve ser delicado, se deve simplesmente dizer qualquer coisa wit, se simplesmente ignorar... qual é afinal a atitude mais BCBG, mais Sloane Style, já descobriu?)

Badá, estou só brincando, não leve a mal. Mas olhe que se você parou de ler Gorky por não gostar de sua atitude politica, em breve você não vai ler nada de ninguém. Parece que homem bom mesmo só o Tchekov, que era praticamente um santo.

Posted by: caramelo at January 29, 2008 03:43 PM

Ai caramelo, desculpe. Bom, Tchekov, não sei. Estou lendo T.S.Elliot agora e concordo com você que um dia não lerei mais ninguém.
E também concordo que deixamos muito a desejar quando dizemos que já lemos "coisas profundas". Bleh.
Dexia haver um meio de fazer download dos livros enfadonhos direto para os arquivos do nosso cérebro, para sabermos sem perder tempo lendo. Porque eu gosto de ler gibis também, e bobagens de todo tipo. Mas deve ser legal saber mais que os outros.

Posted by: Badá at January 29, 2008 05:50 PM

caramelo,

Pois, os brasileiros são todos assim, mesmo os que, como o Alexandre, desprezam o ethos nacional. Negligenciam os clássicos, mesmo quando os lêem, e falam de "pós-modernidade" como se fosse uma palavra nova. No fundo são todos uns filisteus indolentes e hedonistas que pensam que a literatura é um parque de diversões.

Mas o mais irônico de tudo isso é que, anos atrás, quando li o livro do Alexandre, "A Coisa Não-Deus", lembro-me de como o tom da narrativa parecia em parte destinado a jovens e adolescentes. Há até um capítulo no qual o autor diz para o leitor não desistir do vestibular e tentar se tornar um invocador de anjos... Algumas críticas e resenhas do livro tiveram a mesma impressão: uma certa leviandade adolescente. O próprio Nietzsche é mencionado várias vezes através do livro... Mas agora que está ficando velho o Alexandre parece estar de saco cheio dos adolescentes. Wassup, doc?

O problema não é esse, danem-se os adolescentes; o problema é que essas afirmações tendenciosas do nosso caro blogueiro estão cada vez mais insensatas, frívolas, e, o que é pior, sem graça. Nesse post ele abusou da generalização, do estereótipo e do anacronismo (prazeres plebeus), e pensa estar se alinhando com aqueles "talentos menores" britânicos e americanos, simplesmente porque decidiu que os gigantes e os gênios só servem para fazer sombra.

Lembro-me dos bons tempos deste blog, quando o nosso anfitrião nos fazia rir, nos recebendo com respeito; e especialmente quando a literatura era o prato principal ("Onde está o Camões que vai cantar a epopéia de ignorar essas coisas?" -- Ah, bons tempos...). Ultimamente o nosso cordato cavalheiro tem feito sacrifícios nos altares da polêmica e do efeito, com o único propósito de chamar a atenção com seu espalhafato. Tem sucesso, mas então ignora os visitantes para evitar a vulgaridade da discussão. Além disso, é tudo muito previsível, prepotente e sem graça. Escrever com graça sempre foi uma qualidade especial que atribuí ao Alexandre, mas o que se passa? Writer's block? O segundo livro, "Morte e Vida Celestina", não foi tão interessante quanto o primeiro; e o terceiro, anunciado há meses atrás, parece ter sido abortado. Talvez seja melhor esquecer a literatura e ficar na blogosfera, onde há muitos "talentos menores".

Posted by: Dude at January 29, 2008 09:46 PM

Já li e reli todos os textos de ASS postados aqui. Invejo o estilo, e como me divertem os textos mais antigos. Concordo com Dude.

Pensei que Ass está cansado de blogar. Ou, talvez, dedicando as energias à um novo livro.

Hummm... Badá é chata que dói; fala como minha avó pedagoga. Para Badá: LOL

Posted by: Schanabelewopski at January 30, 2008 02:24 AM

"pensam que a literatura é um parque de diversões"

Não, literatura é the 'nam, Walter.

Posted by: Arnaldo at January 30, 2008 02:38 AM

The horror...

Posted by: Dude at January 30, 2008 03:11 AM

Do not tempt him, shallow ones! Vocês juram que não gostaram nem do "Ê, Nietzsche, viu"?

Posted by: lao at January 30, 2008 07:17 AM

Badá, tu és um doce, sinceramente. Olha, Tchekov é óptimo; lê os contos, todos eles, e não te vais arrepender. Você vai, cof, cof, digamos, mergulhar um pouco na alma humana. Mas não tenha receio. Basta uma braçadas e você rapidamente regressa à brilhante superfície de inox do sublime muzak literário do Alex;)
Bom, mas "algumas críticas e resenhas do livro tiveram a mesma impressão: uma certa leviandade adolescente."? É mesmo verdade, Dude? Bom, eram críticos barbudos do PT, com toda a certeza. Na redacção do Spectator, o Alex é um escritor de culto. é ele, o Evelyn Waugh e o Chesterton.
Que hei-de eu fazer, senhores? O Alex é irresistível. Desde que eu ouvi uma entrevista dele, aqui em Portugal, com o Francisco José Viegas, que se tornou para mim uma figura de culto. Um character. Adoraria conhecê-lo pessoalmente.

Posted by: caramelo at January 30, 2008 11:56 AM

Muita reclamação, pouco assunto, muitos sujeitos que fazem boo-hoo.
Chatices, eu sei, mas essas defesas e ataques aos gigantes que fazem sombra, os mediocrezinhos divertidos e os comentadores chatos são ainda piores. Pedagogas lidam com meninos birrentos e chatos, é então bem adequado.
O Dude acabou falando o que eu não tive coragem de dizer.
Tanto o Alexandre como todo o resto do mundo deve estar de saco cheio desse post, desse blog, dessa gente que vem aqui, dos comentários e dos assuntos que aparecem.
Podia ao menos não ter caixa de comentário, e cada um dia pra casa encara a parede e meditar sobre o caso, sem ter depois com quem comentar. Ia ser mais produtivo.
Agora é tarde.

Posted by: Badá at January 30, 2008 12:15 PM

Caramelo, se você tiver blog, me passa o link, eu tenho tique de ler blogs, e gostei do seu sotaque português.
Eu já li um pouco de Tchekov, ele é dos mais eruditos ou dos meia-boca? Tenho muitos livros de autores russos em casa, herança da rebeldia. Mentira, alguns em comprei no mês passado.
Só compro livros de autores dos quais ouvi falar bem, e o pior é que acabo lendo todos, mas só classifico por "gostei" ou "não gostei", não analiso psicologicamente um livro porque isso o tornaria automaticamente chato (por melhor que fosse).
Eu leio esse blog há tanto tempo e ainda não li nenhum livro do Alexandre. Quando eu estiver mais velhinha eu leio.

Posted by: Badá at January 30, 2008 12:20 PM

"muzak literário"

HAHAHAHAHA

Posted by: Mevisto at January 30, 2008 01:26 PM

Badá, o Tchekov (ou Chekhov) é actualmente dos autores russos mais amados e consensuais. Uma espécie de Chico Buarque da literatura russa ;). O melhor dele são os contos e as peças de teatro. Os contos são muito bonitos, histórias de alegrias e tristezas de gente simples, camponeses e pequena aristocracia, pequenos dramas domésticos sem heroismos, onde nada se passa a não ser a vida. Não tem negrume trágico do Dostô (assim fica mais fácil, de facto), autor que é feito de outra substância e que é para ser consumido em doses moderadas, como o Tolstoy. Essa coisa da Alma Russa é meio indigesta ;)
Para além do Tchekov, aconselho-te, por exemplo, o Gogol. Vais gostar.
Sobre cada um deles, podes encontrar informação na wikipedia, por exemplo.
E é um excelente critério comprar livros de que ouvimos falar bem, é claro. Melhor mesmo, só pegar num livro à toa e ter a sorte de fazer uma boa descoberta. Mas é arriscado. E a gente ou gosta ou não gosta, simplesmente. Se não é para gostar, não vale a pena, não é? Ler não deve ser sacrifício. Já basta quando nos obrigavam a decorar as estrofes dos Lusíadas na escola, cruz credo!
Eu escrevo num blog colectivo, feito por uma dezena de velhos amigos. O seu endereço é http://tapornumporco.blogspot.com/. É uma coisa meio anárquica, onde cada um escreve o que lhe apetece, sob diferentes nomes. Só para passar o tempo livre.

Posted by: caramelo at January 30, 2008 01:49 PM

caramelo,

Eis uma resenha que fala da adolescência em "A Coisa Não-Deus", e não é negativa, nem feita por barbudo do PT:

http://www.weblivros.com.br/romance/acoisanaodeus.shtml

Enfim, também gosto muito do Alexandre. Só gostaria que ele fizesse mais jus à reputação. Menos muzak e mais literatura, s.f.f.

Posted by: Dude at January 30, 2008 02:02 PM

Gente, adouro esses portugueses! Um senso de humor fofíssimo.
Gogol também é fofíssimo, mas tacou fogo no manuscrito, o malvado.
Alexandre, você podia escrever um conto com Portugal como cenário.
Tchaaau!

Posted by: Badá at January 30, 2008 04:04 PM

Russos são... ah, é difícil. "Almas torturadas", algo assim. Vicente Celestino. Vicente Celestino era russo: "disse um campônio à sua amada, ó minha adorada..." em Coração Materno, mas vocês não se lembram, claro.
Gostar imensamente da literatura russa depõe - mas não imensamente, só um pouco - contra a capacidade de entender que há coisas melhores na literatura.
Que deveria, sim, se parecer com um belo parque de diversões. Não há melhor mergulho na alma do que uma volta na montanha russa que, apesar do nome, não é russa. E depois sai todo mundo ileso, rindo, ainda que meio nervosamente.
A montanha russa dos escritores russos é anacrônica, sem graça e sem freios. Ninguém se diverte.

Posted by: Fritz G at January 30, 2008 04:55 PM

Keep Rockin

Posted by: Richard McLaughlin at January 30, 2008 05:21 PM

"Não há melhor mergulho na alma do que uma volta na montanha russa"

Acho que vou vomitar.

Posted by: Dude at January 30, 2008 07:04 PM

Dostô? Por favor. Logo logo vão chamar Rabelais de Rabê, Camões de o Cacá, Cervantes de o Cerva, Vinícius de Moraes de Vina. Essa intimidade com escritores é cretina. Dizem que foi ao ouvir uma heresia cretina dessas, que o czar teve pena e mandou Dostoievski pra Sibéria, em vez de fuzilá-lo. "Chega um gendarme: ah, você que é o Dostô? Teje preso!"

Ah, mas pedagoga não lê. A Badá é chata, mas pelo menos lê.

Os melhores textos do Alexandre Soares Silva que li foram uns da Bravo (geniais? sim, sim, geniais). Infelizmente não publicou mais lá.

Posted by: Ricardo at January 31, 2008 12:56 AM

Eu acho esse post um dos meus melhores em sua absoluta awesomeness, mas vocês têm o direito de não gostar, claro, supostamente.

Cristina, muito obrigado pelo trabalho e a idéia de transcrever tudo - sempre quis ler isso. Eu sempre acho que Shaw escreve delightful nonsense. ;>)

Posted by: Alexandre at January 31, 2008 04:59 AM

Estou vendo que 90% das pessoas já nasceram velhas. Com mais de 25, pelo menos.

Posted by: Igor at January 31, 2008 10:03 AM

Asinino eh palavra bem latina. Quem eh Max Beerbohm?

Posted by: Rick at January 31, 2008 10:18 AM

Se é um dos melhores, então a coisa está feia. No offense, mas eu acredito que você poderia escrever coisa muito melhor.

Posted by: Dude at January 31, 2008 01:28 PM

Ditto.

Posted by: Badá Lhoca at January 31, 2008 05:21 PM

Eu acho que o Alexandre só acredita no que escreveu nesse post três ou quatro dias por semana...

Posted by: Marcio at January 31, 2008 06:00 PM

eu não consigo ler dostoiévski pq não memorizo o nome dos personagens. deveriam todos chamarem maria, marcia, joão, josé...

belissimo post, alexandre.

:)

Posted by: pedro at January 31, 2008 09:03 PM

Eu li os "gênios" dos 15 aos 18, depois pulei logo para os 25. Atualmente estou na fase de livros infantis e policiais...

Alexandre, te contei que meu "A Coisa Não-Deus" sumiu? Meus livros preferidos sempre somem, não sei como! Aliás, meu exemplar de "No Reino Perdido do Beleléu" também sumiu. ;)

Se o seus textos estivessem ruins, eu não falaria "Você era melhor no passado", mesmo que estivesse com vontade de falar. Eu procuraria alguma coisa melhor para fazer.

;)

Posted by: ana at February 9, 2008 01:55 AM

Adolescente é que nem governo,
se há chatices, problemas e afins, alguma culpa eles têm.

Eu tenho meus dezenove. Às vezes gosto de ser escrotamente profunda; noutras, de boiar com patinhos de borracha inflados, tomando um solzinho e uma caipirinha mal feita. Enfim. Não consigo ser sócio-psico-filosófica demais, nem ficar tal bosta n'água, na superfície, o tempo todo.

Já que estão nos russos, cito um de que gosto fodidamente: Leonid Andreiev, que você pode, como eu, sem taxas adicionais, traduzir pra Leonardo André, olhe que bacana!

Posted by: Carol Mendes at February 12, 2008 12:23 PM

Ahh... adolescentes são chatos em seu pedantismo, mas querer negar essa fase embaraçosa seguindo o caminho inverso também é chato. Faz parte, ninguém deveria guardar traumas desse período horrível. Ninguém deveria ser pedante também, mas isso é outro caso.

De qualquer forma as obras continuam lá. Algumas divertidas e outras nem tanto, com profundidade ou sem. No final, mais da metade da história esta na cabeça de quem lê. E caso a química fique um pouco bagunçada, Dostoievski fica superficial e Harold Robbins profundo. E se nada disso funcionar, só resta torrar um e ler tudo de novo.

Posted by: J. Amim at February 14, 2008 02:03 PM

Alguém abaixo falou sobre serem insesatas, prepotenes e tendenciosa as afirmações de ASS, como se fosse alguma novidade. Fazia alguns três anos que não vinha por aqui e foi um agradável retorno ler algo de tão graciosa frivolidade.

Posted by: a at March 2, 2008 04:46 AM
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