A vantagem da monarquia é que ela é um exercício público de lealdade. Em filmes bobos é costume mostrar cada rei como um cretino afeminado comendo coxinhas de frango, mas mesmo se esse fosse o caso, não importa. O ponto da monarquia, ou pelo menos duma monarquia devidamente decorativa, é que não importam tanto os defeitos do rei. Como num casamento, a menos que ele tenha caído ao ponto da traição ele é o seu rei e você deve a sua lealdade a ele.
E a lealdade é algo bonito. Posso entender quem faz objeções práticas à monarquia, mas não quem não vê a beleza dessa simples lealdade ao rei. Quando eu era adolescente também cometia a vulgaridade de achar que qualquer tipo de devoção entre duas pessoas do mesmo sexo é bichice: eu era o tipo de pessoa que acusa os outros de sonhar em “lamber as botas de X” sempre que se depara com a mais discreta admiração por qualquer figura de autoridade. E não tinha nenhuma vergonha do clichê, como todo mundo que usa clichês. Mas quem continua dizendo isso depois dos dezessete anos está seco e morto.*
Precisamos de alvos para a nossa capacidade de lealdade. Precisamos de exercício. Temos pessoas à nossa volta, e bichos, aos quais devemos lealdade, e falhamos até nisso – mas é bom ter uma oportunidade adicional e pública. Todos nós temos uma vasta capacidade de devoção e lealdade que não usamos para nada, e essa parte de nós pede sem parar pela volta da monarquia, mesmo que não tenhamos consciência disso e só percebamos em nós mesmos uma grande nostalgia de alguma coisa nobre e obscura e esquecida. Quanto a mim, sempre leio livros de história procurando no passado uma rainha (ser jovem, ser bonita ajuda) à qual possa dedicar a minha lealdade em retrospecto.
* Eu ia dizer que é idiota, mas a minha mãe pediu pra eu parar de chamar as pessoas de idiota.
Posted by Alexandre S. at January 11, 2007 05:49 AMMe ocorre agora que seria uma gafe dedicar lealdade a presidentes. Eles ficariam até embaraçados.
Vou dormir, vou dormir.
Posted by: Alexandre S. at January 11, 2007 06:11 AMPode ser algo meramente egoísta, mas a satisfação que me dá em exercer a lealdade é algo sobrenatural. Quase uma droga das mais poderosas. É uma pena que algo tão belo esteja tão fora de moda atualmente, o que talvez explique the crappy world em que vivemos. Minha alma se despedaça um pouqunho quando vejo comerciais idiotas (minha mãe não me proibiu de nada!) onde um amigo "pega" a namorada do outro. De onde eu venho, isso seria comportamento abjeto, motivo para duelo. E hoje é coisa de "ixperto".
Posted by: Claudio at January 11, 2007 06:19 AMJá que você mencionou os filmes bobos, como aquele da Carla Camurati que faz um esforço tremendo para ridicularizar a nossa monarquia, talvez por um complexo de inferioridade ou por inveja, vou aproveitar para apresentar a minha defesa de D. João VI, que mostrou-se um grande estrategista no esforço de equilibrar-se entre duas potências vizinhas com interesses diferentes e acabou ludibriando Napoleão, pois quando os franceses chegaram a Portugal ele disse: "Seus bobos, Portugal não é mais aí. Agora Portugal fica aqui no Brasil. Aqui vocês não me pegam, lá lá lá lá lá...." E depois foi ele que trouxe a civilização para o Brasil, e não os imigrantes italianos e alemães que mais tarde se fixaram no sul e sudeste, como alguns Camuratis gostam de pensar. E foi ele que matou os índios e os monstros que viviam no Brasil e tornou estas terras habitáveis.
Posted by: Fábio Henrique at January 11, 2007 06:34 AMEstou lendo "Karolinarna", de Verner de Heidenstam, sobre a grande guerra do norte entre a Suécia e a aliança entre Rússia, Dinamarca, Polônia e Sachsen.
O livro é bom, muito bom. E, historicamente correto ou não, o melhor dele é que a guerra é entre Carlos XII e o Czar, mas não uma briguinha - a guerra entre Suécia e Rússia é uma guerra entre o Rei e o Czar porque eles SÃO a Suécia e a Rússia.
Está aqui na minha frente. Olha só, quando o rei é preso pelos otomanos, já com apenas uns 30 soldados em sua última fortificação:
"E assim que o rei se levantou, apagou-se a chama de seus olhos e como para lhes pagar o trabalho, Carlos ofereceu todos os ducados que trazia consigo aos janízaros que haviam conseguido desarmá-lo".
E quando o rei visita Bender, já no início das hostilidades otomanas aos suecos que haviam hospedado, as mulheres diziam:
"- Alá, se tivéssemos um senhor tal qual ele"
Isso deve significar alguma coisa, não?
Abraço.
Posted by: Igor at January 11, 2007 07:01 AMIsso me lembrou José Bonifácio. Deve ser porque estou lendo a sua biografia. Pra ele, o Brasil livre significava postergar ao máximo a República, embora muitos queriam mesmo dar um chute nas nádegas portuguesas. O interessante é que depois que o Império não mais se sustentou, vieram os republicanos e terminaram por fazer desse país uma republiqueta de bananas. Mas isso já outra história.
O que mais me atrai na monarquia é a erudição de um rei ou príncipe. Talvez isso se potencialize devido ao fato de termos o apedeuta indigitado como presidente. Pra mim, monarca é don Fabrizio, principe di Salina. Mesmo em decadência mantinha sua postura, seu ar superior. E sua educação e polidez o impediam de rir da desgraça e da jumentice burguesa (não sei o porquê, mas sempre quando falo "burguesa" me sinto um pouco marxista e tenho vontade tomar banho).
Posted by: Diogo Chiuso at January 11, 2007 07:34 AMmuito bacana.
Posted by: pedro at January 11, 2007 07:48 AMComecei a ter simpatia por reis depois de ler Tolkien e Inumanos (uma HQ desenhada por um sujeito brilhante chamado Jae Lee). Mas minha lealdade só subsiste até que o rei apareça de pecura ou comece a palitar os dentes com os tais ossinhos de frango. Daí eu tenho que dar uma de Macbeth.
Posted by: Luciano at January 11, 2007 08:27 AMAlexandre, esse seu fascínio pela monarquia é tão pequeno-burguês… (é agora que você se decide a tomar banho, ou não, Diogo?). Você andou outra vez com conversas inter-classistas com sua empregada?
Gostei daquela sua entrevista ali em baixo. Aquela do “e o resto me aborrece” é muito marlene dietrich.
Crônica do Reino de Carlos IX, Prosper de Mérimée. Se não leu, leia, leia.
Posted by: Rico at January 11, 2007 11:54 AMcaramelo = http://www.subsolo.org/hermenauta/ = smart shade of blue
ou
caramelo = besouro verde
ou ...
Posted by: IHaveManyNames at January 11, 2007 12:05 PMPuxa, gostei disso, Alexandre.
Posted by: Isabella Maddi at January 11, 2007 12:10 PMAlexandre, fico muito contente por ter escrito "nós mesmos" em vez de "nós próprios" - é um sinal de lealdade e de atenção a si mesmo - parabéns por isso. Quanto à monarquia: concordo com o Diogo: volta Salina! ;)
Posted by: Paulo at January 11, 2007 12:11 PMPor falar nisso, Caro senhor, eu sempre achei de péssimo gosto as pessoas duvidarem da virgindade de Elizabeth.
Graças ao cristianismo, o melhor general da história da França e o melhor soberano da história da Inglaterra foram duas donzelas.
E eu não tenho nada a ver com esse senhor IHaveManyNames.
Posted by: Jorge Nobre at January 11, 2007 12:35 PMEu adoro monarquia, realeza e etc. Uma coisa que gosto de fazer é entrar em sites de famílias reais: Família Real Sueca, Norueguesa. Tenho curiosidade sobre o Príncipe de Liechtenstein, o Grão Duque de Luxemburgo. Sei que a irmã do rei da Noruegua vive no Rio de Janeiro a décadas. Fico pensando como deve ser os netos dela, onde estudaram, qual é a visão de mundo deles. Para onde foram parar os Savoia, os Orleans e Bragrança. Acho uma pena não termos mais Imperador, verdade. Embora seria extranho ter um Imperador e uma Imperatriz no Brasil. Parece que nos dias de hoje, com tanta coisa feia, não combinaria. Posso dar até dar um outro exemplo: O Teatro Municipal de São Paulo. Quando passo na frente do Teatro e vejo aquele prédio lindíssimo, fico encantado mas ao mesmo tempo me vem uma sensação de que ele não merecia estar alí, no meio de tanto prédio feio, de tanta gente sofrida e feia, aí me dá uma dó. Tadinho do prédio!
Posted by: Stefano at January 11, 2007 12:49 PMVocê não sabe como é bom ser leal ao Bento XVI...
Posted by: Papist Dude at January 11, 2007 01:08 PMLealdade é só um expediente idealista pra evitar o vexame de apoiar alguma coisa fracassada como, por exemplo, a monarquia. É isso?
Sempre que o objeto de sua lealdade fizer alguma coisa embaraçosa, você pode se proteger sobre a égide do ideal da lealdade pela lealdade. Isso é genial, hein?
Posted by: L. Brown at January 11, 2007 01:39 PMCaramelo não é besouro-verde, eu sou besouro-verde. Aliás, o login que usei para criar o Protosophos foi o mesmo que eu usava quando do falecido besouro-verde (só depois vim a saber que se tratava de um filme de luta bobinho).
Posted by: Adriano at January 11, 2007 01:41 PMO Adriano tem razão; não sou o besouro-verde, não senhor. E você, Diogo, já tomou banho? Sua excelência o Principe di Salina, não recebe você assim, não.
Posted by: caramelo at January 11, 2007 01:48 PML.Brown, poderia ser pior. Ele pdoeria ser leal ao marxismo. Aí sim, só restaria a lealdade pela lealdade.
Posted by: Leandro at January 11, 2007 03:08 PMAlexandre, para que servem os partidos ou a esquerda e a direita, já agora?
É amor irracional -pleonasmo,cough- como equipa de futebol ou papinha feita para não chatear a cabeça como o template deste blog ?
Não percebo essa dedicação a esse dualismo...é tão seculo XX...
Comentando o post passado (que na verdade foi um link), do mesmo modo que uma criança condena seu coleguinha (desculpem o coleguinha, saiu) por ser diferente, rotulando-o como bicha. O homem moderno não aceita a hipótese de uma existência católica charmosa, superior e ariana.
E o inferno são os outros, esses. Here is Caiocito speaking, babe: o inferno são para os desleais.
Posted by: Caiocito at January 14, 2007 10:22 AM"O paraíso de Henry Miller" (Adriana Baggio)
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2163
Posted by: Caiocito at January 14, 2007 10:29 AMEscrevi algo no meu blog sobre "Le Chose Non-Dieu". Apareci demais.
http://dublesdepoeta.zip.net/arch2006-12-10_2006-12-16.html
Hasta la vista. cabrón...
Posted by: Caiocito at January 14, 2007 10:40 AMAchei meio ingênuo q, em seu argumento, vc tenha passado por "devoção entre duas pessoas" pra chegar a 'lealdade a um monarca' - ou seja, aspirando a algo mútuo, prescreveu algo unilateral. Mas o monarca é um ser humano: sabendo q sua posição dispensa mutualidades, não tem devoção nenhuma a seu povo; na verdade, está pouco se lixando pra quem lhe oferece lealdade, contanto q seja leal - ie, q não o esfaqueie pelas costas. Daí à canalhice de alegar "direito divino" é um passo.
Prefiro a república. Ela é a constatação de q, em qqer estado maior q uma aldeia, esperar devoção mútua entre governante e governado é um devaneio inexperiente, crédulo e muitas vezes interesseiro e cínico.
Posted by: Permafrost at January 14, 2007 11:36 AMNão sou uma entusiasta maior da palavra lealdade porque é daquelas que costumam vir com um monte de outras cositas embutidas... Mas nesses dias vi o novo filme "The Queen", aquele sobre a Elizabeth II e o Tony Blair nos dias que sucederam a morte da princesa Diana... a lealdade mostrada lá, achei sim, muito simpática.
Posted by: Maria at January 14, 2007 11:44 PM"Seco e morto", de alguma forma, não me parece muito melhor que "idiota", mas mãe é mãe, devemos-lhe lealdade.
Posted by: FuckItAll at January 15, 2007 06:04 PMPapist Dude, Bento XVI é bom até como adversário, sem lealdade nenhuma. Falo por experiência, é o que eu faço.
Posted by: FuckItAll at January 15, 2007 06:07 PMAh, monarquia e Soares Silva... Delightful combination, Jeeves. Shaken, not stirred.
Essas pessoas aí embaixo que pensam que a questão está aberta à discussão não sabem de nada.
Posted by: Richard Costa at January 15, 2007 11:46 PMD. Luiz de Orleans e Bragança, o atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, é membro da TFP, o que torna a lealdade a ele constrangedora até para um reacionário como eu.
E no entanto ser leal a ele e a qualquer outro príncipe minimamente digno é um prazer e um bom exercício para o caráter. Aliás, cultivar a lealdade a alguém cujos defeitos são óbvios é o desafio final para quem quer adquirir plenamente algumas virtudes ligadas à sociabilidade.
(Isso supõe, é claro, que o objeto da lealdade tenha um conjunto pelo menos razoável de qualidades compensatórias, o que é o caso de D. Luiz, homem de conduta pessoal impecavelmente decente, e muito sensato em todos os seus comentários que não dependam de certas aspirações teocráticas.)
Posted by: Fótis at January 17, 2007 04:31 PMAlexandre, não está descartada de todo a volta da monarquia ao Brasil.
Então sugiro que vá treinando sua lealdade com a princesa: http://www2.uol.com.br/bigmix/noticia16.html
Posted by: Diego at January 17, 2007 06:43 PMNão sei, não sei mesmo. Sou leal a alguns escritores. Mortos, mas minha lealdade não foi abalada pelo fato deles estarem no além. Kipling, o colonialista, Carroll, o pedófilo. Recuso heroicamente o farfalhar das maledicências. Mas reis... sou leal ao rei de Espadas, no poquer.
Posted by: Guga Schultze at January 17, 2007 07:01 PM"... pessoas ... que pensam que a questão está aberta à discussão não sabem de nada."
Esse foi, de longe, o comentário mais interessante aqui até agora. Pois se a questão não está aberta à discussão, então ela já defuntou, ora pois não? :•)
Posted by: Permafrost at January 17, 2007 10:07 PMAlexandre,
Li um artigo de um escritor de HQ - o conservador Chuck Dixon - e lembrei de você. Olha só este trecho: "Also, Superman and Spider-man should never use foul language no matter how many warning stickers you place on their publications. They should never be shown urinating..." Abraço pra ti!
PS: Mudei de blog!
Posted by: Gabriel Trigueiro at January 17, 2007 11:39 PMRichard Costa,
Você defende a tese de "quem sabe não discute" - ou que "certas coisas não se discutem, só se aprecia"?. Sr sabichão, o prazer de discutir não se mede pela importância do que está sendo discutido, na maioria das vezes, muito pelo contrário. abrazos.
Caiocito.
Permafrost,
Defunta é a época em que vivemos, no qual sofremos este arremedo de tirania do vulgo, de homens indignos e cretinos que não possuem sequer a inteligência necessária para governar, muito menos o valor, a magnanimidade, a nobreza de espírito... Estes 'homens' são o material de que é feita a república, esta vil confederação de idiotas que o senhor subscreve.
Caiocito,
Não defendo teses. Apenas sei que discutir é uma perda de tempo e um desperdício de palavras. De qualquer maneira, meu impropério destinava-se àqueles que vêm aqui expressar sua discórdia liberal e insignificante contra a monarquia, com objecções e minúcias semânticas de esquerda -- o que não é o seu caso, espero.
Posted by: Richard Costa at January 18, 2007 01:18 PMCosta! Por minha fé! Tenho o sangue tão azul como a tinta de uma Bic Cristal. Descendo, sem nunca descer à ralé, de Karl E. Assuah, antigo rei da Cornualha, cujos cornos magníficos possibilitaram uma vasta e honrada estirpe, forjada a ferro, fogo no rabo e pure malt whisky. De forma que a genuflexão não está entre meus hábitos (a não ser quando a mulher é baixinha) e me espanta deveras, ó Costa, vossa vil insistência nessa vassalagem sem razão que estais a impingir a todos, ó Costa!
Posted by: Guga Schultze at January 18, 2007 02:35 PMtexto bem escrito, mas nulo em conteúdo.
lealdade só não é escravizadora quando pautade de acordo com ética, moral provisória. e não é possível estabelecer isso com um rei, monarca, imperador ou presidente.
minha mãe também não gosta que eu chame os outros de idiota, fico por aqui, portanto.
Eu gosto de dizer que entro neste blog porque o titular escreve bem. É verdade. Mas também é verdade que as fotos da Catherine Deneuve, da Natalie Wood e principalmente aquele link da Françoise Hardy no Youtube me tornaram mais paciente para essa leitura. Mas cadê elas todas? Reivindico mais Françoise Hardy nesse blog. Ou pelo menos Françoise Dorléac ou Anna Karina - neste último caso, não precisa falar dos filmes, claro. Mas ou isso ou você vai perder todos os leitores de esquerda. Todos os dois.
Posted by: Léo Bueno at January 18, 2007 07:07 PMSchultze,
E qual é a tua fé, caro senhor? Ou serás apenas mais um ímpio impudente -- ou pior, mais um da corja herege? Tua bizarra linhagem talvez justifique tua insolência, tua anglo-saxônica hubris, ó nobre bastardo de cornos coléricos e magníficos... Antigamente, aqueles que se recusavam cair de joelhos diante do Rei perdiam as pernas, mas a bela época se foi, de maneira que pouco me importa que mais um tolo declare que o imperador está sem roupas. O imperador permanece imperador, e o tolo permanece tolo. Enrola então tua língua ou acabarás tropeçando nela, pois "vil insistência nessa vassalagem sem razão" não é de maneira alguma uma definição justa de minha magnânima e peremptória arrogância. Não encorajo homens à submissão, mas ao domínio de si mesmos. Porém, concedo que são raros os dignos de reverência, especialmente nessa época maldita em que vivemos.
Subscrevo-me, à guisa de ironia, com o verso de Kipling:
"No tawdry rule of kings..."
Posted by: Richard Costa at January 18, 2007 07:13 PMDirão que estou "discutindo para não discutir", ou algo assim. Bem, como diziam meus nobres ancestrais: si vis pacem para bellum...
And will Lord ASS finally wake up and grace us with his presence? Jesus, he's been sleeping for a week now.
Posted by: Richard Costa at January 18, 2007 07:38 PMQuerem monarquia por direito divino?
Mudem-se para a Venezuela, brôs!
abrax!
Posted by: ratapulgo imperial at January 19, 2007 06:12 AMLealdade... Talvez seja mais fácil jurar lealdade a uma imagem idealizada que a alguém de carne e osso ao nosso lado. Vide a quantidade maior de adultérios e divórcios que de pessoas aderindo ao ateísmo, negligenciando, então, suas igrejas.
Equivocada minha comparação? Talvez também...
Posted by: Vinicius B at January 19, 2007 03:43 PM"Vil confederação de idiotas" é uma descrição precisa da raça humana: é nosso nicho ecológico, por assim dizer [diga a verdade: até VOCÊ concorda]. A república não mais q faz jus a essa característica intrínseca. Se não for por uma pérfida e quiçá problemática fixação infantil, não vejo por quê preferir contos de fadas em q os reis são todos magnânimos, os príncipes são nobres de espírito, os cavaleiros são valorosos e todas as princesas são lindas.
Posted by: Permafrost at January 19, 2007 10:11 PMBravissimo!
Jovialmente daria minha cimitarra e derramaria meu sangue plebeu pela Imperatriz Françoise Hardy Primeira e Única. Em Seu nome conquistaria terras, desbravaria oceanos, construiria palácios, esfolaria os Zulus e os Ciganos Ígores.
Minha lealdade e devoção seriam eternas desde que a Imperatriz não tivesse mais que, digamos, uns seis ou sete súditos no total. Pois ser leal a um monarca que é monarca de muita gente é coisa de tremendo mau gosto. Diria anti-higiênico até. Como beijaria eu os anéis que foi já foram babados por centenas de souzas, gustavos e pancrácios? Irchhh!
-
E, realmente, nem há o que discutir. Falar mal das monarquias é apenas chutar cachorro morto. Um esporte tão bom quanto qualquer outro, na minha opinião. Eu não tenho nada contra chutar um cão defunto desde que se tente colocá-lo por cima da barreira, batendo com a parte externa do pé de modo que, com o efeito, o cadáver do animal entre precisamente no ângulo.
Falar bem das monarquias, por outro lado, é meio como tentar um respiração boca-a-boca no cachorro morto. Pois todos sabemos que até a própria monarquia britânica apenas subsiste devido a uma conspiração dos tablóides locais para alavancar as suas tiragens.
Posted by: il Ratepucce Sinistro di Trivella at January 20, 2007 01:51 AMSaudades da falta de comentários.
Muitos idiotas.
Si ça fait mal (Para Richard Costa e "Trump")
A monarquia no Brasil daria certo se fosse uma monarquia gorda e simpática com Reis Momos. Mas quem iria deixar o modelo atual de “República Burocrática do Brasil” para a “Monarquia da Brasilidade”? Difícil escolha, não?. Elas se equiparam um pouco; a primeira por ser atualmente vigente e a segunda por caregarmos até hoje o imaginário dessa cultura, na época dos Dons Predos primeiro e segundo.
Vou usar uma expressão que vai virar bordão na literatura esquerdista de protuberância expressionista de direita: no âmago da alma da contemporaneidade brasileira, todo cidadão queria sair num bloco de carnaval com lenço colorido, colares rosa-choque e todos aqueles adereços para soltar a franga. No popular. Como diria a minha vó, ex fuliã.
Em homenagem ao cavalheiro Richard Costa. Dono de pérolas esquerdistas nada originais:
“Não encorajo homens à submissão, mas ao domínio de si mesmos”
“época maldita em que vivemos.” – Richard Costa
O Idiota.
Posted by: Caiocito at January 20, 2007 02:09 PMmuito bom!
Posted by: Elaine at January 20, 2007 02:12 PM(fingire) Obrigado.
Posted by: Caiocito at January 20, 2007 02:33 PMCaiocito,
Well, aren't you quite the vulgarian?
Parece-me óbvio que o senhor fala apenas de si mesmo, como um cidadão baixo e vulgar, com tais anseios bombásticos e desvariados de carnaval. Se ousamos falar de desejos reprimidos: o meu seria causar um massacre todo fevereiro, acabando com todos estes degenerados promíscuos que o senhor tanto admira.
Noto também que o senhor sofre de daltonismo político, confundindo autoritarismo com esquerdismo, o que me impede de liberar minha fúria absoluta e reacionária sobre essa sua cara de palhaço liberal, pois seria como golpear um cavalheiro de óculos. É uma pena que o seu sentido de humor é tão... idiota -- pois, se não podemos mais ter reis, que ao menos tivéssemos bufões e bobos-de-corte...
Eu me recuso, pois, a implicar-me. Honra, senhores, é tudo que temos. Tratemos de mantê-la.
Permafrost,
Seria este um momento oportuno para se falar de regras para o parque humano? Não ouvirei palavras como "você concorda"... Por obséquio, poupa-me.
Uma "pérfida e quiçá problemática fixação infantil"? Palavras baixas e mesquinhas, caro senhor... como pudeste pronunciar tal baixeza? Nem Freud formularia um juízo psicológico tão óbvio e impertinente.
A república é um câncer tão insidioso quanto o comunismo: é uma casta degenerada de vermes burocratas, falsos doutores da lei, suínos engravatados, escória liberal, horda de asnos armados... Por Deus! Eu não me sentaria à mesa com um republicano: causar-me-ia indigestão.
Posted by: Richard Costa at January 20, 2007 04:18 PMRCosta,
Há, na verdade, várias "oportunidades públicas" para exercitar vossa lealdade a monarcas. ¿Já tentastes o Rei do Iêiêiê, Roberto Carlos, com quem compartilhais as iniciais e 'un certain penchant romantique'? Cá com meus botões, imagino-vos cantando o Hino Monárquico em fox-trot: "Eu sou aquele súdito à moda antigaaa / do tipo que ainda manda flores, / aquele que no peito ainda abrigaaa / recordações de seus grandes senhores..."
Posted by: Permafrost at January 20, 2007 05:22 PMRichard Costa: você já chegou no limite onde lealdade se mistura com fetichismo.
Não tenho nada contra quem tem preguiça de por o escrutínio pra trabalhar e se recosta nesse negócio retro-bondage de "ideal da lealdade". O problema é esse raciocínio non sequitur de viúva velha: "se hoje é ruim, ontem era melhor". Isso quer dizer que tradição, bom gosto e monarquia são a mesma coisa? É isso? Não li tudo, não sei se entendi direito.
Se eu fosse você, ficaria com o beletrismo, os romances de cavalaria e as mesóclises e deixava a política para outras pessoas. Sei lá, não é bom travestir palpites estéticos de discussão arrazoada.
Posted by: L. Brown at January 20, 2007 08:09 PMEsse Lord Ass cada vez melhor. Um pouco mais e chegarás ao ideal do homem de nobreza: classique, monarchique, catholique. Ainda lhe falece este último, como bom espírita karcedista que és. Quanto ao monarquismo, não fossem suficientes as razões históricas, morais e estéticas para sua defesa, o apelo cresceu muito nos últimos tempos depois que a expressão "republicanismo" virou moda entre os intelectuais de esquerda e a classe política brasileiros. Aliás, confesso estar perplexo com esse fenômeno. De uma hora para outra, a expressão "democracia" com suas variantes "democrático", "democratizar", etc., cedeu espaço a esta outra "república" e suas variantes. Alguém reparou isto também ou estou vendo coisas?
Posted by: Paulo at January 20, 2007 10:01 PMPaulo, vc esta vendo coisas.
E ¿desde qdo eu, por exemplo, sou esquerdista?
Posted by: Permafrost at January 20, 2007 10:10 PMPerma,
Se você é esquerdista eu não sei, embora seja hipótese plausível. Mas se você me fez essa pergunta por achar que eu sugeri no meu post anterior que todo republicano é necessariamente de esquerda, a hipótese de você ser um direitista muito burro está quase provada.
Posted by: Paulo at January 20, 2007 11:16 PMUm direitista muito burro E republicano, na espécie.
Posted by: Paulo at January 20, 2007 11:21 PM"When a true genius appears in the world, you may know him by this sign: that the dunces are all in confederacy against him."
-- Swift
Permafrost,
Quanta tolice manifesta em palavras vulgares e sem sentido. Essa conversa está encerrada. Tenha um bom dia, caro senhor.
L. Brown,
When I am king you will be first against the wall, with your opinion which is of no consequence at all...
Contenha suas tiradas liberalóides, e aprenda a ler antes de escrever. Minha aversão à modernidade é profunda demais para ser compreendida por almas rasas. Vossa presunção sufoca meu espírito.
"Se hoje é ruim, ontem era melhor"? Melhor para quem? Para os liberais, os republicanos, os comunistas; para a ralé, o vulgo, a turba, e todos os idiotas? Não, pois estes só surgiram como potência política quando a monarquia estava em declínio. Coincidence? I think not.
"Isso quer dizer que tradição, bom gosto e monarquia são a mesma coisa?" -- É uma equação obtusa que você formulou, não eu. "É isso? Não li tudo, não sei se entendi direito." -- Pouco me importa como os conceitos se configuram em sua mente ao ler minhas nobres palavras e reagir a elas com tal condescendência afectada de liberal indignado...
Ah, eu tenho uma idéia! Que tal se os liberais não lerem o que escrevo? Seria uma honra, senhores. Keep your distance!
Não posso deixar de notar que todos estes tolos que se lançam contra mim com suas baixas invectivas são o exemplo perfeito do vulgar comportamento descrito no presente post. Observemos as palavras usadas por eles: 'fetichismo', 'travestir', 'Roberto Carlos', 'carnaval', 'lenço colorido', 'colares rosa-choque'... Todas essas palavras, combinadas com sua confusa inteligência, os faz pensar que estão me ridicularizando... Sinto piedade por vós, senhores.
"Se eu fosse você"?! Que argumento horrível! Se você fosse eu?! Ew. Sério, isso é nojento... Don't ever say that again, or I'll have you drawn & quarter'd, thou common-kissing, dissembling, fool-born miscreant; thou mewling, ill-bred, clay-brained fustilarian...
Some people have no bloody sense of humour, I tell you...
Posted by: Richard Costa at January 21, 2007 12:26 AM"When a true genius appears in the world, you may know him by this sign: that the dunces are all in confederacy against him."
Indeed!!
You know you're in the Blog of ASS
when many merry hours you pass
perusing texts on various things
like princes, damsels, maids and kings,
where no one knows who's left or right,
though great debates on that ignite
and metaphors of blood may spill
when puny pens pretend to kill.
A sense of humour seems required
but then, without a warning fired,
the whole thing flares against some jest
the tin-eared clucks did not digest.
"'Tis fun and games," you hear some swear.
"'Tis mean and vicious," others blare.
But that, I vow, doth miss the gist of
what meets like these in fact consist of.
You know you're in the Blog of ASS
when merry times indeed you pass
perusing loads of commentaries
by folks who'd fain consort with fairies.
These fawning fans conjoin to shun
and will not bear to feel outdone
if then some unsuspecting mortal
should see their smug disdain, and chortle.
From some yet undetermined cause
they think they waggle sharper claws
and rally round a sounder sanity
than can be found in most humanity.
Though ASS by far outranks them all
and holds their little ears in thrall
their antics vile shall ever stun.
And that, I say, is all the fun.
:•p
Posted by: Permafrost at January 21, 2007 03:41 AMPermafrost,
Methinks you conspire between the lines.
Good rhymes, though... for a republican bastard.
Posted by: Richard Costa at January 21, 2007 05:16 AMAh, que fofinho, Perma. Acordei na certeza de ter arranjado uma briga boa e eis que descubro um gentleman em pleno gozo e uso do seu senso de humor. Logo descerrei meus punhos porque contra um gentleman não adianta, é fight against windmills...
Mea culpa, mea culpa.
Posted by: Paulo at January 21, 2007 10:43 AMApenas para reforçar o prazer com que confraternizo minhas inclinações monarquistas com Lord Ass os outros homens de classe que freqüentam este blog, permita-me citar estre trecho de um historiador brasileiro pouco conhecido entre os moderninhos:
"O Brasil nas vésperas da república, era realmente e em todos os seus aspectos políticos uma grande monarquia liberal representativa de forma parlamentar, organizada no gênero dos estados modernos que o historiador inglês H.G. Wells chama de “repúblicas coroadas”, como a Inglaterra e cada um dos países do governo próprio do império britânico, a Bélgica, a Holanda e as monarquias escandinavas. Nós éramos governados por um presidente do conselho, escolhido pelo parlamento, pois apesar da ativa interferência que a coroa se reservava na formação dos ministérios, nenhum governo novo ousaria apresentar-se aos corpos legislativos, sem ter a previa certeza da maioria dos votos destes. Pelo sistema das negociações preliminares, entaboladas entre os encarregados da formação de ministérios e os diversos grupos em que se dividia a representação nacional, era de fato o parlamento quem indicava os programas governamentais.
Sob esse regime, conquistado através das lutas sangrantas e constantes, que mantivemos contra as pretensões do poder pessoal durante todo o 1o reinado e o interregno da Regência, nós chegáramos a ser não somente o primeiro e o leader incontestável dos povos sul-americanos, como mesmo, sob certos aspectos particulares, a mais séria e bem considera de todas as nações do Novo Mundo. Havíamos firmado definitivamente a a nossa paz interna; estabelecido vitoriosamente, pela diplomacia ou pelas armas, a nossa situacao internacional; formado o nosso direito privado sobre bases de uma tão grande elevação moral, que já servia de modelo à organização civil de outros Estados, e colocado as finanças públicas em um tal pé...(...)
Se procurarmos saber qual foi a característica principal e constante do período que realizou todo esse esplêndido trabalho de organização nacional, facialmente nos aperceberemos que essa característica foi a liberdade. Efetivamente, de um extremo a outro do Reinado de Pedro II, na direção dos negócios públicos predominou sempre a opinião coletiva"
Lembro-me que Olavo de Carvalho certa vez disse numa aula a muitos anos atrás aqui no Rio que a última chance que o Brasil teve foi a do plebiscito constitucional de 1993. Na época eu ainda era republicano e não entendi muito bem a coisa toda, mas agora eu dou razão ao Ayatolavo.
Posted by: Paulo at January 21, 2007 11:32 AMCaramba, essa foi a sequência de comentários mais fabulosa da blogosfera inteira d'aquém e d'além mar!
Posted by: caramelo at January 22, 2007 09:31 AMRichard Costa
Que personalidade mórbida, que caráter obeso. E de uma refutação hemorrágica cheia de pus e corrimentos. Me fez lembrar um personagem de Oscar Wilde na sua decadência: amigo de Lorde Harry, Dorian. Mas você mordeu a isca. Nossa, sua disponibilidade de discutir com você mesmo é absurda. É tão precoce nas suas respostas, que a sua ansiedade não deixa vc ler os posts. Uma pena, vai se tratar. Para de ler Nietzsche, Nietzsche se lê aos 16 anos.
Posted by: Caiocito at January 22, 2007 02:57 PMCaiocito,
Be quiet, vulgarian, or I'll have you sent to the gallows.
Posted by: Richard Costa at January 22, 2007 03:35 PMClique no meu nome para um bom livro de um autor bem vivo.
[Este comentário é sobre o post anterior, peço desculpas pelo atraso. Aliás, oi.]
Posted by: monica at January 24, 2007 01:23 AM[pedindo antecipadamente desculpa pelo despropósito do comentário e agradecendo a divulgação]
Colectânea de contos lésbicos feministas. Envio de trabalhos para anabelarocha2005@gmail.com até 31 de Maio de 2007. Tamanho: entre 3 a 20 páginas A5. Género: não totalmente poético, nem totalmente jornalístico - no entremeio vale tudo:). Um conto por autora. Aceitam-se pseudónimos. A motivação do projecto é alargar o espaço do dizível de sensibilidade lésbica na língua portuguesa, aceitando e desejando contribuições de lésbicas falantes de português em todo o mundo. Mais detalhes em http://zonaqueer.no.sapo.pt/contos_lesbicos.htm
Posted by: Anabela Rocha at January 24, 2007 11:07 AMQue ótimo isso.
Posted by: Ed at January 25, 2007 02:45 PMRichard Costa = Rick Back = Broke_Back
Posted by: Neanderthal at January 29, 2007 01:10 PMA vida entre a nobreza é nosso sonho mais persistente e, no entanto, o mais evanescente. Não há desejo mais arraigadamente burguês do que querer ser um aristocrata. É uma maldição permantente que consome o burguês, o desejo de ser um nobre verdadeiro. Infelizmente não é possível. O que distingue o burguês do aristocrata, principalmente em uma época que até o vendedor de hot-dog já é burguês, é exatamente o fato do burguês não poder jamais - jamais! - ser um aristocrata, a não ser, é claro, como uma pantomima farsesca.
A aristocracia - ou o que resta dela - deve continuar fazendo o que sempre fez, acordando tarde, caçando dodôs e acenando para a ralé. E a burguesia deve continuar sustentando com garbo seu histórico papel de roubar no peso e reclamar dos impostos.
Posted by: King Ratflea III at January 30, 2007 08:04 PMVulgarians!, the lot of you! Except, of course, those distinguished gentlemen who have argued with the uttermost politeness... Farewell.
"O, it offends me to the soul to hear a robustious periwig-pated fellow tear a passion to tatters, to very rags, to split the ears of the groundlings, who for the most part are capable of nothing but inexplicable dumbshows and noise: I would have such a fellow whipped for o'erdoing Termagant; it out-herods Herod: pray you, avoid it."
Posted by: Richard the Author at January 31, 2007 08:34 PMForgiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiive me!
Posted by: Neanderthal at February 6, 2007 02:11 PMAUTHOR: Medvedik
EMAIL: mail@yahoo.com
IP: 88.191.35.48
URL:
DATE: 03/30/2007 04:40:05 AM
AUTHOR: aka_loshok
EMAIL: mail@yahoo.com
IP: 88.191.35.48
URL:
DATE: 03/30/2007 07:14:24 AM