November 08, 2006

* Sim, verdade, me leia

* Sim, verdade, me leia na Bravo! de novembro falando sobre como o Brasil aparece em alguns filmes estrangeiros (Audrey Hepburn é de fato uma brasileira chamada Chiquita num filme muito bom), sem contar que digo a verdade doída sobre Ruy Castro e o Rio; e na Atlântico, de novembro também (ué, em que mês estamos?), falando sobre política, que é um assunto no qual eu evito falar aqui. Mas não por muito tempo; pretendo mudar, me levantar desta cadeira e começar a fazer uma oposiçãozinha. Jorge Nobre tem sempre razão.

* A Charlotte não gosta de Henry James. Eu gosto, mas não vou tentar convencê-la porque acho que nunca consegui convencer ninguém de nada. Juro, cinco anos na internet e duvido que tenha arrastado alguém uns centímetros que fosse para a direita - pelo contrário, devo ter criado uns comunistas por aí. Também não tenho a ilusão de que fiz pessoas acreditarem em Deus fazendo piadinhas rancorosas com ateus. Na vida real pior ainda. E depois ela disse que não gosta de Henry James, não que ele é ruim, e portanto eu não posso sair por aí tentando convencê-la de que ela está errada e na verdade gosta de Henry James sem saber, posso? Não. Então por que é que estou escrevendo isto tudo? Porque quis dar uma pausa na tradução que estou fazendo, só por isso. E porque quis dizer olá. E toma um link de volta, Charlotte.

Posted by Alexandre S. at November 8, 2006 10:46 PM
Comments

oi

Posted by: misto eleazar at November 8, 2006 11:37 PM

Em política não fui arrastado para canto algum, simplesmente porque não ligo quase nada para o assunto. Mas, ah, ri bastante das piadas sobre ateus e, pasme, até então não havia lido ninguém que o fizesse (só via os teístas choramingarem ao invés de retribuirem o escarnio).
Em literatura os efeitos são vários. Entre outras coisas, por sua causa conheci Wodehouse, Evelyn Waugh e Flann O'Brien (sou grato hoje e sempre); mas te desafio a me convencer de que Joyce não é apenas um chato e de que vale a pena ler Ulisses (consegui ler umas cinquenta páginas de "O Retrato Zzzz").

Posted by: Luciano at November 8, 2006 11:43 PM

onde "escarnio", "escárnio"; onde "só via os teístas", "só via teístas" (não consigo deixar de corrigir).

Posted by: Luciano at November 8, 2006 11:49 PM

O primeiro capítulo de Ulysses vale os 20 minutos de leitura se você tiver uma edição anotada em inglês, ou a tradução da Bernardina, ou as duas.

O segundo capítulo zzzzzzzzzz, aí volto ao início do primeiro e acordo.

Tente Dubliners, Luciano.

Posted by: Mercuccio Mulligan ad altare Dei at November 8, 2006 11:58 PM

Mercuccio, dá para tentar a técnica do Didi (não o de agora, o de antes): aplicar palitos de dente forçando a abertura das pálpebras - hehe.
Vou ver se arrumo Dubliners.

Posted by: Luciano Chaves at November 9, 2006 12:12 AM

Hmmm, mas o primeiro capítulo do Ulysses tem menos páginas do que as 50 que você já leu do artista.

Hmmm, o primeiro do Ulysses + After the race + Clay + Ivy Day In The Committee Room triplicam suas 50 páginas sem zzzzzzzzzz.

Depois é partir pro Yes Yes Yesssssss.

Posted by: O Retrato de Mercuccio Quando Dorme at November 9, 2006 12:12 AM

"Hmmm, mas o primeiro capítulo do Ulysses tem menos páginas do que as 50 que você já leu do artista."
Você vê, sou um sujeito esforçado: "Sou brasileiro e *quase* não desisto nunca". haha

Posted by: Luciano at November 9, 2006 12:17 AM

Dubliners online. (clique no meu nome)

E agora eu desinvado os comments de Beri-Beri.

Olá, olá.

Posted by: and this moocow that was down along the road met a nicens little boy named mercuccio at November 9, 2006 12:21 AM

Obrigado. Agora "desinvado" também.
Alexandre, perdão pelo tapete todo enrugado (não quis acordar a cachorra). =]

Posted by: Luciano at November 9, 2006 12:34 AM

Luciano, gracias, gracias. És muito gentil. Mercuccio está certo, tenta os contos. Também não sou fanático por Ulisses ou o "Retrato Zzzzz". Mas tenho a impressão que os contos - especialmente The Dead - will do the trick. E olá, Misto.

Posted by: Alexandre S. at November 9, 2006 03:08 AM

Ah, Alexandre, foi por causa de seu blog que fui ler Zooey e agora sou um quase-cristão. E de esquerda eu já não sou. Isso me faz de direita? o texto da Bravo está muito engraçado, vão ler.

Posted by: tiago a. at November 9, 2006 05:39 AM

Alexandre,

Por sua causa conheci Chesterton, Mencken e Noel Coward. E também descobri toda a beleza dos musicais da Metro. Ah, e a beleza do conservadorismo...!

Posted by: Gabriel at November 9, 2006 07:15 AM

Oi.
Eu gosto de Smashing Pumpkins, mas tenho coragem de dizer que é bom.
Abraço,

Posted by: Igor at November 9, 2006 07:44 AM

digo, não tenho coragem.

Posted by: Igor at November 9, 2006 07:49 AM

Me arrastou para a direita. Vários centímetros. Até joguei fora os copos de requeijão em que bebíamos Fanta aqui em casa. Agora só Cape Mentelle Merlot em taças de cristal Baccarat. Por isso, estamos arruinados financeiramente. Mas não importa. Até os ateus que nos cercam já começaram a ver nossa aura de quem acredita em Deus. Isso está causando rumores, também. Mas nada como estar com um pezinho no Céu. Portanto, seu blog serviu para alguma coisa.

Posted by: Badá at November 9, 2006 04:38 PM

Oh, mas você fez até gostar de blogs...

Posted by: Guilherme at November 9, 2006 06:36 PM

*me fez, ali em baixo...droga.

Posted by: Guilherme at November 9, 2006 06:37 PM

Eu sou burro, não consegui ler o texto da Atlântico. Nem os seus textos anteriores que saíram na Atlântico, aliás.

Posted by: albano at November 9, 2006 06:58 PM

A Charlotte tem bom gosto.

Posted by: léa at November 10, 2006 01:06 PM

Por que all the fun é de madrugada? O que há contra blogueiros vespertinos e matinais?

Posted by: mauro at November 10, 2006 01:35 PM

Era giro se houvesse uma versão "à la" Alexandre do célebre livro "Como Fazer Amigos e Influenciar pessoas." Talvez um "Como Converter Ateus e Desfanatizar Apreciadores de Chico Buarque." ;)

Posted by: Mariana at November 10, 2006 10:17 PM

Bom, deixe-me ver. Coisas boas que me foram apresentadas por você:

Chesterton
Wodehouse
Oscar Wilde
Hemingway (Short happy life...)
Lin Yutang
Twin Peaks
Katie Holmes em Dawson's Creek
Audrey Hepburn
Borges (acho)

Estou meio bêbado, então posso ter incluído alguém errado ou esquecido de mencionar alguém. Mas acho que não.

Quite a debt, huh?

Estão na lista do a conferir:

Flann O'Brien
Patrick O'Brian
Evelyn Waugh
Nabokov
Asimov
Maugham (mas esse vou ter que dar o crédito ao meu pai, que o recomenda há mais tempo :-)

The Sopranos
The Office
Buffy

Posted by: Marcio at November 11, 2006 12:42 AM

Me deu vontade de fazer uma prestação geral de contas, e gosto da sua caixa de comentários, então lá vai:

Organizações Globo me apresentaram: Nelson Rodrigues e Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho: Julián Marías, Ortega y Gasset, Lima Barreto, Amiel, Emerson (na verdade foi a filha dele, a Inez), Rumi, Dostoievski, Henry Miller (esse teve a ajuda do Alexandre Cruz Almeida), Raymond Chandler, Carpeaux, Mortimer Adler, Martin Lings, Huston Smith, Allan Bloom, Tolentino, Frankl...(tá faltando gente ainda)

Descobri sozinho ou têm recomendações demais para que eu consiga lembrar quem recomendou primeiro: Fernando Pessoa, Shakespeare, Freud, Tchekhov, Zweig, Mann, Lewis, Pascal, Vieira, Salinger, Rex Stout, Machado, Gerard Manley Hopkins, Camões, José Régio, Agatha Christie, Conan Doyle, Philip Roth, Hesse, Kafka, Highsmith, Bashevis, Unamuno, Primo Levi, Sêneca

Algus amigos: Guimarães Rosa, Gustavo Corção, Luigi Giussani

Giussani: T.S. Eliot, Leopardi

Richard Burton: John Donne e Dylan Thomas

Posted by: Marcio at November 11, 2006 01:17 AM

Se eu for fazer a mesma coisa:

Paulo Francis me fez ler Louis Auchincloss (eu já tinha lido sobre ele num ensaio de Gore Vidal,mas foi uma menção numa coluna de Paulo Francis que me fez comprar um livro específico).

C.S.Lewis me fez ler George McDonald.

Camille Paglia me fez ler "Mademoiselle de Maupin", de Théophile Gautier (um autor que o meu irmão lia para mim em voz alta quando eu era criança).(Não, que lia para mim em pensamento. Dã.)

Lovecraft fez com que eu lesse Arthur Machen, Lord Dunsany, M.R.James, Sheridan LeFanu e Algernon Blackwood.

Eça de Queiróz fez com que eu lesse os romances de Disraeli.

Henry James fez com que eu lesse George Eliot, mas eu teria lido de qualquer maneira.

Posted by: Alexandre S. at November 11, 2006 01:41 AM

Opa, vou anotar.

Ah, li o Henry James por causa da Claire, "A Fera na Selva". Gostei demais.

Posted by: Marcio at November 11, 2006 01:52 AM

Li algumas coisas do Stevenson por causa do Borges. Muitas indicações dele estão na minha lista - acho que Hawthorne em primeiro lugar, seguido de perto por H.G. Wells.

Posted by: Marcio at November 11, 2006 01:55 AM

Você já leu o Ian McEwan? Já perdi a conta de quantos elogios fanáticos ao "Reparação" eu encontrei...

Posted by: Marcio at November 11, 2006 02:04 AM

Não, Marcio, eu sou bem fraco em termos de autores vivos, vou esperar que Ian McEwan morra. Mas idem quanto a Borges, fiz um esforço para ler tudo o que ele menciona. Menos, é claro, os que escreviam em espanhol - aí já seria pedir demais. ;>) (Na verdade não sei se as primeiras menções a Stevenson e Chesterton que vi foram em Borges, provavelmente não; mas De Quincey com certeza, Sir Richard Burton, T.E.Lawrence e outros).

Posted by: Alexandre S. at November 11, 2006 02:16 AM

hahahahahahahahahahahahahahahaha

Posted by: Marcio at November 11, 2006 02:18 AM

Também quero ler as sagas islandesas, e vou ver se qualquer dia procuro a listagem de títulos da coleção de policiais que ele e o Bioy Casares editaram.

O Fernando Pessoa colocou na minha lista Dickens, W.W. Jacobs, Rousseau, Carlyle e Antero de Quental...

Posted by: Marcio at November 11, 2006 02:26 AM

Há alguma História da Literatura (geral ou de uma língua específica) que você goste? Vi uma menção do Borges à Cambridge da lit. inglesa, mas ele não fala bem nem mal. Quero comprar a da Lit. Ocidental, do Carpeaux...

Posted by: Marcio at November 11, 2006 02:35 AM

Eu tenho uma The New Pelican Guide to English Literature, em vários volumes, que é variável (escrita por vários autores). Carpeaux eu li anos atrás e não lembro de nada. O que eu realmente recomendo é algo mais limitado: Lives of the English Poets, de Samuel Johnson. E Borges tem (junto com Esther Zemborain) uma Introducción a la Literatura Norteamericana, bem curta, que é muito boa. Os outros livros que eu tenho eu não recomendo muito.

Posted by: Alexandre S. at November 11, 2006 03:22 AM

A ficção do Ian McEwan é pobrina, ruina e bobina. É o tédio jogado na cara do leitor.

Posted by: dgr at November 11, 2006 10:35 AM

Lorraine Bracco, porém, já foi gatinha.

Posted by: dgr at November 11, 2006 10:42 AM

Eu consegui convencer uma pessoa a ir para a direita. Só que o cara é louco e virou um libertarianista desastrado. Nada contra, mas não chega a ser um mérito.

Posted by: Evandro Ferreira e Silva at November 14, 2006 01:15 PM

Oh, sim, Alexandre seus bons textos costumam arrastar-me diversas jardas para a direita, - pois todos sabem que meu amor ao povo é puramente platônico - mas é só ler alguns comentários por aqui e o destrismo passa rápido.

Você mostra em um vídeo, por exemplo, como é engraçado um palestino fingindo de morto e um leitor rapidamente pega a deixa e insinua que as fotos recentes de crianças decapitadas por ataques israelenses são todas montagens. É precisamente neste momento que a gente relembra daquele certo estofo que é comum na direita e acaba por abandonar qualquer incipiente flerte com o lado negro da força.

É até possível, Alexandre, que tenha levado alguns incautos em direção do ateísmo e para a esquerda. Não sei. Mas fique com a consciência tranqüila, não é nada comparado ao primoroso trabalho que o Olavão vem fazendo. O Grande-Chacrinha conseguiu uma coisa muito curiosa: unificar todas as tendências de esquerda, dos sociais-democratas aos comunas-das-criptas, em uma saudável e jubilosa quermesse em torno do Pândego. Até recentemente contava-se as clássicas piadas de português e de papagaio, hoje as pessoas só querem saber qual foi "a última do Olavo".

-

O Jorge Nobre tem apenas um único — mas excelente — post na história de seu blog: aquele que ele admitiu que esteve errado o tempo todo e que quem tinha razão mesmo eram as Dixies Chicks.
É uma pena que o post tenha sido deletado. Mas devemos reconhecer que foi de uma surpreendente nobreza da parte dele, de qualquer forma.

abraços generalizados

ps - eu já convenci um leitor a ir para a esquerda. Infelizmente a rua era de mão inglesa, tráfego intenso e nem te conto.

Posted by: Otto Maria Carpulgo at November 15, 2006 03:15 AM

Secretaria Maranhense de Turismo.

Posted by: Jorge Nobre at November 16, 2006 06:57 PM

A CHARLES BUKOVSKY, in memoriam

Se ajeita na cadeira de balanço,
O olhar buscando a saudade e a quimera;
E, sob a plana luz da primavera,
Dá-se um momento de venal descanso.

A mão – discreta – alisa o douto ganço,
O pensamento indo em certa Vera,
Idéia sob os pelos da pantera,
Luzidio e duro, o rosado ervanço.

E nos embalos desse catecismo
Cresce-lhe um repentino fogaréu,
Desce as calças e, num paroxismo,

Saca fora a taça, esfrega o troféu,
E gargalha ao ver, num mar de cinismo,
Um jato de gente subindo ao Céu !

Posted by: Rosário de Prata at November 17, 2006 04:16 AM

Gustavo Corção escreve como poucos.
E olha que nem cristão eu sou, alias não sou nada. Sou ateu, graças a Deus!

O site da Bravo! é provavelmente o pior site que já visitei. Uma pena.

Anyway, bravo Alexandre, bravo!

Posted by: Alex at November 17, 2006 04:53 PM

Alexandre conhece Vivaldo Coaracy?

Tem livros lindos publicados pela Olympo e ha muito fora de catalogo.
Escreveu sempre da Ilha de Paqueta , que foi sua inspiraçao, assunto e lar.
No livro de seleçao de cronicas do Estadao (minha copia tem uma dedicatoria do Francis...) tem um do seus contos.
Recomendo.

Posted by: Alex at November 17, 2006 06:37 PM

Belo soneto, Rosário, muito bem construído. Tem ritmo, sonoridade e rimas belas, originais em todo o caso. Acho que o Bukovsky não merecia versos assim, mas...

Posted by: Andi at November 19, 2006 05:23 AM
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