July 30, 2007

Links

Toma, links, porque estou resfriado e tenho passado os últimos dias pulando de página em página com meus dedos gelados:

* Um ensaio especialmente bom de David Denby na New Yorker, a qual nunca mais escreverei em itálico, sobre comédias românticas, e o que mudou nelas desde as screwball comedies até “Knocked Up”, de Judd Apatow (via Eduardo Carvalho).

* Já até saiu da primeira página, o que é bom sinal, de que ele não pára de postar agora, mas gostei do post do Bruno Garschagen porque os trechos citados são realmente horrendos e eu estava com humor para ler essas coisas: André Sant’Anna é o Paulo César Pereio da literatura brasileira recente (nem vale a pena comentar a tentativa de escrever ironicamente no Rascunho - não dá pra ler aquele texto por inteiro - mas por que é que escritor quando quer falar mal de crítico quase sempre menciona o salário pequeno? É assim que eles medem os outros? E quão vermelhas ficariam minhas faces se eu escrevesse algo tão embaraçoso quanto "Corajoso sou eu, escritor de vanguarda, experimental, transgressor, jovem, contemporâneo, que, ao invés de ganhar uma graninha estável, redigindo, com facilidade extrema, as opiniões corajosas de algum chefe de revista com alto poder de penetração nacional, ou até estadual, já vale, uma graninha mais ou menos, que dê pra sair de noite no inverno gostosinho de São Paulo, a arte, a morte, a literatura, pensando grande, pensando maior, varando madrugadas a escrever um grande romance, sem concessões ao gosto médio dos consumidores burros?" Seria eu capaz de escrever isso bêbado? Como me sentiria ao acordar? O que me faz pensar que a vida de muitas pessoas é uma bebedeira cuja ressaca e sobriedade só serão atingidas depois da morte, se tanto.)

* Antônio Fernando Borges, que também vem postando bastante, fala sobre uma bobagem que uma escritora disse aí. Eu só leio livro de gente morta, de qualquer maneira.

* Eis o resumo da literatura brasileira.

* Passei alguns bons minutos em "Trailers from Hell".

* Tanto Dandyism.net quanto Film Noir Buff são bons sites de dândis que descobri graças ao Rodrigo de Lemos.

* Um blog de lingerie que descobri não sei onde.

* E um blog dedicado a Ronald Searle, um dos melhores desenhistas do sécdormi no meio da frase. Do século XX. Muito bom.

* Faz tempo que queria dar o link deste blog, The American Fez.

* Se você prefere política, talvez goste do The Daily Gut. O Jim Treacher que aparece aí é o mesmo do Mother May I Sleep with Treacher e do Blowing Smoke (estou dando o link for a reason, dummy. São bons.)

* Nunca li Montherlant, mas macacos me mordam e roubem o meu fez se Madame de Coantré, Count Léon de Coantré e Elie de Coëtquidan não são os melhores nomes de personagens do mundo.

* Melhor texto que li hoje.

* Maia Hirasawa, "Gothenburg" (via Miyuki).

* Alguns dias faço um post só de links para os melhores diálogos do Go Fug Yourself. As autoras desse blog, e os do The Superficial, são melhores que toda a literatura brasileira. Comece por este, depois por este, mas o melhor dos que eu me lembro é este. Ou era um com Karl Lagerfeld? Mas enfim, melhor que toda a literatura brasileira - e particularmente melhor que André Sant' Anna.

Posted by Alexandre S. at 06:29 PM | Comments (20)

July 26, 2007

Malditos Bintles

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Chega mais perto, quero tocar no seu joelhinho, a unha fazendo cócegas através da calça jeans; quero falar monomaniacamente de mim mesmo, com a certeza ingênua e inabalável dos narcisistas de que você vai achar o assunto fascinante. Fui uma criança melancólica, cabeçuda, pálida, com olheiras; melancólica, digo, mas não infeliz: me bastava olhar qualquer coisa intensamente, digamos um quadrinho de Carl Barks, e eu ficava feliz; ainda acho que a felicidade depende de atenção e absorção nos detalhes visuais do mundo, mas adiante, voltemos ao assunto Eu Mesmo (chegou a sua Old Speckled Hen). Foi uma infância feliz, entre livros e filmes e séries, e bolachas de mantecal que nunca mais encontrei. E dan tops! Sim, dan tops! Mas eu era dado a crises de melancolia que eram disparadas por qualquer coisa e das quais eu não sabia sair sozinho.

Adultos se esquecem de como as crianças pensam na morte. Era isso que me deprimia, a morte, e mais genericamente a passagem do tempo. Algum dia minha mãe morreria, meu pai, meu cachorro, meu avô; a casa em que vivíamos seria de outros, meu irmão sairia de casa, cada um iria para o seu lado; eu perderia as bolas, ficaria careca; tudo imaginado com intensidade e frequência e com uma trilha sonora chorosinha. Não ajudava muito ouvir as conversas de uma tia que vivia conosco, e que sempre dava um jeito de suspirar e dizer qualquer coisa do tipo "Ai, essa fase da infância que é boa, a gente é cheia de ilusão, viu, depois a gente cresce e vê que as coisas não são assim, é um golpe atrás do outro", e eu que não era cheio de ilusão nenhuma me perguntava horrorizado como era possível que aquela fase que eu estava passando é que fosse a boa fase da minha vida, quão ruins seriam as outras, e em que abismos de horror e tristeza minha vida cairia depois. Ela suspirava e dizia de novo, "Aproveita, são anos bons, a gente tem os pais com a gente, eles não ficam com a gente pra sempre não". Ok, tia, eu sei.

Além disso minha infância foi destruída por Yesterday. A infância de quantas pessoas não foi destruída por Yesterday? Já prestou atenção na letra? Eu ignorava toda a parte amorosa e me concentrava em All my troubles seemed so far away, now it looks as though they're here to stay, Oh, I believe in yesterday, Suddenly I'm not half the man I used to be, There's a shadow hanging over me, etc, música que parecia por algum motivo tocar em todos os almoços e jantares da família, Michelle e Eleanor Rigby me deprimindo também, mas Yesterday sendo pior porque eu imaginava, aos oito anos, Jesus Cristo, que algum dia (breve, breve) eu também não seria "metade do homem que costumava ser", e que uma sombra pairaria sobre mim, seja lá o que for isso. Tristeza e solenidade no solar dos Soares Silva, como se nossa casa fosse a casa de Usher.

Isso tudo acabou quando fiz dezoito, dezenove anos, e de repente os efeitos se inverteram e passei a ter crises de felicidade, especialmente nas férias, guv´nor, governess, m´lady, ou em todo o período que fiquei em casa depois de ter trancado a matrícula na faculdade; uma felicidade muito intensa e sem motivo específico, que aparecia depois de ler algum livro ou ver algum filme, noir ou musical, All About Eve, The Bandwagon, Funny Face, The Big Sleep, tarde da noite; eu ia me olhar no espelho até, era como um personagem de Dostoiévski prestes a ter um ataque epiléptico. Aquilo que Maslow chamava de peak experiences:

I would like you to think of the most wonderful experience or experiences of your life; happiest moments, ecstatic moments, moments of rapture, perhaps from being in love, or from listening to music or suddenly "being hit" by a book or a painting, or from some great creative moment. First list these. And then try to tell me how you feel in such acute moments, how you feel differently from the way you feel at other times, how you are at the moment a different person in some ways.

Esses extremos nunca coexistiram em mim; ou eu tive uma época deprimida, ou uma época maníaca; mas as duas passaram, e hoje tenho uma natureza propensa a uma felicidade morninha, não intensa, mas quase indestrutível. Basicamente, se você me deixar num canto em paz, estou feliz. Me dê um dia sem nada para fazer, um livro, uma série de tevê, e estou realmente feliz. Isso causa os seus problemas também, porque quem é muito naturalmente feliz não percebe às vezes que as pessoas à sua volta não estão igualmente felizes. Outra Old Speckeld Hen? Não? Ah, bourbon.

Mas eu estava dizendo, o horror da passagem do tempo. Ok. Para mim isso está sintetizado numa imagem, que é a de uma garota usando moletom branco e cor-de-rosa, enrodilhada no sofá da casa dela, na frente do qual estou ajoelhado; eu tenho vinte e três, ela vinte, e ela está chorando desesperadamente, desesperadamente, guv´nor, governess, m'lady, porque eu vou viajar e ela vai ficar um mês sem me ver.

Ou então: você vai numa festa com um casal amigo, ok? Você não conhece ninguém na festa e passa uns vinte minutos brincando com o weimaraner afetuoso e gigantesco acorrentado no fundo do quintal, no escuro, o weimaraner ficando de pé e mordendo de brincadeira o seu braço e sacudindo tudo. Ele é mais alto que você, você adora esse cachorro que nunca viu antes, quer adotar, não tem nem medo que essa boca enorme se feche com muita força no seu antebraço fininho de blogueiro. Você volta para a festa com o braço da camisa todo babado e ainda não conhece ninguém, e você bebe um pouquinho demais, talvez, e está tocando uma música do maldito Caetano Veloso, "Onde está você agora?", que mais tarde, voltando de carona com o casal amigo, no banco de trás do carro dele, eles de mãos dadas, atravessando a cidade às quatro da manhã, você converte num discursinho mental cheio da sentimentalidade grotesca do álcool, mas que é uma sentimentalidade verdadeira, não criada pelo álcool, mas que só estava esperando pelo álcool para se fazer notar: "Onde está você agora, indeed? Onde estão vocês todas? Quero que saibam que", etc.

Sempre tive uma inclinação pelas filosofias que enfatizam a permanência das coisas. Chutaria a barriga gordinha do Buda se pudesse. Nada muda. Claro que é o mesmo rio, Heráclito idiota. Há um lugar no céu em que todos os seus brinquedos perdidos estão esperando por você.

Posted by Alexandre S. at 05:41 PM | Comments (44)

July 19, 2007

Chega

Existe algo desmoralizador na música brasileira, um ethos de homem exclusivamente meigo de sandália, do tipo que faz cafuné na namorada logo depois dela ter contado uma traição e que ainda diz que a culpa foi dele. Afirmo publicamente com a certeza dos gênios e dos cretinos que nenhum nome conhecido da MPB é capaz de fazer um supino com o peso do próprio corpo. Sei disso porque tenho notado o efeito deletério da MPB sobre a minha carga máxima no supino, já que na hora que vou para a academia, onze da manhã, quase só há senhoras de meia-idade empunhando halteres cor-de-rosa e sacudindo seus tríceps flácidos e pintalgados, e elas sintonizam numa maldita estação que só toca MPB, e ficam cantando junto na hora do "Como vai você, eu preciso saber da sua vida" - como se fosse possível fazer movimentos concêntricos com carga ouvindo "Como vai você, eu preciso saber da sua vida" sem que os seus músculos murchem e fiquem até côncavos.

O pior momento que passamos hoje foi quando começou a tocar "Jogue suas mãos para o céu, e agradeça se acaso tiver", música mui debilitante. Imediatamente reduzi minha velocidade na esteira, por puro desânimo emepebeístico mesmo, um cansaço vital, uma caetanice, e bem à minha esquerda houve um estrondo quando um adolescente afável e coreano perdeu a força durante o supino e a barra deslizou e caiu no peito dele. Todos saíram correndo para ajudar, embora o moleque mesmo sorrisse para fingir que nem tinha doído, e as pessoas "Ê, Kim", "De novo, Kim", e ele, "É que eu ouvi não-sei-quê "casinha de sapé" e deu uma travada no braço e a barra caiu, mas deu sorte que pegou de lado". E eu que continuava na esteira sacudi a cabeça com tristeza sábia, tendo visto isso se repetir em uma academia atrás da outra ao longo de muitos anos. Por quanto tempo nossa juventude continuará a ser debilitada, quiçá mutilada, pela MPB? Como vocês acham que ficaria o físico de Arnold Schwarzenegger ou Serge Nubret se eles fizessem exercício ouvindo Maysa?

E tem mais, quando um cantor de MPB quer parecer mais firmão eu não consigo acreditar. Me lembro que estava fazendo pulley costas quando ouvi um cara lá no rádio cantando "hoje quero saiiiir só, a lua me chama", e na hora tive que parar o movimento, tive que parar mesmo, fazer um som de desprezo e dizer em voz alta, "chama nada, pára com isso". As senhoras de meia-idade me olharam com incompreensão, mas o garoto coreano riu. Ele me entende. Ele sabe do que eu estou falando, e tem as marcas no seu peito débil para provar.

Posted by Alexandre S. at 02:53 PM | Comments (44)

July 16, 2007

Ah, quer saber? Perdi a

Ah, quer saber? Perdi a vergonha. Olha a minha wishlist aqui. Meu aniversário é 6 de novembro, o que faz de mim um escorpiniano sensual e traiçoeiro da murrinhanha (subitamente descobri o subtítulo da minha autobiografia). Mas não fique preso a formalidades; eu mesmo não fico, e recebo presentes fora de época com graça e desenvoltura. Amém.

Posted by Alexandre S. at 07:55 PM | Comments (16)

July 12, 2007

Sim

Tive a idéia de reinvidicar o direito ao título nobiliárquico passado retroativamente dos meus descendentes até mim. Certamente um deles vai ser o herói da Batalha do MorumbiShopping, ou o grande estrategista por trás do ataque à Puc. Imaginando-se que receba um título nobiliárquico, por que não posso recebê-lo retroativamente? Estou falando a palavra "retroativamente" desde manhã, mind you, quando tive essa idéia, e o fato de ter bebido uns vinhinhos na janta não me ajuda a pronunciá-la - mas a idéia é boa, pára de jogar bolota de pão em mim. Uns dez anos atrás costumava andar pelo bosque do meu condomínio, de mão nas costas, andando devagarzinho, pensando nas gerações de superhomens que sairiam de mim e que um dia fechariam aquele bosque, sem dúvida, e colocariam uma plaquinha: "Aqui vinha caminhar Alexandre Soares Silva, Conde de Laumes, Visconde de Altarrosa e Pisuerga, Nono Barão Plunkett, amado fundador da família Soares Silva", etc. Eu imaginava essas coisas e tocava uma musiquinha de Wagner na minha cabeça. Não sou homem de desperdiçar um momento heróico, grandiloquente e um pouco ridículo. Mas por que não? Ou você acha que os seus descendentes vão fazer papel bonito numa batalha qualquer? Do jeito que você é eles vão ser pacifistas. Vão escrever livros denunciando o meu descendente pelo Massacre da Livraria Cultura, quando ele explodiu (explodirá) o dinoussauro da seção infantil, encharcando todo o carpete da rampa com o sangue dos inimigos. E do jeito que vai a pussificação do mundo, é capaz dos seus descententes ganharem um título nobiliárquico por isso. Só me ocorreu isso agora. Os heróis do futuro serão o Conde de Tal e Tal, Herói da Crítica ao Massacre da FEA-USP. Alguém tipo assim um jornalista da Caros Amigos. Haverá estátuas equestres de dissidentes e objetores de consciência e críticos do regime e todo tipo de cobardes com bê. Pfui.

Posted by Alexandre S. at 08:59 PM | Comments (16)

Leitores

Jorge Nobre me perguntou, faz tempo já, o que eu achava dos meus leitores. Demorei para responder porque fiquei pensando no que ia dizer. Não que eu jamais sente de propósito para pensar em uma coisa - jamais, jamais. Penso como a maioria das pessoas pensa: em espasmos, interrompidos por cochilos. Você alguma vez disse para si mesmo, "Vou pensar na vida depois da morte, vou ver se acredito nisso", e depois sentou numa poltrona sem nada nas mãos e ficou pensando todo concentrado por uma hora ou mais? Olhando sem ver o seu retrato de Chinese Gordon - Gordon of Khartoum! - em cima da lareira, numa sala sem música e sem tevê ligada? Não, nem eu. Em espasmos, realmente; e aposto que a maior parte das filosofias foram construídas assim, em espasmos de pensamento que duraram o tempo de um espirro e logo foram interrompidos por sono, digamos seis ou sete espasmos desses ao longo de um ou dois anos - e logo o sujeito está cheio de doutrinas, e viaja pelo mundo falando sobre elas, e está meio fanático por elas e tal.

Mas só para dizer o seguinte: fico irritado quando encontro a palavra "leitor" em um blog. Sim, quem lê é leitor, sim, sim, mas mesmo assim - qualquer um tem um blog, Jesus Cristo, e a maior parte das pessoas que lêem o seu blog têm blogs, e nem gosto da imagem do blog como uma conversa mas é uma conversa mesmo, até certo ponto, e a sensação que tenho quando vejo num blog uma frase como "Olá, leitor!" é a mesma que eu teria se, durante uma conversa, a pessoa na minha frente, de perninhas cruzadinhas e tudo, me dissesse "O que acha, ouvinte?" Honestamente, eu teria vontade de sair e comprar um par de botas e colocar as botas e voltar e sentar na frente dele e chutar as suas canelas de modo que ralasse bem, para que ele nunca se esquecesse de mim. Sim.

Posted by Alexandre S. at 05:35 PM | Comments (14)

July 07, 2007

Found Photos


Todos os dias o Sr. Tompkins acordava cedo, fazia a barba e se despedia da mulher como se fosse trabalhar. Em seguida sentava no quintal e ficava lá o dia inteiro. "Como está o trabalho, querido?", a Sra. Tompkins gritava da janela da sala de costura. "Eita, difícil, viu?"


Três minutos depois, estupraram o fotógrafo.



Jack O'Grady, da Marinha Real Britânica, gostava de ficar parado perto do cruzamento da Maxwell com O'Shanty beliscando os mamilos das pessoas que passavam enquanto fazia sons lascivos, sugando ar entre os dentes. A foto mostra o Sr.Milus Gronzinsky, a caminho da farmácia para comprar mertiolate, ficando muito irritado com isso.



Num parque em Ontario. A foto capta o momento em que o Sr.Jarvis Mulligan (direita) quis dar bengaladas numa família de desconhecidos. "Me deu vontade de dar umas bengaladas neles. Posso dar umas bengaladas neles?" "Não, Jarvis, não."



O primeiro casamento de Paulo Francis, em 1934, com uma mulher chamada Ruth Van Veersen. A descoberta dessa foto fez com que a biografia de Paulo Francis tivesse que ser toda revista.



Pouco antes de tirar a fotografia, o fotógrafo perguntou: "É o seu carro, George?". E George disse: "Hein? Não."



Quando a Sra. Georgina Hahlstrom, residente em Yonkers, escreveu para os filhos Louella e Frank que havia casado com um certo Sr. Krahulick, professor de matemática aposentado, Louella e Frank viajaram até Yonkers - apenas para ficarem decepcionados quando descobriram que o Sr.Krahulick era um pinheiro. "Ah, mãe."



Aqui, Louella fazendo força pra aceitar a coisa toda.



"I'm a classy guy in a fancy-schmanzy place", disse o Sr.Irving Maundlebaum ordenando que sua filha Sasha tirasse a foto logo. Em seguida caiu na piscina e quebrou a bacia. "Algum maldito goy deixou uma casca de banana no chão. Quem foi?" "Não tinha casca de banana nenhuma, pai. Ó na foto." Mas o Sr.Irving Mandlebaum continua sendo o jogador de dominó mais jeitosinho de Catskills.



Durante mais ou menos cinco anos, Albertina Kaplan teve o mesmo sonho: estava em viagem com sua amiga Selina quando paravam na frente de uma casa de tijolos, com o número 2918 marcado numa porta branca de madeira e vidro. No sonho Albertina descia do carro e pedia para Selina tirar uma foto dela; mas estava posando para a foto quando a porta se abria abruptamente e um velho saía correndo, matando Albertina com uma marreta.

Quando, em 1936, viajando pela região dos lagos com Selina, Albertina viu uma casa idêntica ao sonho, não resistiu e pediu para tirar a foto, embora arrepios de medo corressem pelas suas costas arqueadas e tensas. "Vai logo, Selina".



A última foto tirada de Albertina Kaplan em vida.

Posted by Alexandre S. at 11:59 AM | Comments (19)

July 02, 2007

The Hunters

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James Salter é um desses escritores, afinal não tão comuns assim, que querem escrever bonito. Não vou nem colocar entre aspas, ele quer escrever bonito mesmo.

Às vezes consegue. Li "Light Years" alguns anos atrás e fiquei impressionado com o segundo capítulo, que é só uma visita do personagem principal ao alfaiate. Não tem grande coisa a ver com o resto da história e, se Salter ouvisse o conselho dos professores de redação, "corte o que puder ser cortado", blábláblá, cortaria o capítulo fora. Mas que pena seria. Lembro que é uma cena tão delicada, tão bonita e tal.

Além disso "Light Years" tinha umas boas cenas na cozinha, uma cena de assalto que não esqueci, umas frases muito boas. Quando o personagem principal é traído pela mulher, você sente uma cosquinha na testa.

A amiga para a qual emprestei "Light Years" não terminou o livro porque ele está cheio de passagens ridículas. Salter é especialmente ruim escrevendo sobre sexo, como todo mundo: e seus personagens masculinos geralmente são tão bons de cama que fazem com que as mulheres chorem de prazer logo depois do sexo, ou mesmo durante. E não é por saudade de algum ex-namorado ou algo assim! Inaudito!

Isso tudo com Salter tão visivelmente fazendo força para escrever bonito que às vezes, várias vezes por página na verdade, falha muito feio: o livro é cheio de frases que dão vontade de gritar "Fala como gente!", sacudindo Salter pela gola. Não tenho o livro aqui, mas, sei lá, frases como "O céu do Maine cortou as suas costas de pantera envelhecida trazendo alguma coisa da solidão de uma noite de Natal esquecida e Nedra se perguntou, não pela primeira vez, se o sal e o sofrimento não eram os componentes naturais de uma vida completa sob as estrelas onde uma alma pode ir deitar como se estivesse morrendo", etc.

Ok, está cheio de frases assim, mas quando ele acerta ele escreve tão bem: estou disposto a ler frases desse tipo para poder chegar nas outras, que aliás não são tão raras.

Agora estou lendo "The Hunters", que - provavelmente por não ter sexo, pelo menos até agora - tem uma proporção bem maior de boas frases e umas poucas frases meio breguinhas. A história se passa durante a Guerra da Coréia, com um piloto chamado Cleve Connell que acaba de chegar na linha de frente disposto a se tornar um ás - alguém com pelo menos cinco estrelas vermelhas abaixo do cockpit, representando cinco mortes.

Ia dizer que é uma espécie de Top Gun para pessoas que se alimentaram bem na infância mas é bem melhor que isso. Vou ver se vou postando aqui frases soltas do livro à medida que vou lendo.

"He can break your heart with a sentence", diz o Washington Post nas costas do livro. E é verdade, a maior parte das vezes.

E além disso nestes dias frios de julho, quando vou passear com a minha cachorra, tenho sempre olhado para o céu azul e sem nuvens, automaticamente procurando por MIGs.

Posted by Alexandre S. at 09:45 AM | Comments (13)