August 28, 2006

O Despertar do Kundalini

Para a Ieda, que fez aniversário no sábado


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Escrevo desde os sete anos e tal, mas nunca fiz questão de contar vantagem disso porque o que eu escrevia era, well, utter trash. Eu não fui propriamente precoce. Na verdade quando penso nas histórias que escrevia é quase como se eu fosse retardado - e só não fico mais deprimido porque penso nas histórias que os meus amigos escreviam e vejo que, por comparação, eu era o Tchecov da Escolinha Mágico de Oz.

Havia uma história minha, por exemplo, em que um menino saía de casa para visitar a avó, ficava vinte anos procurando por ela e depois descobria que ela estava na sala de visita conversando com a mãe dele o tempo todo. E uma outra em que a mãe descobria que o filho havia mentido porque ele disse "vou fazer estrume", e (assim raciocinava ela, e eu também) "estrume é coisa de bicho, logo ele mentiu". E uma outra em que um detetive brasileiro vivendo em Londres tentava encontrar um assassino que matava as vítimas em busca de algo chamado "suco cerebral". O assassino queria retirar o "suco cerebral" das vítimas e injetar na cabeça da mulher dele, que era burra ou maluca ou algo assim (já não lembro qual dos dois).

O estilo era empolado, do tipo que impressionava professoras de português e os meus amigos mais retardadinhos; estava tirando os cadernos de cima do armário hoje de tarde e encontrei uma história com a frase "não tivesse ele feito a peregrinação que lhe fora recomendada..." no meio duma história de pirata.

E encontrei também uma história em quadrinhos que eu fiz quando tinha nove anos, sobre um superherói chamado O Estrela (geralmente vinha um ponto de exclamação depois do nome dele, que era escrito num balão dramaticamente pontudo como se o balão tivesse explodido de tão excitado por conter o nome do herói).

Todo o problema do Estrela, além do nome que era extremamente lame (ou, como todo mundo dizia na época, "baiano", "baiola" e, se não me engano, "requenguela") era a origem dele, que eu contei nesta página:

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Ele está andando de moto quando é cortado por um fusca e cai num desses negócios que ficam na beira da estrada, que eu fui perguntar pros meus pais como chamava ("olho de gato"). E o olho de gato, bem, "ativa o kundalini dele" - o que quer que isso seja.

Bom, eu não sabia exatamente o que era kundalini mas tinham me dito que ele ficava na "base da espinha", e caso você não tenha visto direito como eu desenhei a cena aqui está uma ampliação:

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Note a cara de dor. "Kundalini". Ah, ok.

Bom, eu não tenho certeza se o Estrela é o único superherói que ganhou seus superpoderes ao ser empalado num acidente de moto porque faz tempo que não leio revistas de superheróis e, do jeito que as coisas vão, a esta altura deve haver um monte. Mas na verdade eu é que desenhei mal. Quando mostrei a história pro me irmão ele riu muito, e eu tive que repetir indignado que "não é na bunda. É na base da coluna".

Em outra história fiz o Estrela se lembrar do episódio da sua origem e me esforcei pra desenhar a cena direito, antes que um boato grotesco estragasse a carreira dele:

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("E me senti bem estranho." I'd say you did.)

Mas vamos voltar à origem do Estrela. Ele fica um quadrinho inteiro suando com cara de muita dor enquanto eu repito a palavra "Kundalini" várias vezes num clima psicodélico. Depois ele levanta do olho de gato e descobre que ficou fortudo, da seguinte maneira: ele vê o fusca capotado e diz que vai tentar desvirar o carro, o motorista acidentado diz "Mas é impossível!!!!" e o Estrela, sempre otimista, responde que "não custa tentar". Daí ele vira o fusca com facilidade, e fica tão surpreso que traços saem da sua cabeça em todas as direções enquanto ele olha para as próprias mãos com a boca aberta.

Em seguida ele testa a força dele com rochas:

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(Ao ver isso eu não sei como o outro sujeito não tentou bater com o kundalini no olho de gato também. É o que todo mundo faria. Mas provavelmente ficou com vergonha.)

Do nada, aparece um monstro que ataca o Estrela. Eu gosto da página seguinte, embora ache que ela tem um problema qualquer de perspectiva - ou o monstro está andando pra trás, ou eu não sei o que está acontecendo:


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Na página seguinte aparece o Mestre Misterioso responsável pelo despertar do Kundalini do Estrela - mas o que eu gosto mesmo nessa página é da imagem dramática do monstro morto no chão, com a sombra do Estrela do lado:


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Hein? Hein? Vou ampliar a imagem para que vocês vejam o drama:

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Com o detalhe do pezinho do monstro saindo pra fora do quadrinho.

A história nunca continuava. Ela termina com um "Continua na página 33!". Depois eu desenhei uma propaganda falsa de revista (um superherói chamado "Quasar"), palavras cruzadas com dicas do tipo "A?é ?u, Bru?us" (você tinha que escrever "T") etc.

E havia uma segunda história em que o Estrela aparece lutando contra Hitler e seus soldados (na verdade eu preferia a palavra "asseclas"). Por falar em dramaticidade, repare na morte de um amigo do Estrela nas mãos de um assecla encapuzado:


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E o dramático chiaroscuro do quadrinho do canto inferior esquerdo:

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O criminoso negro com a faca está dizendo "Tá frito, xará!" - o que prova que eu já dominava a linguagem do Realismo Urbano quando tinha 9 anos.

Mais um detalhe de grande dramaticidade: o Estrela confrontando o Mestre Misterioso.

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Não particularmente bem-desenhado, ok, mas a fala tem a naturalidade de mais ou menos metade dos diálogos de "Batman Begins" - e vocês levam aquilo a sério. E note o suor de tensão que aparentemente brota de um momento para o outro.

Ok, só mais uma imagem e devolvo o caderno pra prateleira de cima. Nessa cena, um membro da organização criminosa T (com um T bem grande nas costas e um chapéu de palha, pra ficar com um ar bem malvadão) vai cobrar a dívida de um velhinho:

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Não sei se vocês conseguem ver todos os detalhes. É importante. Um delegado de polícia careca (todo delegado de polícia é careca) está confessando que faz parte da Organização T. "Atuamos no mundo inteiro fazendo "proteção forçada" (entre aspas) e, no fim do mês, cobramos taxas elevadas. Como vê, usamos meios eficazes para cobrar..."

(Eu não sei porque ele diz "como vê", já que o que se segue é uma ilustração dos métodos da Organização T que o Estrela não tem como enxergar, sendo um flashback or something, mas adiante.)

"...tais como estes:"

Quadrinho 1
Bandido: Pague, velhote!
Velhinho: Aaaahh! Netinha! Fuja!
Netinha: Vovô!

Quadrinho 2
Velhinho: Aaaahhh!
Bandido: Não quer pagar? Tome! &%"#%#!
Netinha: Vovô!

Quadrinho 3
Bandido: CALA BÔCA MENINA!
Netinha: Aaaii!

Repare no uso do silêncio na última imagem. O ângulo. A bonequinha sorrindo. É chato ser eu mesmo a afirmar, mas nunca, nunca, desde "Roma, città aperta", um artista mostrou com tanto faux pathos o sofrimento duma criancinha.

Posted by Alexandre S. at August 28, 2006 08:04 PM
Comments

HEHEHEHEHEHEHE! Stan Lee se morderia de inveja, Alexandre!!!

PS: Recebeu o e-mail?

Abraço!

Posted by: Gabriel at August 28, 2006 11:08 PM

"O Estrela" é um senhor nome de super-herói, devo dizer. E o Mestre Misterioso, rapaz, que figuraça ^^

Posted by: Elton at August 28, 2006 11:17 PM

Parabéns, Ieda. Como foi de aniversário?

A história ficou boa, Alexandre, mas aquele quadrinho do despertar do Kundalini (o primeiro deles)... a correção não me convenceu, heim?

Posted by: Gustavo at August 28, 2006 11:40 PM

meu, como eu dei risada com teu post, animal... hahaha indeed.

Posted by: Felipe at August 29, 2006 12:30 AM

Hoje eu tive que sair do meu silêncio, precisei comentar esse post. Mas não tenho outra palavra para descrever como foi ver esses seus desenhos a não ser definir como emocionante, até porque os meus se perderam nas idas e mudanças de apartamento.

E quando eu for reler A Coisa Não-Deus pela 5ª vez, vou tentar imaginar como seria você aos nove anos desenhando a história.

Abraços ;)

Posted by: Diego P. at August 29, 2006 12:40 AM

de chorar [de rir].

interessante é que aos 9 anos você já identificara e lançava mão de uma tendência de literatura-denúncia tão popular hoje em dia, com a história do delegado careca e da Organização T, que cobrava "proteção forçada" e coisa e tal.

também guardo historinhas que fiz quando criança; trabalho muito superior ao que realizo hoje, pois eram todas ilustradas. uma delas tinha uma boca como personagem. apenas uma boca, completamente solta, sem corpo nem rosto. hmm.

Posted by: cecilia at August 29, 2006 12:47 AM

Thanks, sweetie. Um dos melhores ;-)

Aprendi a escrever arigato em hiragana, provavelmente, meio errado. Depois escrevo na minha testa e vamos em algum restaurante francês comer chandelle enquanto aponto para a minha cabeça toda vez que formos servidos.

Ouvi dizer que chupar limão faz mal pra kundalini, poderia ser a kriptonita do Estrela, deixa muito fraquinho.

^_^

Posted by: Ieda at August 29, 2006 01:00 AM

O estrela usa bigodinhos. Bigodinhos!

(Queria desenhar um rosto com bigodinhos aqui. Não deu certo. Coloquei ^-^ mas não ficou exatamente como eu queria. Tive a idéia de colocar um H mas também não pareceu um bigode. Neste momento penso: "Por quê, Diabos, um H?" hum).

Posted by: Kev at August 29, 2006 02:30 AM

Já ia me esquecendo:

http://en.wikipedia.org/wiki/Kundalini

Um abraço!

Posted by: Gabriel at August 29, 2006 09:56 AM

Hullo, Guv'nor. Ei, cheers, Ieda! (Não vai abrir comments no seu blog, não?)

Posted by: mauro at August 29, 2006 09:58 AM

Vende isso como um roteiro em forma de storyboard para algum produtor em Hollywood. Aposto que algum compra. Mas sério vai, para nove anos está bem bacaninha. Eu com nove anos escrevia poeminhas melados com rimas horrorosas, então isso me parece bastante sofisticado.

Posted by: Alessandra at August 29, 2006 10:45 AM

Aquilo no estrela é um buço? Me sentiria humilhado se fosse salvo com um herói com buço.

Posted by: Sheldon at August 29, 2006 11:33 AM

Alexandre, voce era realmente um prodigio. Escreveu os melhores textos de sua vida antes dos 10 anos! :-)

Posted by: Helcio at August 29, 2006 11:55 AM

Eu queria te mandar um email sobre um texto que eu li, mas não achei link para mail. Vou mandar a msg por aqui mesmo: Li o artigo 'Um novo caminho na Literatura policial brasileira' (http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1999) de Luis E. Matta. Senhora Greey? Situada em Florentis, fictícia localidade no sul do Brasil? Detetive Sleiyver? Só pelos nomes já se vê que não pode ser bom. Revelam a ignorância de uma premissa básica da literatura policial, a verossimilhança. Numa literatura de fantasia, como em ‘O Senhor dos Anéis’, você pode ter nomes como Gandalf, Frodo ou um lugar chamado Mordor. Não se aspira a um fac-símile de realidade. Num romance policial, mesmo sabendo que tudo é uma construção, tem que parecer realista. O mesmo vale para Garcia-Roza e seu detetive que fala mais empolado que um parnasiano de província. Detetives são, em geral, gentalha. By the way, a capa de ‘Senhora Greey’ também é de gosto duvidoso.
Curioso é que entrando na página da autora Elaine Paiva (http://sleiyver.civiblog.org/blog/_archives/2005/10/8/1288548.html) haja uma resenha positiva do livro ‘120 horas’, que é escrito pelo autor deste artigo. Toma lá, dá cá.

Posted by: Renata Paraguaçu at August 29, 2006 12:52 PM

Oi, Alexandre!

Nao é por nada nao mas estou custando um pouco a acreditar que vc desenhou essas historias quando tinha 9 anos. Só acredito se vc disser que lia toneladas de comics quando era crianca, porque os desenhos tem, por assim dizer, Geschmack.

A cena do treino com as pedras grandes, a padra explodindo, está muito legal, a sequencia antes de matar o monstro, quatro quadrinhos com o Estrela terminando de cair, a cena do monstro morto com a sombra do Estrela também está fora de série, é um tipo de cena que nenhum menino de 9 anos pensa assim do nada, tem valor o negócio.

Espero nunca conhecer nenhum membro da Organizacao T, esses caras sao crueis demais.

Abracos,
D.

Posted by: Dietrich at August 29, 2006 12:52 PM

Bigodinho ralo O Estrela já tem.

Se o cabelo crescer um pouco vai ficar idêntico ao Capitão Presença.

Posted by: Diego at August 29, 2006 01:08 PM

Faleci mil vezes. Obrigado.

Posted by: Mojo at August 29, 2006 01:45 PM

E que foto mais fofa !

Posted by: Camila at August 29, 2006 01:57 PM

tem um conto do saki que lembra um pouco essa história do menino procurando a avó. "louise", se não me engano.

Posted by: rodrigo de lemos at August 29, 2006 02:28 PM

Acho que você conseguiu Alexandre, aos sete anos!, deve ser o recorde mundial, aliar a profundiade do Shakespeare à fluência do Ian Fleming, como tanto queria o Anthony Burgess (que, segundo o Daniel Piza, não conseguiu, diferentemente de você - embora a prova que ele consegiu esteja no livro Tremor of Intent, mesmo que seja mais Fleming que Shakespeare) - e com um toque de Marguerite Duras (ou você vai me dizer que kundalini não é pura Yourcenar??).

E o drama do neto procurando a vó que tá na sala é puro Beckett! Te cuida que daqui a pouco o Zé Celso Martines ou o Gerald Thomas descobrem seus fureores existencialistas-do-absurdo e montam uma peça! Até nome concretista já tem: kundalini.

Em tempo: Alexandre, temos que chamar um psicanalista de plantão, e há sempre um com uma explicação de fundo de embalagem de bolo Royal para tudo, pra analisar seus dramas com avôs e avós. Já que talvez demora um pouco até aparecer um, aqui vou eu (espero que o Sindicato dos Psicanalistas não me processe!): em relação ao conto do neto que não acha a avó, aposto que sua avó brincava de esconde-esconde com você, mas, como ela tinha Alzheimer, esquecia de procurar você, o que gerou uma carência afetiva e sentimento de culpa (não entendido porque naquela época você ainda não compreendia o Alzheimer), daí o surrealismo da vó estar na sala, mas nunca ser encontrada. Sobre a parte em que o avô se sacrifica pela netinha no assalto, hmmm, deixa eu ver, quem sabe Complexo de Dona Benta ou Tio João (é um complexo dos tempos modernos, assexuado), explicado pela percepção deslumbarada dos poderes da terceira idade gerado por medo em relação a alguma ameaça???

Meu Deus, viu só no que que dá publicar histórinha em quadrinho de 7 anos de idade?!?!

Posted by: Vicente Azambuja at August 29, 2006 02:48 PM

HAHAHAHA!!! (sim, com três exclamações)
O pior é o bigode!! (só com duas) Acho que nunca vi super-herói de bigode. Por que será? Acho que deve prejudicar na hora da identidade secreta. Já imaginaram o Olívio Dutra mascarado? Todo mundo ia descobrir, na hora, quem era! (só com uma)

Posted by: Walter at August 29, 2006 05:03 PM

Tá explicado...Umberto Eco, notório admirador de comics, além de engendrar as mais pavorosas inside jokes sobre Borges se utilizou de toda a mitologia Alexandrina do despertar de Kundalini para escrever o Pêndulo de Foucault...awful, awful, pray you will excuse him though,if it were not for his semiotics treatises things would be so much easier.

Posted by: eduardo at August 29, 2006 05:16 PM

bem geniozinho a parada. Nem ferrando vc tinha só 9 anos. devia ter 11. No mínimo!

Posted by: Lucas at August 29, 2006 05:48 PM

"Acho que nunca vi super-herói de bigode".

Stephen Strange, o Dr. Estranho. Tony Stark, o Homem de Ferro.

Posted by: Mojo at August 29, 2006 07:08 PM

A vida deve ser muito mais divertida se ao chegar aos, say, 45, você ler coisas que escreveu com 25 e achar tão absurdamente hilárias, ingênuas (e foretelling, mind you), quanto ler redações de primário depois dos vinte.
Eu tenho uma em um caderninho encapado com papel de presente de florzinhas vermelhas, devidamente recortado na altura das linhas onde era para escrever o nome e a série (acho que era 3a, 9 anos portanto). Tem uma redação lá que fala algo sobre ficar brava com o pai e sobre o pai morrer, mas se morresse eu ia ficar triste e então melhor não querer isso, e por aí ia a coisa. Ainda bem que nunca freqüentei shrinks.
Aliás, vc já leu o texto do Olavo sobre o Silêncio dos Inocentes? Ri muito na sua historinha qdo aparece o Mestre, hehehehe.

Posted by: Julia at August 29, 2006 07:33 PM

Super-herói de bigodinho eu me lembro, de bate-pronto, do Dr. Estranho, do Homem-de-Ferro e do Arqueiro Verde, mas o Homem-de-Ferro cobre todo o rosto. O Arqueiro Verde e o Homem-de-Ferro são milionários, assim como o Zorro, que não é super-herói mas serve para demonstrar que herói mascarado de bigodinho normalmente é rico.

Vi no Dave's Long Box que o Homem-de-Ferro é alcoólatra; e parece que o Arqueiro Verde é esquerdista e perdeu a fortuna. Já o Estrela toma no kundalini.

Posted by: Glhrm at August 29, 2006 07:38 PM

Hm, o Mojo chegou uns minutos na minha frente.

Pelo menos lembrei do Arqueiro Verde.

Posted by: Glhrm at August 29, 2006 07:40 PM

Super-herói brasileiro requer bigodinho porque, caso o personagem um dia chegue ao cinema, vai ser interpretado por Wilson Grey (inda que póstumo).

E herói sem bigodinho tampouco poderia cofiar o, er, mesmo, atividade essencial aos combatentes do crime -em Pindorama e alhures.

Posted by: McNasty at August 29, 2006 08:02 PM

Genial. melhor que Emir Ribeiro.

Posted by: lionel at August 29, 2006 11:25 PM

Adorei o Estrela, vc teria uma imagem maior dele em que desse pra ver o uniforme do personagem mais perfeitamente? Tenho vontade de divulgar seu personagem no meu fotologue de super-heróis brasileiros(está no atalho) brasileiros, e quem sabe vc não se anime para traze-lo de volta a ativa.
Abraços,

Rod

Posted by: Rod Gonzalez at August 30, 2006 12:37 AM

Amigo,ao visitar-te lembrei do meu filho Lucas, hoje com 27 anos. Ele escrevia desde muito pequeno e montava também as próprias revistas e depois as vendia.
Muito bom. Parabéns por ter prosseguido. O Lucas é desenhista gráfico e analista de marketing.
É gratificante poder voltar ao tempo com coisas boas.
Abraços

Posted by: marlenemaravilha at August 30, 2006 03:19 AM

Muito bom.
Voce também era uma crianca fascista, Alexandre (http://combustoes.blogspot.com/)?

Posted by: rolando© at August 30, 2006 09:04 AM


Tudo isso aos 9 anos de idade?! Posso ser o seu "colega-retardadinho-impressionado" ?

Posted by: Lambonbroadway at August 30, 2006 11:02 AM

bom dia,
é a primeira vez que venho por aqui, achei bem interessante e, sinceramente, voce diz isto pq nao chegou, e creio que ninguem chegará, a ver os meus "quadrinhos infantis", digamos assim, tenho muitos quadrinhos infantis ainda hoje,mas teve uma época que era repleta deles, eu tinha um "capitao perebinha" que refletia a imagem da população do lugar onde eu morava, o desenho em si não era tão ruim, mas os poderes dele ... bom, só faltava almoçar no "um real" da rosinha garotinha, mas não existia tal afronta ao povo naquela epoca.

rapaz, grande abraço
znayra

Posted by: znayra at August 30, 2006 11:41 AM

Herói de BIGODINHO é desrespeito. Deixa a Liga da Justiça saber disso...

Posted by: marcos rs at August 30, 2006 03:49 PM

"Kundalini. Her name aptly conveys the mysticism that has eluded most of Mankind for centuries. Yet, she is described as a sleeping serpent coiled three and a half times at the base of your spine. In fact, her name comes from the Sanskrit kundala which means coiled. A storehouse of creative energy awaiting the command to spring into action, Kundalini is the active property, unconscious in most, which functions under the direction of Universal Law, DNA, and the subconscious mind. In Eastern legends she is a Goddess, and to know her is to possess the wisdom of a creator. At a seminar on Kundalini, C. G. Jung told his colleagues the awakening of this force had rarely, if ever, been witnessed in the West."

(Click on my name, bitte).

Posted by: Jung at August 30, 2006 04:13 PM

E nessa conversa de bigode esqueci de dizer as duas coisas que pretendia:

Que o Auden, na introdução à sua antologia de poesia do Walter De La Mare, afirma que uma criança usar palavras difíceis é sinal de ter gosto por linguagem - ou coisa assim; e que extrair suco cerebral de alguém para injetar noutros é metade da trama de X-Men 2 - não sei se também de alguma história deles nos quadrinhos.

Posted by: Glhrm at August 30, 2006 05:11 PM

não precisa guardar o caderno... que tal mostrar tudo no flickr ou nesse carbonmade?

Posted by: Luy at August 31, 2006 02:08 AM

:D Adorei o drama da netinha, digno da Lilian Gish. A bd de super-herói que eu fiz na minha infância era com o meu cão e eram as aventuras da sua identidade secreta, o Super-Tobias contra os seus arqui-inimigos casca de batata, a trela, etc. Mas esse já tinha nascido super-herói, não havia cá Kundalini para ninguém.

Posted by: Mariana at August 31, 2006 04:00 AM

A febre do Estrela já pegou entre as crianças:

http://www.gustavoguimaraes.com.br/fotos/fotos/festajunina2005_01.jpg

http://meuanjinho.weblogger.terra.com.br/img/caipira2.jpg

Posted by: Bruno at August 31, 2006 08:31 AM

Belo ensaio na BRAVO! de Setembro !

Posted by: Freddy at August 31, 2006 05:18 PM

Cara, o bigodón do Estrela é algo de sensacional. Ele parece um pouco o Poncherello do Chips, mas de bigode. Muito melhor que o Eric Estrada.

Mas, com o perdão da observação, que avô chama a neta de "netinha"? Meu avô me chamava de "Patricia", "Ana Paula", "Fernanda" e os nomes de todas as outras primas antes do meu, mas nunca de "netinha".

(E chamava meu primos rapazotes de "fiodumburro", "fidumaégua" ou "lazarento". Mas isso nem vem ao caso agora).

Posted by: Clara at August 31, 2006 11:12 PM

Você é um cara perturbado, Alexandre... desde menino.

Posted by: Tato at September 1, 2006 03:10 PM

Até consigo visualizar o lendário Dennis Weaver no papel de 'Estrela" numa eventual adaptação cinematográfica.

Este negócio do suco cerebral me lembrou aquele filminho infantil do Jim Henson "O Cristal Encantado"( http://www.imdb.com/title/tt0083791/)
Os vilões eram uns abutres decrépitos e porcalhões que raptavam os bonequinhos bonitinhos para tirar deles o "suco da juventude".

Posted by: Brunilda at September 1, 2006 04:46 PM

Meu caro fascista direitista intelectualóide,

eu sei que me referir a você assim é algo meio bobinho e demodé. Mas foi a maneira mais rápida e simples que eu achei de chamar sua atenção.

Se você quiser ler uma crítica anti-bush inteligente, acesse meu blog. Tente ler sem preconceitos.

Posted by: G. Gabriel at September 3, 2006 06:37 PM

Alexandre, seus textos são interessantes. Vc é um escritor. Meus cumprimentos. Foi a primeira vez que vim aqui. Gostei. Vc tem criatividade e escreve de forma correta. Meus cumprimentos.

Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net

Posted by: Aluizio Amorim at September 4, 2006 02:27 AM

Eu também sou um cara perturbado desde menino. Os meus vizinhos me perturbam. Pena que não me tornei um bom escritor.

Posted by: Fábio Henrique at September 4, 2006 09:59 AM

Alexandre, seus textos são excelentes. Foi a primeira vez que vim aqui e gostei imenso. Cumprimentos e parabéns !!!

Se estiver interessado em troca de links, partilhe comigo via email.

AC

Posted by: AC investor Blog at September 4, 2006 07:22 PM

tsk,tsk.tsk

Posted by: Elke at September 4, 2006 09:32 PM

Não me recordo de muitas coisas da minha infância, muito menos das coisas que escrevi, com exceção de uma redação na 3ª série, onde eu descrevia as vergonhas que minha mãe me fez passar (e só me lembro disso, porque minha mãe nunca me deixa esquecer).

Mas eu me lembro de uma história que fiz, quando tinha 14 ou 15 anos, sobre um grupo de super-heróis (composto pelos meus amigos, minha namorada e eu) que resgatavam uma garota em apuros (que era a minha namorada)... e no final, o meu personagem recusava uma noite de sexo, dizendo que não estava pronto.

O que eu não fazia para impressionar uma garota...

Posted by: Vinicius Costa at September 6, 2006 12:13 PM

O Jack Kirby ia gostar dessa história. Como eu gostei. Ela é tão boa quanto essas hqs que a gente ainda (e raramente) lê. A cena do "tacle", aquele golpe que se dá com os pés juntos no peito do outro, me deu uma pista (que pode ser falsa): tinha um cara, vilão, chamado Bartok (ou algo assim) que enfrentava o Cap. América e que era mestre em savate. O desenho do Kirby, como sempre, era chocante. A influência dele nos quadrinhos, na arte dos quadrinhos, ainda não foi devidamente avaliada. Ele é um dos quatro ou cinco caras que fizeram escola mesmo, ou seja, inventou um modo de desenhar que todo mundo tenta imitar. Deixa eu ver.. Moebius, Milton Caniff, Crumb, Kirby.. quem mais? Bom, a lista pode crescer, mas o Kirby tá aí, nessa hq do Estrela. O legal é que um menino tenha percebido tanto que o Kirby era um artista e, nesse caso, esse menino também devia ser da mesma ´larva´. Outra coisa que eu lembrei é que existiu, nos começos da TV brasileira, um Capitão Estrela; já meio passado da idade, grandão, meio gorducho, meio ridículo na sua roupa de pano vagabundo, mas herói, herói...

Posted by: Guga Schultze at September 7, 2006 05:05 PM

alexandre, você tomou muito nescau na infância, desde beeem pequenininho :D

manda um beijo enorme pra ieda, de aniversário. e um procê também, que fazia tempo que não vinha aqui e foi ótimo, como sempre ;)

Posted by: zel at September 11, 2006 08:07 PM

Adorei sua hq, parabéns!

O que esse Murilo disse é uma grande bobagem, e eu acho que sei bem quem ele é, provavelmente o mesmo que vive no meu fotologue e no dos amigos da CQB (Central de Quadrinhos do Brasil). É do tipo invejoso que critica tudo aquilo que sente inveja. Da turma do Bk.

Sou um grande fã e admirador do trabalho de Rod Gonzalez, que comentou aqui. Apesar dele ser mais conhecido como o criador da CQB e por seu fotologue de divulgação de super-heróis nacionais de outros autores, ele possui seus próprios personagens, e o trabalho dele é baseado em super-heróis que ele criou na infância. Mais ou menos igual a você, um dia ele se reencontrou com os quadrinhos que fazia na infância e adolescência, e trouxe todos de volta a vida com novas hqs e reformulações em suas origens, e assim muitos nos tornamos fãs de suas criações, como a famosa Thutharella!

Outro membro da CQB, Bruno Sauerbronn também desenvolve um trabalho semelhante e reformulou o Homem Escudo que ele tinha criado na infância fazendo novas hqs dele. Veja o trabalho desse amigo da CQB no fotologue O QG dos Super-Heróis Brasileiros:
http://fotolog.terra.com.br/sauerbronn

Posted by: Paulo Kessa Ramires at September 25, 2006 03:03 AM

O Estrela é ótimo, sua origem muito bem amarrada, o vilão, apesar de lembrar muito o insuportável Vulto Misterioso, também é muito bom, o bigodinho impagável, enfim, muitos bons elementos para o personagem ganhar força.

Não acho que a história do Estrela acabou nesse caderno, e se der publique essa história na íntegra abrindo um fotologue no terra, tenho certeza que a comunidade de quadrinhistas que se reúne por lá vai se interessar muito em conhecer o Estrela!

Não deixe de visitar meu fotologue, conto com a sua visita:
HQ BRASILEIRA LTDA
http://fotolog.terra.com.br/paulokessa


Abraços.
Paulo Kessa Ramires

Posted by: Paulo Kessa Ramires at September 25, 2006 03:03 AM

Paulo, obrigado. Vou dar uma olhada já. Quanto à mensagem do Murilo, tive que apagar porque era um pouquinho creepy demais.

Posted by: Alexandre S. at September 25, 2006 03:12 AM

Eu fiquei rindo feito boba com sua história. Lágrimas estão saindo do meu olho até agora. Eu escrevia roteiros para histórias em quadrinhos aos nove anos, e meu irmão ilustrava. Ficavam muito parecidas com a sua, mas não usávamos folhas pautadas. Você tem um estilo tenso no traço.

O lance do Kundalini... Insuperável.
Eu sei que este post é antigo,provavelmente você nem vai ler este comentário em meio aos outros 55, mas enfim.

Obrigada por me fazer rir por 5 minutos sem respirar direito.

Posted by: Sarah at October 4, 2006 08:33 PM

Esse pessoal não cresceu assistindo Jaspion, brincando com Comandos em Ação e lendo mangás (sim, existiam nessa época sim). Então, entenderiam a imaginação do Alexandre. A diferença está no talento, eu não escreveria e desenharia tão bem assim :).
Valeu pelo post, fiquei uns 2 min tendo uma convulsão de tanto rir !!

Posted by: Jorge Flávio at October 6, 2006 12:06 AM

Hello! Good Site! Thanks you! kgnqzpkwye

Posted by: bfcdufgjfp at July 3, 2007 11:24 AM

Hello! Good Site! Thanks you! vwlubrwayy

Posted by: fviwypnddg at July 3, 2007 01:43 PM

Caro amigo parábéns por ter guardado essa jóia das hqs nacionais, sou desenhista e perdi muita coisa que fiz na mesma idade que a sua. Parabéns pelo fantástico ESTRELA!!

Posted by: BRAGA at August 7, 2007 02:20 PM

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Posted by: Sandra-bw at August 26, 2007 07:43 AM

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Posted by: Sandra-bw at August 26, 2007 07:43 AM

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Posted by: Sandra-ux at November 8, 2007 03:51 AM

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Posted by: Sandra-ux at November 8, 2007 03:51 AM

Muito legal a história :)

A única coisa é que a palavra kundaliní é de gênero feminino. :) A kundaliní...

Abraços

Posted by: Marco Carvalho at October 1, 2008 03:15 PM

Eu ia fazer a observação, mas ao que parece o Marco já a fez. Palavras terminadas em i, em sânscrito, são sempre femininas... o i acentuado, por outro lado, na transliteração, designa uma sílaba longa. A sílaba tônica (kun), no entanto, não precisa ser acentuada.

E parabéns pela história. Gostei da partida do Spassky também...

Abraços!

Posted by: Alessandro Martins at October 1, 2008 03:20 PM
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