Me deu vontade de recomendar uns filmes, ao acaso, à medida em que me lembro deles.
Quase sempre só recomendo filmes anteriores à decada de (sinal da cruz) sessenta, mas agora cito uns filmes mais moderninhos. O critério é que vi várias vezes cada um.

Quantas vezes vi esse filme? Dez? Doze? Amo cada segundo. E quando morrer quero ir para Beaumont-sur-Mer.

Bom, todos os filmes nessa lista eu vi quinhentas vezes. O melhor para mim nem é a famosa cena da tortura, nem a outra famosa cena em que Laurence Olivier foi an asshole com Dustin Hoffman e disse "Dustin, já tentou atuar?", etc., mas a cena de Dustin Hoffman sendo acuado no banho logo depois que o irmão morre.

Por falar em Dustin Hoffman. Pra mim, melhor filme de Peckinpah. O tipo de ultraviolência que eu gosto: justificada e esportiva. E é também a minha opinião das classes baixas.

Sempre que esse filme estiver passando na tevê, verei. E uso como palácio da memória a casa caribenha para a qual Pierce Brosnan leva Rene Russo. (Gosto tanto do original quanto da refilmagem. Mas Jesus Cristo Rene Russo está creepy nesse poster).

Gosto até de pequenos detalhes como Ali MacGraw recuando com o carro cedo demais e McQueen tropeçando e deixando cair a arma.

Sharon Tate nunca esteve tão bonita, e nenhum filme jamais teve um vampiro gay que corresse tão rápido. É engraçado e dá um medinho. Sou fanático por quatro filmes de Polanski: este, Repulsion, The Tenant, e O Bebê de Rosemery. O resto acho só nhé.

Me deu vontade de recomendar algo levemente mais controverso que fizesse as pessoas me acusarem de mau-gosto e estupidez. So there you go, eu gosto desse filminho de adolescente aí com Jason Biggs votando no Lula.

E desse aí também. Não alugaria, mas sempre que passa eu vejo. So sue me.

Ça va sans dire.

Estava recomendando esse filme para uma amiga outro dia desses. Mas não chego perto da versão nova com a muié de Everybody Loves Raymond.
Outro filme que vi mais de dez vezes. Uma vez vi o original francês mas não gostei tanto.

Ok, mas não só filmes moderninhos. Queria ser William Powell em qualquer filme da série The Thin Man. E ser casado com Myrna Loy não doeria. Nunca amei tanto um narizinho - ou talvez isso não seja verdade, mas nunca amei tanto um narizinho famoso. Os filmes, como filmes, à exceção do primeiro e talvez do segundo, não são bons, mas valem pelo casal, que é o melhor casal do mundo. Nunca consigo deixar de achar que eles são a imagem de um casamento ideal, que deve necessariamente incluir a resolução de crimes e um apartamento na Nova Iorque da década de 30.

Único filme que me faz chorar. Ou quase chorar: quando percebo que vou começar a chorar mesmo, fico tão contente de ser tão sensível e legalzinho que as lágrimas não saem.
Ponho mais outros na lista à medida em que for me lembrando. Ou não, sei lá eu.
Posted by Alexandre S. at August 11, 2007 10:33 PMEu sei, eu sei, algumas imagens não estão aparecendo. Conserto isso logo depois de SNL, peraí.
Posted by: Alexandre at August 11, 2007 11:04 PMNão vi nenhum dos que têm a foto aparecendo, mas sempre procuro Groundhog Day nas locadoras e não acho. :(
Posted by: Gustavo at August 11, 2007 11:10 PMNenhum com o Giulliano Gemma?
Posted by: mauro at August 11, 2007 11:19 PMGustavo, consertei as imagens. E mauro, nunca vi nenhum dele que gostasse. E as minhas recomendações são completamente não-irônicas. :>)
Posted by: Alexandre at August 11, 2007 11:50 PMTentando não colocar nada muito óbvio, como The Royal Tenenbauns, que também vi umas dez vezes, ou pelo menos seis, ou "8 e 1/2", que vi umas cinco ou seis vezes, etc.
A Fantástica Fábrica de Chocolate, claro, vi umas oito ou nove vezes.
Gigi! Umas onze ou doze.
Cantando na Chuva, umas oito.
Posted by: Alexandre at August 12, 2007 12:32 AMAlguns filmes na tv a cabo você acaba vendo aos pedaços, várias vezes. Wonder Boys devo ter visto várias vezes, em frações, digamos 5 e 1/3, de trecho em trecho. Punch-Drunk Love também.
Posted by: Alexandre at August 12, 2007 12:35 AMCasablanca, calculo que seis vezes. Tudo isso é chute, perdi a conta. O Poderoso Chefão I, sete vezes; II, cinco; III, 1 e 1/3.
All About Eve, quatro vezes? Algo assim.
The Seven-Year Itch, umas seis vezes.
Posted by: Alexandre at August 12, 2007 12:38 AMYoung Frankenstein, claro. Umas cinco vezes. The Party e Charade, umas quatro vezes. Kill Bill 1 e 2, e Pulp Fiction, quatro vezes cada um? Algo assim.
Chega, dormir-me-ei.
Posted by: Alexandre at August 12, 2007 01:20 AMEi, eu também não estava com ironias, não. Minha infância teve muito Bud Spencer e Terence Hill. O que talvez explique a minha patética violência (sempre que brigo com alguém, acerto um soco e dou uma cambalhota). Mas o Giulianno Gemma (Montgomery Wood, rá) também era engraçado - veja "Os Anjos Também Comem Feijão" (clique no meu nome). E eu assisti o Dólar Furado umas 312 vezes. O que também explica alguma coisa, como a mania de guardar moedas no bolso da camisa.
Posted by: mauro at August 12, 2007 09:04 AMPS. A Garota do Adeus. Vi 1014 vezes. E contei. Ah, e bom dia, né?
Posted by: mauro at August 12, 2007 09:05 AMUma das cenas mais lindas da História do Cinema está no Cruel Intentions:
http://www.youtube.com/watch?v=JrXxvW3pKUM
Abraço,
Posted by: Gabriel Trigueiro at August 12, 2007 12:25 PMNaturally Born Killers. Vi muitas vezes e lembro muito dele quando vejo as seleções de vocês.
Posted by: Squeezed at August 12, 2007 05:15 PMthriller, a cruel picture. uma vez foi suficiente, nunca esqueci.
Posted by: anap at August 12, 2007 07:19 PMAdoro Straw Dogs, mas por Deus, o melhor do Peckimpah é Wild Bunch né? Só aquela cena incial do formigueiro, a musiquinha (...that flowas from the throne of God), Ernest Bornine.Putz caralho, que filmaço!
Posted by: evelyn at August 12, 2007 07:57 PMe que engraçado. Antes de ler seu post também havia escrito um post sobre cinema. Lembrava de 'A queima roupa' do John Boorman (do tb ótimo Deliverance)
Posted by: evelyn at August 12, 2007 07:59 PMAgora, depois das fotos prontas, percebo que só vi um dos filmes daí, Segundas Intenções (gosto mais do título em português, o que é raro). E nem gostei tanto assim. Acho que vi umas quatro vezes na globo, mas é tudo.
E, ah, A Lagoa Azul, não? E Ghost.
Posted by: Gustavo at August 13, 2007 06:40 AMOi Alexandre
Eu também prefiro 'straw dogs', que por coincidência assisti na sexta, a 'wild bunch' ou 'deliverance'. Acho que a genialidade do filme está no fato de ser o único ultraviolento que você consegue se identificar com o protagonista (não, não sou chicken). 'Scoundrels', lembro, assisti quando tinha o quê? onze anos, e adorei desde então. 'cruel intentions' é uma guilty pleasure. Mas você já reparou quando Sebastian fala, logo no começo, algo como 'i´m so tired of these new yorkers débutants'? O desdém é legal. A nova versão com a mulher do Raymond de 'the goodbye girl' merece ser vista porque ela é a RP da campanha 'pro-life'.
Colocaria na lista 'Robocop'. E 'the unforgiven'. e 'big daddy'. E 'les quatre cents coups'. E 'east of eden'. Ah, um monte.
Abraço,
Posted by: Lucas Novaes at August 13, 2007 10:41 AMA fala é: 'I'm sick of sleeping with these insipid Manhattan debutantes. Nothing shocks them anymore.'
Posted by: Lucas Novaes at August 13, 2007 10:43 AMMauro, bom dia. Gabriel, nem precisei abrir o link pra saber qual é. Squeezed, vocês quem? Anap, o video de Michael Jackson? Evelyn, também acho engraçado porque quase mencionei Deliverance e Point Blank. Mas realmente acho Straw Dogs melhor que The Wild Bunch. Ou pelo menos me dá vontade de rever mais vezes. Gustavo, nem estou dizendo que é fantástico, mas é legalzinho. A Lagoa Azul eu tenho a sorte de nunca ter visto. E Lucas, é um guilty pleasure, sim, como o "Loser" - mas também eu não fico muito guilty sobre isso. Abraços.
Posted by: Alexandre at August 13, 2007 01:45 PMUm dos piores erros de português: "à medida em que". Temos a confusão de uma locução conjuntiva (crase obrigatória) com uma conjunção proporcional (indicada em orações subordinadas advérbiais proporcionais). Veja:
1. à medida que (locução conjuntiva) - forma correta
2. na medida em que (sem crase) - forma correta
3. à medida em que (ERRADO)
Is it safe?
Posted by: Bernardo at August 13, 2007 07:24 PMesse: http://www.imdb.com/title/tt0072285/
tem a melhor cena de VINGANÇA que já vi no cine
I am late. Madrugada. Vinho.
Vou assistir "Loser" e "Brief
encounter", por sua culpa. Assista "O declínio do império americano" e "invasões bárbaras" por minha.
Beijos
Já viu 84 Charing Cross Road (1987)? É com a Anne Bancroft e Anthony Hopkins. Os interiores das casas! E as roupas! As passagens de livros que eles citam! E que bem que representam. Revi ontem por acaso na televisão e nem consegui desgrudar os olhos do ecrã. Vale mesmo a pena.
Posted by: Mariana at August 15, 2007 11:10 PMeu tenho visto bastante quando paris alucina agora que passa bastante na tevê. adorável.
Posted by: alexandre r. at August 19, 2007 12:36 AMÉ muito bom encontrar pessoas que também viram o mesmo filme milhões de vezes, que bom que não estou só! Mais do que as vezes, sou incompreendida, acham que é mania, bitolação. Li algo bacana de Lia Luft sobre o assunto. É apenas paixão, porque existem filmes e músicas apaixonantes e a minha lista é imensa, filmes que não canso de ver e músicas, de ouvir: Invasões Bárbaras & L'amitie; Butch Cassidy & Rain drops keep falling on my head; Breakfast at Tiffany's & Moon River, etc, etc, etc.
Posted by: Rosana at August 23, 2007 09:43 PMO quê? Não tem filme do Blake Edwards, do Lubitsch nem da Audrey Hepburn? Nem 'A Época da Inocência' e 'Caindo no Ridículo'? Assim você perde o élan...
Posted by: Léo Bueno at September 3, 2007 12:19 PME Visconti?! Nada? O LEOPARDO - se não pelo Burt Lancaster, pelo menos por uma das melhores Cardinales do ramo.tenho o DVD , vejo pelo menos uma vez por ano, vestido a rigor.
E o Marco Ferreri - Cronica de um amor louco (Bukowski lírico)- vi 12 vezes, e A Comilança, que filme tem tantos atores no seu melhor ao mesmo tempo?
Nem vou falar de Fellini...
Alexandre, como as imagens dos filmes não aparecem mais, você poderia colocar os nomes em uma lista?
Assisti Dirty Routten Scoundrels e é realmente muito bom - engraçado, leve e inteligente (inteligencia como capacidade de criar algo interessante mas que não seja sinônimo de tratado de sociologia).
Posted by: Tomaz Tiago Luedke at August 11, 2008 03:53 PM