Sonhei que estava na Fnac do céu vendo a prateleira dos livros que escreverei, e entre eles estava um chamado "Leila Diniz: Eu Gosto é de Pinto", com uma foto de Leila Diniz na capa esfregando pintinhos contra o rosto, e eu gritei bem alto "Por que diabos escrevi isto", com grande pathos, com incredulidade doída, mas me puxaram pelo braço pra sair dali. Há na Nova Zelândia um tipo de flor que é frequentemente confundido com um blogueiro. Passeando no campo o namorado colhe a flor e a leva ao rosto da namorada que grita Gott in Himmel um blogueiro dando um pulo pra trás. E de fato, lá está a flor barbudinha, de má postura, com rizomas que parecem pés peludos metidos em havaianas. Tudo o que você tem que saber sobre mim é que nunca li Manuel Mojica Lainez, mas quero. Houve em 85 um acidente com um avião da Panair em que antes do avião cair em cima da casa da tia Adelita os passageiros começaram a brigar, formando dois exércitos improvisados: um gritava, "Isso é ausência do Estado!", o outro gritava "Pfui é excesso de Estado!", e se esganavam todos e tentavam se machucar com garfos de plástico, e a tia Adelita acordou com os gritos de raiva e os sons de sarcasmo antes que o avião caísse nela e no tio Bob lá de Sidney.
Havia um crítico de cinema em Tacoma Washington que cobriu seu primeiro filme em 1934 (Manhattan Melodrama, com Mickey Rooney) e seu último em 2006 (The Santa Clause 3: The Escape Clause). Tendo sido chutado na nuca por pessoas de pés nervosinhos sentadas na fileira de trás ao longo de quase um século inteiro, começando a ser chutado por pés usando polainas na década de trinta durante um filme com Hedy Lamarr, em 54 o crítico passou a ir no cinema usando um capacete de astronauta desses transparentes. Com esse capacete o crítico atravessou as grandes épocas de Elia Kazan, Sidney Lumet, John Landis, Judd Apatow, e frequentemente mostrava os amassadinhos na parte de trás do capacete para quem quisesse ver, aqueles amassadinhos heróicos de tantos chutes de karatê ou mesmo muay thay de pessoas com completa inconsciência dos movimentos das próprias pernas. Finalmente o crítico sucumbiu durante Talladega Nights, quando um aneurisma rompeu no cérebro logo depois do impacto de um chute com o peito do pé dado por um rapaz até bonzinho chamado Jordão, e enquanto o crítico morria e o sangue esguichava sujando a parte interna do capacete ele disse, "Por Deus, que finalmente me pegaram", sendo logo repreendido por vários shhhhh, shhhhh.
Quando encontro alguém que não gosta do que escrevo começo a rolar no chão soltando guinchos, para lá e para cá, e só paro depois de ter batido a cabeça na mesinha do computador. Fora isso, sou charmosão. Ok, uma última história: ontem indo para a academia estava eu saindo pelo portão do prédio quando um menino de lancheira, de cinco ou seis anos, saiu de um carro e passou por mim correndo, gritando todo contente para a mulher que ainda estava na direção com cara de pissed off, "Cala a boca, cueca frita!". Achei sublime, vou passar a chamar todo mundo de cueca frita. Digo, eu também gosto de um "Damn you Mr.Christian! Damn you sir!", mas tenho a impressão que o Capitão Bligh devia chamar Mr.Christian de cueca frita de vez em quando. Isso poria Mr.Christian no lugar dele. "Damn you Mr.Christian! Cueca frita! Damn your eyes, sir!". E "Bom Dia Cueca Frita" seria um título bem melhor que "Bom Dia Tristeza", mas os franceses não são capazes de perceber esse tipo de coisa.
Ter caixa de comentário é estar perpetuamente envolvido numa conversa sobre os limites aceitáveis da polidez com enfants sauvages criados por ratazanas. Devo comparar-te a um dia de verão? Teu rímel está todo borrado. Mas ok, parei.
Posted by Alexandre S. at August 17, 2007 10:10 AMPrimeraum.
Mas que pasa, que pasa. De minha parte, terminando meu pretensioso volume de poesia, que vai se chamar - não ria - "um fevereiro" e que será publicado em um lindamente editado por mim mesmo e ilustrado por minha signora arquivo PDF gratuito. Ainda este ano, acredito.
Abraços,
Cheguei aqui por recomendação do anteNando, e cara, parabéns! Comentaristas não são more lovely nem more temperate, e só o que restariam deles são rough winds. Mas devo dizer, curti o poste. Saudações à gravida.
grande abraço
renato
better, better.
Posted by: Ed at August 17, 2007 01:08 PME eu que achava meus sonhos bizarros...acabei de rever meus conceitos. E não precisa guinchar e rolar no chão: adorei o blog. :-P
Posted by: B. at August 17, 2007 02:24 PMAh, dava para saber que era sonho logo no começo. Não há fináquis no céu. As livrarias lá são todas quenenq as do "história sem fim", com vidraça e velhinho e tudo.
Posted by: mauro at August 17, 2007 02:34 PMEu ia dizer que você tem tetinhas, mas de repente apareceu um novo post. God damn you.
Posted by: he he he at August 17, 2007 02:39 PMJesus. Não sei o que você tomou, mas também quero!
Posted by: Anna at August 17, 2007 05:42 PMSe é para vê-lo rolar no chão guinchando, juro 'de pé junto' que não gosto do seu texto.
Posted by: Bear at August 17, 2007 08:49 PMNão há nada como um "Damn your eyes, Sir, and your height! And now you may dismiss, Sir, a good day to you!" para completar um dia.
Posted by: Mariana at August 17, 2007 09:09 PMCara teu blog e' muito gay.
Posted by: Anderson at August 18, 2007 10:30 AMOlá, Alexandre,
Aproveito esse comentário para falar dos últimos posts: sensacional esse texto, a lista de filmes, o Woody Allen e toda minha solidariedade na Grande Guerra Blogueira.
E acho que vc precisa ver isso: Sam Leve, cenógrafo do Orson Welles: http://www.youtube.com/watch?v=vkOBBmH1IFo
Posted by: Arnaldo at August 18, 2007 11:00 AMok, excelente post.
:>)
Frituras estão em baixa atualmente, nem os especuladores imobiliários americanos querem mais este tipo de preparo culinário. O politicamente correto seria "cueca grelhada".
Ótimo texto. Parabéns!
AMO-TE!!
Posted by: Vivian Fiorio at August 20, 2007 09:49 AMdeve ser óbvio, mas ler este blogue (me) dá muita felicidade.
Posted by: Ed at August 20, 2007 03:47 PMpedido de leitor: escreve uma ghost story, vai?
Posted by: Marcio at August 21, 2007 02:42 PMei, genial isso.
Posted by: alexandre r. at August 21, 2007 06:37 PMPô, sacanagem. Meu rímel não tá borrado. =D
Posted by: Braulio at August 21, 2007 06:43 PMNa boa, vocês assinam mesmo esse lixo?
Posted by: André at August 23, 2007 12:32 AM@Bear, "de pé junto" quer dizer que você está morto. E não vale se fazer de morto só pra ver o blogueiro rolar no chão.
De qualquer forma, creio que quando pende pro humor fica melhor, uma vez que os pseudo-intelectuais não devem entender nada e não ficam citando pessoas que não existem — ou dais quais ninguém ouviu falar, o que vem a ser a mesma coisa — nos seus comentários à la Proust.
Posted by: OleSchmitt at August 25, 2007 08:37 AMÉ claro que o comentário abaixo é paráfrase do indescritível Jean-Louis Pesson no seu inominável Cité de Les Ensemble Pieds na edição primorosa pela Casa de Bourbon.
Posted by: OleSchmitt at August 25, 2007 08:41 AMPronto, agora tive de voltar porque inventei um personagem que já existe: Jean-Louis Besson. Que pseudo-vergonha sinto agora...
Posted by: OleSchmitt at August 25, 2007 08:44 AMBom dia!
Velocidade estonteante, pensamento sutil em paradoxo, vertiginoso e afável, mas terei que reler o post, acordei agora... haun...
Parabéns.
Posted by: Daisy Carvalho at August 25, 2007 09:54 AMSabe que voltei a dormir e sonhei que havia sonhado com um post maluco sobre um sonho improvável... Voltei agora pra conferir e é verdade! O post existe e tem até Leila Diniz com pintinhos e tudo!!!
Meu pathos : voltarei sempre. Sem ethos! ;)
Beijo, hein...
Posted by: Daisy Carvalho at August 25, 2007 10:44 PMInfame e delicioso. Adorei.
Posted by: Saulo Matias at August 29, 2007 03:20 PMPrezado Alexandre Silva,
Trabalho na produção da exposição Blooks, organizada pela Aeroplano Editora, com curadoria da Heloisa Buarque de Hollanda, Bruna Beber e Omar Salomão. A exposição será realizada no Oi Futuro, Rio de Janeiro, a partir do dia 10 de setembro.
Gostaria do seu e-mail para enviar um convite e solicitar uma autorização para utilizarmos uma tira na exposição.
desde já, muito obrigado pela atenção.
Atenciosamente,
Arthur Moura
Produção Contemporânea
Automatica
Av. Pasteur, 403/501
22290-240 Rio de Janeiro RJ Brasil
TF + 55 (21) 2275.1511
arthur@automatica.art.br
www.automatica.art.br
As conversas furtadas de crianças são as únicas que valem a pena entreouvir - mas nem sempre a gente escolhe. Ontem ouvi uma assim:
Mãe: Então qual era o nome da menina?
Filha de 5 anos: Menina.
Mãe: Mas e a outra menina?
Filha: Menina.
Mãe: Menina também?
Posta logo aí, MANOW. 14 dias é sacanagem.
Posted by: Joaquim at August 31, 2007 09:37 PMAdorei adorei adorei, cueca frita
http://oritmodissoluto.blogspot.com/
Posted by: lara at September 3, 2007 12:38 AMOlálexandre. Estava vendo vendo teu vídeo do Woody Allen, que me divertiu um tanto, e logo tive uma impressão tão forte que parecera sempre tê-la tido. Woody Allen falando de arte, de mulheres, parece tão carioca! Uma versão novaiorquina dos Millôres da vida, jornalista carioca barrigudo.
Foi só uma impressão, bastante específica, ergo não se me descontente, que eu te acho um rapaz bacano e só quis partilhar a comparação. Abraço!
Posted by: Rafael Trindade at September 3, 2007 08:14 PMComo esse blog consegue sobreviver entre os 100+, com um intervalo tão grande entre postagens? Alexandre, é bom que você esteja a beira da morte.
Posted by: Rodrigo at September 4, 2007 10:50 AM