October 27, 2007

Toma, lê de madrugada

ghoststories21-page1.jpg

ghoststories21-page2.jpg




ghoststories21-page3.jpg




ghoststories21-page4.jpg




ghoststories21-page5.jpg




ghoststories21-page6.jpg




ghoststories21-page7.jpg




ghoststories21-page8.jpg




ghoststories21-page9.jpg




themonsterofdreadend68johnstanley-page10.jpg

Via Comic Book Resources.

Posted by Alexandre S. at 04:20 AM | Comments (11)

October 25, 2007

Essa Falsa Cultura

mu%C3%A7ul.JPG

mu%C3%A7ul2.JPG

mu%C3%A7ul3.JPG

mu%C3%A7ul4.JPG

mu%C3%A7ul5.JPG

mu%C3%A7ulultimo.JPG

Posted by Alexandre S. at 02:03 PM | Comments (34)

October 24, 2007

A Dance to the Music of Time

Estou relendo os doze livros de A Dance to the Music of Time, lendo agora o primeiro, e reencontrando todos aqueles personagens que tinha vagamente esquecido mas que soam como pessoas que conheci em outra época: Peter Templer, Quiggins, Mark Members, Sillery. Aquilo em que Anthony Powell é bom é em expressar curiosidade por outras pessoas; uma curiosidade que eu gostaria de ter, na vida real, e que acabo apanhando dele durante uns dias mas que depois some. Grande parte da literatura mundial saiu de simplesmente ver uma pessoa interessante na rua e ficar se perguntando quem era e onde ia. Grande parte do problema da literatura brasileira é exatamente esse, que ninguém na rua parece muito interessante e sabemos de antemão que são idiotas. Quantas vezes não fiquei parado no farol vendo as pessoas passando na frente do meu carro e pensando idiota, idiota, idiota. A curiosidade não é estimulada, e se tentamos de fato imaginar como aquela pessoa deve ser, sentimos mais condescendência que interesse: donde os personagens idiotas com nomes chinfrins, como Mariazinha Canela-de-Vidro ou Bentinho ou Gaetaninho (foda-se você, Gaetaninho). Me pergunto se a internet vai mudar isso, se várias pessoas passaram como eu por um momento de descobrir em blogs que nem todo mundo é estúpido no Brasil, coisa que descobri aos trinta e três anos, e que portanto até mesmo personagens brasileiros podem ser interessantes.

Mas enfim, A Dance to the Music of Time: um grande conjunto de livros, mas relendo a cena da tea-party de Sillery, o professor exclusivamente interessado em intrigas e poder, coisa que é um pouquinho chata, não é, senti uma súbita vontade que Powell fosse menos realista e transformasse Sillery num egiptólogo perseguido por uma múmia. Meus impulsos infantis de sempre. Ele chamaria Jenkins para um lado e perguntaria se ele tem "nervos de aço", e em seguida lhe passaria discretamente uma pistola. "Durma na passagem, Jenkins, e fique atento para qualquer barulho vindo do corredor; eu dormirei na poltrona de frente para a janela. Por onde quer que ela tente entrar, esta noite terá uma grande surpresa!" "Mas por quem esperamos, Professor?" "Ah, você verá, Jenkins!", diria Sillery "estremecendo visivelmente, apesar do calor do verão". Seria legal. Na falta dum interesse genuíno por pessoas, acho que só consigo me interessar por múmias.

Posted by Alexandre S. at 04:24 PM | Comments (14)

October 22, 2007

As Tias e a História

Quando ouço as minhas tias falando de uma época vagamente chamada de "a Época dos Reis", tento imaginar como seriam os livros de história se eles fossem escritos exclusivamente por tias.

Não é difícil imaginar que a grande historiadora Tia Noêmia, por exemplo, no seu livro "Na Época do Arco da Velha", dividiria as fases da história da humanidade assim:

1) "Os Tempos Antigos" (incluindo a mocidade dela);
2) "Hoje em Dia".

Tia Noêmia ficaria conhecida pelo seu livro "Os Antigos", livro de perfis biográficos de uma categoria que aparentemente incluiria o rei Davi, Louis Pasteur e Lucho Gatica. Seu segundo livro mais famoso se chamaria "Nos Dias de Hoje" e teria como subtítulo "Época de Pouca Vergonha, o Fim do Mundo Mesmo". Seria dominado pela convicção de que a Revolução Sexual é uma coisa que está acontecendo agora, ou que talvez (ela admitiria quando contestada) tenha começado "uns anos atrás", ao passo que nos anos 60 as mocinhas de bem nem entravam "nos carro. Vixe, bem, não. Ficavam mal-faladas."

A segunda maior Tia Historiadora seria a Tia Núria, que seria um pouco mais detalhista e dividiria as fases históricas em:

1) "A Época dos Reis" (também conhecida como "A Época dos Reis Lá, Com as Peruca e as Carruage");
2) "A Época do Imperador Lá, Dom Pedro I, Dom Pedro II, vixe, essas coisa";
3) "Os Ano 50, uma Fase de Muita Inocência";
4) "Hoje em Dia, com o Computador e Tudo".

No famoso Primeiro Encontro Internacional de Tias Historiadoras de Guararema, a Tia Núria seria duramente contestada pela Tia Rafaela, que levantaria e diria:

-E os imperador romano?

Ouvindo isso todas as tias achariam que a Tia Núria estava acabada, mas a Tia Núria não se deixaria abalar e responderia:

-Isso é mais atrás, bem.

O que é, todas concordariam, irrespondível. Nesse ponto a Tia Rafaela ficaria olhando o folheto com os períodos históricos da Tia Núria, ficaria confusa e diria:

-Ah, tá. Estorna tudo -, e sentaria, encerrando assim o mais vivo debate intelectual daquele congresso de tias (e talvez dos Dias de Hoje).

Uma das características da historiografia das tias, de todas as tias, é que elas não fazem grande distinção entre as últimas décadas, e dificilmente reconhecerão que um filme é dos anos 70 e não dos 80, ou dos 60 e não dos 40, se baseando exclusivamente nas roupas, cabelos, carros ou música. Isso talvez tire algum rigor das obras completas da Tia Noêmia, da Tia Núria e da Tia Rafaela, mas dá um certo charme inalcançável a reles Toynbees e Nialls.

Posted by Alexandre S. at 09:58 PM | Comments (21)

Shivers of Girliness

Não ligo muito para a música - o melhor que posso dizer dela é que ela não me incomoda - mas vi esse vídeo umas cinco vezes seguidas. Queria escrever posts assim, como este: longos textos sobre mulheres, longos, longos textos, um pouco ridículos aqui e ali, um pouco embaraçosos pelo que deixam ver das fantasias íntimas e autoindulgentes do autor, sobre mulheres como Gwen Stefani ou Claudia Cardinale ou Famke Janssen - ou ainda mulheres vistas na rua, como aquela loira de olhos verdes que vi entrar no restaurante Três Irmãos uma vez, no Porto, usando um vestido branco, acompanhada de um homem baixinho e careca, quando eu era criança (circa 1983); ou a adolescente que vi, quando eu também era adolescente, parada dentro da garagem da casa dela no Alto da Boa Vista em São Paulo, apoiada nas barras da porta da garagem olhando para mim, enquanto passava o pé descalço bem devagar no pêlo de um pastor alemão capa preta.

Não posso, porque só sei escrever sobre coisas das quais não gosto, enchendo páginas e páginas sem dificuldade nenhuma sobre blogs ruins ou pessoas de rosto estúpido e whatnot, ao passo que quando gosto de alguma coisa fico mudo. Talvez tente escrever umas coisas assim, um pouco mais longas do que isto. Mas o que eu queria dizer é que o autor do post tem razão: "When she stands up against a sunlit window, it is like shivers of girliness are running back and forth from the top of her head to the bottom of her heels and back again."

Posted by Alexandre S. at 02:02 PM | Comments (20)

October 18, 2007

É hora de revisar

Coluna de Paulo Francis de quinta-feira, 21 de setembro de 1989.

rabin3.jpg

rabin2.jpg

rabin4.JPG


rabin5.JPG


rabin6.jpg

Posted by Alexandre S. at 01:26 PM | Comments (10)

October 14, 2007

For King and Cocktails

Às vezes dá vontade de ser essa espécie de blogueiro que posta um link para o texto mais irritantemente estúpido que ele encontrou na semana, e que cita longos trechos do texto numa formatação diferente e que contraargumenta com, ou sem, paciência. Porque é divertido ler essas coisas. Mas daí começa a tocar a musiquinha do Buffalo Bill de Silence of the Lambs e eu acabo fazendo a dancinha do psicopata, e quando vou ver perdi a vontade de postar. Mas então: não há algo de errado em prestar atenção sempre nas pessoas mais imbecis, porque são essas que dá vontade de responder na hora, ao passo que as pessoas menos imbecis você não sente tanta vontade de responder porque elas não foram irritantes o suficiente?

Outro dia li some crazy dude reclamando porque eu não dava link pra alguém, aparentemente porque eu me acho muito superior e tal, e o crazy ass dude não gosta que ninguém pense que é superior aos outros. Bom, admito que ele até tinha razão: sim, ok, eu sempre penso que sou superior aos outros, e isso desde criança; nasci me achando superior ao obstetra, que vi pela cara que devia ser leitor de biografias de governadores ou algo assim, e quando ele me estapeou a bunda meu monoculinho caiu de humilhação e espanto. Essa convicção da minha superioridade não é algo que me dê prazer, ou ok me dá prazer às vezes, mas mais frequentemente me dá uma dor aguda como se eu tivesse batido o cotovelo do espírito na quina da mesa de mármore do intelecto, derrubando no processo o candelabro da satisfação pacífica. Vocês que nunca se sentem superiores, seus modestos, seus demagogos, não sabem a decepção de viver imerso em bairrros e bairros d'imbecis, o desalento de ter que levantar e ir conversar com essa gente sobre o que quer que lhes interesse no momento, de ter que ir cursar uma faculdade planejada por e para essa gente, de ter que ir trabalhar entre essa gente e ir comer no bandejão com essa gente. E vocês não sabem disso porque vocês são essa gente. E nesse momento estão fazendo snif-snif para o que eu estou dizendo porque não acreditam que possa ser tão chato assim viver entre pessoas bacaninhas como vocês, ouvindo as suas músicas e tal.

Mas ok, ouve isto. Na semana passada eu estava num restaurante conversando com uma mulher mais velha, e ela me disse que na juventude escrevia peças, o que fez com que eu olhasse muito surpreso para ela porque ela não é o tipo, sabe, não se interessa por livros ou peças nem nada disso. Imediatamente pensei, "imagina que merda devia ser", e ok, este é o ponto deste parágrafo, isto que vou dizer agora, porque realmente pensei na minha reação e me perguntei, não-retoricamente, poderão todos aqueles trolls estarem certos? Serei eu, qual a palavra - um babaca? Babaca não, qual a palavra? Como se traduz asshole? Serei eu um? Mas depois começou a tocar a musiquinha do Buffalo Bill de Silence of the Lambs e eu fiz a dancinha pra ela, e meu pequeno momento de autoreflexão acabou para sempre.

A tentação do Orgulho Intelectual, e não só intelectual, do Orgulho Estético e todos os outros, cedi a ela alegremente, desde criança, sem nem pensar em lutar muito. Mas sei lá, eu tinha mais paciência pra conversar com gente burra, aka "gente normal", como chamo pernosticamente, quando eu era criança; sentava pra conversar com o seu Toninho da funilaria ou alguém assim, não por gosto que não sou maluco, mas se tinha que conversar conversava. Sempre encontro em romances a descrição de uma criatura perfeitamente mundana e agradável, digamos um velho diplomata, que parece se interessar "genuinamente" (o romancista sempre escreve "genuinamente") pelas profissões e interesses dos outros, de modo que se encontra um dentista fica muito interessado em dentes, se encontra um fucionário público fica muito interessado na funcionalidade pública dele, etc, e isso é mostrado como uma característica elegante de um homem socialmente experiente. E eu concordo, claro, é uma característica boa e de fato é uma forma de elegância. Mas só de pensar em me interessar nos detalhes da carreira dum funcionário público, ou na opinião dele sobre, sei lá, os efeitos especiais de Transformers, começo a sentir vontade de bater o rosto na tábua de queijos.

Esse problema foi ficando pior quando eu tinha uns vinte anos. Nessa época sempre tentava sair dessas situações - digamos quando jantava na casa de um casal amigo da minha namorada, ele com seus exatos onze livros na estante e sua capacidade de conversar durante horas sobre hotéis na Bahia - desviando o assunto, abrupta e desesperadamente, para literatura.

-Não, era em Camburanhuma. Se você quiser te passo o folheto, tá lá no escritório segunda eu pego -
-Eu gosto de Ronald Firbank.

Nunca dava certo, nunca dará certo, mas era a minha tática. Levei uns cinco anos pra parar de fazer isso. Agora só suspiro e reviro os olhos e faço cara de "Ah, Jesus Cristo, seu bando de retardados!", eventualmente puxando os cabelos e enfiando a cabeça entre os joelhos e soltando um aaaaAAAAHHHH!!! - enquanto, todo curvado, começo a dar soquinhos na minha nuca, pelo menos cinco, um a cada três segundos.

Posted by Alexandre S. at 12:13 AM | Comments (50)

October 13, 2007

15 videos, you darling, you ducky

Passo meses sem querer ouvir música, e de repente vem uns dias em que quero ouvir música o tempo todo. (Suponho que essa seja a definição de alguém Não Realmente Musical). Agora: alguns meses atrás procurei por "Jack Buchanan" no YouTube e não encontrei nada, mas ontem procurei de novo e já tem algumas coisas, como o video acima, charmosinho. Com o passar do tempo tudo vai estar no YouTube, ou no equivalente de; até o video de você cantando no chuveiro, you darling, you ducky, you sweet so-and-so. Agora salte a pocinha que tem mais uns videos musicais aí embaixo para o seu sábado e domingo.

Mais Jack Buchanan. Cary Grant disse uma vez que quando era jovem queria se transforar num composto de três homens: Jack Buchanan, Noel Coward e Rex Harrison. Agora ouça isto e cante comigo:

Oh, the factories may be roaring
With a boom-a-lacka, zoom-a-lacka, wee!
But there isn't any roar when the clock strikes four
Everything stops for tea...





Buchanan com Fred Astaire em "The Band Wagon", um dos meus filmes favoritos:





No mesmo filme, com Astaire e Nanette Fabray, "Triplets" - outra música que tento cantar quando estou dirigindo de madrugada e erro tudo:





Mais um de Jack Buchanan porque este tem "Good Night Vienna", que Bertie Wooster aparece cantando num dos episódios da série com Hugh Laurie e Stephen Fry (exceto que Bertie canta "Good night Vienna, a city with a million something-or-other..."):





Freddy King cantando "Ain't No Sunshine When She's Gone" (o que é verdade, aliás):





Melhor música de homem ameaçando matar a mulher se ela não se comportar direito: Sonny Boy Williamson, "Your Funeral and My Trial":





J.B. Lenoir, "I Feel So Good":




Eu danço como este cara:





Rosemary Clooney cantando "Blues in the Night":





Eartha Kitt, "I Want to be Evil":





Tom Lehrer cantando "Wernher von Braun":





Tenho que dizer que eu a achava uma porcaria, baseado principalmente na feiúra e no quanto ela aparece no E! e na ruindade daquela música do rehab, mas fiquei surpreendido quando ouvi isto:





Eu realmente não consigo parar de cantar esta música de Stephin Merritt:





E para terminar, ok, baixei "Clerks 2" (não vi ainda) por causa dessa cena de 35 seg.:

Posted by Alexandre S. at 05:03 PM | Comments (5)

October 11, 2007

Recível, a Mulher Inesquebeca

lecarre.JPG

lecarre2.JPG

lecarre3.JPG

lecarre4.JPG

lecarre5.JPG

lecarre6.JPG

lecarrePENURTIMO.JPG

lecarreURTIMODEVERDADE.JPG

Posted by Alexandre S. at 02:45 PM | Comments (11)

Concerning the Eccentricities of Cardinal Pirelli

'And I love --' she broke off, nearly stumbling over an old blind spaniel, that resided in a basket behind the 'supposed original' of the Lesbia of Lyssipus.

'Clapsey, Clapsey!' her mistress admonished. The gift of a dear, and once intimate friend, the dog seemed inclined to outlive itself and become a nuisance.

Alas, poor, fawning Clapsey! Fond, toothless bitch. Return to your broken doze, and dream again of leafy days in leafy Parks, and comfy drives and escapades long ago. What sights you saw when you could see; fountains, and kneeling kings, and grim beggars at Church doors (those at San Eusebio were the worst). And sheltered spas by glittering seas: Santander! And dark adulteries and dim woods at night.

Posted by Alexandre S. at 03:17 AM | Comments (8)

October 04, 2007

Fim da Nossa Juventude

Ocupado com a revisão de uma tradução, que intercalo com a leitura de Live and Let Die, escolhi postar hoje esta coluna de Paulo Francis, que guardei sem data e que se chama "Fim da Nossa Juventude", porque ela é pequena e não deu trabalho pra fotografar.

franvietna.JPG

franvietna1.JPG

franvietna2.JPG

franvietna3.JPG

Posted by Alexandre S. at 01:05 PM | Comments (14)