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novembro 22, 2006

os mais queridos

Quando o Cleber Correa me mandou este meme sobre os escritores de que desisti, fiquei em dúvida se era pra falar dos "não li e não gostei" ou dos "li até a metade e gostei menos ainda". Na dúvida, fiz um pouco sobre os dois, que desculpa pra falar muito bem ou muito mal de livros nunca é pouca.

Meus mais queridos:

1) David Foster Wallace, Thomas Pynchon and the likes para a categoria não li e não gostei. Não pelo tamanho dos livros; À La Recherche du temps perdu e Decline and Fall of the Roman Empire são dois dos meus preferidos. O problema é que o pouco que li deles era cerebral demais, sem um pingo de frivolidade, o que é tão desagradável quanto excesso de. Mas deve agradar meninos de faculdade que começaram a ler há pouco, pelo jeito.

Além disso, se Paul Valéry disse que o pensamento tem de estar na frase como a substância nutritiva no fruto, coisas como Gravity Rainbow devem ser um jantar com cápsulas de vitamina.

2) De todos nessa lista, P.G Wodehouse é o que eu menos desisti. Mesmo assim, as histórias naïf e um tanto repetitivas - de propósito, eu sei - de Carry On, Jeeves! não me fizeram escrever uma cartinha pro Papai Noel pedindo mais. Claro, é bom ter uns livros dele em casa porque as capas são legais, e recomendo usar expressões em inglês wodehousiano com os coleguinhas na hora do lanche. Mas, talvez por causa do meu gosto franco-afrescalhado, não me senti muito à vontade com o estilo: como assim, um livro em que nenhuma frase começa numa página e termina no fim da outra?

3) Julio Cortazar, primeiro porque eu tenho essa implicância com homem de barba. Segundo que fico longe de escritor metralhadora de absurdos. Começa aquilo de vomitar coelhinhos, de "Olha, pai, eu sou surrealista!", e eu tenho vontade de dar levantar os olhos do livro: "Tá bom, filho; só cuida pra não sujar o shortinho."

E então, um pouco porque agora é a minha vez de memeá-los, um bom tanto também para confirmar minhas suspeitas sobre o que eles execram, venho gentilmente por meio desta infernizar o Mauro do Diacrônico e o Marcos da Torre de Marfim.

Posted by Rodrigo de Lemos at novembro 22, 2006 07:26 PM

Comments

Ah, qual é, Wodehouse é ótimo. Melhor que Sidney Sheldon, hã? Li dois Jeeves e tô lendo o terceiro. São sempre bons. Sempre. Recomendo "Right ho, Jeeves" pra você. ;D

Quanto aos outros, não li, não gostei e ainda dei uma risadinha de quem gostou. "Olha lá, leu Cortazar, hahahaha" é uma frase que eu repito todos os dias.

Mas o que eu menos li e menos gostei é aquele moço d'O Mundo de Sofia cujo nome não sei e tenho raiva de quem sabe (muito irritadiço, note a veinha saltando na minha testa). Apesar da capa bonitinha...

Posted by: Gustavo at novembro 22, 2006 01:46 PM

Cortazar corta mesmo o barato. E estou com o Gustavo ao que se refere a Jostein Gaarder, do Mundo de Sofia. Acho, de verdade, que ninguém em sã consciência tenha lido esse livro. É muito chato!

Posted by: Edd at novembro 22, 2006 03:28 PM

eu li o josé gardner quando era criança e não achei chato. mas talvez porque eu também fosse.

Posted by: rodrigo de lemos at novembro 22, 2006 04:15 PM

Rodrigo, tu estás cometendo uma injustiça com relação ao Cortázar. O conto que tu citas (o dos coelhinhos) é do período em que ele ainda não usava barba.

Posted by: Adriano at novembro 22, 2006 10:52 PM

David Foster Wallace: eu escrevi um post no meu blog uma vez sobre o excesso de auto-referência em um dos contos de Breves entrevistas..., o que acho um defeito. Esse autor parece ter uma paixão exacerbada pela própria engenhosidade intelectual - e isso reflete na ausência de frivolidade, de que tu fala, o que também considero um defeito. Sem mencionar o fato de os contos do livro seguirem o esquema do conflito psicológico elevado à enésima potência. Os personagens de Breves entrevistas... parecem todos sofrer de transtorno compulsivo, o que torna o livro um pouco monótono.

Mas há pessoas cuja opinião eu respeito muito que admiram bastante o Foster Wallace. E isso me deixa com a sensação de que não consegui captar tudo do livro. Vejam esse link, por exemplo: http://www.insanus.org/parada/arquivos/2006/11/leitor_como_mus.html


Jostein Gaarder:
Pô, eu tinha uns 16 anos quando li O mundo... e gostei muito. Ele teve o efeito pernicioso de me fazer querer estudar filosofia. Foi um divisor de águas heheh fsdgvdkfgvdv

Posted by: cleber at novembro 22, 2006 11:28 PM

De fato, os tipinhos fãs de Pynchon e Wallace me incomodam, mas me incomoda mais a idéia de passar mais de meia hora lendo um autor novo. 1000 páginas e cacetada é coisa pra wanker.

Flaubert, ele merece sim todas as chances. Tenho vontade de ler aqueles 3 contos ;)

Posted by: evelyn at novembro 22, 2006 11:36 PM

adriano: então foi pela influência da gilette que ele conseguiu alguma coisa boa com circe e a casa tomada.

li a entrevista que o parada postou, cleber. não me convenceu. se leitura como entretenimento está old-fashion, então faço questão de ler de culote, peruca com talco.

(e quanto ao jostein gaarter: foi quase a mesma coisa comigo.)

evelyn: dos trois contes só li a frase final do último. minha opinião: sangue de flaubert tem poder.

Posted by: rodrigo de lemos at novembro 23, 2006 11:22 AM

Ah, esqueci de perguntar, mas vai ser uma decepção pra mim, suponho: você gosta de Saramago?

Posted by: Gustavo at novembro 24, 2006 06:42 AM

Faço uma vênia sincera, pela lembrança. E tentarei ser honesto na resposta, juro.

Posted by: mauro at novembro 24, 2006 09:47 AM

saramago anda de mãos dadas com pynchon e david foster wallace na categoria aquela, gustavo.

e honestidade não, mauro. não vá estragar a brincadeira.

Posted by: rodrigo de lemos at novembro 24, 2006 06:09 PM

Gilette não, Rodrigo, navalha. Ele também era adepto do modo rat pack de fazer a barba.

Posted by: Adriano at novembro 24, 2006 07:06 PM

Vamos começar uma briga e eu vou te atingir com pedras e mais pedras, e talvez um tubo de PVC, mas o que não falta (nem sobra) em Saramago é frivolidade. Tente ler de novo, com carinho. E tente "As intermitências da morte". Vamos, devagarinho pra não machucar...

Posted by: Gustavo at novembro 24, 2006 07:08 PM

Rodrigo,
Eu gosto do Cortázar. Com barba ou sem barba, me agradam seus contos, principalmente os de Octaedro, Todos os fogos o fogo, Bestiário e O Perseguidor. Não acho que ele faça realismo fantátisco de quinta categoria. Espero que, com essa confissão, eu não seja incluído na lista dos blogueiros que você desistiu de ler :). Ah, eu respondi o meme. Dê uma olhada lá
PS: Eu também gostei de Volver
Um abraço de cronópio,
Marcos

Posted by: Marcos Matamoros at novembro 26, 2006 06:44 PM

Ó, já fiz. Mas achei uma baita sacanagem você botar o pi-djêi na lista. Um severo tut-tut, diria Bertie, se comentasse posts.

Posted by: mauro at novembro 27, 2006 09:00 AM

imaginei que wodehouse aqui ia causar alguma comoção, pessoas de bengala e cartola reprimindo uma careta de dor na frente do computador, essas coisas.

mas, por puro gosto da contradição, acabei de comprar thank you, jeeves.

Posted by: rodrigo de lemos at novembro 27, 2006 11:06 AM

Eu ia protestar quanto a Wodehouse, mas seu mea-culpa me desanimou. :)

E pra economizar comentário digo que a primeira frase de suas observações sobre "Volver" me fez gargalhar.

Posted by: Luciano Chaves at novembro 27, 2006 10:58 PM

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