July 26, 2007

Malditos Bintles

eucrian%C3%A7.JPG

Chega mais perto, quero tocar no seu joelhinho, a unha fazendo cócegas através da calça jeans; quero falar monomaniacamente de mim mesmo, com a certeza ingênua e inabalável dos narcisistas de que você vai achar o assunto fascinante. Fui uma criança melancólica, cabeçuda, pálida, com olheiras; melancólica, digo, mas não infeliz: me bastava olhar qualquer coisa intensamente, digamos um quadrinho de Carl Barks, e eu ficava feliz; ainda acho que a felicidade depende de atenção e absorção nos detalhes visuais do mundo, mas adiante, voltemos ao assunto Eu Mesmo (chegou a sua Old Speckled Hen). Foi uma infância feliz, entre livros e filmes e séries, e bolachas de mantecal que nunca mais encontrei. E dan tops! Sim, dan tops! Mas eu era dado a crises de melancolia que eram disparadas por qualquer coisa e das quais eu não sabia sair sozinho.

Adultos se esquecem de como as crianças pensam na morte. Era isso que me deprimia, a morte, e mais genericamente a passagem do tempo. Algum dia minha mãe morreria, meu pai, meu cachorro, meu avô; a casa em que vivíamos seria de outros, meu irmão sairia de casa, cada um iria para o seu lado; eu perderia as bolas, ficaria careca; tudo imaginado com intensidade e frequência e com uma trilha sonora chorosinha. Não ajudava muito ouvir as conversas de uma tia que vivia conosco, e que sempre dava um jeito de suspirar e dizer qualquer coisa do tipo "Ai, essa fase da infância que é boa, a gente é cheia de ilusão, viu, depois a gente cresce e vê que as coisas não são assim, é um golpe atrás do outro", e eu que não era cheio de ilusão nenhuma me perguntava horrorizado como era possível que aquela fase que eu estava passando é que fosse a boa fase da minha vida, quão ruins seriam as outras, e em que abismos de horror e tristeza minha vida cairia depois. Ela suspirava e dizia de novo, "Aproveita, são anos bons, a gente tem os pais com a gente, eles não ficam com a gente pra sempre não". Ok, tia, eu sei.

Além disso minha infância foi destruída por Yesterday. A infância de quantas pessoas não foi destruída por Yesterday? Já prestou atenção na letra? Eu ignorava toda a parte amorosa e me concentrava em All my troubles seemed so far away, now it looks as though they're here to stay, Oh, I believe in yesterday, Suddenly I'm not half the man I used to be, There's a shadow hanging over me, etc, música que parecia por algum motivo tocar em todos os almoços e jantares da família, Michelle e Eleanor Rigby me deprimindo também, mas Yesterday sendo pior porque eu imaginava, aos oito anos, Jesus Cristo, que algum dia (breve, breve) eu também não seria "metade do homem que costumava ser", e que uma sombra pairaria sobre mim, seja lá o que for isso. Tristeza e solenidade no solar dos Soares Silva, como se nossa casa fosse a casa de Usher.

Isso tudo acabou quando fiz dezoito, dezenove anos, e de repente os efeitos se inverteram e passei a ter crises de felicidade, especialmente nas férias, guv´nor, governess, m´lady, ou em todo o período que fiquei em casa depois de ter trancado a matrícula na faculdade; uma felicidade muito intensa e sem motivo específico, que aparecia depois de ler algum livro ou ver algum filme, noir ou musical, All About Eve, The Bandwagon, Funny Face, The Big Sleep, tarde da noite; eu ia me olhar no espelho até, era como um personagem de Dostoiévski prestes a ter um ataque epiléptico. Aquilo que Maslow chamava de peak experiences:

I would like you to think of the most wonderful experience or experiences of your life; happiest moments, ecstatic moments, moments of rapture, perhaps from being in love, or from listening to music or suddenly "being hit" by a book or a painting, or from some great creative moment. First list these. And then try to tell me how you feel in such acute moments, how you feel differently from the way you feel at other times, how you are at the moment a different person in some ways.

Esses extremos nunca coexistiram em mim; ou eu tive uma época deprimida, ou uma época maníaca; mas as duas passaram, e hoje tenho uma natureza propensa a uma felicidade morninha, não intensa, mas quase indestrutível. Basicamente, se você me deixar num canto em paz, estou feliz. Me dê um dia sem nada para fazer, um livro, uma série de tevê, e estou realmente feliz. Isso causa os seus problemas também, porque quem é muito naturalmente feliz não percebe às vezes que as pessoas à sua volta não estão igualmente felizes. Outra Old Speckeld Hen? Não? Ah, bourbon.

Mas eu estava dizendo, o horror da passagem do tempo. Ok. Para mim isso está sintetizado numa imagem, que é a de uma garota usando moletom branco e cor-de-rosa, enrodilhada no sofá da casa dela, na frente do qual estou ajoelhado; eu tenho vinte e três, ela vinte, e ela está chorando desesperadamente, desesperadamente, guv´nor, governess, m'lady, porque eu vou viajar e ela vai ficar um mês sem me ver.

Ou então: você vai numa festa com um casal amigo, ok? Você não conhece ninguém na festa e passa uns vinte minutos brincando com o weimaraner afetuoso e gigantesco acorrentado no fundo do quintal, no escuro, o weimaraner ficando de pé e mordendo de brincadeira o seu braço e sacudindo tudo. Ele é mais alto que você, você adora esse cachorro que nunca viu antes, quer adotar, não tem nem medo que essa boca enorme se feche com muita força no seu antebraço fininho de blogueiro. Você volta para a festa com o braço da camisa todo babado e ainda não conhece ninguém, e você bebe um pouquinho demais, talvez, e está tocando uma música do maldito Caetano Veloso, "Onde está você agora?", que mais tarde, voltando de carona com o casal amigo, no banco de trás do carro dele, eles de mãos dadas, atravessando a cidade às quatro da manhã, você converte num discursinho mental cheio da sentimentalidade grotesca do álcool, mas que é uma sentimentalidade verdadeira, não criada pelo álcool, mas que só estava esperando pelo álcool para se fazer notar: "Onde está você agora, indeed? Onde estão vocês todas? Quero que saibam que", etc.

Sempre tive uma inclinação pelas filosofias que enfatizam a permanência das coisas. Chutaria a barriga gordinha do Buda se pudesse. Nada muda. Claro que é o mesmo rio, Heráclito idiota. Há um lugar no céu em que todos os seus brinquedos perdidos estão esperando por você.

Posted by Alexandre S. at July 26, 2007 05:41 PM
Comments

Quando eu fico sem saber como terminar um texto eu sempre apelo pro céu.

Posted by: Alexandre at July 26, 2007 10:37 PM

.

Posted by: mauro at July 26, 2007 10:42 PM

O que anda lendo, Alexandre?

Posted by: mauro at July 26, 2007 10:44 PM

"Winesburg, Ohio", Mauro. E tu?

Posted by: Alexandre at July 26, 2007 10:48 PM

Laughter in the Dark. Read and weep.

Posted by: mauro at July 26, 2007 10:50 PM

Este aqui http://www.bartleby.com/156/, né? É melancólico, também?

Posted by: mauro at July 26, 2007 10:55 PM

Oui, um pouquinhozinho, mas bem escrito.

Posted by: Alexandre at July 26, 2007 10:58 PM

Eu passei a pré-adolescência ouvindo Sargeant Peppers. "Will you still need me, will you still feed me, when I'm 64?" Mas achava meio impossível que alguém chegasse aos 64.

Posted by: mauro at July 26, 2007 11:05 PM

Não acha que todo livro devia ser um pouquinho triste? Se for ver bem, até os do Bertie W. são.

Posted by: mauro at July 26, 2007 11:07 PM

Bertie W.? Agora discordo, Mauro. Você acha mesmo? Acho Wodehouse incapaz de tristeza, ou quase, and good for him if you ask me.

Posted by: Alexandre at July 26, 2007 11:10 PM

Ah, tem um fundinho, sim. Ele nunca fica com a garota (e, claro, ele é o narrador, logo, ele diz que não queria ficar com a garota). E todo mundo acha ele um bocó, e ele percebe, né? É só um funcinho, bem disfarçado, mas tá lá. Ou será que sou só eu que me condôo com o Bertie?

Posted by: mauro at July 26, 2007 11:16 PM

("Funcinho" que cazzo é um "funcinho"? Fundinho, né.)

Posted by: mauro at July 26, 2007 11:19 PM

=^^=

Posted by: Jules at July 27, 2007 07:02 AM

Não vejo essa tristeza no Bertie também, Mauro. Você está só.

Quanto a Yesterday, Alexandre, sempre achei bem otimista, por causa do "I believe in yesterday" e tal, que no meu cérebro de criança significava "I believe yesterday will come back" ou algo algo parecido. Eu dava mais valor a esses versos que aos versos tristes, porque no fim tudo estava bem (uau! quanta pieguice!).

Posted by: Gustavo at July 27, 2007 08:06 AM

"solenidade no solar dos Soares Silva" é o que eu chamo de verdadeira aliteração.

E o Heráclito sempre me aborreceu também com aquela história do rio.

Posted by: Ed at July 27, 2007 08:26 AM

Mas a melancolia gerada pelas músicas e filmes e livros permanentes acaba sendo nosso maior apego; os cachorros, avós e amigos morrem, os livros ficam pra trás, nos mudamos de nossas casas, e aquela música reaparece depois de tantos anos e nos faz sentir que ela não passa, que vamos perder tudo, mas vamos continuar sendo aquele mesmo moleque (ou menina) que a ouvia atentamente sem que ninguém suspeitasse que um dia ficaria feliz em sofrer de saudade.

Posted by: Badá at July 27, 2007 08:40 AM

Damn, Gus, agora fiquei triste. ;o) Não, não, mas sério: não disse que as estorinhas do Bertam sejam tristes, nem tragicômicas, nõa, não. Disse que têm um fundinho (ou funcinho, em versão anterior) de melancolia. É, aliás, esse fundinho de melancolia que faz a graça - afinal, que graça teria o sobrinho da Ms. Agatha, se todos passassem o que ele passa, ou se acontecessem com ele as coisas que acontecem com todos?

Posted by: mauro at July 27, 2007 08:50 AM

Deus do céu!! cadê aquele stiff upper lip dessa gente toda? nice post though.

Posted by: eduardo at July 27, 2007 10:47 AM

Seu melhor post. EVER. Agora vou lá flertar com desconhecidos e já volto.

Posted by: Baldotto at July 27, 2007 10:55 AM

Esse personagem epiléptico do Dostoiévski seria por acaso o Smierdiakov, dos "Irmãso Karamazov"?

Posted by: Rafael at July 27, 2007 02:27 PM

"Quando eu fico sem saber como terminar um texto eu sempre apelo pro céu."

Hahaha.

Posted by: Leonardo Luís at July 27, 2007 02:41 PM

Tenho lido o seu blog faz um tempo e agora estou me aventurando por essa sazonada caramunha que compõe este universo internauta... muito bom o post mesmo; aproveito para dizer algumas coisinhas:
- Heráclito não conheceu castores em sua existência terrena.
- Eu creio que também começo a desenvolver a tendência ao ócio edênico.
- Me sinto um esquisito aqui. Partilho da opinião de que a tristeza é um tempero essencial aos filmes, mas não consigo gostar tanto de "A professora de piano" quanto minha namorada. Na verdade, eu não consegui sequer gostar. Sou normal?
- Cadê você na Bravo?

Posted by: Fidélis Martuscelli at July 27, 2007 04:32 PM

Caraio.

Posted by: Marco Aurélio at July 27, 2007 06:03 PM

Esse "Chega mais perto, quero tocar no seu joelhinho" é das coisas mais ridículas que já li suas, you can do much better, Alex.

Posted by: Uóxington at July 28, 2007 12:57 AM

Omnia mutantur, nihil interit.

Posted by: Richard at July 28, 2007 01:33 AM

donde é que vem essa sensação de que 'i'm not half the man i used to be'? já ouvi, fora yesterday, umas três músicas (não me peçam pra citar, ouvi *por aí*) com o mesmo lamento. mas ora, eu sou o dobro do menino que eu costumava ser. eu sei mais, agora eu tenho um carro, me visto melhor e sou mais bonito. e quando ficar mais velho vai ficar melhor ainda porque vou ter um carro melhor, vou saber mais e ainda por cima vou ser grisalho.

Posted by: bruno at July 28, 2007 05:37 AM

Há até hoje um quadro dos Beatles em casa, com a imagem dos quatro à época de "Yesterday" e, claro, com a letra de "Yesterday".

Não lamente por mim, eu já lamentei o suficiente desde meus 9 anos de idade.

Imagine ter a letra de "Yesterday" estampada no corredor, diante da porta do banheiro, acompanhada da imagem do quarteto-em-fim-de-carreira (barbas, barbas...). Pensando bem, não imagine.

Posted by: Christian Rocha at July 28, 2007 09:54 AM

Essa sua tia (ou uma incarnação do espírito avuncular-estraga-prazeres) também me azucrinou a infância com a mesma conversa, que tinha o condão de me deprimir pelas mesmíssimas razões.
Para a angústia heraclitiana, o Nietzsche propunha o eterno retorno, postulado que, para verdadeiros neuróticos, deixa ainda assim o problema de escolher acertadamente ("Hummm... Prefiro passar a eternidade a ver o canal 1 ou a SIC / Comer frascos de Nutella ou 'cucumber sandwiches' / O diabo-a-quatro ou venha-o-Diabo-e-escolha?").
Ibidem

Posted by: Ibidem at July 28, 2007 11:36 PM

Olá Alexandre, como vai?
Acompanho seu blog há um bom tempo e gostaria de saber se posso acrescentá-lo no meu blog!
Se tiver algum problema é só me mandar uma email dizendo!
Obrigada!

Posted by: Mariana at July 29, 2007 02:20 PM

Fiquei um tempo sem entrar aqui, mas vou contestar o Mauro de novo. Adoro contestar. Mauro, o funcinho (temos que oficializar essa palavra) de tristeza talvez não seja culpa do Wodehouse, mas do leitor. Digo, se o leitor é bonzinho, fica com pena de tratarem ele daquele jeito e tal. Eu tenho pena do Bertie, mas a culpa é minha, porque sou humano. Tristeza no livro não tem, não.

É isso que você quis dizer?

Posted by: Gustavo at July 30, 2007 07:32 AM

Gus, sadness is in the eye of the beholder não deixa de ser uma boa teoria. Mas não acho que um funcinho de melancolia, que toca as alminhas mais simples (como a minha, gentil que te partiste), seja motivo para se “culpar” o autor. O que causa essa peninha do Bertram é também o que nos faz achar engraçadas as suas bobájs (copyright Filthy M.). Mas o pior de tudo, o mais grave de tudo, o que é imperdoável, é tentar fazer análise pissicológica dos personagens do Old Plum. Isso é unforgiven, e eu parei por aqui, enquanto ainda me resta um funcinho de dignidade, já! (Ah, olá e abraços, né?)

Posted by: mauro at July 30, 2007 10:05 AM

- Unforgivable, you dumb a*.
- Sorry. But why didn't you notice it before we aired it?
- Aired it? You think this is some kind of radio?
- You know what I mean, you stupid moron.
- Stop now. Everybody is looking.
- OOps. Sorry.

Posted by: mauro at July 30, 2007 10:09 AM

Ando com uma preguiça ancestral de gente que emite opinião sobre tudo e todos, de gente que não pode passar sem uma palavrinha sobre isso ou aquilo, de gente que lê algo e se sente imediatamente impelida a comentar, a gastar um neuroniozinho para se sentir no topo.Mas claro, não resisti ao apelo (perverso) da fotinha anexada a este "Malditos Bintles", pois a fotinha é o verdadeiro texto, bastava a fotinha, Alexandre Silva! Bastava apenas aquela coisinha xuxuquinha a ocupar toda a cena, a calar a boca tagarela de qualquer um,inclusive a sua própria. A foto é tão pimpinha,xuxuquinha e sagrada que já deixaria inscrito o blog por todo o resto de mês, mas vc a profanou. Peça desculpas à fotinha, àquela coisinha fofucha, peça desculpas. É, Alexandre, vc perdeu uma boa chance de ficar callado, já o Antonio (do Quarup)ficaria ...Ui!
Aninha

Posted by: Ana at July 30, 2007 02:34 PM

Ana, de modo geral gosto que as pessoas olhem beyond my boyish good-looks. ;>)

Mariana, obrigado. Obrigado pelos comentários, voltem sempre. E Mauro, não chego nem a ter pena do Bertie. Só quando ele está na presença duma tia, talvez.

Posted by: Alexandre at July 30, 2007 04:03 PM

Pois eu tenho um dó (ah não, let me refrase that), eu me condôo (oh, well) com o Bertie quando o J. dá a solução final para o dilema da vez, e invariavelmente inclui uma incontornável sacanáj com o B..

Posted by: mauro at July 30, 2007 04:15 PM

Ok, talvez quando Bertie é forçado por Jeeves a cortar uma gravata em tiras ou abrir mão de um paletó abóbora ou algo assim. ;>)

Posted by: Alexandre at July 30, 2007 04:27 PM

Oi Alexandre.
Que bonito o post.

A foto também. Parece o Sonny, de Dog Day Afternoon. O Sonny filhotinho.

=]

Posted by: ulisses at July 30, 2007 04:28 PM

Olá, Ulisses. Estou com medo de ir ver se Sonny é o Al Pacino ou o Freddo de The Godfather. ;>)

Posted by: Alexandre at July 30, 2007 04:31 PM

Só digo uma coisa: Bochechas. :)

Posted by: Beatriz at July 30, 2007 06:24 PM

Gear up for grub with a tripleheader of pigskin, including a meeting of brothers in Dallas. Everybody knows it's been a rough year for her, but find out who else had issues

Posted by: Iris at November 25, 2007 03:27 AM

Gear up for grub with a tripleheader of pigskin, including a meeting of brothers in Dallas. Everybody knows it's been a rough year for her, but find out who else had issues

Posted by: Iris at November 25, 2007 03:27 AM

The comic visited the land for the first time in decades to promote his anRrpWTYnkmcou new animated movie about bees, and he was treated like royalty literally

Posted by: Iris at November 26, 2007 02:55 PM

Taylor has a home in the Miami suburb of Palmetto Bay that he bought two years ago. The 24-year-old player is in HjJrFiZwfKpezK his fourth season with the Redskins after playing at the University of Miami, where he was an All-American in 2003

Posted by: Jessica at November 26, 2007 10:48 PM

Academicians, you know, don't care to cultivate City people unless they're customers. Patrons, the Academicians more benjamin moore paint
6u5k7y8ezi

Posted by: Jennifer at November 29, 2007 11:30 PM
Post a comment









Remember personal info?