October 14, 2007

For King and Cocktails

Às vezes dá vontade de ser essa espécie de blogueiro que posta um link para o texto mais irritantemente estúpido que ele encontrou na semana, e que cita longos trechos do texto numa formatação diferente e que contraargumenta com, ou sem, paciência. Porque é divertido ler essas coisas. Mas daí começa a tocar a musiquinha do Buffalo Bill de Silence of the Lambs e eu acabo fazendo a dancinha do psicopata, e quando vou ver perdi a vontade de postar. Mas então: não há algo de errado em prestar atenção sempre nas pessoas mais imbecis, porque são essas que dá vontade de responder na hora, ao passo que as pessoas menos imbecis você não sente tanta vontade de responder porque elas não foram irritantes o suficiente?

Outro dia li some crazy dude reclamando porque eu não dava link pra alguém, aparentemente porque eu me acho muito superior e tal, e o crazy ass dude não gosta que ninguém pense que é superior aos outros. Bom, admito que ele até tinha razão: sim, ok, eu sempre penso que sou superior aos outros, e isso desde criança; nasci me achando superior ao obstetra, que vi pela cara que devia ser leitor de biografias de governadores ou algo assim, e quando ele me estapeou a bunda meu monoculinho caiu de humilhação e espanto. Essa convicção da minha superioridade não é algo que me dê prazer, ou ok me dá prazer às vezes, mas mais frequentemente me dá uma dor aguda como se eu tivesse batido o cotovelo do espírito na quina da mesa de mármore do intelecto, derrubando no processo o candelabro da satisfação pacífica. Vocês que nunca se sentem superiores, seus modestos, seus demagogos, não sabem a decepção de viver imerso em bairrros e bairros d'imbecis, o desalento de ter que levantar e ir conversar com essa gente sobre o que quer que lhes interesse no momento, de ter que ir cursar uma faculdade planejada por e para essa gente, de ter que ir trabalhar entre essa gente e ir comer no bandejão com essa gente. E vocês não sabem disso porque vocês são essa gente. E nesse momento estão fazendo snif-snif para o que eu estou dizendo porque não acreditam que possa ser tão chato assim viver entre pessoas bacaninhas como vocês, ouvindo as suas músicas e tal.

Mas ok, ouve isto. Na semana passada eu estava num restaurante conversando com uma mulher mais velha, e ela me disse que na juventude escrevia peças, o que fez com que eu olhasse muito surpreso para ela porque ela não é o tipo, sabe, não se interessa por livros ou peças nem nada disso. Imediatamente pensei, "imagina que merda devia ser", e ok, este é o ponto deste parágrafo, isto que vou dizer agora, porque realmente pensei na minha reação e me perguntei, não-retoricamente, poderão todos aqueles trolls estarem certos? Serei eu, qual a palavra - um babaca? Babaca não, qual a palavra? Como se traduz asshole? Serei eu um? Mas depois começou a tocar a musiquinha do Buffalo Bill de Silence of the Lambs e eu fiz a dancinha pra ela, e meu pequeno momento de autoreflexão acabou para sempre.

A tentação do Orgulho Intelectual, e não só intelectual, do Orgulho Estético e todos os outros, cedi a ela alegremente, desde criança, sem nem pensar em lutar muito. Mas sei lá, eu tinha mais paciência pra conversar com gente burra, aka "gente normal", como chamo pernosticamente, quando eu era criança; sentava pra conversar com o seu Toninho da funilaria ou alguém assim, não por gosto que não sou maluco, mas se tinha que conversar conversava. Sempre encontro em romances a descrição de uma criatura perfeitamente mundana e agradável, digamos um velho diplomata, que parece se interessar "genuinamente" (o romancista sempre escreve "genuinamente") pelas profissões e interesses dos outros, de modo que se encontra um dentista fica muito interessado em dentes, se encontra um fucionário público fica muito interessado na funcionalidade pública dele, etc, e isso é mostrado como uma característica elegante de um homem socialmente experiente. E eu concordo, claro, é uma característica boa e de fato é uma forma de elegância. Mas só de pensar em me interessar nos detalhes da carreira dum funcionário público, ou na opinião dele sobre, sei lá, os efeitos especiais de Transformers, começo a sentir vontade de bater o rosto na tábua de queijos.

Esse problema foi ficando pior quando eu tinha uns vinte anos. Nessa época sempre tentava sair dessas situações - digamos quando jantava na casa de um casal amigo da minha namorada, ele com seus exatos onze livros na estante e sua capacidade de conversar durante horas sobre hotéis na Bahia - desviando o assunto, abrupta e desesperadamente, para literatura.

-Não, era em Camburanhuma. Se você quiser te passo o folheto, tá lá no escritório segunda eu pego -
-Eu gosto de Ronald Firbank.

Nunca dava certo, nunca dará certo, mas era a minha tática. Levei uns cinco anos pra parar de fazer isso. Agora só suspiro e reviro os olhos e faço cara de "Ah, Jesus Cristo, seu bando de retardados!", eventualmente puxando os cabelos e enfiando a cabeça entre os joelhos e soltando um aaaaAAAAHHHH!!! - enquanto, todo curvado, começo a dar soquinhos na minha nuca, pelo menos cinco, um a cada três segundos.

Posted by Alexandre S. at October 14, 2007 12:13 AM
Comments

Alexandre, existe babaquice suficiente para todos nós. Não precisamos brigar por ela.

Posted by: Juliana Cunha at October 14, 2007 01:11 AM

Sim!

Posted by: Pedro Sette Câmara at October 14, 2007 01:47 AM

Eles gozavam da ideia de levar a cultura às massas, que condescendente para com o Zé Povinho, etc, mas que alternativa há? Quem gosta de assuntos interessantes tem que criar os seus próprios amigos. Tem que explicar porque é que gosta de determinado autor ou filme, e é bom que seja persuasivo, para que os outros vão depois ver o maldito filme ou ler o tal livro, para depois terem alguém com quem falar sobre isso. É por isso que eu falo pelos cotovelos e blá blá blá

Posted by: Mariana at October 14, 2007 02:29 AM

Deve ser fogo ser o Alexandre. Além dos chatos pedindo para ele dar link, agora ele arrumou esta idéia de ficar toda semana fotografando as colunas de Paulo Francis. O resultado é este monte de gente, eu inclusive, reclamando "cadê, cadê a coluna do Francis?".
Agora me diz, você faz a cara de "Ah, Jesus Cristo, seu bando de retardados!" quando começam as cobranças?

Posted by: Ângelo da C.I.A. at October 14, 2007 02:40 AM

Nenhum assunto é por definição e puramente mais interessante do que outro (nem mais complexo). Se eu e você apreciamos mais a literatura aos hotéis na Bahia, isso não transforma o último em um tema menor. A questão é que geralmente as pessoas contentam-se com mediocridades e não exploram verdadeiramente assunto algum. Aposto que os hotéis da Bahia dariam material para anos de estudo profundo (assim como qualquer assunto). Por outro lado, conheço várias e várias pessoas que "adoram" literatura mas que não conseguem superar a barreira dos Paulos Coelhos e Stephen Kings da vida. Resumindo: a questão não está no assunto, mas sim em como este é trabalhado.
Aliás, essa coisa de elevar aos céus temas como literatura e arte e acreditar que todo o resto é resto já virou clichê de pseudo-intelectualismo. É muito "lame".

Gostei do seu blog!
Beijo!

Posted by: Karin Kolln at October 14, 2007 02:52 AM

Agora a pergunta ficou presa na minha cabeça- qual é o equivalente português de asshole? Eu sempre vi babaca como um termo que denotasse maldade burra, ignorância. Seria canalha? Existe um degrau de obstinação e malícia e pura capacidade de irritar que só "asshole" consegue expressar, e não acho que canalha tem isso tudo. Acho que vale a pena procurar uma boa tradução do termo. Já cansei de ver a palavra traduzida, em seriados, como "bundão", o que me dá arrepios de vergonha alheia pelo tradutor.

E não, você não é um asshole. Ou pelo menos, relendo o texto, não com ninguém que não mereça um pouco de assholice coming their way.

Posted by: John Santos at October 14, 2007 05:06 AM

Arrepios de vergonha alheia diante da "assholice" do John Santos.

Posted by: Who cares? at October 14, 2007 07:10 AM

Alexandre usando três exclamações. Eis a prova de um desespero absoluto.

Mas não ligue, Alexandre. Revirando aqui e ali existem pessoas superiores. O problema é ter que se sujar todo de "normalidade" procurando alguém que valha a pena. Só não vem falar comigo que depois eu vou dizer que você é um babaca que não gosta de saber como são minhas viagens à Bahia.

Posted by: Gustavo at October 14, 2007 07:18 AM

É preciso calma, Alexandre. Mais cinco anos e vai estar dando socos na nuca, pelo menos dez, de segundo a segundo. Esperemos.

rvn

Posted by: rvn at October 14, 2007 08:44 AM

" nasci me achando superior ao obstetra, que vi pela cara que devia ser leitor de biografias de governadores ou algo assim, e quando ele me estapeou a bunda meu monoculinho caiu de humilhação e espanto. "

"Serei eu, qual a palavra - um babaca? Babaca não, qual a palavra? Como se traduz asshole? Serei eu um? Mas depois começou a tocar a musiquinha do Buffalo Bill de Silence of the Lambs e eu fiz a dancinha pra ela, e meu pequeno momento de autoreflexão acabou para sempre."

Muito bom. Vc poderia ter sido o roteirista do ARCTU http://www.imdb.com/title/tt0307716/ ja que segue o mesmo formato.

ARCTU foi a melhor sitcom dos ultimos vinte anos depois de Seinfeld + os assholes da Fox desistiram dela justamente pq nao agradava gente que gosta de falar sobre hoteis na Bahia ( Ou New Hampshire). ASSHOLES.

Oh, am I being a snob? Humn, do I care?

Posted by: Alexandre at October 14, 2007 09:10 AM

É verdade, Alexandre. Tolerância nem sempre é uma virtude. ;-)

Posted by: Gabriel Trigueiro at October 14, 2007 10:02 AM

Esse maravilhoso post me lembrou outro seu em que você escrotizava as "pessoas que falam de empresas". E você imitava o diálogo dessas pessoas:
"E essa Tim, hein!"

Isso é muito bom. Muito bom, muito mesmo...

Posted by: Paulo at October 14, 2007 11:43 AM

Achar-se superior aos demais é que nem defecar: todo mundo faz, mas as pessoas de bom senso não o fazem publicamente.

Gosto, do entanto, da sua honestidade ao admitir que sempre tem a dancinha do psicopata disponível para quando a autoreflexão começa a ficar incômoda demais.

Posted by: Um leitor at October 14, 2007 01:25 PM

goodbye horses, cryng over you-o-oum goodbye horses, cryng, cryng, huuuuuuu, hu, hu, hu....

Posted by: evelyn at October 14, 2007 02:08 PM

goodbye horses, crying over you-o-oum goodbye horses, crying, crying, huuuuuuu, hu, hu, hu....

Posted by: evelyn at October 14, 2007 02:09 PM

A tolerância e a arrogância são tidos freqüentemente como atributos positivo e negativo respectivamente. Mas, vejamos: se você é tolerante com aquele seu colega de trabalho que insiste em lhe contar os detalhes de seu feriadão na praia de Majorlândia, você estará condenado a ouvir a história de muitas outras praias para o resto de sua vida (pois sempre haverá "colegas de trabalho" para contar suas férias em Majorlândia), ao que seria preferível comprar o Guia Quatro Rodas, que não solta perdigotos.
É preciso que sua arrogância pincele nuvenzinhas pretas no céu de Marjolândia logo no primeiro dia das férias dele, justamente quando ele, pimpão e saltitante, estiver saindo do hotel às dez da manhã com um isopor de cerveja na mão.
Então, além da intolerância e da arrogância, um tanto de maldade profilática também é indispensável.

Posted by: Roger Prado at October 14, 2007 02:39 PM

"são tidas", ai, ai

Posted by: Roger Prado at October 14, 2007 04:33 PM

E se você for um dos medíocres? E, pior: e se for um dos medíocres e ainda assim mantiver senso de superioridade?

Não seria ridículo, senhor?

Posted by: A. at October 14, 2007 08:11 PM

Um ponto de vista.

Posted by: Fernando Torres at October 14, 2007 11:36 PM

pra quem é medíocre, só complexo de superioridade já é um progresso.

Por que tábua está escrito com o?

Posted by: M Forcheville at October 15, 2007 03:56 AM

Ah, Alexandre! Eu amo você. É tão reconfortante.
Já não me sinto mais soterrada sob a culpa.
Um sorriso para você.

Posted by: Badá at October 15, 2007 10:02 AM

Ninguém lê Michael Arlen em Camburanhuma.

Posted by: mauro at October 15, 2007 10:28 AM

Alexandre, este texto está cômico do começo ao fim. E o Orgulho Estético foi ao delírio com o título "For Kings and Cocktails" - sensacional. Tentei achar o link do texto sobre "pessoas que falam de empresas" mas não consegui.

Posted by: Maria at October 15, 2007 10:45 AM

Fala sério Alexandre, quando você escreveu isso, já imaginava que fossem entrar aqui dizendo "feio, bobo, o medíocre é você! humpf, não brinco mais!", né?

Posted by: Bruno at October 15, 2007 02:05 PM

Ó o que o Júlio disse sobre isso:

"Um grande propósito também é minar sistematicamente a “imagem de intelectual”. Nada incomoda tanto quanto a fama de intelectual, de sujeito que só pensa em filosofia e fica soltando comentários inadequados o tempo todo (análogo ao já referido “religious freak”):

Pessoa normal: “Pode me passar o sal?”
Intelectual: “Você conhece o ‘Süddeutsches Zeitung’?”
Pessoa normal: “O sal, por favor” (perdendo o interesse pela vida)

A grande arte é cultivar a inteligência e, ao mesmo tempo, quebrar os esquemas de intelectual, escondendo o jogo. Uma boa dica – que vem de alguém com dificuldades nesse campo – é gostar de futebol, por mais difícil que pareça. Sempre admirei meu tio QI 200 por vibrar com as partidas do São Paulo; aí entra o Nelson Rodrigues para ajudar. Mas futebol não é a única opção; elas são infinitas; por exemplo, tentar se interessar por coisas surpreendentes, como... o trabalho dos outros (!): engenharia, ciência da computação, secretariado, espeleologia, finanças, mesmo que não se entenda nada. O esforço nunca seria totalmente artificial, porque a intenção é reta e com o tempo se ganha naturalidade. Você quer sair de si, e não impressionar os outros, ou ser diferente. Aliás, não há maior indício de personalidade do que se interessar pelo que os outros fazem, e pelo que são.

Talvez o próximo passo seja apagar esse blog, mas isso seria só uma desculpa fácil para ganhar tempo livre."

Faz um curso de adulteza com o Júlio.

Posted by: Jorge at October 15, 2007 03:33 PM

um legítimo post ass como há muito não se via, e ponto.

Posted by: Ed at October 15, 2007 03:48 PM

Vocês subestimam a cena literária de Camburanhuma. O Jorge Amado - ou foi o João Ubaldo? - quase escreveu um romance passado lá. Ou foi o García Márquez? Agora, onde o bicho pega pra valer é em Camburanhuma-mirim

Posted by: F. Arranhaponte at October 15, 2007 05:33 PM

acho que o mero senso de superioridade é que a faz. espero, pelo menos. hehe

Posted by: bruno at October 15, 2007 06:29 PM

Maria, é este aqui:

http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/015648.html

E Jorge, grande coisa, até Dakota Fanning pode me dar lição de adulteza. Não discordo do Júlio Lemos, só não pratico o que ele prega. Amém.

Posted by: Alexandre at October 15, 2007 06:49 PM

E, aliás, um hotel na Bahia pode ser um lugar quase idealmente aprazível para ler. Vocês já tentaram o da praia do Forte? Crianças sumidas com os animadores, varandão vazio, a leve brisa balouçando umas folhonas num vaso ao lado, o barulho do mar ao longe, e quebrando a paz celestial apenas o garçom de meia em meia hora gentilmente depositando mais uma caipirinha na mesa. É verdade que quando começa o axé na piscina a coisa muda

Posted by: F. Arranhaponte at October 15, 2007 08:11 PM

Ah! Esse post "Na Saída do Cinema" é simplesmente perfeito. Uma pérola mesmo. Lord ASS, pediria, se possível, o link de um outro post que nunca mais consegui achar, em que você sai do seu prédio e vê uns pedreiros encostados no muro.

Posted by: Paulo at October 15, 2007 08:30 PM

"começo a sentir vontade de bater o rosto na tábua de queijos." =)

Posted by: Regina at October 15, 2007 11:08 PM

Quando eu quero me acabar de rir, venho ao blog do Alexandre. Sempre dá certo. :-)

Posted by: Norma at October 15, 2007 11:48 PM

"Faz um curso de adulteza com o Júlio."

se Alexandre fosse Mr Darcy, esse seria a Mrs. Benneth

Posted by: M Forcheville at October 16, 2007 02:03 AM

Alexandre, adorei esse seu texto, mas fiquei um pouco triste porque agora tenho certeza que jamais poderíamos conversar, mesmo que um dia, por acaso, eu encontrasse você por aí. É que eu sou uma dessas pessoas medíocres e, inclusive,
funcionário público. Mas tudo bem. Vou tentar seguir o seu exemplo e esnobar o máximo possível as pessoas que estão atrás de mim na escala evolutiva. Vou tentar ser um Alexandre Soares Silva em escala 1:10. Você é meu ídolo.

Posted by: Fábio Henrique at October 16, 2007 07:26 AM

Forcheville,

Dakota Fanning representando Mrs. Bennet, isto sim seria soaressílvico.

E Alexandre, nhá, eu sinto o mesmo quanto ao Júlio Lemos, mas tive vontade imediata e incontrolável de citá-lo.

Ele, como o Waugh, é bastante citável.

Posted by: Jorge at October 16, 2007 11:44 AM

Olá alexandre,

Faz alguns anos que visito constantemente seu blog que me ensinou muita coisa, de verdade. Acho que rarisimas vezes me manifestei aqui.

Escrevo pois acabo de abrir um novo blog com mais dois escritores. Eu pus o link do seu blog nele tudo bem? Visite-me. http://cultuar.blogspot.com

Grande Abraço,

Felipe

Posted by: Felipe Stefani at October 16, 2007 02:41 PM

Sempre gostei muito do que você escreve quase sempre ou de vez em quando.

Mas essa, admito, foi a primeira vez que fiquei morrendo de inveja. Eu queria muito ter escrito isso tudo que você disse aí.

Já que agora você já disse e eu não vou copiar você, só me resta dizer: OBRIGADO, ALEXANDRE, por essa transliteração de tudo o que sinto e penso.

Dica: comprei há umas semanas um daqueles "in-ear phones". Uma dessas pessoas, quenemque essas que você descreveu aí, me disse "mas assim você corta toda a possibilidade de interação com as pessoas" e eu disse "o quêêê" e o imbecil repetiu e eu disse "entendeu agora?".

Recomendo fortemente.

Schopenhauer disse que toda convivência com outras pessoas certamente redundará em prejuízo. Às vezes eu queria muito conseguir discordar dele...

Posted by: OleSchmitt at October 16, 2007 04:19 PM

Este post me colocou no meu devido lugar.

Posted by: Renata at October 16, 2007 05:59 PM

Snob? Jamais.

A (nossa) superioridade emana facilmente ao olhar para os moleques da faculdade, ou pros freqüentadores de uma livraria meia-boca (que não ficam dando pulinhos ao achar To Catch a Thief em promoção) ou para os estagiários de Direito (devem ser os melhores para, numa comparação, eu começar a me sentir superior, mesmo não lendo, como eles, um livro /inteiro/ de, sei lá, teoria geral da falência).

É, num mundo cheio de babacas, we're lucky to have Alexandre.

Posted by: Lucy van Pelt at October 16, 2007 09:01 PM

cara, que texto chato.

Posted by: MM at October 17, 2007 12:26 AM

Mas Alexandre, você não é espírita e vegetariano?

Posted by: Danilo Rocha at October 17, 2007 12:52 AM

Nhá. Vou procurar no torrent este ARCTU. Apenas porque tem CTU na sigla, e me lembra do Jack Bauer. Falando em 24, e o Bope, sr. 01? Onde está a posição dura, mas necessária (best post ever)?

Também tenho a impressão que a humanidade é composta por pessoas idiotas, e tal, mas o que fazer? Blend in as much as possible.

Mas pense bem, se todos fossem mais inteligentes que você, escrevessem melhor, colocassem as vírgulas com mais eloqüência, e conhecessem melhor seus autores favoritos, que horror seria?

Posted by: Delance at October 17, 2007 01:20 PM

O senhor se preocupa demais com que não gosta, observa demais; isso no mínimo se deve a uma intensa vontade de cagar pra dentro.

Posted by: Anderson Ribas at October 17, 2007 09:58 PM

Ah ah ah ah ah ah ah ah!!!!!!!

Posted by: Lia at October 18, 2007 10:22 AM

Segue o link para ARCTU (Andy Richter controls the universe).
http://www.mininova.org/tor/218149

Para seres inferiores importante notar que podes sim baixar um episodio por vez en vez de toda a serie.
I have spoken.

Posted by: Alexandre Satni at October 18, 2007 01:46 PM

O Danilo Rocha é muito malvado.

Posted by: José at October 19, 2007 11:50 PM

A "musiquinha do Buffalo Bill em Silence of the Lambs" é Q Lazarus cantando 'Goodbye Horses" e, com essa informação, eu estrago o charme da coisa toda, que há charme também em ser espírito de porco. Mas assim quem saiba o blogueiro corra para o Soulseek e baixe essa música, podendo dançá-la de fato, e não apenas imaginariamente, abrindo a toalha no final até.

Posted by: Léo Bueno at October 20, 2007 10:16 PM

Obrigada :)

Posted by: Maria at October 22, 2007 11:07 AM

Vc já mediu seu QI? Embora seja etnocêntrico, não tenha valor "científico", "não se possa medir a inteligência" etc, etc, tem sempre gente se exasperando quando se diz que determinado grupo tem QI baixo ou alto.
As pessoas podem ser mais ou menos altas, mais ou menos fortes, mais ou menos gordas, mas têm todas a mesma inteligência.
Podem também surfar melhor ou pior, dançar melhor ou pior - claro, se treinarem com a mesma ênfase surfaram e dançaram todas no mesmo nível.
Bem, me disseram uma vez que a comunicação só é possível dentro do intervalo de 2 desvios padrões de QI. Ou seja, se seu QI é 200 nessa escala mais comum (média de 100 e desvio padrão de 24), cujo nome não lembro, vc só se comunica com quem tem QI até 152. É uma asserção pra lá de chutada mas serve como rule of thumb pra saber se vale a pena ou não prestar atenção ao que diz o interlocutor e explica muito bem essa impossibilidade de comunicação "tão comum" pras pessoas mais inteligentes.
Para QI 186, a chance de se encontrar alguém com QI igual ou superior é de aproximadamente 1:30.000. Bem improvável. No Brasil devem ter então uns 6.000. Admitindo que, desses, muitos possam ter outros interesses, uma vida mais feliz ou simplesmente algo melhor pra fazer que ficar postando em blogs, vc imagine a quantidade de gente burra que tenta se comunicar com vc!
A revista caras sempre coloca Fulano de Tal, 42... Nesse blogs as pessoas deviam colocar, Fulano de Tal, 122... Isso intimidaria gente burra de postar... mas o problema que é que ia ter muita gente mentindo.

Posted by: comentador at October 24, 2007 11:31 AM
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