Luciano Amaral, na Atlântico que está chegando às bancas em Portugal (e que também tem o Bruno Garschagen entrevistando Diogo Mainardi), diz:
O grande problema do último Bond é precisamente esse: a falta de
sentido de humor. É necessário compreender que o valor da série não está
no seu realismo, mas precisamente na sua inverosimilhança. A inverosimi-
lhança de James não envelhecer há quarenta anos, a inverosimilhança do
smoking impecável por debaixo do fato de astronauta, a inverosimilhança
das mulheres que se apaixonam por ele à primeira palavra, a inverosimi-
lhança com que se liberta de situações desesperadas, a inverosimilhança
da maldade dos vilões e, acima de tudo, a grande inverosimilhança de a
salvação do planeta estar dependente de um agente secreto inglês. (...)
O novo Bond mostra-nos a seriedade da sua tarefa, a extrema dificuldade
das suas missões ou mesmo a angústia quando mata.
Antes de ver o filme eu estava com um mau pressentimento por causa do tipo de elogio que se fazia sobre ele: que era mais realista, o que me dava a impressão de que as pessoas não queriam ver um filme de James Bond e sim um filme baseado num romance de John LeCarré, e que Bond era menos elegante, menos preocupado com martinis e tal. Que era menos Bond, em suma.
Isso seria horrível: seria como elogiar um novo Tio Patinhas por ser menos avarento. E é verdade que Daniel Craig tem um jeito um pouco mais proletário; não se faz parkour impunemente. Bond não é um aristocrata, mas se faz passar por um em "On Her Majesty's Secret Service", coisa que nem Craig nem Connery poderiam fazer; e nenhum dos Bonds anteriores, acho, correria o risco de ser confundido com um manobrista. Tentei imaginar Roger Moore levando com as chaves de um carro no meio da testa enquanto está amarrando o sapato na entrada de um cassino, e não consegui. Bom, talvez acontecesse com George Lazenby.
Mas no fim não é verdade que esse Bond seja menos Bond. Pelo contrário, na verdade. Um pouco menos elegante, talvez; mas o que ele perdeu em elegância ganhou em seriedade; e eu realmente acho, ao contrário do Luciano Amaral, que a falta de humor da coisa toda é justamente uma virtude do filme.
Sei que para muita gente não é assim. Filthy McNasty, por exemplo, acha que Roger Moore é o melhor Bond de todos, porque gosta do fato de que Moore não se leva a sério. Outro amigo acha que a versão de 67 de "Casino Royale", com David Niven e Peter Sellers, é o melhor filme de Bond.
Gosto desses filmes também - mais ou menos. Tenho alguma afeição pelos filmes de Bond com Roger Moore, principalmente porque eram esses que passavam no cinema quando eu era adolescente, e mesmo aquelas músicas ruins de Sheena Easton, Rita Coolidge ou Carly Simon acabam soando bondish aos meus ouvidos - e eu digo que são ruins porque sei que objetivamente falando elas são ruins, mas no fundo eu não acho. Os filmes em si são ruins, mas têm um ou outro momento bom (para mim o melhor é a fuga de Octopussy depois de roubar o ovo Fabergé das mãos de Bond, deslizando numa echarpe varanda abaixo; é um momento rápido, com aquele tipo de kitsch que é tão bem feito que de alguma forma deixa de ser kitsch e se torna realmente bonito). E também tenho afeição por um ou outro momento da versão de "Casino Royale" de 67. Mas quem gosta principalmente desses filmes não gosta, realmente, de James Bond. Se você gosta da paródia mais do que do que está sendo parodiado, é um bom sinal de que não gosta nada do que está sendo parodiado; seu prazer está na destruição da coisa.*
* Filthy me corrige nos comentários dizendo que não é o caso dele. Não esperava menos de ti, Noronha.
E é por isso que gostei tanto da última versão de "Casino Royale". Sim, Bond está meio vulgar - alguém achou que aquela linha sobre o dedo mindinho era witty? - mas ele não é paródico. Não é tongue in cheek. Quando ele aparece na última cena do filme, em pé na frente do sujeito em que acabou de dar um tiro, e diz que é "Bond, James Bond", senti que estava vendo James Bond no cinema pela primeira vez desde Sean Connery (com a vantagem de que o roteiro é muito melhor do que o de qualquer filme de Bond com Connery). Porque ele diz isso a sério - e graças a Deus.
Costumo fugir de filmes sem humor, e quando as pessoas reclamam que esta época tem ironia demais, acho ridículo. Há tantos filmes e livros e artigos de jornal e programas de tevê sem um toque sequer de ironia que realmente não entendo esse tipo de reclamação. O que eu poderia entender seria uma reclamação mais específica: não que a nossa época tem ironia demais, mas que alguns filmes e livros e programas de tevê e, pior ainda, algumas pessoas, têm ironia demais. São incapazes de seriedade por um segundo que seja; é um cacoete, uma morbidez.
São elogiados porque são "subversivos", eu sei. Há toda uma teoria. Deve-se rir de tudo, não levar nada a sério. Humoristas especialmente têm a tendência de acreditar nisso. Não basta ao sapateiro fazer os sapatos dele, ele tem que achar que a salvação está no sapato, que Deus tem cara de um sapato gigantesco e assim por diante. Alguns humoristas são assim. Não basta escrever uns textos engraçados lá no canto dele, não, não - ele tem que vir com uma teoria de que você tem que rir de tudo o tempo todo (ou você é, sei lá, um fascistão). ""Iconoclastia seletiva não cola", reclamou um comentarista aqui, uns tempos atrás.
Minha própria inclinação é a de que humor devia estar em quase todos os lugares. Quase todos, mas não todos. A tentativa de levar humor a todas as coisas em todos os momentos me deixa um pouco doente. O humor é bom porque murcha as coisas, por natureza. O humor apequena. E é bom que seja assim porque a maior parte das coisas merece mesmo uma apequenada. Tudo que quer se passar por mais importante do que é, é bom que leve uma apequenada.
Mas tudo? Você realmente quer murchar e apequenar tudo? Todo James Bond tem que ser paródico e com caspa? Tem que escorregar logo na entrada do cassino? Tem que ser interpretado por Carrot Top?
James Bond não é Matt Helm. James Bond não é o Mr.Bean se fazendo passar por espião, nem Leslie Nielsen caindo em cima da Rainha. Acho bom que Leslie Nielsen caia em cima da Rainha, e que James Bond não caia em cima da Rainha. O prazer que algumas coisas dão é que são engraçadas, e o prazer que outras coisas dão é que não são engraçadas. Querer extrair só um tipo de prazer, no caso o prazer do riso, de todas as coisas, é um impulso mórbido - e fundamentalmente indica uma incapacidade de gostar do que quer que seja, uma vontade de murchar e apequenar tudo.
Termino com uma citação de um livro que vivo citando (e vivo citando porque vivo lendo: mantenho o livro no topo da pilha de livros no banheiro e o pego pra ler sempre que faço xixi): "The James Bond Dossier", de Kingsley Amis.
O livro é de 1965 e se concentra nos livros de Ian Fleming, não nos filmes. Amis é muito bom em definir exatamente qual a atração da fantasia que James Bond inspira, e por que ela deve ser levada a sério, apesar de Roger Moore e da outra versão de "Casino Royale". Neste trecho, por exemplo, ele começa lamentando que Fleming tenha chamado um clube de "elegante" em Moonraker, a sério, ao invés de ridicularizá-lo. "One looks for the satirical backlash that never comes". Mas depois diz:
Is it possible to treat Bond's adventures as partly a joke, grin at his car
and his concealed weapons, boo at his enemies, whistle when his girl
appears, groan heavily when he gets captured, cheer when he works his
thousand-to-one chance of escape? That sort of thing happens when
the three so far extant Bond films are shown. It´s a send-up, see? - partly,
anyway. Sean Connery gives a gambling-joint doorman £5 and they laugh,
we laugh; we don't laugh when Bond slips the chef de partie a hundred-mille
plaque after a win in Casino Royale. Nor does the author. Mr.Fleming
probably laughed about what he wrote, but he doesn't laugh in his writing.
I approve. I enjoy the films and the laughs in the films, but I like the books better.
If Mr.Fleming sent up Blades [o clube descrito como "elegante"] I should be
relieved; my snigger would issue freely in the form of a guffaw, but Bond's power
would have been broken. He would be merely good fun.
É estranho dizer que um livro sobre James Bond é cheio de sabedoria, mas esse é exatamente o caso.
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Não pude agradecer à Charlotte pela menção antes porque o blog andou fora do ar, mas agradeço agora. E bom 2007!
Hesitei antes de responder a corrente-de-blogs (oh, ok, "meme") que recebi do Filthy McNasty porque, a rigor, eu não desisto de autores; os que eu leio são na pior hipótese bonzinhos. Tenho uma boa intuição, suponho. Se um autor é realmente ruim me basta passar a palma da mão perto da capa para sentir o chi maligno, e eu nem abro a coisa. Vou fazer um desenhinho depois para ilustrar a minha técnica.
Então no lugar disso vou citar três autores que nunca li, mas que acho que são ruins. E acho isso baseado simplesmente nas bad vibes.
1) Ian McEwan. Porque os livros dele soltam seriedade ersatz que atinge o canto do meu olho como esguichos de mexirica. Oh, a gravitas. Oh, 9/11. Eis um homem que virou em vida um busto de mármore, como um Goethe em miniatura.
2) Mario Vargas Llosa. Seria fácil falar de Garcia Marquez, que a rigor me é mais repelente, mas eu até já dei umas lidas em GM e acabaria falando com conhecimento de causa, o que quero evitar a qualquer custo. Acuso Vargas Llosa de soltar emanações de solenidade pertinente e atual de seus livros que me borrifam a cara toda. Nos últimos vinte anos nunca pude abrir um caderno de cultura no domingo sem que um jato de chatice saltasse duma resenha dum livro de VL, dum artigo ou até mesmo duma foto dele, e eu ficasse todo coberto de chatice numa espécie de bukkake macabro. Eu votaria nele, mind you, e na verdade ficaria contente pela oportunidade - ele é politica e economicamente sensato. Mas eu nunca abriria um romance de tamanho abantesma. A única coisa que consigo dizer de bom sobre ele é que ele deve ser bem melhor, menos pertinente e importantão que Carlos Fuentes. Só de escrever esse nome entrei em depressão e minhas unhas caíram no teclado. Ah, devia ter escolhido Carlos Fuentes para o número dois desta lista. Espera, mudei de idéia, é Carlos Fuentes.
3) Norman Mailer. Ter esfaqueado a mulher e viver dando cabeçadas nos outros é simpático e tal, mas isso não é suficiente para que eu leia Mailer. Oh, a CIA. Oh, a canção do carrasco. Um homem envolvido com as grandes questões do seu tempo! Um probo! E, no entanto, um facínora! Que interessante combinação paradoxal de duas formas de chatice ao mesmo tempo! Investiga o fascismo do poder aí, Norman Mailer! Naaaah.
Philip Roth é outro. Li "Portnoy's Complaint" e "Goodbye, Columbus" vinte anos atrás, e gostei dos dois, mas desde então seus livros emanam o chi errado. Ele fala sobre a América, né? Citando o nome dum livro acadêmico que escreveram sobre ele, Philip Roth "mantém o dedo no pulso da América". Ah, é o doutor da América, né? Um homem importante. Pessoalmente não quero manter o dedo nem no pulso de Bauru. Até quero ler outros livros de Philip Roth, mas tenho a impressão que não vou chegar até o final.
O que esses três, ou cinco, perdi a conta, têm em comum? Uma disposição de tratar dos Grandes Temas, diretamente tirados dos jornais. Eles querem endender a condição do homem moderno, explorar conflitos de classes, representar a família atomizada, salientar as pulsões latentes de violência no discurso burocrático, desmascarar a fachada corporativa, trazer à tona o assunto terrorismo, indagar os limites da convivência burguesa, fazer as perguntas que ninguém ousa perguntar e, claro, redefinir mesmo a noção do que é humano numa época saturada de tecnologia, né?
E agora, uma ilustraçãozinha do meu método de examinar livros:

Eu ia dizer que em alguns casos você não precisa nem tirar o livro da estante na livraria, bastando passar a mão à distância. Mas é mais seguro pegar o livro e colocá-lo numa mesa com a capa voltada para cima.

Pondo a mão, com a palma para baixo, a trinta centímetros da capa de Las Buenas Conciencias de Carlos Fuentes. É preciso ficar com a mente em estado de total receptividade, e logo você vai começar a sentir as bad vibes. É um método simples, mas tem me servido bem.

(Ampliação dramática das bad vibes saindo da capa do livro.)
E não passo a corrente adiante porque meus amigos blogueiros são hoity-toity e, aparentemente, nenhum é humilde o suficiente para responder uma simples corrente. Não, não, não respondo correntes, oooh, oooh. Well, excuuuuse me!...

Freddy, Príncipe de Gales, atlético e orelhudo, depois de uma sucessão de vexames (como por exemplo sair atrás do cão da mulher fazendo a única coisa que o atrai de volta, que é deitar no chão com um pedaço de gorgonzola na cara gritando sem parar o nome dele, sendo filmado chegando bem perto da câmera do paparazzo e gritando Pha-Kew!, Pha-Kew!, com restos de gorgonzola na cara) é condenado a saltar de paraquedas no meio da noite junto com a mulher, Fredericka, em Nova Jérsei, com o propósito de reconquistar os Estados Unidos para a Coroa. Os dois pelados exceto por roupas íntimas feitas de pele de coelho (no livro isso é uma tradição milenar de príncipes que caem em desgraça).
Ao saltar em Nova Jérsei à noite, achando que vão cair em campos gramados onde professores de literatura jogam críquete, os dois batem um contra o outro ("...when their mouths struck as if in a Dantean travesty of a kiss...") e passam as próximas cinquenta páginas sem os dois dentes da frente, pelados e sem dinheiro, na companhia de gangues de motociclistas e príncipes ciganos, assumindo o nome de Desi e Popeel Moofoomooach, dentistas do Alabama.
É o primeiro livro de Mark Helprin que leio e tenho interrompido a leitura para rir em voz alta o tempo todo. E eu geralmente não rio em voz alta, a minha risada é meio Mutley. Mas ri alto no sofá, ri alto na cama, e ri alto quando fui levar o meu pai no consultório do dentista e fiquei esperando no carro debaixo da chuva. Não é tão ininterruptamente engraçado quanto um livro de P.G.Wodehouse, e não tenta ser - tem vários momentos sérios e de (ah, o problema de sempre usar um tom sarcástico neste blog é que depois dói dizer essas coisas a sério) grande beleza. Estou no meio do livro ainda, mas interrompi a leitura porque fiquei pateticamente entusiasmado e queria ver se, quem sabe, não é impossível, convencia alguém mais a ler.
Aqui está o site oficial de Mark Helprin, e aqui está uma entrevista com ele. E aqui, gratuitamente, a foto de um cachorrinho esquisito mas simpático.
Ficamos nós wunderblogs - que oportunidade de usar a forma "os wunderblogs ficamos" - uma semana fora do ar, e nesse tempo fui acumulando links, e ei-los, ei-los; junte as mãos em concha e não deixe nenhum cair no chão. Juntei-os todos com tanto cuidado! E não reclame muito se alguns estiverem meio atrasados e você não aguentar mais posts sobre a morte de Milton Friedman. Tem uns dois desses aí no meio, mas valem a pena.
* The Giraffe Manor (via Djoolz). Clique em "gallery" para ver a girafa roubando o suco de laranja da muié.
* Top 10 Hollywood chicks videos. Só não clique no da Sofia Loren que infelizmente não vale muito a pena (e é a primeira vez que Sofia Loren é chamada de chick, provavelmente). E eu confesso que sempre que vejo o video de Jessica Simpson fico prestando atenção em como a garrafa de cerveja em cima da bandeja entorta, e chega a ficar paralela ao chão, mas não cai. Eu sei, algo deve estar errado comigo.
* Top 10 pessoas peladas no Google Earth.
* Uma foto de Milton Friedman ao lado de J. Kenneth Galbraith que não tenho certeza se não é photoshop. Mas não deixe de ler a legenda.
* Verdade, o lançamento do livro da Olivia foi ontem. Teria avisado antes se pudesse. Se não foi, se informe aqui.
* Eu ia postar de qualquer maneira, Martin: Protosophos, um blog coletivo sobre, principalmente, filosofia, com um norueguês gigantesco de esquerda no meio.
* Eu vinha pensando em fazer um post muito parecido com isto (ponto por ponto) fazia tempo, mas a preguiça etc. Mas está aí, fizeram por mim (em inglês). Agora pode me chamar de lacaio dos Eua e tal.
* Ok, eu falei que alguns links estavam atrasados uma semana e talvez ninguém mais aguente o assunto Kramer, mas este episódio perdido de Seinfeld vale a pena (e não "à pena". Parem de escrever "vale à pena". Jeez.)
* Este video é irritante porque eles colocaram imagens do desenho em cima como se ninguém jamais tivesse visto os Simpsons antes, mas mesmo assim achei divertido ver todos os principais dubladores dos Simpsons no palco do Actor's Studio. (Tem outras partes.)
* Esta matéria na agência Carta Maior me deixou feliz a semana inteira. Pôs um sorriso neste meu rostinho de blogueiro direiteca (via FYI).
* Não me basta dar o link, tenho que colocar o video todo aqui (via Blowing Smoke):
* Ok, estou ansioso para ver este filme. É verdade que ver um Bond que diz "Scratch my balls" não me agrada muito. E você tem que ligar para o modo com que o seu martini é servido, 007, seu idiota.
* As cenas mais ridículas (lamest: tronchas? baianas?) dos filmes de James Bond. Concordo com todas. Se bem que eu até gostei da cena do cello. Bom, mais ou menos. E aquela cena em que Bond (Roger Moore) se veste de palhaço foi um momento da adolescência em que eu morri um pouco.
* Um documentário sobre Hitchcock narrado por Paulo Francis (5:45). Encontrei o link num comentário neste post do Parada (obrigado, Gabriel).
* Uma lista de links sobre catolicismo e tradição, em inglês.
* Por acaso este aqui não é o lugar mais bonito do mundo? (E o que Luis Fernando Verissimo está fazendo ali?) Uma vez li um thriller muito bom passado nessa região.
* Wallpapers de Tintim. ( E Asterix, e Lucky Luke, e outros.)
* Bom, mais links sobre Friedman: Evandro Ferreira (que voltou a atualizar o Agonizando) postou alguns comentários mais negativos sobre ele, feitos por Hans Hermann-Hoppe, e o Paulo do FYI postou algumas boas citações do próprio Friedman. Eu já tinha postado aqui o link para a série em dez episódios escrita e apresentada por Friedman, Free to Choose.
* Se você vai na página oficial da monarquia britânica e, tendo Stumble Upon, vê as reviews da página (p.ex, três comentários: "squarefrog, Sep 16, 8:34am What a waste of bandwidth I despise the Royal Family. Bunch of silver spooned toffs. They all need to work at McDonald's or some soul-destroying fish factory for a while. For all you naïve followers, just ask yourself what the Royal Family are doing with our hard-earned taxes", "Fidi, Apr 21, 8:56am Whoopty-crap...the "Queen" is 80. Here's a news flash...file that in the circular file along with the other "news" that isn't news... Excuse me if I'm not impressed. Too bad the British people didn't do for their country what the French did. Divide up the booty, and kick that worthless royalty to the curb" e "dionysusstoned, Apr 14, 7:56am massive waste of (virtual) space. i agree with handlewithfire...the bitch should be taken out, propped up against the wall, and ...well you know what comes next"), se você vai lá e vê isso e não se sente subitamente convertido à monarquia, há algo de errado na sua alma. Mas depois você lê isto e é desconvertido na hora, é verdade.
* Por falar em "top 10 Hollywood chicks": Phoebe Cates Phoebe Cates Phoebe Cates!
* As 50 piores músicas de todos os tempos. Curiosamente elas são todas dos últimos 40 anos.
* Tony Tyler, crítico de rock, autor de livros sobre Tolkien e os Beatles e editor da NME, morreu agora no final do mês passado. Uma mostra do quanto ele escrevia bem aparece aqui neste blog: um trecho do livro dele, I Hate Rock&Roll, falando da influência nefasta das calças boca-de-sino no moral e na carreira dos guitar heroes dos anos 70. Fiquei realmente com vontade de comprar o livro, mas parece que é difícil de achar.
* Você já ouviu falar em Norman Borlaug? Nem eu, mas parece que "o Dr.Borlaug salvou mais vidas que qualquer outra pessoa que já viveu, e provavelmente já salvou mais vidas no mundo islâmico que qualquer outra pessoa que já viveu". (Em inglês).
* Estou pulando uns links porque de repente me ocorre que ninguém quer ler uma carta de Emir Sader a Fidel ou um texto de Luis Fernando Verissimo falando mal de Milton Friedman. Vamos manter um certo nível. James R.Rummel do Chicago Boyz fazendo a resenha dum livro cretino sobre James Bond.
* Nemerson Lavoura começou a postar a tradução dele de "A Lei", de Frédéric Bastiat. Se eu não tivesse perdido a minha senha do Orkut (na verdade fiquei contente de não poder entrar mais lá) entraria na comunidade que eles fizeram para traduzir e divulgar livros sobre liberalismo.
* Um post explicando a estupidez do raciocínio econômico do Arqueiro Verde (via Cisco).
* X-Men3: The Last Standing Ovation (video, tem acho que uns dois minutos).
* Um video de 8min mostrando Moscou em 1908 (via alessandrasouza).
* Mais um video com (me recuso a dizer "um bate-papo", eu morro se falo isso) Olavo de Carvalho, sobre religião e sociedades secretas. Dessa vez Olavo diz menos "porra" e "putaquepariu", e os meus ouvidos pudicos de Jane Austen ficaram contentes. E o entrevistador ri menos e interrompe menos (via Marcio Hack)
* A casa de bonecas feita em 1924 pelo arquiteto inglês Edwin Lutyens para a rainha Mary. As garrafas de vinho na adega têm vinho, os livros na biblioteca são livros de verdade, a privadinha dá descarga (quer dizer, isso eu já não sei). Olhe esta foto pelo menos.
* E por último (a menos que me lembre de mais alguma coisa), a primeira parte da entrevista de Ayn Rand (em 7 partes). Só vi a primeira parte por enquanto, mas surpreendentemente é uma velha simpatiquinha. Me agrada que ela goste de Charlie's Angels por elas serem mulheres bonitas fazendo coisas românticas e pouco realistas. Só li um livro dela, uma coleção de ensaios meio óbvios contra Woodstock e um pouco sem humor, não? E Phil Donahue merece uma bifa nas fuças.
* Não, me lembrei de mais uma coisa. Por causa deste post d'O Indivíduo fiquei com curiosidade em saber quem é Jeremy Clarkson, e depois percebi que ele é o autor de um texto que li meses atrás e gostei bastante (sim, sim, morte à palavra "beverage"). E ele é de fato muito bom. Não ligo muito para carros, mas mesmo assim é difícil ler este texto aqui sobre o Bugatti Veyron sem ter um pouco da sensação de dirigir esse carro, aparentemente capaz de chegar a 407 km/h:
"When you push a car past 180mph, the world starts to get awfully fizzy and a little bit frightening. When you go past 200mph it actually becomes blurred. Almost like you're trapped in an early Queen pop video. At this sort of speed the tyres and the suspension are reacting to events that happened some time ago, and they have not finished reacting before they're being asked to do something else. The result is a terrifying vibration that rattles your optical nerves, causing double vision. This is not good when you're covering 300ft a second.
Happily, stopping distances become irrelevant because you won't see the obstacle in the first place. By the time you know it was there, you'll have gone through the windscreen, through the Pearly Gates and be half way across God's breakfast table.
It has always been thus. When Louis Rigolly broke the 100mph barrier in his Gobron in 1904, the vibration would have been terrifying. And I dare say that driving an E-type at 150mph in 1966 must have been a bit sporty as well.
But once you go past 200mph it isn't just the suspension and the tyres you have to worry about. The biggest problem is the air. At 100mph it's relaxed. At 150mph it's a breeze. But at 200mph it has sufficient power to lift an 800,000lb jumbo jet off the ground. A 200mph gust of wind is strong enough to knock down an entire city. So getting a car to behave itself in conditions like these is tough.
At 200mph you can feel the front of the car getting light as it starts to lift. As a result you start to lose your steering, so you aren't even able to steer round whatever it is you can't see because of the vibrations. Make no mistake, 200mph is at the limit of what man can do right now. Which is why the new Bugatti Veyron is worthy of some industrial strength genuflection. Because it can do 252mph. And that's just mad -- 252mph means that in straight and level flight this car is as near as makes no difference as fast as a Hawker Hurricane. "
Não? Nenhum interesse súbito por carros? Eu fiquei pesquisando e encontrei estes videos (na verdade um em 4 partes) da série Top Gear em que Clarkson, num Bugatti Veyron, corre contra os outros dois apresentadores do programa - que estão num avião, mind you - da Itália a Londres.
O quê, não gostou? Top Gear é uma série surpreendentemente bem-feita, eu acho. Me peguei vendo cada video que encontrei no You Tube. Hammond, o sujeito comendo chocolate no avião, teve um acidente de carro sério em setembro, mas parece que já está bem. E aqui, os outros textos de Clarkson (se você não está interessado em carros, pule o "All Clarkson Reviews" e clique mais abaixo em "All Clarkson Opinions").