February 04, 2007

Paulo Francis, tirai-nos da jequice

Este texto me deu vontade de escrever um livro chamado "Beki Klabin, Mordaz a Expedita".

Quanto a Francis, acho uma vergonha que seus amigos não escrevam logo uma biografia dele. É mais ou menos obrigação de Sérgio Augusto ou de Ruy Castro. Por que escrever uma biografia de 900 páginas de Assis Chateaubriand, exemplo do que se pode chamar de chato pitoresco, chato extravagante, chato interessantinho, mas não de Francis? (Sim, eu sei que foi Fernando Morais que escreveu a biografia de Assis Chateaubriand, solta a minha peruca).

E antes que eles digam "Obrigação minha? Por quê eu?", imagine um mundo em que Boswell não tivesse escrito a vida de Samuel Johnson - e, provocado, dissesse: "Obrigação minha? Por quê eu? Por que não Edmund Burke?".*


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Nunca entendi muito bem quem reclama da arrogância alheia. Nem a de Francis, nem a de Muhammad Ali, nem a de Nabokov ou de qualquer outro. Para quem tem uma dose saudável de arrogância, a arrogância alheia é pelo menos uma garantia de que essa pessoa não vai agarrar você pela lapela, chorando e gritando que não passa de um bosta, um bosta, está ouvindo?, lançando perdigotos nos seus óculos todos. Ler Francis trazia esse alívio.


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Dez anos atrás eu estava em pé no meu escritório, mudando de canal com o controle remoto. Quando passei pela Globo vi a imagem de Paulo Francis no meio de um playground, com uma voz de mulher em off falando de Francis no passado: "Francis era um grande amante das marchinhas...", ou coisa assim. A essa altura eu já tinha mudado de canal porque havia me preparado para passar pela Globo correndo, mas voltei atrás por causa de Francis, me perguntando: "Era? Por que era?".

Foi a única morte de alguém que eu não conhecia pessoalmente que me fez sentir alguma coisa. Eu ri quando Tancredo morreu, basicamente porque isso me fez ganhar uma aposta na escola. Mas mesmo pensando em termos de escritores, a morte, por exemplo, de Salinger não me afetaria muito. Com ele morto ou vivo, continuo tendo os mesmos livros dele lá na estante, que releio de vez em quando. Ele não passaria a ter uma presença diminuída na minha vida: sua presença seria exatamente a mesma.

Mas Paulo Francis escrevia duas colunas por semana. Eu esperava sempre por esses dois dias da semana. Suponho que a morte dele foi para mim só o fim da coluna, mas mesmo isso me pareceu horrível.

As colunas de Paulo Francis serviam como uma espécie de educação - uma educação certamente melhor que a da escola e faculdade e pós. Muita gente ouviu falar pela primeira vez de certos autores nas colunas dele. "Tirou os EUA da jequice", ele disse de Mencken, e ele mesmo fez um pouco disso. Bom, não tirou o Brasil da jequice, mas fez um esforço nesse sentido; e esse esforço deu algum resultado na minha formação de na de alguns amigos meus, aka "blogueiros de direita".


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Falando nos quais. Tenho sempre a impressão de que os amigos de Francis não gostam muito dos autores de agora, da internet ou fora dela, que se dizem influenciados por ele. Eles podem perdoar - os que podem - que ele tenha abandonado a esquerda e ido para a direita, mas perdoar outras pessoas de direita além dele já é um pouco demais.

Não que dê pra culpar muito. Devem entender tanto do que seja direita quanto eu entendo de Hare Krishnas; e se um amigo meu virasse Hare Krishna eu até perdoaria, mas também não ia querer andar com os amigos Hare Krishnas dele.

No entanto ele causou uma influência, e são essas pessoas influenciadas por ele, que recortavam e guardavam as colunas todas, que vão preservar a memória e a reputação de Paulo Francis - e não os amigos dele, preguiçosos demais para escrever uma biografia como eu queria, de 600 páginas e fotos. Shame on you, seus ipanemenhos.**


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Já que ninguém escreve uma biografia dele, conto eu uma história que me contaram. Paulo Francis na juventude era sempre confundido com o gângster Baby Face Nelson (foto). Isso levou a um famoso incidente: o gângster americano veio ao Rio e, quando passeava pela Barão da Torre, subitamente levou um tapa nas costas do cartunista Jaguar - que teria dito "Francis, caralho, tu de boina?". Jaguar foi metralhado na hora, mas felizmente estava usando uma garrafinha dessas de metal no bolso e sobreviveu.


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Até os inimigos de Paulo Francis parecem contribuir mais para a boa reputação dele do que os amigos. Quando Francis morreu houve um intervalo de dois ou três anos em que ninguém se permitia falar mal dele, mas isso passou. Francis continua a irritar as pessoas certas. E para um polemista, well, sure, isso é importante.

Compare Francis com Mencken, por exemplo: considerando tudo, Mencken era bem melhor do que Francis, e por um motivo ou outro escreveu vários textos sem aquelas referências datadas todas que aparecem aos pares e aos trios em cada linha de Francis. Mas hoje em dia ninguém, nem um pastor batista que seja, escreve um texto pra falar mal de Mencken.

Já de Paulo Francis falam mal todos os dias. Todos os dias: consulte o technorati. Dez anos depois de morto e ele ainda irrita as bestas.


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Mas o quê, exatamente, vai ficar? Na minha opinião, "O Afeto que se Encerra", que é um grande livro de memórias; e as colunas, trechos delas pelo menos. Entre todas as coletâneas de textos de Paulo Francis, minha favorita é um livro da CODECRI chamado "Paulo Francis Nu e Cru". Quanto aos livros de ficção, não são desprezíveis, e espero que sejam republicados de tempos em tempos.


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Alguns links franciscanos:

O texto do Ruy Castro que estava no início deste post mas você não clicou: sobre a revista Diners e o destino trágico do cachorro Pingo (via Bruno Garschagen, que escreveu um texto sobre Francis nesta Atlântico de fevereiro).

E para terminar, peço que você leia dois posts: este e, imediatamente, quase sem tempo pra respirar no meio, este. É terapêutico.

Este também.


DSC00573.JPG
(E tenho todos os livros.)

* Sim, de uma forma estou comparando Francis e Johnson. Quando se compara uma pessoa com outra é preciso entender que é possível comparar um aspecto comum a duas pessoas sem que se esteja dizendo que as duas são iguais ou que têm a mesma importância. Se você diz, por exemplo, que o escritor X é um bom escritor e lhe respondem que X tem a característica A, o que supostamente tornaria impossível que ele seja um bom escritor, assim que você diz que Y também tinha a característica A e mesmo assim era um bom escritor, a pessoa imediatamente pergunta indignada se você está comparando X com o grande Y. A resposta: sim, quanto à possibilidade de ter a característica A e mesmo assim escrever bem; não em qualidade. Isso tudo é muito cansativo.

** Estou dizendo "shame on you! shame on you!", acreditem, com a mesma intensidade de Julianne Moore na cena da farmácia em "Magnólia". Babando e tudo.

Posted by Alexandre S. at February 4, 2007 02:42 PM
Comments

Ah, quando vão lançar essas colunas todas em livro? Estou lendo o "Dicionário da Corte" e gostando, mas é pouco.

Eu chorei quando o Sinatra morreu. Tinha 15 anos, havia descoberto o Frank há um ano or so, e não ouvia nada além dele, comprei dezenas de cds. Foi numa quinta ou sexta. Parei numa banca no caminho do colégio - sete e meia da manhã - e lá tinha um negão conversando com o jornaleiro. Eu ainda toquei no ombro e perguntei, pra ter certeza - "Quem morreu?". Não fui à aula, voltei pra casa pra chorar.

E o Manhattan Connection nem foi essas coisas. O pessoal ficou elogiando e tal, mas foi chocho. A única vez que o Francis apareceu foi cantando marchinha.

Posted by: Marcio at February 5, 2007 01:51 AM

sobre a arrogância dele: faz bem pro estilo e é bacana quando nas críticas, sem dúvida. mas me irrita quando meio asshole com o povo humilde do programa do gnt. tipo pra quê lembrar a toda hora o barbudinho lá que ele é ignorante e besta?

Posted by: andreis at February 5, 2007 03:20 AM

Soaressilva, vc tem ou nao tem cabelo peniquinho?

Posted by: giacomo at February 5, 2007 03:24 AM

Alexandre,

Excelente o texto. Paulo Francis, mesmo na fase esquerdinha, era maravilhosamente bom. Destaco um ótimo trecho do "Afeto que se Encerra":

"A propaganda anticomunista é dirigida às vítimas do sistema capitalista. Não é séria, dos economistas neoclássicos aos lamentos de Solzhenitsyn. O que enfurece os stalinistas é quando marxistas voltam Marx contra eles. Aí, sim, se sentem ameaçados e reagem violentamente. Nada disso deveria surpreender. A Igreja católica ignorava intelectualmente o islamismo, tão ecumênico quanto o catolicismo, ou o judaísmo, budismo, xintoísmo, etc. Não passavam de pagãos, retrógrados desinformados, ou obtusos. No momento que Lutero virou as Escrituras contra a Igreja a reação foi uma guerra secular, sem quartel, em que o próprio armistício de hoje está cheio de cláusulas condicionais e restritivas."

PS: Ah, o Manhattan Connection foi legal. Com direito a Sinatras, Cary Grants e tantos outros objetos da adoração do Francis. Espero que coloquem no YouTube.

Grande abraço,

Posted by: Gabriel Trigueiro at February 5, 2007 08:25 AM

Andreis, quem colocou o barbudinho no Manhattan Connection foi o Francis. E a partir de entao o barbudinho achou por bem dedicar sua nobre vida de barbudinho aa popularizacao da esquerdinha bem-comportada americana no Brasil, o que parecia decepcionar Francis profundamente. Mas como Ines jah era morta, soh restava a ele dar a Cesar os multiple-killer-combos que eram de Cesar.

Posted by: Super Homem do Planeta Bizarro at February 5, 2007 08:55 AM

alexandre,

oh, como dá vontade de ler as colunas do Paulo Francis. Mas agora imagina alguém que como eu nao estava vivo (ou tava, ou fazia o pré-primário, ou ainda era alfabetizado) enquanto ele publicava e que nao tem uma colecao de jornais velhos em casa e que fica muito incomodado por causa disso, imagina como é pobresita a vida de alguém assim.

Seja um pouco Paulo Francis, scanneia essas colunas aí, posta alguma coisa dele. Agradeceria.

Posted by: jeca at February 5, 2007 11:01 AM

Alexandre,

Um ótimo texto do Daniel Piza sobre o Francis:

http://www.danielpiza.com.br/interna.asp?texto=2149

PS: Inveja absurda desses recortes do "Diário da Corte"! Pena que nessa época eu estava assistindo Jaspion. ;-)

Posted by: Gabriel Trigueiro at February 5, 2007 11:10 AM

"Nitwitted churl". E depois dizem que o Português é mais rico...

Posted by: mauro at February 5, 2007 11:14 AM

Alexandre, ¡não me diga q vc tem todos esses recortes! ¡Vc tem o material exato pra desmascarar as falcatruas tradutórias do PF! Q pena q vc o admire tanto... :•p

Posted by: Permafrost at February 5, 2007 11:29 AM

Só nove comentários, so far? A causa para a beatificação do Paulo Francis já esteve mais dinâmica.
Ao que o Alex responderá: somos poucos, mas somos os mais inteligentes do Brasil.

Posted by: caramelo at February 5, 2007 01:44 PM

Muito bom o texto do Ruy Castro, e que saudades. Eu recém entrara na adolescência quando, em Bauru, topei com um número da Diners na banca: o artigo de capa era de Antônio Callado; pedia "Um zoológico para os índios". E havia também (se não me falha a memória era no mesmo número) o artigo sobre Antônio Maria, citado por Ruy Castro (o título se refere a uma paródia do próprio Maria, "Ninguém me ama, ninguém me quer / ninguém me chama de Baudelaire").

Um dos depoimentos mais tristes sobre o Brasil é o mencionado fiasco de vendas da revista. Só podia dar no que deu...

Posted by: Burke at February 5, 2007 02:46 PM

há alguns textos aqui, jeca:


http://www.paulofrancis.com/main/main.htm


http://hps.infolink.com.br/paulofrancis/index.htm

Posted by: jaca at February 5, 2007 02:59 PM

Com essa maldita chuva que ataca B.H incessantemente, minha tv acabo ficou sem sinal e perdi o especial do Francis no Manhattan. Tomara que alguém grave e passe para o youtube.

Ainda é cedo uma biografia sobre o Francis. Não tem nem um link decente ainda na internet sobre ele. Se for para fazer uma biografia, que não seja o Ruy Castro que a faça. O ASS podia fazer algo mais sério na vida. Que tal?

Posted by: Caiocito at February 5, 2007 08:49 PM

Os caras que escrevem picuinhas sobre o Francis - incluindo aí os amigos - são agentes do Mundo Mesquinho. O texto de Vinícius Freire, da Folha, é ridículo. Daquele sujeito que ficava fuçando os supostos deslizes do Francis é bobo e do outro, que escreveu um caiau sobre isso, é um vitupério besta. O Daniel Piza, como a torre, se inclinando para achar a justa medida. Não vai achar nada. Cabeça de Papel ou de Negro é tão melhor que esses cavalos, casmurros, cárceres e não sei mais o que. Afmaria.

Posted by: Guga Schultze at February 6, 2007 02:45 AM

Alas! Que saudade!

Posted by: Jorge Nobre at February 6, 2007 11:04 AM

Quando eu comecei a colecionar "recortes de jornais" o PF ainda estava vivo mas eu não o lia. Daquela época ( meados dos anos 90 ) eu só tenho hoje: Corinthians campeão ( todos os títulos ), Brasil campeão de 94, os títulos do Guga. Comecei a virar um maldito direitista por causa do Roberto Campos e dele tenho alguns artigos guardados. Lembro até que, me preparando para o vestibulinho (para entrar numa escola federal de nível técnico )guardei um artigo dele acho que no Estadão ( ou na Folha? A coluna tinha o nome de "Lanterna na Popa" ) em qeu sublinhei umas 10 palavras que não conhecia.
Uma pena que eu só tenha virado um maldito direitista convicto após a morte de Paulo Francis!

Posted by: Ângelo da C.I.A. at February 6, 2007 02:33 PM

Alexandre, agora entendi porque você tem tanto amor à palavra, assim.
Ótimo post. Obrigada.

Posted by: Isabella Maddi at February 6, 2007 06:48 PM

É perfeitamente natural, até certo ponto justificável, que os idiotas se esforcem por encontrar deslizes no Francis, meu caro Guga. Como já se sabe, pelo menos desde os tempos do vienense pedófilo fumador de charutos, o complexo de inferioridade só encontra alívio na destruíção dos ídolos adorados.

Mas, veja só, nem sempre os tolos são tão tolos assim. Alguns têm até certo talento literário como essa garota, doublé de polemista excêntrica e admiradora de Stalin e Che Guevara, líder estudantil e neurótica confessa, patricinha mimada e revolucionária revoltadíssima contra o establishment, a Juliana Cunha do www.filosofiaprivada.com

"Ser de direita facilita em muito a vida das pessoas. Basta ter um tiquinho de talento e já se tem tudo encaminhado.

A Bravo! tem provado isso com afinco desde que começou a publicar textos de blogueiros. A Bravo!, publicada pela Editora Abril, não poderia ter escolhido um ninho de colaboradores virtuais que não o Wunderblogs. Direitosos, direitosos até o último fio de pentelho. Eu não tenho opiniões muito ruins sobre os Wundeblogs, literariamente falando. Gosto do Alexandre Soares Silva e não chego a detestar o resto da renca. Mas, vamos lá, a Bravo! é a revista de cultura mais importante do país e tenho uma pequena lista de quinhentos nomes que - por fama e/ou por méritos literários - teriam mais espaço que os Wunderblogs caso o critério de escolha dos colaboradores não fosse tão descaradamente político.

Os textos que Fabio Danesi Rossi publicou são um detrito e Soares Silva simplesmente não tem fôlego pra quantidade de linhas lhe dão. Pelo menos na edição deste mês cortaram pela metade as linhas do Alexandre. Bom pra ele.

Outra coisa asquerosa foi o Manhattan Connection especial Dez Anos Sem Paulo Francis. O Francis teria se ruborizado se pudesse ver aquela patética reunião de amigos, pupilos e fãs empenhados num concurso interno Quem Consegue Lamber Mais Intensamente o Cú do Paulo Francis. O vencedor foi Diogo Mainardi que compensou o fato de ser o único que não conheceu Francis pessoalmente lambendo seu cú de defunto com a determinação necrófila de um Lord Byron. Sem noção.

Todos os méritos que Francis tem (e de fato tem) como jornalista e intelectual, ele perde como romancista. Seus romances são... Um lixo. Lixo, lixo mesmo. Tão putrefatos que nem o time de Lambedores de Cú do Manhattan Connection conseguiu elogiar (embora Lucas Mendes tenha ousado insinuar que talvez os livros não tenham feito sucesso por boicote da crítica). Fizeram críticas leves. Beeem leves."

Perdoe-me, ó plácido Alexandre, por pertubar a calma deste agradável recinto, mas acho sinceramente que uma crítica tão arrogante deveria ser respondida com algo mais forte do que um simples sorriso de desprezo. Quanto a mim, já tenho opinião bem clara: não troco a leitura dos wunder pela de nenhuma leninista metida a George Sand.

Posted by: reuchlin at February 6, 2007 07:17 PM

Juliana Cunha não assistiu o Manhattan, ou assisitiu e não prestou atenção por estar muito ocupada com a cabeça mergulhada em sua privada filosófica: conheci Diogo Mainardi pessoalmente em 1990. Nos reencontramos várias vezes na America e na Europa, viajamos juntos pela Itália; eu e Sonia até assisitimos uma Missa do Galo em companhia do Diogo na Basílica São Pedro, distante fantasma de um natal passado.

Quem eu nunca encontrei foi Ricardo Amorim, que por elegância apropriada à situação (mas desconhecida por Juliana Cunha) permaneceu calado.

Quanto à minha higiene pessoal, agradeço a preocupação da senhorita mas não há o que temer: em bumbum que mamãe passou talquinho língua de marmanjo nenhum faz festinha.

Enorme descortesia incomodar um defunto por coisas tão pequenas. E agora vou brincar com Audrey.

"I could have danced all night!
I could have danced all night!"

Posted by: Francis at February 6, 2007 08:11 PM

Oh, Francis. Oh, Francis. Escorreu-me uma lágrima, agora.

Posted by: Isabella Maddi at February 6, 2007 08:59 PM

As pessoas que escrevem livros geralmente dão o melhor de si (sic) ao escrever os tais livros. Com o Francis não foi diferente. Todo mundo sabe que o Francis amava (sic) literatura. Que considerava literatura um negócio muito sério. Cê tá conseguindo me seguir até aqui, reuchlin?
De forma que o Francis está inteiro, de cabo a rabo, sangue, corpo e alma, nos seus romances. Ali você tem o melhor, o mais acurado texto e os insights mais elaborados de Paulo Francis.
De forma que admitir que ele tem méritos como jornalista - o que implica admitir que ele tem um texto afiado - mas não admitir o MESMO texto, melhorado, em seus romances, é uma contradição. Percebe, reuchlin? Isso soa meio leviano.

Posted by: Guga Schultze at February 6, 2007 10:07 PM

Schultze, reuchlin estava *citando* outra pessoa.

Reuchlin, enquanto dura a citação de vários parágrafos, faria bem começar cada parágrafo com aspas, sem aspas no fim de cada parágrafo, exceto no fim do último parágrafo da citação. Porque senão tem gente q não entende. Tipo assim, ó:

Uma certa pessoa disse:

"Blablabla bla blablabla blabla. Bla bla bla.

"Patati. Patatá pataté patató.

"Pocotó pocotó pocotó pocotó."

...mas eu não concordei.

Posted by: Permafrost at February 6, 2007 11:12 PM

REUCHLIN, fui tão idiota que não dá nem pra pedir desculpas.

Espero que você considere que minha argumentação foi contra o autor do texto que, agora sei, não foi você. Foi a tal mulher. Que queime no inferno. Tenho minhas dificuldades visuais, talvez seja a idade.

PERMAFROST, obrigado pelo aviso. Não vi as aspas.

Posted by: Guga Schultze at February 7, 2007 12:24 AM

Uma dúvida: Reuchlin relincha?

Posted by: Clóvis Andrade at February 7, 2007 12:58 AM

Estou me divertindo com essa confusão toda.

Posted by: Isabella Maddi at February 7, 2007 01:27 AM

A importância de Francis tem a exata medida da indigência cultural do país. E vivemos a exumar cadáveres. O fundo do poço é nossa eterna utopia. Um dia chegaremos lá.

Posted by: Jaime Gama at February 7, 2007 01:43 AM

Ficou ótimo este post a respeito do Francis. Ainda há quem afirme que ninguém e insubstituível.Destaque para o seu texto e aquele do competente Ruy Castro pelo qual passei batido quando saiu no Estadão.
abs
Aluízio Amorim

Posted by: Aluizio Amorim at February 7, 2007 01:43 AM

Tambem esperava mais Paulo Francis e menos sobre Paulo Francis no MC. Mas o outro especial: http://youtube.com/watch?v=-UPtN8D-VbI fez isso. Cabeca de negro eh muito bom, Nejar eh muito mais confuso e arranca mais elogios, estranho. Talvez eu nao tenha lido os livros certos, nem ligo, agora so espero os DVDs do MC!

Posted by: raoni at February 7, 2007 02:48 AM

Meu caro Clóvis, até onde sei o grande humanista Johannes Reuchlin não costumava relinchar, embora prodigalizasse coices e mordidas em certos missivistas sarcásticos quando, eventualmente, eles o convidavam a tomar chá. Nisto, porém, era diferente de seu amigo de ofício Pico della Mirandola, estudioso do hebraico como ele e tão delicado que a única ofensa que fez em vida foi vociferar "seu bobo" a um dominicano que se julgava São Tomás.

Posted by: reuchlin at February 7, 2007 11:30 AM

Reuchlin, Reuchlin, seus preconceitos cunilinguísticos ao Paulo Francis são pura afetação cabalística. Melhor Anal com o Francis que Tântrico com o Reuchlin, com todo o respeito pelos Humanistas Pudicos Necrófilos. E Reuchlin, diz pra nós, bancário da Caixa ou contador do INSS? Quem sabe bibliotecário-semiólogo da USP? Sobrinho da Chauí? Ah, esses humanistas alemães adoram uma boquinha estatal, é o fetiche empregatício existencial deles... Os (de)méritos dos romances do Francis (e de fato têm) não tiram os méritos do intelectual (nem precisa "defatuar") que ele era - é como relevar o anti-semitismo do Céline no seu talento como escritor, não cabe, nada-que-ver. E Reuchlin, mais uma coisa, porque você e seus 500 não fazem uma revistinha humanitária (esses humanistas adoram tanto a humanidade que até esquecem da Moral, tsc, tsc, a Inveja e o Rancor do Mundo, ah!) e publicam? Verba estatal macrobiótica não falta, editoras humanitárias tão pouco; então qual é o empecilho? Eu odeio dar lição pra humanistas quatrocentões, mas a Bravo tem matérias sobre o Jorge Mautner e entrevista com o Caetano Veloso - isto é direitoso; até o último fio de pentelho (conservadorismo seminal, literalmente)?? O Zé Dirceu tem um blog no IG, pago com dinheiro público, e, convenhamos, ele não é nenhum Dante. Ser de direita facilita a vida? A Bravo! tem provado isso? Hmmm, dê uma pesquisada nos centros acadêmicos, em qualquer esquina você encontra um, ou em redações de jornais e veja se ser de direita é melhor que ser de esquerda, ou ao menos um humanista pentelho (você que começou com essa história púbica!). Mas vamos à lógica do mercado aristotélico, meu caro cabanista (membros da Revolução Cabana ou humanistas cabalísticos): algum outro site de blogs tem livro publicado, com tanto sucesso, quanto o wunderblogs? Quais são os blogueiros com livros publicados, como o Alexandre Silva e o Fábio Rossi (ainda mais agora que roubaram a obra-prima do Zé Dirceu!)?? O Ivan Lessa está longe de ser direitoso (ao menos não até aqueles pêlos lá ao sul do Equador), é antes um humanista (da corrente rabelista-swiftiana, é verdade), mas de qual livro de blogs eles fez o prefácio (e não adianta que o Ivan não publicou romance nem nada)??? E arrogância arrogantemente arrogada não vale, Reuchy, mas a cabala explica. Essas ponderações ponderadas com contrapontos dialéticos iluministas são tão adoráveis, com seu jeitinho de cordeiro-em-pele-de-lobo, um estilo meio ombudsman-da-Folha, meio sociólogo-da-USP, tão inefavelmente cretinas...

PS: Reuchlin, putz!, só agora que eu vi que você colou o texto duma tal de Juliana! Desconsidere todas ofensas à sua pessoa, ao Reuchlin de verdade (só a semiótica explica!), ao Humanismo, à Cabala, à Alemanha, aos alemães, aos humanistas, enfim, etc, etc, etc. Juliana Cunha, você se ponha no lugar do pobre Reuchlin e dos humanistas e cabalistas em geral, e tome umas lições! Desculpa a confusão, mas fiquei com pena de não postar o comentário!

PPS: "filosofiaprivada.com"???, hmmmm, tá com cheiro de patrociniozinho da Eletrobrás e com LeiRouanet até o fundo do cu... privada o caralho (cu, caralho, pentelho - tudo a mesma filosofia)!

Posted by: vicente azambuja at February 7, 2007 01:56 PM

Em tempo: minhas desculpas também aos bravos participantes da Revolução C(atenção Juliana Cunha!, não é "u" que vem ai!, sem afobação lacaniana leninista querendo invadir e se apropriar das palavras alheias!)a(!!!)bana - y viva la revolución (Juliana, não se empolgue que eu não sou da sua turma, vai plantar coquinha com o Evo!)!

Posted by: vicente azambuja at February 7, 2007 02:06 PM

E agora que eu vi que não fui só eu que me confundi! Como o Guga, também tenho minhas dificuldades visuais (miopia, 2.0, andando livre, leve e solto, sem lente nem documento!), mas tô novo ainda (22 com olhinhos de 67)! Tá bom pra título de filme de thriller metafísico (meio Operação França, meio Gritos e Sussurros; com o casal Gene Hackman e Liv Ullman; pior que When Dirty Harry Meet Sally, como diria o Filthy McNasty): "As Aspas da Ilusão", "Transcrição Fatal", "As Duas Vidas de Reuchlin", "O Homem que Copiava 2 - Furtado não é Roubado!", "Erros Irreversíveis", "Uma Comédia de Erros", "Francis, Cabala & Confusão", e por aí vai. Dava um livro do Nabokov também.

E Reuchlin, desculpa outra vez, se o Guga foi "tão" idiota, nem sei que fui eu! Ok, pode me xingar de Juliana Cunha, e da próxima vez você me confunde com o Paulo Henrique Amorim ou o Emir Sader, assim ficamos quites! Mas sem mais trancrições julianas, por favor!

E Alexandre, faz favor, põe uma placa de sinalização naquelas aspas do post do Reuchlin!

E Juliana, que fama infame você conquistou, tudo graças ao humanismo alemão, que você queime no inferno, como bem disse o Guga, ao lado do Fidel Castro e da Joan Baez.

Posted by: vicente azambuja at February 7, 2007 02:41 PM

Não costumo interferir nesta espécie de discussão - aliás, em discussão nenhuma. É difícil me tirar desta minha pacífica letargia. O que me fez violar essa regra dourada é o acento naquele recorrente monossílabo tônico terminado em "u". Eu sei que cada um faz o que quer com o próprio, e que há gosto para tudo, mas, por favor, não enfiem acento no c*!

Posted by: mauro at February 7, 2007 03:06 PM

Mauro, enfiar acento no c* é coisa de Mário "Cenourão" Gomes, depois tem que ficar dando explicação furada pro proctogramatologista, "foi um acidente tônico", "tudo culpa da oxítona", "eu não vi esse acento vindo na minha direção", enfim, toda aquela enrolação seminal. Quem sabe a gente não faz uma campanha educativa, com o convidado ilustre Mário Gomes explicando pra criançada porquê não se deve pôr acento no c*??? Depois o Professor Pasquale mostra os traumas fonéticos que isto pode causar, e o Mário relata sua experiência cunilinguística.

Posted by: vicente azambuja at February 7, 2007 03:26 PM

Embora sejo meio "off topic", no peru também não se põe assento, digo, acento. Pelo menos é o que dizia o saudoso e saudável Napoleão. Já o Bagno entende quecada um põe o assento onde quiser, ou quizer, sobretudo nas crasses menas previlegiadas.

Posted by: mauro at February 7, 2007 03:42 PM

Vejam isto: http://www.livrariamaconica.com.br/ . O Alexandre vai adorar.

Posted by: Filigraana at February 7, 2007 03:43 PM

Mauro, o detalhe do acento foi especialmente cruel com a Juliana porque ela é estudante de letras e gosta de ostentar seu bom gosto literário. Em certa medida um gosto realmente apurado ela tem, e é este refinamento o que lhe faz passar por cima dos preconceitos políticos e lhe obriga a formular críticas ao estilista canhestro e queridinho-das-esquerdas José Saramago. Digo isto para que vocês percebam que a garota não é ruim de nascença, mas que ficou assim, pobrezinha, pela convivência excessiva com militantes esquerdosos na UJS e nos movimentos estudantis, uma experiência traumática capaz de transformar filósofos aristotélicos em pólipos e anêmonas, e da qual até os santos não sairiam ilesos.

Quanto ao imbecil do Bagno, ele não merece mesmo uma resposta mais séria do que um "vá tomar banho, moleque" e uma chinelada do Napoleão Mendes de Almeida. Sua teoria "literária-libertária" é, além de atentado de lesa-idioma, uma patuscada oportunista cuja aceitação nos ambientes universitários se deve exclusivamente ao tradicional espírito de rebelião ginasiana que teima em confundir normas gramaticais com grilhões e regras de estilo com amarras. Na verdade, o ideal de uma linguagem sem normas é que é uma flagrante contradição em termos, inconciliável com a necessidade de um código universal de regras e padrões apto a fornecer a base para qualquer conversação possível, mesmo se reduzida as formas mais primitivas de diálogo como aquelas praticadas no círculo tribal dos lingüistas de esquerda.

A admiração que algumas pessoas nutrem pelo tal Bagno explica-se tão somente por aquele velho adágio de Boileau: un sot trouve toujours un plus sot qui l´admire. Esqueçamos, portanto, esta miúda figura e seus miúdos bajuladores e façamos coisas mais úteis do que refutar-lhe a teoria como, por exemplo, restaurar máscaras persas ou aprender aramaico em Beirute.

Posted by: reuchlin at February 7, 2007 05:33 PM

Ah, Reuch, fui até ver o site da Juliana. É menina, tem 19 anos. Isso tudo é desculpável, compreensível e até louvável. Moças de 19 anos podem tudo. No site dela, aliás, não há acento no c* (o que é, quando menos, muito higiênico).

Já o Bagno, descobri que tem algo em comum com o Sartre - clique no meu nominho aí embaixo.

Posted by: mauro at February 7, 2007 05:56 PM

Acabei de ver a foto do moço - risível. Se bem que nem precisava de estrabismo para deixá-lo com a inexpressiva cara de ostra que parece ser o apanágio de tipinhos vulgares como ele. Só tenho pena dos filhos dos seus entusiastas mais fiéis: imagine a situação desesperadora de uma criança sendo embalada ao som do opus magnum "Murucututu: a coruja grande da noite". Santa mãe de deus, protegei os pequeninos!

Posted by: reuchlin at February 7, 2007 07:04 PM

Foi Sêneca que disse que "não devemos nutrir admiração por ninguém"?, pelo menos está no Le Chose Non-Dieu.

Quanto aos Wunderblogs. Depois do sucesso do ASS todos passaram a imitar sua jactância verbal. Mas continua sendo insuportável discordar deles. Digo o mesmo sobre o Francis.

O melhor do francis sempre foram seus comentários oblíquos; o seu plágio criativo. Os erros citados num blog aí, são históricos e ideológicos, não encobrem seus sobressaltos criativos, vistosos e assustadores.

Que mais me ocorrerá para que eu comente... ah sim, o mainardi lambendo o c.. do Francis, que isso, pessoal!? Esse é um blog de família - não foi o mozart que intitulou algo assim: "lambam meu c.. até ele ficar limpinho"?

Talvez o Jabour fale algo sobre o Francis, hoje.

abrajos.

Posted by: caiocito at February 7, 2007 09:39 PM

Da série "E eu não me canso de postar links sobre os 10 anos da morte do Francis":

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/02/070205_ivanlessa_tp.shtml

Texto do Ivan Lessa sobre o Francis.

Abraço, Alexandre.

Posted by: Gabriel Trigueiro at February 8, 2007 12:45 AM

Uma das coisas que mais me divertem nos críticos que tentam varrer Francis para baixo do tapete por conta desses errinhos bestas é que eles automaticamente atribuam a responsa a ele, e não à sovinice e falta de profissionalismo dos veículos para os quais trabalhava.

Boas revistas e jornais vivem ou morrem por conta de departamentos que nunca existiram em publicações brasileiras, tipo assim fact checking
-vide Economist, New Yorker ou, para não ficar nas estratosferas, o pessoal do fact checking da Forbes.com, que desmascarou as falsas reportagens de Stephen Glass para a New Republic em famoso escândalo de 1998 (http://www.slate.com/id/2074/).

É muito engraçado ver gente que escreve para publicações co-responsáveis pelos erros de Francis descendo a lenha no defunto passados 10 anos (ainda mais porque elas continuam não tendo fact checking, e continuam a depender do mesmo sujeito que escreve as matérias para confirmar fatos.) Para sorte dos grandes jornais e revistas brasileiros, muito dos repórteres, articulistas e editores que eles empregam são bem melhores do que a fama que a catigoria leva.

Posted by: McNasty at February 8, 2007 01:22 AM

As vestais do Francis continuam dando pulinhos de raiva, porque os vermes não param de apontar erros ao semi-deus. Mas, meninas, apontar erros e ridicularizar, era a profissão do Paulo Francis! Era ele o Ratinho da intelectualidade bem nascida e top de audiências do canal de faits divers da “boa” cultura e do mundo civilizado. Toda a gente em roda, dizendo, I say, well done, old chap! Até que um dia alguém encheu e resolveu pedir explicações. E aí… Waaaal!

Posted by: caramelo at February 8, 2007 11:57 AM

Reuchlin: Embora tenha considerado seu comentário um elogio e não uma ofensa, não consegui compreender aquela parte em que você incita Soares Silva a dar uma resposta a minha arrogância. Dar uma resposta a minha arrogância? Tem certeza de que você lê este blog?
Outro pequeno detalhe: Em meu site a palavra “cu” não estava acentuada. É muito feio mexer nas aspas das pessoas. Aspas são arames farpados de propriedades privadas, caro sem-terra.

Guga Schultze: “As pessoas que escrevem livros geralmente dão o melhor de si (sic) ao escrever os tais livros”. Geralmente, mas nem sempre. Tom Wolfe, por exemplo, não faz isso. Paulo Francis também não.

Vicente Azambuja: Era exatamente onde eu estava antes de você vir me atazanar, Vicente, no meu lugar. Agora tire seu traseiro gordo da minha cadeira.

Mauro: Finalmente alguém teve a brilhante idéia de ir ao meu site comprovar que quem colocou acento no cu foi o senhor Reuchlin, e não eu.

Posted by: Juliana Cunha at February 8, 2007 12:13 PM

a cara feia da senhorita cunha explica muito da acidez de suas críticas......

Posted by: Clóvis Andrade at February 8, 2007 12:45 PM

achei a tal garota muito promissora. ainda precisa melhorar, mas tem muito tempo pra isso. e a cara dela não é nada feia. muito pelo contrário: https://www.orkut.com/GLogin.aspx?done=http%3A%2F%2Fwww.orkut.com%2FProfile.aspx%3Fuid%3D8584200158631242520

Posted by: André Santos at February 8, 2007 01:07 PM

https://www.orkut.com/GLogin.aspx?done=http%3A%2F%2Fwww.orkut.com%2FProfile.
aspx%3Fuid%3D8584200158631242520

Desculpa a repetição, demorei a perceber que precisava dividir o link

Posted by: André Santos at February 8, 2007 01:10 PM

Comunista? E de Salvador? Waal...

Posted by: Paulo França at February 8, 2007 01:17 PM

Juliana Cunha: é verdade, você estava no seu lugar. Infelizmente alguém transportou sua obra para cá. Mas afinal você falou deste blog, então não é por nada que você está aqui e foi criticada. Quanto ao meu traseiro gordo na sua cadeira, hmmmm, você obviamente tem uma obsessão glúteo-anal e, talvez, uma cadeira. Ah sim, meu traseiro não é gordo. Apesar de tudo gostei da sua petulância, linguajar gonodal e menção ao Tom Wolfe; também acho ele auto-indulgente como escritor às vezes. Mas só o Bondfire of the Vanities já vale. E mesmo sendo insuportavelmente insolente e neurótica, você parece ser divertida. Mas você tem 19 anos, cuidado para não se tornar uma Marilena Chauí aos 39!

Posted by: vicente azambuja at February 8, 2007 02:36 PM

Fascinante este debate sobre o inexistente acento do cu. É reconfortante ver como os (as) estetas da blogosfera sacodem o cinismo e discutem in earnest quando reputações e questões cruciais estão em jogo. E incrível que ninguém tenha citado o histórico post "Cú", vintage Goiaba

Posted by: F. Arranhaponte at February 8, 2007 02:48 PM

Achei a garota muito promissora. Inclusive, acho que ela merece entrar na lista de links aqui do blog. Pedante, arrogante, inteligente, prematura e bonita. O que mais vocês querem, senhores?

Posted by: Ernesto Santos at February 8, 2007 03:25 PM

Olá, Srta. Juliana. Faço aqui uma vênia senil e vou repeti-la, lá no seu site.

Fico reconfortado em ver que, ao menos nos blogs de direita, cada vez se põem menos coisas no c*.

Posted by: mauro at February 8, 2007 03:59 PM

Juliana, meu anjo, a jactância verbal de Lord Ass é soft, puro charme de homem culto e educado. Quem quer que tenha um mínimo de sensibilidade literária há de notar a distância que separa o charme cavalheiresco da pretensão insultuosa, esta sim, pecado imperdoável, se não na moral, decerto nas maneiras. Foi esta pretensão que eu julguei que devesse ser respondida com "algo mais forte". Uma estocada de florete no estômago seria muito apropriada caso o adversário não fosse uma jovem senhorita.

De qualquer forma, você fez bem em interpretar meu comentário como um elogio. Apenas me parece que, embriagada pelos elogios justos que alguns lhe fizeram, esqueceu o bom e velho senso das proporções. Dizer, por exemplo, que "Ser de direita facilita em muito a vida das pessoas" é equívoco que grassa a demência. Basta abrir os grandes jornais e ler o nome dos seus colaboradores. São quase sempre esquerdistas. O mesmo acontece nas listas de livros das grandes editoras. Quantos livros de Roger Scruton, Eric Voegelin, Ludwig von Mises, Ananda coomaraswamy você já viu nas estantes das livrarias de Salvador? Experimente fazer uma seleção dos quinze intelectuais mais expressivos de esquerda e direita do século XX e compare o espaço concedido a estes e àqueles no mercado editorial, nos artigos universitários, nas teses de doutoramento etc. Aí você descobrirá, minha cândida mocinha, o quanto a esquerda está gorda e passa bem e o quanto ela é ingrata em reclamar daqueles que lhe paparicam até o limite do despudor.

Não gostar dos romances do Francis é um direito. Eu também não gosto dos romances do Francis. Cabeça de Papel me dá sono. Os fãs dele que me perdoem, mas prefiro beber martini barato a lê-los. Martim Vasques que escreveu um ensaio altamente elogioso sobre Francis também não gosta dos romances do Francis. Provavelmente tomaria martini comigo.

Contudo, dizer que a homenagem do Manhattan Connection é "asquerosa" chega a ser um ultraje. É uma opinião de quem não sabe distinguir puxa-saquismo de admiração sincera, a qual pode ter lá sua dose de pieguice, mas sempre é incomparavelmente mais elegante do que a acidez vazia.

PS: Juro pelo espírito de Rosenkreuz que não fui eu quem colocou o acento malsão. Este é um ponto de honra. Agora peço licença a todos, depois deste post babilônico, para regressar ao convívio com Wilhelm e Jakob no animado chalé dos filólogos germânicos onde discutíamos a pouco o valor gramatical dos 'acentos imaginários´...

Posted by: reuchlin at February 8, 2007 05:16 PM

Imaginem, por um instante, que a história dos romances de Francis fossem reais. Os livros seriam considerados como uma das melhores reportagens jamais feitas.

Os romances dele são isso: reportagens imaginárias ou reportagem-ficção (se é que isso existe. Senão, foi o Francis que inventou).

Vou pular tese e antítese e partir pra síntese: não gostar dos romances de Francis é não gostar de qualquer texto de Francis. As duas coisas são o mesmo texto. Sendo que, nos romances, o texto está mais trabalhado, portanto, melhor.

Ninguém é obrigado a gostar do Francis. Sei disso, sabemos todos. Mas não separem o Francis de seus romances e, Juliana, discordo de você: o Francis escreveu os romances com o maior afinco.

Posted by: Guga Schultze at February 8, 2007 06:51 PM

Reuchlin: Nota-se que nunca esteve numa livraria de Salvador. Elas não têm sequer Salinger.
Quanto a ASS, eu gosto dele. Leio o blog, leio os artigos na Bravo!. Achar que ele não tem fôlego pra duas páginas é uma crítica com tapinha nas costas, não ofensa.

(juliana cunha)

Posted by: Juliana Cunha at February 8, 2007 08:10 PM

Jee, vai dizer que não há mais dignidade em pensar serem Bach e Wagner contemporâneos do que escrever algo como:

"(...)mas o que me interessa no livro é a constatação do quanto perdi em meu "ludus".

Não tem como passar por 'ludus' e não fazer uma careta de nojinho.

Posted by: evelyn at February 8, 2007 11:29 PM

Foi uma referência. Talvez a única assim, tão forte. O final de "O Afeto que se encerra" é maravilhoso. Alguém deveria lançar tudo - as colunas e todos os livros, não só a ficção - de novo. Ótimo post.

Posted by: Eduardo Carvalho at February 9, 2007 12:17 AM

O final de "O afeto que se encerra" tem frases que não saem da minha cabeça: "Fiz de tudo, certo ou errado, na hora certa". Ele ainda não tinha morrido, claro - na hora errada.

Posted by: Eduardo Carvalho at February 9, 2007 12:19 AM

Paulo Francis, tirai-nos a tanga.

Posted by: dgr at February 9, 2007 02:19 AM

Por que o Paulo Francis é lembrado e o Paulo Brasilis esquecido?

Posted by: Jorge Nobre at February 9, 2007 07:47 AM

Eu não me canso de roubar seus links.
E pare de chatear os anti-Francis. Eles não sabem o que fazem.

Posted by: Badá at February 9, 2007 09:59 AM

Olha, gosto não se discute, eu sei. Alguns gostam de Paulo Francis, outros de Altemar Dutra. Ouço dizer q ainda há getulistas desamparados por aí. Mas não resisti: as palavras foram surgindo sozinhas.

THE FRANCIS FANCIES

'Tis oft declar'd by junior bigots born in Latin lands
that most of what gets printed should have been by diff'rent hands.
They mean, of course, that only they know how to hold a pen
and boldly pass pronouncements on the great affairs of men.

A sharp divide has torn the world along a mighty cleft
so they are right and others wrong, or right and others left;
now nothing gets more airtime than a brawl between the two
'sif life itself were goaded forth each time they said "pooh-pooh".

They'll quarrel for a tiny tick above the letter U
and swear by grammars bent on wat'ring down the social stew.
The way some words are said or spelt can blight a reputation
and bring on shame and doubt upon the prospects of their nation.

But lo, they shun what's native for they loathe that they are Latin
and wish they had a cushy job reporting from Manhattan
where they could fin'lly live the life deservéd by their fancies
retracing hallowed steps that once were trod by Mister Francis.

Yes, they're a tad naïve to have and worship human heroes
while in their view the rest of us would hardly pass for zeros
who blunder on like monkeys deep in filth and foul decay.
So there's the shell and here's the nut of what I have to say:

'Tis sad, says I, that mankind's wondrous range be flattened thus
if that which truly makes us equal no one might discuss
(the practised knowledge I, for one, would wish all bigots had):
that every man's a bastard from a diff'rent mom and dad.

Posted by: Permafrost at February 9, 2007 02:22 PM

Permafrost, carácoles! Cê é um poeta ensandecido! Copiei, véio. Vou guardar na minha pastinha de poemas legais que recolho aqui, ali e acolá. Valeus, valeus.

Posted by: Guga Schultze at February 10, 2007 01:37 PM

Grato, GS. É interessante qdo o cinismo é apreciado pela forma, se não pelo conteúdo.

Tem uma versão melhorada no linque abaixo.

Posted by: Permafrost at February 10, 2007 06:22 PM

Por favor, Alexandre:

O Jaguar realmente morreu metralhado e foi, a partir dali, substituído por um sósia, do mesmo modo como Baby Face Nelson substituiria Francis um mês mais tarde. Você não achou que, quando os Beatles fizeram o mesmo com Paul, isso tinha sido idéia deles, achou?

Posted by: Alceu Dias at February 18, 2007 07:49 PM


Prezado Alexandre,
Nessa nossa pobreza cultural,alem de uma biografia do Francis,deveriam lançar alguns livros com as colunas dele desde a Folha ate o Estado de Sao Paulo,seria uma verdadeira educaçao,visao de mundo,que falta no nosso pais.
Tem um livro do Daniel Piza,mas tem alguma coisa que me incomoda nele,nos seus artigos,na coluna Sinopse que nao descobri e nao sei se e' algum defeito meu ou uma percepçao de um entendimento dele meio tosco, mas nao e',de uma indecisao de opiniao,nao sei.
Voce realmente considera Mencken muito melhor que o Francis? Waaal,Waaal,...
ps:Voce guarda as colunas dele?Devemos ser poucos a curtir essa extravagancia.Eu ate queria ter todas,mas onde vou conseguir.

Posted by: Mauricio Moreira at February 24, 2007 10:14 AM

Hi Lucy! Photo I received! Thanks!

Posted by: Simon at April 17, 2007 12:08 PM

Hi Sam! Photos i send on e-mail.
Green

Posted by: Green at April 25, 2007 07:59 AM

cool site

Posted by: kpnkgvp at April 26, 2007 04:16 AM

cool site

Posted by: jpmmxvv at April 26, 2007 04:43 AM
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