July 31, 2006

Palestra dia 3, quinta

No dia 3 de Agosto, quinta, das 19:00 às 21:30, darei uma palestra trancado no meu quarto, andando em círculos ao som da Sinfonia n.77 de Haydn. O tema da palestra será “Boris Karloff: Homem Alto ou Apenas um Baixinho com Cara de Alto?”.

Debatendo comigo estarão um busto de Goethe com o nariz lascado, uma foto de Audrey Hepburn em cima da minha tevê e um boneco careca e sem pernas chamado Hugo (ou Mr.Hugo). Se a certa altura o busto de Goethe disser que o meu blog é muuuuito complexo, muuuuito erudito, Mr.Hugo baterá na testa dele com uma colher de sopa que já separei para isso mesmo.

Servirei paçocas para mim mesmo e de tantos em tantos minutos pararei tudo para fingir que estou regendo a sinfonia com a boca cheia de paçoca. Ninguém mais será admitido na palestra, exceto talvez Monica Bellucci se vier nua e coberta de mel.

Posted by Alexandre S. at 09:44 AM | Comments (40)

July 29, 2006

Passei os últimos três


Passei os últimos três dias tossindo de gripe e tirando fotos dos filmes que baixei no computador ou vi na tv. Clique na foto e tente adivinhar a qual filme pertence cada imagem (todas as fotos P&B pertencem ao mesmo filme; a do cachorro e a da garota assustada eu realmente não sei, estava passando num canal aí).

Posted by Alexandre S. at 05:21 AM | Comments (25)

July 26, 2006

Links

Saio da cama, onde estava lendo um livro de Hans-Hermann Hoppe, para avisar que disse besteira, e (o curso da História se alterará com o peso de tão terrível revelação) dia 27 é quinta, não quarta. Se alguém for hoje à Livraria da Vila verá Daniel Galera e Joca Reiners Terron conversando. Não num canto, mind you, mas suponho que numa mesa com microfones'n shit. O que não é mau. * Ok, links. Comece vendo esta apresentação em flash sobre as 10 Dimensões do Universo. Dura uns minutinhos só (em inglês). * Depois, um texto muito bom sobre, ooooh, os perigos do iminente surgimento de uma Teocracia na América (inglês também). * Via Gatochy, uma livraria infantil em Pequim (insisto ridiculamente em escrever "Pequim"). Em inglês também, mas é mais foto que outra coisa - então clica, não tenha medo. * No You Tube: William Shatner, "I am Canadian"; e aqui, William Shatner cantando para George Lucas. * Aqui, Kevin Smith (que fez dois filmes ok e um monte de filmes horrendos) falando (e ele fala bem) sobre como as coisas funcionam em Hollywood (via Djoolz). (Não tiro a imagem do spider dude da cabeça.) * E, em nenhuma língua: Silent Library.

Posted by Alexandre S. at 06:28 AM

July 24, 2006

A volta do Cavalheiro de Beri-Beri

independentberiberi.JPG

Acho a pressa com que esse jornal diz "nós somos muitos, vocês são poucos" de dar nojo. E tiro o avatar deste blog da caixinha onde ele estava escondido e coloco onde acho que ele deve ficar.

Posted by Alexandre S. at 07:17 PM

Livraria da Vila, dia 27

Alexandre Soares Silva, força irreprimível da natureza (ok, não da natureza; do meu quarto, talvez; da varanda, no máximo)(e esquece o irreprimível, estou com sono), estará na Livraria da Vila neste dia 27, quinta, das 19h às 21h, na companhia de Marcelino Freire e Evandro Affonso Ferreira. Vamos falar sobre literatura e blogs. (O quê, está entediado com o tema? Mas Evandro Affonso Ferreira vai falar mal de blogs e você pode concordar secretamente com ele.) Enquanto isso recomendo este blog, The Classicist Blog, sobre arquitetura e as artes menores; The Sartorialist, feito de fotos de gente bem vestida (em alguns casos, "interessantemente vestida"); o WMDB, que é o blog coletivo dos Wunders para cinema; e finalmente este post do Reinaldo Azevedo, desombudsmando o ombudsman da Folha. Mais links amanhã, e fiquem bem. (Vixe, tinha escrito que dia 27 é quarta. É quinta. Quinta!)

Posted by Alexandre S. at 06:17 AM

July 22, 2006

Sério, sem isso a vida não tem graça

Idéia: a criação de uma escola para ladrões de jóias. Essa escola, completamente legal, situada num casarão do século XIX na Urca, ou naquela casa projetada por Ramos de Azevedo na Rua Piratininga na Liberdade, aceitaria meninos e meninas entre 11 e 15 anos. O uniforme seria um collant preto e os alunos receberiam nomes de ladrão sofisticado. Nomes de ladrão sofisticado, você sabe, se dividem em duas espécies: tipos de felinos (“a Onça”, “o Tigre”, “o Jaguar”; evitemos a jaguatirica, por enquanto), e tipos de monstros (“o Fantasma”, “o Espírito”, “o Caveira”, “o Esqueleto”). Eles receberiam treinamento em corda bamba, trapézio e contorcionismo; aprenderiam francês, inglês, italiano e alemão; ah, quer saber, inclui latim e grego; estudariam métodos de abertura de cofre e sedução de milionárias estrangeiras; artes marciais, é claro; e conheceriam jóias a fundo, sabendo reconhecer numa esmeralda de primeira qualidade, por exemplo, a chama quase azul que aparece no meio da luz verde (meu conhecimento de jóias vem completamente de “Gigi”, livro e filme). Quando fizessem 18 anos receberiam o diploma e seriam soltos no mundo. Assim resolveríamos o problema do crime no país - não acabando com ele, o que não é realista, mas melhorando o estilo dos criminosos - e quando passássemos na frente do Copacabana Palace e ouvíssemos um grito feminino saindo de uma janela, saberíamos que uma milionária australiana, polonesa ou o que seja acabou de abrir sua caixinha de jóias e deu pela falta da famosa Luz de Antuérpia. Nesse momento sorriríamos de justificado orgulho nacional, de um modo com que nunca sorrimos antes com o reles prazer futebolístico. Depois leríamos tudo no jornal da tarde, sentados num café e tomando absinto, e admiraríamos o estilo do roubo, a panache e o cavalheirismo do ladrão - que conheceríamos pelo nome e cuja carreira acompanharíamos com interesse. E, claro, a riqueza do país teria aumentado. Meu plano só tem vantagens, e curvo-me ante os seus aplausos.

Posted by Alexandre S. at 03:42 AM

July 19, 2006

Litzlitz-Visele

Duas pessoas comuns têm um só assunto para conversar, que é o quão comuns elas são. Superficialmente o assunto pode parecer outro, mas toda conversa delas se resume a “Eu sou comum, e você?” “Eu sou comum também.” Por exemplo: um amigo meu reclamou de um estagiário dele, porque esse estagiário é uma pessoa comum. Aparentemente meu amigo estava num táxi com ele quando o estagiário disse de repente: “Este ano tem Salão do Automóvel.” Meu amigo pensou em despedir o estagiário na hora, mas essa é considerada uma abertura permissível entre pessoas comuns. Mesmo entre desconhecidos. Não é à toa que conversam tão facilmente em bares, supermercados etc. Eles têm a própria normalidade como assunto comum e, sim, inesgotável.

Já a anormalidade não é um assunto apropriado entre estranhos; você não pode ir para um bar e dizer para o vizinho “Eu sou anormal, eu gosto de litzlitz”, nem algo menos alarmante como “Jules Renard não gostava de Marcel Schwob”. E também não pode tentar se passar por pessoa normal, eles percebem. Se fosse eu tentando essa abertura do Salão do Automóvel com um desconhecido num bar, por exemplo, o desconhecido imediatamente perceberia a falsidade da situação e me olharia como se eu fosse uma lagosta tentando falar de carros.

Posted by Alexandre S. at 07:10 AM

July 18, 2006

À quoi ça sert l'amour?


Desenho de Louis Clichy, com música de Michel Emer cantada por Edith Piaf
("aquela cantora mexicana maluca") e Théo Sarapo.

Posted by Alexandre S. at 05:09 PM

July 17, 2006

Te Souviens-Tu?

Desde criança gosto de música de velho, mas ultimamente venho me esforçando para gostar de música de velhos de outras gerações – não dos velhos de agora, que só ouvem barulho. Comprei um cd de Batteries Impériales & Chants Militaires, e ao ouvir algumas celèbres chansons de l’armée française et chants de hussards enquanto levo minha cocker pra passear pelo bairro, fico emocionado como se tivesse perdido o lóbulo da orelha em Marengo. E nunca desci as escadas até o túmulo de Napoleão sem sentir durante uns segundos a necessidade de me empertigar todo e bater continência. Me controlo, porque um blogueiro batendo continência para o cadáver de um imperador ridículo no meio de turistas espanhóis bebendo fanta orange é uma visão que prefiro evitar, enquanto possível.

Posted by Alexandre S. at 04:45 PM

July 14, 2006

Famke Janssen

Yvette Mimieux! Oh, Yvette Mimieux! Rachel Sophia Loren Welch, Welch Welch Welch.

Ivana Milicevic, Milicevic Heidi, Milicevic Naomi. Britt Ekland, Bundchen Britt. Asia Argento, Argento, Asia; Bellucci Britt.

Longoria? Longoria? Cardinale! Bellucci Britt, Bellucci Bundchen. Deneuve, Dorleac: Ava Argento Dorleac, Lana Turner Hardy, Françoise, Françoise; Grace La Lollobrigida, haha!...

Adjani, Delpy, Ledoyen, Binoche: Greta Scacchi. Maria Grazia Cucinotta, Jolie Bardot; et Kristin, Scott, Thomas, Capucine; Gretchen Mol et Ornella Muti.

Gretchen Muti, Mol! Irène Jacob Turner Scacchi (Muti Scacchi), Sophie Marceau et Blackman, Honor Blackman; Andress Rigg, Jill St.John.

Ursula, Famke Janssen, Famke Janssen. Ursula, Vanessa, Paradis. Zeta Jones Dalle, Zeta Jones Tatou, Zeta Jones Béart et Maribel Verdú.

Heidi Klum, Klum, Klum.

Posted by Alexandre S. at 07:34 PM

July 13, 2006

A beleza da idéia da

A beleza da idéia da reencarnação é que talvez não tenhamos sido brasileiros na outra vida. “Lord que eu fui de Escócias doutra vida”, escreveu Mário de Sá Carneiro. Mas mesmo um guatemalteca já seria bom. Até mesmo uma prostituta de Montmartre que tivesse dado para Toulouse Lautrec e passado sífilis para Maupassant. De modo que da próxima vez que alguém dissesse que você não passa de um brasileiro, você poderia dizer: “Sim, mas na outra vida eu era uma francesa banguela e sifilítica”.

Posted by Alexandre S. at 09:35 PM

July 12, 2006

Ao encontrar um microconto me

Ao encontrar um microconto me sinto constrangido como se tivesse sido interrompido num bar por um mímico.

Ele falava em aforismos, e foi expulso de casa com uma vassourada na nuca.

Posted by Alexandre S. at 06:02 AM

July 11, 2006

Qian Zhongshu


Livros que comprei na viagem - menos o "Primeira Pessoa", de Pedro Mexia, que emprestei para o meu pai.

Mais fotos da viagem aqui, todas tiradas por Ieda Marcondes porque tenho preguiça. Minhas preferidas são esta, esta e esta.

E se vamos falar de fotos de cidades portuguesas, uma pausa para cuspir em Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura. O Porto é a cidade do meu pai e eu brincava nesses canteiros (literalmente nos canteiros, fazendo carrinhos Matchbox saltarem para o meio das flores em dramática câmera lenta).

E aqui uma entrevista de rádio para o Francisco José Viegas. Devo dizer que, ao contrário dos meus leitores mais mal-nascidos (iiih, iiiiihh!!!, eu não deixava), gostei bastante de ouvir a minha própria voz - o último exemplo de dicção aristocrática no mundo.

Devo quatro mil pequenas e grandes gentilezas a bloguistas portugueses (a viagem foi uma das melhores que eu fiz e, para ser mais preciso, uma das duas ou três melhores, digamos - porque "uma das melhores" não quer dizer nada e até a segunda pior viagem da vida de uma pessoa é "uma das melhores viagens") e agradeço aqui, assim, desse jeito evidentemente insuficiente, e de cueca.

Faço-lhes uma vênia e, sentindo dor nas costas, fico parado gritando de dor todo curvado no meio do quarto. Ah, não liguem. Cuspam em Álvaro Siza e sejam felizes. Espero que nos vejamos de novo, e em breve.

Posted by Alexandre S. at 01:42 AM

July 10, 2006

Bellucci

Certas mulheres nos causam a vontade de fazer alguma coisa por elas: uma demonstração de valor, um exemplo extremo de serviço galante, como se bater num duelo e perder um braço ou uma perna por elas, ou pelo menos um bigode.

Posted by Alexandre S. at 01:55 AM

July 09, 2006

Queda, dum grande homem

Estava lendo Mademoiselle de Maupin quando, no capítulo 3, o narrador diz que a sua nova amante o excita tanto que faz com que todo o seu sangue corra para o coração; sorri e repeti, "le coeur", e nesse momento caí à altura de um comentarista de blog que escrevesse "epa, não foi bem pro coração, hahaHAHAHAHA"; ao perceber isso meu rosto se contorceu como se eu estivesse tendo um derrame, baixei o livro e fiquei olhando a parede durante uns segundos. Depois olhei para o livro e pedi desculpas.

Posted by Alexandre S. at 02:44 PM

July 05, 2006

Lovecraft te odeia

"Transformer les perceptions ordinaires de la vie en une source illimitée de cauchemars, voilà l'audacieux pari de tout écrivain fantastique. Lovecraft y réussit magnifiquement, en apportant à ses descriptions une touche de dégénérescence baveuse qui n'appartient qu'à lui. Nous pouvons quitter en abandonnant ses nouvelles ces crétins mulâtres et semi-amorphes qui les peuplent, ces humanoides [onde diabos está o trema neste teclado?] à la démarche flasque et traînante, à la peau écailleuse et rêche, aux narines plates et dilatées, à la respiration chuintante; ils reviendront tôt ou tard dans nos vies."

("H.P.Lovecraft - Contre le Monde, Contre la Vie", de Michel Houellebecq.)

Li isso no avião voltando para o Brasil, enquanto duas poltronas à frente um gordo extrovertido de sotaque carioca jogava cascas de amendoim no chão. E achei, não sei, apropriado.

Os brasileiros podem não ter pele escamosa, mas usam boné virado pra trás (o único caso de boné virado pra trás que vi em quinze dias de Europa foi um brasileiro no aeroporto). E não há maior sinal de habitante de Innsmouth do que isso.

Você identifica os brasileiros no aeroporto pelo rosto um pouco estúpido. A boca aberta, as narinas dilatadas. O rosto dos brasileiros é um pouco grosseiro, um pouquinho bronco - como um tio simpaticão que só fala de carro. Uma dessas pessoas que fazem churrasco e te dão conselho sobre a sua bateria arriada. Ah, sim, ils reviendront, mais cedo ou mais tarde.

Posted by Alexandre S. at 03:04 AM | Comments (94)