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dezembro 17, 2005

o pensamento vivo de rodrigo de lemos II

Disse que a ex-mulher é extraordinária? Só pode ter sido canalha; traiu, abandonou, mandou abortar.

Impossível viver com alguém sem perceber o seu jeito todo especial de ser absolutamente comum.

*

Mulheres feministas são quase sempre feministas mulheres; escritores direitistas, direitistas escritores.

"Ismos" políticos raramente se contentam em não passar de adjetivos.

*

A palavra "algibeira" se tornou arcaísmo não por surgimento de um novo termo, mas por o que ela refere não estar mais em moda.

Agora troquem "algibeira" por "virtude".

Posted by Rodrigo de Lemos at dezembro 17, 2005 11:51 AM

Comments

Ao SUPER POETA

Um pouco sobre a idéia de um "super filósofo"...
A natureza comete infinitos erros: abortos, pestes, venenos, desertos. Ao lado de tanta ordem, tanta desordem; ao lado de tanta força construtiva, tanta destruição: freqüentemente, esse problema me causa febre. Com a vida humana as coisas não são diferentes. Por toda a parte há sofrimento, doença, crime, morte e danação: entenda quem puder. Antes de tudo, aqui emerge a estranheza da dor e da morte. Há um dilúvio de males no qual nos afogamos. Mesmo a história se mostra quase sempre obscura. O crime sempre é compensado. A história consiste quase somente de cenas sanguinolentas. É uma cloaca de miséria e crueldade, uma cadeia quase ininterrupta de sofrimento, um monte de crimes e burrices. O mundo não é, portanto, como dizia Leibniz, o melhor dos mundos possíveis; é o pior de todos os planetas. A felicidade é apenas um sonho; somente a dor é real. Há anos que sinto isso, e nada mais resta do que me dar por vencido e me dizer que as moscas existem para ser devoradas pelas aranhas, como os homens pelas aflições. Esse mundo é um vale de lágrimas. Por isso, meu caro SUPER POETA, não seria o "nada" melhor que toda essa massa de seres, que são criados para de novo serem incessantemente destruídos; esse monte de animais, nascidos e reproduzidos, apenas para engolir os outros e serem eles mesmos engolidos: esse amontoado de seres sensíveis, destinados a tantos sentimentos dolorosos: e, enfim, essa multidão de seres racionais, que tão raramente aceitam a razão? Somente a filosofia, na qualidade de conscientização silenciosa pode ajudar. Prepare-se filosoficamente bem para a grande viagem; pois a filosofia é boa para isso: consola; ela promove a serenidade da alma. No entanto, deve-se ser capaz de ousar: a filosofia merece que se tenha coragem. Já a arte...

Beijos

(super-filósofo: te receito urgentemente uma releitura da idéia de super-homem, de niet(não-me-lembro-o-quê)che. vale para aceitar mais postitivamente a morte, as guerras fratricidas, aquele cd caríssimo arranhado por uma unha de gato.

e se a felicidade significar o fim da destruição, do sofrimento, de todas as infelicidades - graças a deus ela irreal. agora, não sei por que somente a dor seria mais real que o resto; se a felicidade não existe, por que o seu contrário sim? seria isso um preconceito contra a felicidade, s.p.?

beijos)

Posted by: Juliano at dezembro 18, 2005 03:21 PM

Gostei do teu blog. Tu é feminista? Por que?
Eu não sou porque penso que nós meninas não precisamos precisar ser feministas. Os homens é que têm que se tocar, de que merecemos respeito e igualdade na medida do possível.
Bjos.

(plyn: onde leste que sou feminista? não me chame assim; acabei de sentir uma dorzinha aguda, aguda no miocárdio. ;-) abraço.)

Posted by: Plyn at dezembro 18, 2005 09:44 PM

Eu sei que não é educado emitir comentários sobre comentários de outras pessoas, mas desta vez não resisti.

Como diria Shirley Temple com aquele biquinho que vc, Rodrigo, adora, "Oooh my goodness" (sobre o comment do Juliano).

Küsses

(evelyn: não, não, pode comentar. conversem. discutam. briguem. só não se xinguem nem atirem cinzeiros uns nos outros. tirando isso, tudo pode.

and "lady be good!")

Posted by: Evelyn at dezembro 19, 2005 05:14 PM

Nietzsche não era tão anti-feminista assim...

Quando se menciona o nome de Nietzsche em uma reunião qualquer, é inevitável que alguém cite: “Vais ter com mulheres? Não te esqueças do chicote”. Mas essas palavras que, no Zaratustra, Nietzsche põe na boca de uma velhinha, dão uma imagem totalmente falsa de sua postura em relação ao sexo feminino. É que ele, sob esse aspecto, é de uma exorbitante timidez. Apesar de em sua juventude, após a morte do pai, ter sido rodeado apenas por mulheres (a avó, a mãe, duas tias e a irmã), a ansiedade diante das mulheres permanece. Ou, talvez, seja provocada justamente por essa presença feminina. É bem verdade que Nietzsche, quando estudante, tenha ousado aplaudir as moças que supunha escondidas atrás das cortinas; mas isso apenas na companhia protetora dos colegas. Certa vez, conduzido erroneamente por um moço de recados, foi dar em um bordel: escapa rapidamente, mas não sem antes ter tocado, diante da admiração das damas, “envoltas em plumas e paetês”, um par de compassos ao piano. Uma outra vez, apaixona-se por uma atriz e envia-lhe canções poéticas compostas especialmente para ela. Tanto quanto sabemos, não foi considerado digno de uma resposta. Isso sem falar da vez em que Nietzsche apaixona-se por Cosima, a mulher de Richard Wagner. Uma outra vez, convida uma série de moças, que lhe interessavam, a visitá-lo na Suíça; mas isso também não deu em nada. Uma vez, todavia, Nietzsche apaixonou-se perdidamente por uma mulher, de apenas 21 anos, que se tornaria famosa: Lou Salomé. Já no primeiro encontro, pergunta: “Por quais estrelas fomos conduzidos um ao outro?”. Nietzsche confidencia a Lou seus pensamentos mais secretos e vê nela sua única discípula. Mas não ousa, por si mesmo, pedir sua mão. Envia-lhe um amigo, sem suspeitar que este estivesse apaixonado pela mesma mulher e que lhe tenha feito ele mesmo uma proposta de casamento. Não surpreende, portanto, que o amigo lhe trouxesse uma resposta negativa. A relação com Lou e com o amigo seria desfeita, em breve, por meio de intrigas, sobretudo por parte da irmã de Nietzsche. Enfim, só lhe resta dizer: “Um filósofo casado pertence à comédia”. Mas há ainda a irmã de Nietzsche, denominada “lama”, que reclama para si seu irmão, seja em vida seja depois da morte; que também o envolve em suas tramas e que, em seu empenho pelo episódio, enquanto tal, meritório, também não se intimida nem com falsificações ostensivas. Em vista disso tudo, pode-se depreender que o chicote nas mãos de Nietzsche não passa de mexerico de comadres.

Beijos

(juliano: nietzsche-dominatrix; isso por acaso é posição sexual? hmm, bigodón não me excita. ;->)

Posted by: Juliano at dezembro 19, 2005 06:36 PM

Uma Susan Sontag de bigodes.
Isso está ficando muito bizarro.

Posted by: Adriano at setembro 25, 2006 09:20 PM

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