Um Diário da Corte que guardei sem data.
Vou atacar a razão de novo, sabe, porque sou um tipo fascistóide e obscurantista. A razão é boazinha, coitada, muito trabalhadeira e tal, mas meio chocha. Se for madrugada e você vir um ou dois filmes de horror, cria um bom clima de medo na casa, e esse clima é, afinal, gostoso. Mas o que acontece se dois amigos se reunirem para ver uma maratona de filmes racionalistas de madrugada? Sei lá, documentários ateus da BBC, ou de mágicos desmascarando médiuns? Ao final desses filmes o que os amigos dizem um ao outro? "Ah, ficou um clima de racionalismo bem gostoso, né?" Isso não é vida. E que espécie de pessoas se contariam histórias de racionalismo em volta de uma fogueira?
Mostro essa foto para que o design horrível da página seja inteligível, mas graciosamente não ampliei a foto grotesca da Madonna dando um chute de wing chun num paparazzo.
Como eu disse no post anterior, esta é uma coluna de Paulo Francis de 30 de abril de 89, que foi publicada em algo que acho que se chamava Caderno D da Folha de São Paulo. (O formato é irritante de ler, mas paciência.)
Contei, e são 125 colunas do Paulo Francis que tenho guardadas - algumas rasgadas, outras amassadas, mas a maior parte até em bom estado. Vou publicar a primeira aqui ainda hoje, quando tiver terminado de recarregar as baterias da máquina, e a próxima na outra quinta (todas as quintas, portanto). É uma coluna bem pequena (não um Diário da Corte) que apareceu no que eu acho que se chamava Caderno D da Folha de São Paulo em 30 de abril de 89. E se não se chamava Caderno D, nem quero saber, porque não estou interessado na História da Folha de São Paulo; amém. Agora solta a minha perna que eu vou terminar de ler "A Series of Unfortunate Events - The Bad Beginning".

Esta é uma coluna de Paulo Francis de 6 de setembro de 92. Não tenho scanner, então resolvi tirar as fotos dela e publicar aqui pra ver como fica.
Me ocorreu talvez fazer isso com todas as colunas dele que tenho guardadas - todas as quintas e domingos, digamos. Se um número suficiente de pessoas disser que quer que eu faça isso, talvez eu faça - todo satisfeito, e sem reparar que a minha peruca está meio torta.
Talvez, talvez. Nem sei se esta coluna está disponível em alguma parte na internet. De qualquer forma falta a parte inicial sobre Collor, porque achei chato. Eu sempre gostava mais da parte final do Diário da Corte, as "frivolidades", e realmente acho que são as mais relíveis. Mas das próximas vezes, se houver próximas vezes, publico tudo por inteiro e em ordem cronológica.
E de nada, de nada.
Hoje ponderei (é gostoso), e cheguei à conclusão sóbria e solene de que vou dedicar minha velhice ao estudo do tênis. Eu gostava quando era adolescente, mas era muito ruim, ao ponto de ter perdido para um garoto meio aleijadinho que segurava a raquete todo esquisito (foi uma tarde traumática para mim). Não pego numa raquete (obrigatório ui) faz tempo, e a visão diária de oito quadras enfileiradas ao sol na academia onde faço musculação me enche duma nostalgia atlética doída. Agora não posso porque, bom, cinquenta reais a aula, prefiro gastar isso com livros, mas quando for velho serei rico, e já me vejo aos setenta passando horas tentando desenvolver o meu drop shot com o meu braço de velhinho, na quadra que ficará nos fundos da minha propriedade em Antibes ou Porto Príncipe.
Ou talvez devesse me dedicar à pelota basca? Ou ao iatismo? Ou ao golfe? Tudo isso: serei um velhinho atlético, embora tentando não ser espoleta ou expedito. Mas a vantagem do tênis é depois poder sentar na varanda tomando limonada, sua bermuda branca toda suja de saibro na bunda. Acho gostoso. É o melhor momento da vida, aquilo que eu chamo de Sentada na Varanda Tomando Limonada Todo Sujo de Saibro. E da varanda ficarei vendo os meus dois netos Artur e Jorginho jogando em dupla com duas alemãs de trança (ah, Artur e Jorginho, you old rascals). Nessa mesa da varanda, onde minha raquete magnífica e heróica ocupará uma cadeira, lerei Henry James ou Wodehouse, parando de vez em quando para ouvir as risadas das alemãs de trança, principalmente da Ulle, ou corrigir o backhand do Jorginho, a.k.a. "Quindim"; ou porei o livro de lado e ficarei olhando o mar por cima das copas dos árvores, na direção do farol, onde o iate cor de madeira do príncipe Alexander Philipp Maximilian zu Wied-Neuwied (o pai da Ulle) estará ancorado. É minha firme crença e minha intensa esperança que os iates no futuro vão voltar a ser cor de madeira.
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Mas agora, links:
* Gostei dos desenhos. E é um bom conselho para a vida, como um todo.
* Esta era a casa de Edith Wharton (aqui, a página principal.)
* O assunto desarmamento me desinteressa um pouco, mas achei este texto sensato, sei lá eu.
* Mas esquece isso, e toma uma página no flickr com fotos de Emmanuelle Beart (via Gatochy). (Isto aqui é o meu novo papel de parede.)
* Dear Architects, I am Sick of Your Shit. (via 2Blowhards)
* A esta altura todo mundo já viu a imitação que Sarah Silverman fez de Britney Spears, mas enfim.
* Por falar em imitações, gosto especialmente da do Tobey Maguire e do Michael Caine.
* Ilustrações francesas de 1910 mostrando o ano 2000. Quem poderia não gostar dum guarda bigodudo com asas multando um sujeito num avião? (obrigado, Mojo).
* Acabo de ver esse filme e achei esta a melhor cena.
* Toma, uma porta contente (via frufru).
* BALL STRIKE!
* Toma um rap do Hitler, se você ainda não ouviu.
* E de tempos em tempos, quando leio uns blogs medonhos por aí, eu me lembro deste texto.
Talvez coloque mais links mais tarde. Por enquanto estou aqui olhando o ir e vir tantalizante das pernas bronzeadas da Ulle. A limonada foi substituída por caipirinha cinco minutos atrás e depois do almoço vou dormir com um livro na barriga. E à noite, dançarei tango.
Atualização
* Ok, fico surpreso, mas parece que chegou a hora em que vou passar a defender a Britney Spears.
* Concordo, embora mesmo no séc.XIX a literatura inglesa me interesse muito mais do que a francesa.
* Continuo preferindo Os Sopranos, e numa lista de melhores séries de tevê prefiro não esquecer coisas como The Office (UK) e Blackadder, Fawlty Towers e Monty Python, ou minha preferida (estou revendo todas as temporadas que baixei no computador) Arrested Development, mas começo a entender o entusiasmo (via Diário).
* Sim, pas jolies comme ça.
Vou atacar a razão de novo, sabe, porque sou um tipo fascistóide e obscurantista. A razão é meio chocha. Se for madrugada e você ver um ou dois filmes de horror, cria um bom clima de medo na casa, e esse clima é, afinal, gostoso. Mas o que acontece se dois amigos se reunirem para ver uma maratona de filmes racionalistas de madrugada? Sei lá, documentários ateus da BBC, ou de mágicos desmascarando médiums? Ao final desses filmes o que os amigos dizem um ao outro? "Ah, ficou um clima de racionalismo bem gostoso, né?" Não dá, isso não é vida. E que espécie de pessoas se contariam histórias de racionalismo em volta de uma fogueira?
Comprei esses livros todos no último mês e me deu vontade de falar um pouco sobre eles. E, admito, simplesmente mostrar as capas deles, porque são bonitos.
Mas ei, seu caipira, algumas pessoas falam sobre livros por outros motivos além de querer impressionar alguém. Não me passaria pela cabeça o fato de que eu estou impressionando alguém simplesmente por comprar livros, deitá-los na cama e tirar fotos deles, seu pascácio.
Começo pelo livro que estou lendo:

Maurice Baring escreveu um monte de livros, e esse é o primeiro que leio. Se você pesquisar sobre a vida de Baring vai descobrir que ele veio de uma família de banqueiros, que começou a carreira como diplomata, que fez uma guerra com tinteiros numa embaixada, que era amigo de Chesterton e Belloc, que amava a Rússia, que se converteu ao catolicismo e que era careca.
"Cat's Cradle" é a história da Princesa de Roccapalumba. Para quê saber mais? Você realmente não quer ler uma história que tem uma personagem chamada Princesa de Roccapalumba?
O livro tem muitas virtudes, a principal delas sendo que, odeio a palavra mas lá vai, ele flui. Tem seiscentas e poucas páginas mas já estou na metade, e quando saio para a rua tenho pressa de voltar para continuar lendo o livro. Na minha experiência só livros compridos dão essa sensação, essa necessidade de voltar pra casa logo pra continuar lendo. De qualquer forma já encomendei "C" e outros livros dele.

Não costumo ler biografia, principalmente de atores, mas quem resiste a essa capa? Além disso Peter Bogdanovich falou bem do livro, e tem uma foto do Frank Sinatra de bigodinho.
O livro de Symons é sobre a morte do General Gordon no Sudão. Nunca li Symons, nem os policiais dele, mas folheei e parece bom.

Ok, o livro de O'Hara (John) tem o título mais ridículo do mundo, "A Rage to Live". Mas estava por um real na feirinha de livros usados num clube alemão perto de casa. (E o título vem dum poema de Pope. O que não é desculpa, eu sei.)
Sobre Joyce Carol Oates, concordo com este cara aqui: Prolific as she is, can we just get over the usual comments about her productivity (usually delivered by critics with a mocking tone)? Can't we just stop and marvel at her inventiveness?

O livro à direita: "Ellis Island", de Mark Helprin. Os debaixo de "Empire": "Dead Man's Walk" de Larry McMurtry (com uma capa ridícula; é a prequel de "Lonesome Dove", sobre o qual escrevi tempos atrás), "A Little Princess" de F.H.Burnett e "The Time Machine" e "The Invisible Man" numa edição só, aliás uma edição ridícula da Barnes & Noble Classics, que comprei porque estava oito reais mas é para analfabetos, muito insultuosamente colocando asteriscos nas palavras que eles acham difíceis e explicando embaixo o que é. Algum dia vão fazer edições de "Little Women" com notas de pé de página para retardados, do tipo
...Margaret, the eldest of the four, was sixteen, and very pretty, being plump* and fair, with large eyes...
* dude, what a RACK! LOL!,
etc. Não duvido.

Me arrependi de comprar o livro de Alan Furst, achei muito ruim.
Ah, Freddy, segui teu conselho e comprei um livro do aborteiro aí. Mas só tinha esse no sebo onde fui. Depois compro o "A Prayer for Owen Muny".
Ok, tem mais fotos, mas de repente me deu preguiça. Depois talvez ponha mais fotos aqui, talvez não. Tem um muito bom sobre espadas e outros que comprei em sebos.
E de repente percebo o esforço que faço para me manter longe da tal Grande Conversa, do "melhor que já foi pensado e dito". Nada de Platão, nada nem de Heidegger. Quase que só ficção. Quando leio uma frase que não produz uma imagem na minha cabeça, é como se não estivesse lendo nada.
E aumentei minha wishlist, que agora tem cinco páginas. Se você sabe alguma coisa sobre esses livros, pode dizer. Como diria a Fergie toda classuda apontando para as próprias tetas: check it out!