October 11, 2006

Conforto e Aventura

Existem dois desejos universais, Conforto e Aventura, que são irreconciliáveis enquanto não chegarmos no Paraíso. Hesitei antes de dizer que são universais, porque não sei se todo mundo tem essa espécie de nostalgia da aventura, essa sensação de que você foi Allan Quatermain noutra vida, ou D’Artagnan, ou Sir Denis Nayland Smith. Essa nostalgia é às vezes muito forte mas raramente me faz levantar da poltrona; e se faz, vou só até a janela e fico olhando a paisagem.

O desejo por conforto também pode não ser universal, que sei eu; tanta gente está se preparando agora para velejar até o polo sul ou acampar na Patagônia ou, Deus me proteja, dirigir um jipe na lama. Talvez esses sejam desejos universais mais fortes em uns, menos fortes em outros. Provavelmente o desejo de conforto é mais forte em mim do que o desejo de aventura, como acontece com a maior parte das pessoas, mas mesmo assim os dois são suficientemente fortes para me dividir um pouco e me fazer sofrer um pouco. O problema todo é saber que os dois desejos precisam ser satisfeitos, ao mesmo tempo, mas que pela natureza deles eles não podem ser satisfeitos ao mesmo tempo porque eles são, como eu disse, irreconciliáveis. Ou eu fico nesta poltrona tomando chá, ou eu tenho uma aventura. E que tipo de aventura realmente me agradaria? Será que eu realmente quero, ao sair do quarto para ir à cozinha comer bisnaguinhas, ser atacado por Si-Fans com nunchakus e shurikens? Em teoria sim, em teoria sim – acabo de passar vinte segundos de sonho acordado pensando nisso – mas na prática tenho medo de que eu iria, sei lá, ficar todo unhado e suado também. Quando eu voltasse para o quarto para ler Henry James, a leitura já não seria tão confortável porque os cortezinhos provocados pelas unhas dos Si-Fans – e dentes – iriam começar a arder, me distraindo da conversa entre Ralph Touchett e sua prima. As pancadas que levei com os nunchakus naquilo que P.G.Wodehouse chamava de the old lemon iam começar a doer. E o que eu faria com os corpos?

Quanto mais eu penso no ideal do conforto mais eu sei que ele é um ideal perfeitamente realizável aqui na terra e que eu mesmo já o alcancei várias vezes, mas quanto mais eu penso no ideal da aventura mais eu sei que ele não é realizável aqui na terra e que na prática os sinônimos para aventura são chateação, frio, fome, esforço – intercalados por uma certa euforia, imagino – e que não é um prazer puro. Então tento imaginar alguma espécie de reconciliação entre o conforto e a aventura.

E nesse ponto só consigo pensar em Hercule Poirot e Nero Wolfe. Eles vivem aventuras intelectuais sentados em casas com bons sistemas de aquecimento. Eles são a realização imaginária dos dois desejos universais da espécie humana, pela primeira vez reconciliados, satisfeitos em doses iguais. Não Sherlock Holmes, repare: por contraste as histórias de Sherlock Holmes mostram esses dois ideais como eles acontecem na terra: ora um, ora o outro, e nunca os dois ao mesmo tempo. Holmes uma hora está muito confortável no apartamento de Baker Street, que é descrito em detalhes como um lugar muito confortável, tocando violino ou tomando o café-da-manhã de Mrs.Hudson, e se entediando até, e sendo obrigado a dar tiros na parede para vencer o tédio, ou se drogar; e outra hora está vivendo uma aventura longe de Baker Street, nas ruas de Londres ou (e só essa palavra me provoca a nostalgia da aventura all over again) em charnecas. Ou um, ou o outro: Holmes e nós mesmos nunca temos conforto e aventura ao mesmo tempo. Mas Poirot e Wolfe têm.

Suspeito que a humanidade sempre tentou reconciliar os dois ideais de alguma maneira, mas só Agatha Christie e Rex Stout conseguiram: o que é um grande feito da imaginação. Se esses dois desejos serão realmente reconciliados no Paraíso, os livros de Agatha Christie e Rex Stout nos dão uma idéia de como é a vida das almas abençoadas. Claro, não temos indicação nenhuma de que os dois desejos sejam reconciliados no Paraíso, exceto a minha esperança; mas eu aceito como definição de Paraíso que ele é a reconciliação final de todos os desejos irreconciliáveis.

Posted by Alexandre S. at October 11, 2006 09:05 AM
Comments

Penso que viajar num balão com um confortável sofá durante três ou quatro dias com quantidades razoáveis de suprimentos também una esses desejos. Mas dá tanto trabalho armar um balão que desisto de tentar.

Posted by: Gustavo at October 11, 2006 09:22 AM

"Charnecas" foi duca. Só naquelas -- aquelas mesmo -- traduções de Sherlock Holmes com capinhas pretas cuja editora me esqueço agora. Maravilhoso post.

Posted by: Paulo at October 11, 2006 11:45 AM

Filosofia para a vida

Posted by: Santo Agostinho at October 11, 2006 12:11 PM

Muito bom (sempre aqui, mas é melhor mais silencioso) :¬)

Posted by: Alfredo at October 11, 2006 12:32 PM

Daniel Galera comentou:
http://ranchocarne.org/blog/?p=140

Posted by: rodrigot at October 11, 2006 01:09 PM

Caro, você acredita que em algum momento, ainda que remoto, os desejos foram entre si conciliáveis? Caso não, troque as inúmeras (a exagerada repetição poderia ser evitada) ocorrências de "irreconciliável" por "conciliável". Somente o que deixou de ser conciliável pode vir a ser reconciliável.

Posted by: Jaime Gama at October 11, 2006 01:42 PM

Caro, você acredita que em algum momento, ainda que remoto, os desejos foram entre si conciliáveis? Caso não, troque as inúmeras (a exagerada repetição poderia ser evitada) ocorrências de "irreconciliável" por "conciliável". Somente o que deixou de ser conciliável pode vir a ser reconciliável.

Posted by: Jaime Gama at October 11, 2006 01:43 PM

Tenho pensando sobre esse assunto também. Mas sinceramente acho que conforto e aventura podem se encontrar longe de bibliotecas. Existem momentos de conforto nas maiores aventuras.

Posted by: Eduardo Carvalho at October 11, 2006 01:58 PM

Sim, momentos, como quando o seu pé está tão cheio de bolha que é um alívio passar pomada, ou algo assim. ;>) Tudo bem, Eduardo? Em que parte do mundo você está?

Jaime: "Caro, você acredita que em algum momento, ainda que remoto, os desejos foram entre si conciliáveis?" Sim, antes da Queda; embora o "re" não tenha sido proposital nesse sentido, só um vício; mas agora passa a ser. E eu tenho que confessar que gosto de repetição.

Rodrigot, obrigado. Eu fiz trekking uma vez e me senti alternadamente horrível e eufórico. Suspeito que todo mundo que faz esse tipo de coisa se sente assim. Alfredo e Santo Agostinho, olá. Paulo, capa preta ou marrom? As que eu tenho eram ds Melhoramentos. Gustavo, ia ser muito difícil arranjar esse troço realmente. Talvez um submarino? Abraços.

Posted by: Alexandre at October 11, 2006 02:10 PM

A propósito, em "The Last Battle" as crianças correm a toda no paraíso de Aslan sem cansar. Creio que também nalgum outro lugar o Lewis diz que correr é uma coisa que provavelmente se faria sem parar se não cansasse. (Nem suasse, diria alguém.)

O que nos remete ao Super-Homem. As aventuras de um sujeito que realiza prodígios sem trabalho algum e é invulnerável a praticamente tudo o que causaria desconforto deveriam ser muito confortáveis... mas volta e meia ele faz caretas de um esforço fingido e se lhe desarruma o cabelo etc.

Posted by: Glhrm at October 11, 2006 02:54 PM

Qual "Queda"? A do muro de Berlim? Você acredita no paraíso socialista? ;o)

Quanto à repetição, noto que você concorda com Napoleão (não o Mendes de Almeida, mas o Bonaparte), que a repetição é melhor figura de retórica. O Silvio Santos também, presumo - entusiasta da pedagogia da repetição (muito apropriada ao seu público-alvo).

Posted by: Jaime Gama at October 11, 2006 03:07 PM

"... a realização imaginária dos dois desejos universais da espécie humana, pela primeira vez reconciliados, satisfeitos em doses iguais."
Alexandre Soares Silva


"Não há talvez dias da nossa infância que tenhamos tão intensamente vivido como aqueles que julgámos passar sem tê-los vivido, aqueles que passámos com um livro."
Proust. "Jornées de Lecture". [Trad. Magda Bigotte de Figueiredo]

Alexandre,
Sublinho-o, como sublinho Proust.
O compromisso com os livros, tão cerrado quanto libertador, permite-nos recordar, por convocação da poética do imaginário, o invisível e a ausência do que outrora não fomos, mas que, do carácter aurático da Obra e potencialmente na vida, no 'lugar entre' ficção e realidade, podemos sempre ser ou vir a ser, simultaneamente não esgotando, antes enriquecendo, o decurso mnemónico da nossa existência no mundo. A aura da leitura não emana, por conseguinte, apenas do que em nós tenha sido, ou seja, palpável ou concreto, contudo sim, também, de um universo de pequenas percepções invisíveis que são, na medida do calendário, transtemporais. Só assim se explica que esta, exoticamente, nos permita recordar o que nunca fomos. Como se fosse possível desvendar dos nossos caminhos visíveis o não-lugar de um tempo-nostalgia que, inesperadamente, aventurosamente, se reencontra.
Como se tudo fosse, de resto e em simultâneo, possível.
A Aventura e o Conforto, a Imaginária Ficção e a Realidade, todos os opostos.

"Do Lado de Swan" é possível cheirar as tangerinas na casa do tio Adolphe, terminar a tarde tomando a cup of tea com as cocottes requintadas do tio Adolphe. Partir de coupé até ao conforto da cama.

Quem se aventurará a dizer o contrário?

Oh, mas eu apenas queria dizer isto:
Belos, os seus textos, Alexandre.
Para si, nas primícias do outono, uma braçada de camélias.

Posted by: sandra costa at October 11, 2006 03:50 PM

Errata: Journées em vez de Jornées.

Posted by: sandra costa at October 11, 2006 03:54 PM

Oras, existem outro tipos de aventuras muito, muito confortáveis!! Pergunte a Casanova!!

Posted by: Alessandra at October 11, 2006 04:23 PM

Se alguém achar que não tem a primeira, faça-o ler (sobre) Sir Richard Burton e passa rapidinho. ; )

Posted by: E. at October 11, 2006 06:18 PM

Sou geralmente preguiçoso demais para ir buscar o tal conforto-pomada-na-bolha-do-pé. Mas o acho um tipo de conforto muito bom. Conforto por muito tempo seguido acaba atrapalhando a fruição do conforto, wouldn't you say so?

Posted by: Marcio at October 11, 2006 10:44 PM

Você iria gostar de me ver empoeirado, barbado e feliz à bordo de um 4x4 no parque nacional de Karijini. Não sinto falta de conforto quando estou viajando. Chato só é lavar com água doce o equipamento de mergulho depois.

Posted by: Rafael Lima at October 11, 2006 11:20 PM

Alexandre, "tomando chá na poltrona"?? Hahaha... De pantufas??? E que tal o Inspetor Maigret?? Ele não é um 2x1??

Posted by: vicente azambuja at October 12, 2006 12:38 AM

Que tal ler as Confissões de Santo Agostinho, com uma xicara de chá de alface transbordante, em uma cadeira de balanço? Uma aventura confortável, divertida e instrutiva!

Posted by: vicente at October 12, 2006 12:48 AM

(off-topic) Ei, Alexandre, lembra disso?: http://soaressilva.wunderblogs.com/archives/014249.html

Clica no meu nome agora. E vai desculpando qualquer coisa.

Posted by: tiago a. at October 12, 2006 12:51 AM

Alexandre, sabe como eu me senti?

Eu estava sozinha em casa num momento de carência aguda... para anestesiar o sentimento vergonhoso vim ler um pouco o seu blog, eu gosto do seu humor.

Eu me lembrei de que quando decidi terminar meu último namoro eu não estava escolhendo entre amor ou não amor, entre ele ou não ele. Eu estava diante do inconciliável (ou irreconciliável, de acordo com a preferência teológica do freguês). Eu escolhi trocar um conforto de útero por uma aventura hipotética, mas que simplesmente não podia ser renunciada. Conforto-prisão versus Aventura-liberdade, foi isso que eu pensei naquela época. Já faz um ano e até hoje não sei avaliar honestamente a troca. Acaba que eu sempre perco um pouco, porque tenho boa memória. Bom, é isso o que eu tenho para dar hoje. Se for possível não me mande ainda para o muito científico e relevante mundo do inferno.

Beijo,
Alessandra, mais uma.


PS – é a primeira vez que eu escrevo num blog e ao invés de me sentir protegida pelo anonimato eu me sinto curiosamente pelada e, pior, virgem (daquelas que pensam “por favor, seja gentil”), nossa, que horror, nada confortável.

Posted by: Alessandra T. at October 12, 2006 12:53 AM

Alexandre, sabe como eu me senti?

Eu estava sozinha em casa num momento de carência aguda... para anestesiar o sentimento vergonhoso vim ler um pouco o seu blog, eu gosto do seu humor.

Eu me lembrei de que quando decidi terminar meu último namoro eu não estava escolhendo entre amor ou não amor, entre ele ou não ele. Eu estava diante do inconciliável (ou irreconciliável, de acordo com a preferência teológica do freguês). Eu escolhi trocar um conforto de útero por uma aventura hipotética, mas que simplesmente não podia ser renunciada. Conforto-prisão versus Aventura-liberdade, foi isso que eu pensei naquela época. Já faz um ano e até hoje não sei avaliar honestamente a troca. Acaba que eu sempre perco um pouco, porque tenho boa memória. Bom, é isso o que eu tenho para dar hoje. Se for possível não me mande ainda para o muito científico e relevante mundo do inferno.

Beijo,
Alessandra, mais uma.

PS – é a primeira vez que eu escrevo num blog e ao invés de me sentir protegida pelo anonimato eu me sinto curiosamente pelada e, pior, virgem (daquelas que pensam “por favor, seja gentil”), nossa, que horror, nada confortável.

Posted by: Alessandra T. at October 12, 2006 12:57 AM

Acho q a Sandra Costa abaixo se identificaria com isto:

http://tripaforra.blogspot.com/2005/09/vrgula.html

Posted by: Permafrost at October 12, 2006 12:32 PM

Gostei da ideia do conforto e da a aventura.
Gosto muito das aventuras confortáveis, ou do conforto aventureiro.
Poirot era o meu heroi de criança. Sempre admirei a inteligência e as célulaszinhas cinzentas de Poirot confesso que me seduziram.
Hoje optaria por Maigret e Simenon nem conforto nem aventura mas mais vivo.
È de facto um grande escritor nunca tendo sido considerado como tal... talvez por o policial sempre ter sido considerado um género menor. Simenon como escritor nada tem de menor... tiremos o crime dos seus livros e continuam a ser tudo menos menores.

Gostei muito do texto.

Isabel

Posted by: Isabel at October 12, 2006 02:41 PM

Lol, que post de hobbit.

Posted by: tiago franco at October 12, 2006 03:23 PM

Que post de hobbit.

Posted by: tiago franco at October 12, 2006 03:25 PM

olá, Alexandre vim aqui te conhecer, li seu post e me vi em muitos trechos do seu texto, mas definitivamente hoje prefiro a aventura, a inatividade do conforto me cansa, ou melhor já me cansou e muito. Quero a aventura do caminhar pelo desconhecido, mesmo que a aventura é chateação, frio, fome, esforço se acompanhada de um bem querer tudo é flores. um ótimo final de semana e vou voltar a ler outros textos, são muito bons, bjus

Posted by: Rosa at October 12, 2006 06:58 PM

olá, Alexandre vim aqui te conhecer, li seu post e me vi em muitos trechos do seu texto, mas definitivamente hoje prefiro a aventura, a inatividade do conforto me cansa, ou melhor já me cansou e muito. Quero a aventura do caminhar pelo desconhecido, mesmo que a aventura é chateação, frio, fome, esforço se acompanhada de um bem querer tudo é flores. um ótimo final de semana e vou voltar a ler outros textos, são muito bons, bjus

Posted by: Rosa at October 12, 2006 06:59 PM

Experimente o sofá-cama da filha do vizinho.

Posted by: Paranhos at October 12, 2006 07:19 PM

oi

Posted by: Misto Eleazar at October 12, 2006 07:23 PM

Permafrost,

Abusar do espaço de comentários do Alexandre para lhe 'responder', é como entrar em salão nobre sem ser convidada. Certa de que violo certas regras de protocolo, antecipo já o meu pedido de desculpas ao Alexandre.

Não é a primeira pessoa, não será a última (assim espero) que levanta a questão virgular das minhas narrativas. Tenho uma explicação mais densa sobre o assunto (talvez um dia me dedique, mais pausadamente, ao mesmo) mas prefiro a mais lacónica.
A sandra costa escreve em espiral, mas generosamente, pois possibilita as pausas necessárias para os seus leitores respirarem. Só assim aguentam até ao fim. Não esqueça o que disse Lobo Antunes sobre os leitores: 'São como as putas, lêem-nos e depois jogam-nos fora' (citado de cabeça). No mais, se outra manifestação não salientarem, só assim poderão responder com generosidade à minha generosidade.
Um ritmo, por conseguinte, muito próprio e magnânimo. O suspense, mas averso às pipocas.
O ritmo, Permafrost, o ritmo. Como subir escadas e pausar de par em par sobre o exercício supremo da respiração.
God damn, tenho mesmo de escrever sobre isto.

Obrigada por ter notado. Dei-lhe tempo suficiente para o ter notado. [e sorrio]

Posted by: sandra costa at October 12, 2006 09:13 PM

Mais errata:
1- Abusar do espaço de comentários do Alexandre para lhe 'responder'(,) [esta vírgula salta fora] ...

2- Não é a primeira pessoa, não será a última (assim espero) [aqui leva vírgula]

3 - (talvez um dia me dedique, mais pausadamente, ao mesmo)[aqui também leva vírgula]...

Como vê, a supressão das vírgulas não foi suficiente. Ganham as vírgulas. Ganha a narrativa ultra-virgular.

[vá lá, sorria comigo]

Posted by: sandra costa at October 12, 2006 09:20 PM

Para quem o esforço de escrever pode facilmente se transformar numa verdadeira e fatigante aventura, acabo optando facilmente pelo conforto da leitura de quem escreve confortavelmente bem.
É a primeira vez que escrevo prá vc, Alexandre. Mas sempre apareço para ler não só o seu blog como tb, a medida do tempo disponivel, os dos ótimos comentaristas.

abç
Flavia

Posted by: Flavia at October 12, 2006 09:42 PM

Sandra,
¿Tá vendo? As vírgulas são traiçoeiras. São como uma panacéia q o escritor desatento usa automaticamente. São como alguém falando numa entonação monocórdia. Vosso texto já é um pouco convoluto; poderia beneficiar-se de outras pontuações – além dos parênteses (q vc já usa): travessão, ponto-e-vírgula, dois-pontos, nada.

Alexandre,
O Nero Wolfe certa vez teve q ir à delegacia liberar o Archie Goodwin e – se bem me lembro – chamou essa saída de "adventure". Daí se depreenderia tanto q ele não é chegado numa "aventura", como q repoltronear-se no escritório não é bem o q ele mesmo chamaria por esse nome. :-)

Posted by: Permafrost at October 13, 2006 12:26 PM

Permafrost: [dois pontinhos como tanto gosta]

Porventura não é daqueles 'críticos literários' que se apoiam incondicionalmente na cauda do Q minúsculo, pois não?

Julgo que o que deveria ter feito no início (tentar comentar o texto do Alexandre) já o fez. Entrar em paralelos com outros leitores do Alexandre é, no mínimo, despiciendo.
Muito me espanta que eu tenha dado mais esta moeda para o peditório. Que vergonha, Deus.
Vá, cuide melhor da acentuação das suas palavras e não se azucrine tanto. O sol também brilha para si.
[e sorria, caramba, homem! Olhe, em Portugal são 5m para as 5h. Chamemos-lhe Fim-de-Semana-que-eu bem-preciso!]

Posted by: sandra costa at October 13, 2006 12:57 PM

5h pm.

Posted by: sandra costa at October 13, 2006 12:59 PM

Sim, sim, paz. Estou saindo de casa correndo agora mas mais de noite respondo as mensagens. Sejam gentis uns com os outros, digo-lhes com pompa e pressa. Criticar o uso de vírgula dos outros durante uma conversa não é mais ou menos como apontar o sapato dos outros durante uma conversa e dizer que acha feio? Eu sei que as regras do que é polido ou não durante uma conversa vão caindo uma a uma na internet, mas acho pena.

Mas Wolfe - sim, ele não queria aventuras. Queria cuidar das orquídeas dele, e ler e comer bem e não se mexer muito. Homem muito sensato.

Mas tenho que ir. Abraços!

Posted by: Alexandre S. at October 13, 2006 01:08 PM

Charneca. Melhoramentos.

Aquelas edições com a sombra do nariz adunco de Mr. Holmes na capa.

Comi muito.

Posted by: Merc at October 13, 2006 01:16 PM

Não se amofine, não, Sandra. Venho "sorrindo com vc" desde o começo. Não era crítica nenhuma. Na internet, presumir nos outros agressividade e crítica é algo difícil de evitar; mas evite.

Não aconselho; mas se vc olhar meu blog, verá q, no q tange a língua, faço exatamente o oposto de reparar (como diz vc) na cauda do Q minúsculo.

Posted by: Permafrost at October 13, 2006 09:32 PM

Assim na Terra como no Céu.

Aquele tarado tcheco chamava esses dois desejos de Pulsões de Vida e de Morte. A preguiça, o sono e o sossego contra o sangue, o sêmen e o emprego. De um lado, o absinto de Baudelaire; de outro, as sapatilhas de Fred Astaire.

Mas eu creio que o livro já contém a reconciliação. O livro é mil vidas. Mil reencarnações encadernadas em uma só vida. Ser um Sir Richard Burton de poltrona já é uma síntese quase perfeita do Conforto e Aventura. É um encontro possível, inclusive, na Terra. Até, é claro, o momento em que a Morte nos faça a reconciliação final de todos os desejos.

Posted by: Sigmundspulgo at October 15, 2006 05:59 AM

Eita, que este blog agora é freqüentado por um pessoal cheio de coisas, tudo gente da mais alta categoria. Sinto-me constrangido. Perdoem, por favor, a presença deste pardo.

Posted by: Marco Aurélio at October 16, 2006 12:20 AM

so much has already been said
who cares what i think?
thanks for the once again delightful laughter opportunity.

i also posted a link to your post on my blog, let me know if that bothers you and i shall withdraw it promptly.

cheers.
ni

Posted by: nicole at October 31, 2006 09:10 PM

AUTHOR: Vilyamhc
EMAIL: Vilyammv@DarkSites.com
IP: 125.244.152.66
URL:
DATE: 08/26/2007 04:18:43 AM

Posted by: Vilyamhc at August 26, 2007 04:18 AM

If you want do delete your site from our spam bases - just email us with domain of your site:

abuse-here@inbox.ru

thank you!

Posted by: Alexkbv at October 3, 2007 08:41 AM
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