August 03, 2007

Lubitsch

O camelô ficava na avenida Andrassy perto do Boulevard Cervantes vendendo fotos pornográficas especializadas.

-Fotos de mulheres sardentas olhando você fixamente!
-Quão fixamente? - perguntou baixinho um professor de filosofia.
-Muito fixamente! Como nos primeiros estágios de uma sedução! - e, chegando perto do ouvido do professor de filosofia - Como se devassasse a sua alma! Como se visse todas as virtudes dentro de você que ninguém jamais soube reconhecer, professor: sua galanteria, sua coragem extraordinária. Mas também como se visse todos os seus defeitos, e simplesmente não se importasse.

Ouvindo isso o professor de filosofia sentiu um arrepio não tanto na coluna cervical mas na sua pequenina alma e comprou três fotos de mulheres sardentas o olhando fixamente.

-Espero não me arrepender - disse, e voltou de metrô olhando de trinta em trinta segundos as fotos escondidas dentro duma edição da Metafísica para Iluministas Tímidos.

Ah ruas de Budapeste, onde amei e fui amado por mulheres que existem dentro de romances que eu teria lido se tivesse seguido o meu plano de ler mais romances húngaros: desenrolem-se como um tapete felpudo ante os meus passos imaginários. Num canto do Boulevard Cervantes há um café chamado Philidor, onde o camelô parou para tomar dois ou três copitos de Muskotali. Da sua pasta de fotos pornográficas especializadas o camelô tirou uma foto e discretamente chamou a atenção do vizinho de mesa, um velhinho que tomava sopa.

-Doutor, olha isto.
-Não sou doutor, sou um campônio.
-Perdão pelo engano mas seus cabelos brancos são doutorados para mim.
-Ah, que é isso - disse o velhinho, sua dentadura deslizando pra fora de prazer.
-Veja isto, mas seja discreto.

O velhinho pegou a foto e a colocou ao lado do prato de sopa enquanto a examinava.
-Uma encantadora jovem tatuada na pia, arregalando os olhos.
-Colocando lentes de contato - esclareceu o camelô.
-Ah! Percebo! Delicioso momento íntimo, cotidiano! Mas o que é isto aqui?
-É a omoplata dela, doutor.
-Ah! Risqué, não?
-Se prefere algo mais contido...
-Não, quanto é?
-Quatro forints.
-Caro! A menina vai à faculdade?
-É uma estudante de arte, doutor.
-E é muito namoradeira?
-Como uma russa num monte de feno.

Riram e depois de um momento sorriram um para o outro, irmanados numa lubricidade sutil que é muitas vezes o mais forte dos elos entre estranhos.

-Que mais tem você aí, meu pequeno homenzinho de aparência gnômica?

O camelô passou para a mesa do velhinho e silenciosamente espalhou várias fotos pela mesa.

-Uh! Ah! - dizia o velhinho - Jovens normais, aparentemente saudáveis, colocando ou tirando meias de algodão. Esta aqui que faz?
-Morde o pescoço do namorado que está jogando um desses jogos eletrônicos que os jovens jogam.
-É o namorado mesmo?
-É a segunda vez que se encontram.
-Adoro o sorriso dela enquanto ela morde.
-Sim, vê-se que ela pensa muito em sexo.
-Safadinha. E esta mulher aqui? Parece que tem enxaqueca.
-Sim, não é uma foto boa - disse o camelô varrendo a foto para o lixo ao lado da mesa. - Mas olhe esta. Deve ter 23, 24 anos e está jogando xadrez, percebe?
-O que é isto?
-Os pezinhos dela nus debaixo da mesa, doutor.
-Oh! Ela está esfregando os pezinhos um contra o outro?
-Aparentemente.
-Sim, distraída, enquanto pensa no que fazer com a torre. Excelente.
-Se o senhor gosta de pezinhos... - disse o camelô, indicando a foto de um pé muito pálido fazendo carinho nas costas de um akita preto.
-O que é, um tapete?
-Um cachorro.
-Mas como eu sei se a mulher é bonita?
-Percebe-se, eu diria.
-Sim, percebe-se - admitiu o velho.

Depois, sem vergonha:
-Tem foto de mamilo?

Imediatamente o rosto do camelô se fechou como se ele tivesse acabado de ouvir que sua ex-mulher fez sexo com um anão que chora muito, e ele começou a recolher as fotos.

-Isso não tenho. Se é isso que deseja, há outros fornecedores...
-Não, foi só uma pergunta.
-Perdão. É que há coisas que não vendo.
-Eu é que peço perdão, meu caro gnomo benigno.

A boa-vontade foi restaurada ao rosto do camelô como as bandeiras de uma dinastia restituída ao trono depois duma revolução socialista, e inclinando-se na direção do velhinho o camelô sorriu e disse:

-Bom, talvez a borda de um mamilo. Mas guardo em outra pasta...
-Não se incomode. O que esta foto do pé aqui me lembrou, o que este close-up - o velhinho exagerou na pronúncia do inglês - me lembrou de verdade, é não de um pé, muito menos de um mamilo, mas de uma mão.
-Sim?
-Sim. E não de qualquer mão, mas da mão de uma menina que conheci na juventude, quando eu era bonito. Porque eu era bonito, acredite.
-Opa.
-E você tem?
-Várias. Esta mão feminina com as unhas não pintadas, agarrando um dedão de pé de homem... Um tanto ousada, admito -
-Não, a foto da mão da minha namorada de anos atrás.

O camelô olhou pensativo para o velhinho.

-Se o senhor descrever essa mão.
-É fácil. Quero uma foto da mão dela com a palma voltada para cima. Quero que a foto pegue da parte interna do cotovelo até a ponta dos dedos. Ao longo do antebraço ela tinha várias pintas: cinco, para ser exato, nestes pontos aqui.

O velhinho tocou com o indicador em cinco pontos do antebraço do camelô.

-Fazendo uma curva - disse.
-Certamente não tenho na pasta, mas procurarei no meu arquivo em casa. Se puder me encontrar aqui na terça...
-O motivo de querer a foto - disse o velhinho sem ouvir, sorrindo bestamente, - a foto dessa mão e não outra, você sabe, é porque ela, a dona da mão, era tão bonita, ninguém diria que uma mulher tão bonita sairia com um camponês como eu, que ganha a vida masturbando morcegos para fazer queijinhos mais tarde condimentados com páprica. Nos encontramos num café, parecido com este... Nos beijamos. Depois sorrimos cheios de timidez, baixamos os olhos, os dois meio embriagados um com o outro, sem ligar para as pessoas à nossa volta, sabe?
-Sei.
-E começamos a olhar um para a mão do outro cheios de volúpia. Uma volúpia de mãos, de braços, está entendendo? Testando cada articulação, examinando cada pinta. Você sabe como é, esse momento em que de uma hora para a outra você ganha acesso ao corpo da outra pessoa, que alegria, como se estivesse do lado de fora do portão de uma feira mundial de queijos, desses feitos de leite mesmo e não de sêmen de morcego, sabe, de leite de vaca, e de repente abrissem o portão e você pudesse ficar correndo de um lado pro outro na feira esbarrando nos queijos todos, pegando tudo na mão! Meu Deus!
-Acredite, sei bem como é.
-Nunca mais a vi, mas não esqueço daquela mão, daquela mão que beijei tantas vezes, que mordisquei e fiquei olhando.

O camelô colocou devagar as fotos na pasta e disse:

-Deixe só checar mais uma vez onde ficavam as pintas. Aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
-Esta aqui mais aqui.

O camelô anuiu, fez uma vênia e foi embora. Aquele era um domingo à tarde e a rua estava meio parada, de modo que ele encurtou o dia e foi direto para a casa velha onde morava desde a juventude, na companhia de Kató, uma mulher de um metro e trinta que o fazia feliz exclusivamente com a prática de massagens no couro cabeludo acompanhadas de fofocas e indiretas de que não estava recebendo sexo o suficiente: uma relação estranhamente deliciosa para as duas partes, e cultivada com calma e refinamento.

Chegando em casa evitou Kató que fofocava com a irmã na cozinha e subiu para o sótão onde imediatamente começou a procurar pela foto da mão da ex-namorada do velhinho, procurando na gaveta "MÃO, direita, do antebraço à (1934-1937)". Ficou sentado no chão durante três horas vendo com calma fotos de mãos bonitas de unhas bem-cuidadas, examinando as combinações de pintas. A certa altura a dor nas costas o forçou a deitar no chão de madeira e a continuar examinando as fotos naquela posição, de vez em quando desviando os olhos para o teto inclinado e pensando nas mãos da sua vida, nas mãos que tinha apertado e mordido também.

Na terça encontrou o velhinho na mesma mesa, dessa vez comendo um prato de porrinhas (o queijo húngaro feito com sêmen de morcego e páprica, que fez tanto sucesso no Brasil uma época quando comercializado por Nelson Piquet).

Com uma vênia e um floreio depositou a foto na mesa do velhinho.

-Fazemos todo o esforço para agradar.

O velhinho agarrou a foto com seus dedos sujos de sêmen de morcego e começou a gritar pateticamente, Erzsébet!, Erzsébet!, e beijava a foto e chorava, e as lágrimas que saíam de seus olhos nunca pingavam no chão porque se perdiam nas rugas e sumiam para sempre, para sempre, como Erzsébet e suas mãos, como Erzsébet e suas cinco pintas no antebraço, como Erzsébet e a juventude - miraculosamente reconstituídas numa foto P&B 15x27 de qualidade erótica indiscutível.

-Vai querer também a foto da jogadora de xadrez descalça?
-Ah sim, né - disse o velhinho limpando a cara com a manga - Mas faz desconto?

Dia após dia e foto após foto reconstituiu o velhinho, com a ajuda do camelô, o corpo todo de Erzsébet, e todas as suas cento e duas pintas. Erzsébet estava lá na mesa do café Philidor fatiada em vinte e cinco fotos.

Mesmo o camelô se apaixonou um pouquinho por Erzsébet. E ficavam os dois, camelô e camponês, passando as fotos de um para o outro por entre o vapor da sopa de cebola, calados, corteses, um pouco tristes.

Posted by Alexandre S. at August 3, 2007 12:13 PM
Comments

Eu não acredito que isso seja só para o blog. Nâo há livro, já pronto ou a terminar, que nos conte mais do camelô húngaro e seus clientes?

Posted by: Wickenfield at August 3, 2007 06:46 PM

Talvez seja o adiantado da hora, mas estava imaginando aqui a linha de produção da fábrica de porrinhas e fiquei com dó dos que trabalham lá.

Posted by: Roger Prado at August 3, 2007 07:26 PM

Decupei cada take deste conto (no set da minha cabeça, claro). Puramente visual. Seria um belo roteiro...

Posted by: Marco Sarti at August 3, 2007 07:31 PM

achei a menção às porrinhas dispensável. que coisa horrorosa.
no mais, bom como sempre.

Posted by: bruno at August 3, 2007 07:31 PM

sublime, sublime. Eu relembro as passagens e vem as fotos a menta. Precisamos saber mais histórias do camelô!

Posted by: Chico at August 3, 2007 08:05 PM

Gostei particularmente das lágrimas do campônio sumindo nas rugas. E gostei mais do camponês que do camelô, também.

E, ah, devo dizer que esse post concorre ao cargo de segundo melhor do blog, depois das crianças de Leipzig. ;D

Posted by: Gustavo at August 3, 2007 10:29 PM

Geralmente não gosto de deixar comentários, não estou à altura.
Mas este post, muito bom, um pouco de tudo.
-Como uma russa num monte de feno.
Ha ha ha, muito boa, perde pra jogada de xadrez, claro, mas muito boa.
O mais, bom fim de semana e um abraço.

Posted by: J. Alencar at August 3, 2007 10:49 PM

Somente a primeira menção à profissão do velho fez sentido. Todas as outras foram disgusting e quebraram a beleza e até o humor do conto. Afinal, você não precisa apelar, você já é perfeito. Agora desça daí e arrume isso.
Preciso comprar um livro seu.

Posted by: Badá at August 4, 2007 10:13 AM

Ok, vou reler amanhã ou depois e ver se tiro as porrinhas. Mas eu achei engraçado porque tenho um senso de humor grosseirão assim. "Love me, love my umbrella" e tal. ;>)

Posted by: Alexandre at August 4, 2007 10:28 AM

Não tire as porrinhas, rapaz! Elas que deram o "toque" especial! ;-)

Posted by: Gabriel Trigueiro at August 4, 2007 12:52 PM

Morri.

Discordo, Badá: a primeira menção às porrinhas não faz sentido algum, e é este seu efeito. As outras, no entanto, estão encadeadas, portanto merecem sair.

Mas morri, de fato.

Posted by: Guto at August 4, 2007 02:22 PM

Não tire as porrinhas, elas são porcas, mas o efeito foi perfeito.

Posted by: Pietra at August 4, 2007 05:15 PM

Não tire as porrinhas, elas são porcas, mas o efeito foi perfeito.

Posted by: Pietra at August 4, 2007 05:15 PM

bom texto, parabéns.

Posted by: Gaspar at August 4, 2007 05:27 PM

Há alguém que conte pintas...há alguém que pense nisso...adorável.
sorriso

Posted by: Cláudia at August 5, 2007 12:20 AM

Há alguém que conte pintas...há alguém que pense nisso...adorável.
*sorriso*

Posted by: Cláudia at August 5, 2007 12:20 AM

fazia já algum tempo que eu nao lia um texto tão delicioso, tão envolvente.
adorei.
=*

Posted by: Renata at August 5, 2007 11:58 AM

Gostei demais da conta! Delicado, muito delicado, até com as porrinhas de morcego. E o camelô se sentindo ofendido pela menção do mamilo... muito bom!

Posted by: claudia lyra at August 5, 2007 07:14 PM

Sim, gostei de tudo.
Até das porrinhas. Mas, principalmente, das pintas.

Posted by: Cora at August 6, 2007 01:18 AM

"porrinhas", nome tão singelo, poxa ^^

Posted by: Elton at August 6, 2007 09:52 AM

Foi lindo e engraçado, principalmente quando o camelô diz Opa.

Posted by: Fábio Henrique at August 6, 2007 12:19 PM

Eu gostei de: "irmanados numa lubricidade sutil que é muitas vezes o mais forte dos elos entre estranhos". E acho que as porrinhas devem ficar. Sua recorrência no texto nos leva a crer, ainda que por um milésimo de segundo, que elas existem.

Já que o Gustavo mencionou, acho que esse concorre com o seu Osvaldo, síndico do prédio, como melhor post. Estou dando uma de repórter de revista vagabunda, mas alguém tem que correr o risco: quais são os seus preferidos, Alexandre?

Abraço,

Posted by: Gabriel Filártiga at August 6, 2007 02:30 PM

Vou copiar pro arquivo dos meus favoritos.

Posted by: Camila at August 6, 2007 05:39 PM

Deixa a porrinha aí dammit. Nelson Piquet vai se irritar com você, ó.

Alas, você é o único resultado do Google para "masturbando morcegos". Congratulation na zoofilia cutting-edge.

Posted by: Delance at August 6, 2007 07:31 PM

Concordo com o meu xará. Este texto está no nível do "Seu Osvaldo". Isto é: ótimo!

Posted by: Gabriel Trigueiro at August 6, 2007 10:32 PM

a sua beleza, sir silva, está em colocar essas coisas tão cotidianas e tão brasileiras inusitadamente no meio desse mundo que cria, não raro em terras checas ou inglesas, e o pior, parecer de certa forma natural. não é pela comicidade só, mas por ser tão verdadeiro e tão falso. uma cotidianidade a que na arte brasileira, em geral, se tentou chegar nas últimas décadas e a que nunca se chega. mas o sr. chegou, acredite no que fala o não especialista aqui. foi bem mais longe que os palavrões e interjeições fajutas que inventaram no cinema e na literatura. mas dizer que é só isso seria pouco, não é mesmo? há também um sei-lá-mais-o-quê que faz a leitura tão agradável pra preguiçosos como eu, e que eu não ouso dizer o que é porque não sei bem.
confesso que ainda não comprei a coisa não deus, mas sabe como é vida de estudante. quando o meu pseudo-salário chegar no meio do mês vejo se corro até a cultura para não mais pro-cras-ti-nar. meanwhile eu espero sinceramente que esteja pensando em mais um livro, porque se for só pra ficar nessa preguiça que o sr. tem no blog vai ser complicado. e não dá, não vou comprar revista portuguesa; mal-maior de morar no terceiro mundo não é conviver com a nigéria lá em osasco nem ser sequestrado no caixa eletrônico, é essa inferioridade terrível a que a moeda fraca nos impinge. dizem por aí, imagina, que poder de consumir não é fator de bem estar. ra ra.

stay beautiful, sir silva.

Posted by: bruno at August 7, 2007 02:02 AM

as porrinhas tudo bem, o que emperra é o nelson piquet.

Posted by: anap at August 7, 2007 03:51 AM

Muito bom, Alexandre. Queria livros e mais livros desses contos seus. =D

Posted by: Braulio at August 7, 2007 12:03 PM

Pró-Porrinhas. Conto 115% excelente. Abraços.

Posted by: Igor at August 7, 2007 12:10 PM

As porrinhas ficaram tão gozadas... (o:

Posted by: Adriano at August 7, 2007 03:58 PM

As porrinhas ficaram tão gozadas... (o:

Ou gozadinhas.

Posted by: Adriano at August 7, 2007 03:58 PM

Agradeço os comentários, all you kind people. E Gabriel, dos contos gosto bastante deste, http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/010009.html, e dos não-contos não consigo não achar graça deste, http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/016502.html. Mas tem outros, tem outros.

Posted by: Alexandre at August 7, 2007 08:20 PM

Dois textos hilários e brilhantes, rapaz. Quando sai uma antologia?

PS: O DVD do Paulo Francis tá mofando, hein! ;-)

Posted by: Gabriel Trigueiro at August 8, 2007 03:12 PM

Excelente!

Posted by: Alexandre Campinas at August 8, 2007 04:38 PM

Oi, Alexandre. Gostei muito :-)

Posted by: Alfredo at August 8, 2007 05:35 PM

Maldito Alexandre! Quer que nos aposentemos todos!

Posted by: Marco Aurélio at August 9, 2007 03:39 PM

Damn you, Lord Ass.

Posted by: Dael at August 17, 2007 03:46 PM

Que texto mais belo. Como você escreve bem, é bonito de ver.
I´m speechless fora isso.

Posted by: Renata at August 17, 2007 11:58 PM

Excelente, caro Alexandre!
Fazia tempo que não nos brindava com um texto deste quilate! Tré biã!

Posted by: ratapulgo oldboy at August 30, 2007 02:57 AM
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