
Isto foi publicado no Globo em algum ponto de, acho eu, 1975. E esse aqui era o "monstrengo arquitetônico" a que eles se referiam:

Lúcio Costa foi um dos que fizeram campanha para destruir o palácio, que de fato (é claro) foi destruído em 76. Porque em algum ponto do século XX "vocação para arquitetura" passou a significar olhar para o palácio Monroe e ficar com vontade de destruir tudo.
Quanto ao texto do Globo, como é que alguém em plena década de setenta ousa falar em "regras da estética"? Quem escreveu isso provavelmente usava costeletas e tinha um palitinho no canto da boca. Até consigo vê-lo datilografando isso com seus dedos ocres de Chanceller, "o fino que satisfaz". E devia usar uma camisa bem justa na barriga.
Links:
Palácio Monroe: Por que foi demolido?
Palácio Monroe (página bastante completa de Nádia Raupp Meucci).
Fotos do Rio Antigo.
Infelizmente por cá essas coisas também acontecem. Dois linques: um para um blogue com imagens de Lisboa desaparecida: http://sanchesjose-jams.blogspot.com/
E outro com prédios que receberam o Prémio Valmor de Arquitectura: http://ulisses.cm-lisboa.pt/data/002/008/index.php?ml=1&x=inicio.xml
Posted by: Mariana at October 14, 2006 03:38 AMAinda acho que o maior pecado de Lucio Costa foi a criação de Oscar Niemeyer. O Rio de Janeiro é incrível. Aqui, qualquer um faz o que bem entende. É a população mais passiva do Brasil. A única coisa que não será demilida jamais aqui é Cristo Redentor, e só porque pertence à Arquiciocese do Rio de Janeiro. Se fosse de governo, já estaria pintado para o PAN.
Posted by: Lefebvre at October 14, 2006 04:24 AMAlexandre,
A idiotia humana não tem limites. Infelizmente. Ao menos ainda existe o Cine Odeon, com suas cortinas aristocráticas se abrindo antes das sessões.
Um abraço, old friend!
Posted by: Gabriel at October 14, 2006 07:13 AMDe onde trabalho, vejo todos os dias a praça que ficou no lugar do Monroe. Mais um lugar sem vida numa cidade em estado terminal.
Há alguns anos, nosso prefeito maluquinho prometeu reconstruí-lo. Outro factóide.
Posted by: Leonardo at October 14, 2006 08:16 AMBonito é ver a petulância e o jeitinho primeiro da classe já em 1975: "condenado por todas as regras do urbanismo e da estética", sem mencionar uma delas sequer. Claro, Globo locuta, causa finita.
Como foi bonito vê-los fingir que nada aconteceu após o referendo do desarmamento.
Posted by: Pedro Sette Câmara at October 14, 2006 10:15 AMÉ impressionante a voracidade com que nossos arquitetos destruíram áreas inteiras do que outrora foi de fato uma espécie de paraíso, que era o Rio até a década de 60. Por que raios não nos deram um Haussmann em vez de Lucio Costa... Mas o Niemeyer realmente é imbatível. Ele foi capaz de conceber a catedral mais horrorosa do planeta, que segundo Paul Goldberger (da New Yorker) mais parece "as costeletas de um cordeiro assado"...Maravilhoso post.
Posted by: Paulo at October 14, 2006 11:25 AMAinda bem que essas tais "regras do urbanismo e da estética" não foram aplicadas em várias construções no mundo, principalmente na Europa.
Posted by: Claudio at October 14, 2006 11:51 AMnão que eu tenha achado o prédio assim *uma beleza*, mas é impressionante como "as regras da estética" justificam qualquer arbitrariedade de gosto.
Posted by: rodrigo de lemos at October 14, 2006 12:33 PMO Rio já enfrentou absurdos administrativos e políticos que nenhuma outra cidade teve que enfrentar. O resultado não podia ser outro.
gd ab
they ruin it for everybody.
Posted by: mairena at October 14, 2006 04:33 PMBrasileiros nunca terão prédios de duzentos anos porque não suportam os que têm cinqüenta. Cada povo tem a arquitetura que merece.
Posted by: Alessandra at October 14, 2006 11:02 PMConcordo com o Rodrigo de Lemos. O prédio é uma "bosta" (ainda que não tenha sido exatamente assim que ele disse). Mas os motivos para evitar o excremento pode ser mais fedido.
Comoéquiéseunome?
Posted by: Jaime Gama at October 15, 2006 01:43 AMPalácios nunca são "bostas". Achar que palácios são "bostas" porque, oh, é tão dourado e tão opulento e tão burguês e tão enfeitado e tão supérfluo e tão fora-da-realidade-do-homem-trabalhador, é como preferir o MASP à ponte Alexandre III, pior, é como optar por morar em Brasília e não em Paris - o que é, basica e obviamente, estupidez.
Posted by: Trump at October 15, 2006 01:55 AMGrande Geisel! Mas, gente, não podemos ver esse fato isoladamente. O projeto de urbanização ficou bastante incompleto. Faltou demolir todo o resto da cidade do Rio de Janeiro. Aí seria perfeito. Eu talvez deixaria os Arcos da Lapa, que ficariam bonitos coberto de heras. Quanto a o resto, podem botar abaixo toda e qualquer construção carioca. Plantem árvores frutíferas no lugar. Bananas, goiabas e frutas-do-conde. Joguem o entulho no Espírito Santo. Isso sim é urbanismo.
(é também verdade que a grande esperança urbanística do paulistano reside em Kim Jong Il caprichar na pólvora, errar o Japão e acertar uma ogiva nuclear no centro da Praça Roosevelt)
Posted by: Haussmannpulgo at October 15, 2006 05:45 AMBem, eu gosto do palácio Monroe. Bastante, na verdade. Queria passear por aquela calçadinha que se vê ali (naquela época). Vejo essas fotos no Flickr (o link com o nome de "Fotos do Rio Antigo") e é uma cidade na qual eu realmente queria morar. E vendo "Notorious", coisa que fiz essa semana, tenho a mesma sensação. Ingrid Bergman ajuda bastante.
Não tenho a mesma sensação vendo fotos de São Paulo antigas. É mais curiosidade que outra coisa que é satisfeita vendo essas fotos. Já era uma cidade feia.
Mariana, obrigado pelos links. Olhando os escolhidos para o prêmio Valmor - tudo vai bem até que chegamos na década de 60. Já na década de 40 tem umas coisas que eu acho bastante feias. O apogeu da feiura aconteceu nas décadas de 60, 70, 80 e 90; as mais recentes são até melhorzinhas. Methinks.
Posted by: Alexandre S. at October 15, 2006 10:29 AMDesculpe a inguinorança, mas o que vem a ser MSM?
E essa pracinha na Cinelândia, hein? Deve estar uma beleza hoje...
abrazz
RB
Mainstream media, R.B. Usada por blogueiros quando querem se mostrar superiores à MSM. Mas usei de brincadeira, só de brincadeira.
Ah, Alexandre Soares Silva - sempre implacável com a MSM, trinta anos depois. Dizem que toda a redação da revista Cruzeiro mal respira de tanto horror ao meu blog.
Posted by: Alexandre S. at October 15, 2006 12:55 PM"(...)remodelação de toda essa área, de presença tão marcante na história do Rio de Janeiro".
Aí eles vão lá e demolem a HISTÓRIA.
hahahahahah
Posted by: Sutaa at October 15, 2006 05:49 PMConcordo que não era o prédio mais bonito do centro, ainda mais quando se compara com fotos antigas da Av. Rio Branco, que já foi bonita quando era Av. Central.
Mas daí a demolir pra deixar uma praça vazia cercada de grades, só no Rio de Janeiro mesmo.
Posted by: Leonardo at October 15, 2006 06:39 PMRealmente, olhando as fotos do Rio antigo, lendo os relatos, a gente até fica com vontade de parafrasear Talleyrand: quem não viveu antes da transferência da capital para Brasília não conhece a verdadeira alegria de viver.
Posted by: Pedro Sette Câmara at October 15, 2006 08:52 PMBem, você sabe que o Le Corbusier propôs destruir todo o centro de Paris, e construir um montão de prédios de 50 andares no lugar. E tem um croqui de um projeto dele para o Rio, que poderíamos chamar de "a Grande Baixada", em que aparece um minhocão (não um viaduto; um prédio-muralha que serpenteia) de 60 andares, que isola a orla de praticamente todo o resto da cidade. Este cara é o guru do Lúcio Costa, do Niemeyer e de todos os arquitetos que olham para coisa antiga e começam a babar, ferozes, e a imaginar aquele bolotão de demolir fulminando uma parede lateral. Eu diria que "esta" arquitetura moderna - tem que excetuar, acho, um Frank Lloyd Wright, um Alvar Aalto e até algum raro momento de sanidade do próprio Corbusier - nutre-se dos mesmos belos sentimentos de reconstrução do mundo dos genocidas de direita e de esquerda, que tornaram tão excitante o miolo do século XX. Não interessa saber se o Palácio Monroe é desajeitado na comparação com algo de melhor gosto em Praga ou Paris. O que interessa é comparar o Monroe com a favela de prédios horrendos na qual os nossos gênios da arquitetura transformaram as nossas cidades, seríissimas candidatas ao título de as mais feias do mundo
Posted by: F.Arranhaponte at October 15, 2006 11:08 PMO que na Suíça e na França era provavelmente encarado como uma 'boutade' arquitetônica do Le Corbusier, aqui era levado a sério. O projeto do minhocão isolando a orla do Rio provavelmente só não foi para a frente porque o dinheiro acabou na roubalheira de Brasília (rs)
Posted by: F.Arranhaponte at October 15, 2006 11:17 PMMas parece um bolo de noiva, né gente?
Posted by: Pedro at October 16, 2006 12:15 AMQue boa notícia! Uma praça! Ouvi falar que vão destruir o Louvre pra fazer uma lagoa de estabilização...
Posted by: Gustavo at October 16, 2006 12:24 AMBem, pelo menos agora o local abriga a simpática Praça Sméagol.
Posted by: Pellizzari at October 16, 2006 06:22 PMrealmente, mais um episódio d lamentável desapreço pela história dessa famigerada burrice nacional-modernóide. agora, vejo aí embaixo alguns comentários pejorativos sobre brasília. tsc, tsc, tsc... 45 anos e a cariocada ainda não se acostumou em não ser mais capital federal?
Posted by: luizgusmao at October 16, 2006 07:29 PMeu passeava em frente ao monroe, alexandre s. tinha sete, oito anos, mas me lembro dele. puseram no lugar uma praça onde ninguém vai.
triste.
Posted by: alexandre r. at October 16, 2006 10:08 PMÉ um belo bolo de noiva, essa tal Palácio Monroe. É uma espécie de Sacré Coeur a desfilar no sambódromo, com mais umas pluminhas na cabeça e no bumbum. Eu acho uma coisa totalmente Disco Sound! Implodiram? que horror!
Posted by: caramelo at October 17, 2006 11:40 AMMuito bonito o prédio, realmente. Decisões estúpidas, de um presidente tão estúpido quanto o nosso atual.
Agora eu não entendo essa mania de carioca de sempre ter que falar de São Paulo.
São Paulo ERA bonito, assim como o Rio ERA bonito...
Orgulho da cidade, e nostalgia são sempre bons... até certo ponto.
Posted by: mentiaca at October 27, 2006 09:58 AME o prédio da FGV na praia de botafogo?
Aquilo sim é uma obra prima!
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