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<title>Rinoceronte</title>
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<tagline>Pensar é ir</tagline>
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<title>Taí...</title>
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<summary type="text/plain"> A expectativa é que venham mais , que de uma vez por todas seja posta à mostra a chaga, em toda sua grandiosidade purulenta. A ferida só se fecha a contento depois de desinfectada. A opção é assumir a derrota e pagar o preço da infecção generalizada.     </summary>
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<dc:subject>De hoje</dc:subject>
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<![CDATA[<p>...não não, nada  a ver com o finado guaraná safadíssimo que a totatola tentou impingir-nos antes do Kuat, agora K,  sem aliás ter tampouco nenhuma relação com o conto do italiano blue Dino Buzzatti, que acabou parando no título de uma coletânea. " Taí" no sentido de "Está aí, algo interessante acontecendo neste marasmo ensangüentado".</p>]]>
<![CDATA[<p>  A prisão de um banqueiro ( eu sei, eu sei, yá no más,  graças ao sempre cordato Supremo) , um ex-prefeito, um doleiro e seus asseclas vale a surpresa..Convenhamos,  não é todo dia.  A ressaltar, além dos fatos em si, ainda que as acusações permaneçam a detalhar, pois parece não haver dúvidas quanto à tentativa de suborno do Bom-ba-ban ,o bom baiano banqueiro.  A ressaltar dizia , as reações contidas no Congresso e a curiosidade geral entre os clunistas de plantão. Muita gente com o rabo na mão. <br />
  Nessa nossa tragicomédia cotidiana, sempre adulada a grandes doses de hipocrisia, poucas dúvidas paivaram sobre as particularidades higiênicas do savoir-faire do doleiro libanês, ou das práticas mais do que heterodoxas  do ex-alcáide  que,  diga-se,  não herdou do padrinho político, aquele outro libanês ilustre, as manhas da alcova.<br />
Tampouco restam dúvidas,por exemplo, quanto ao medievalismo de boa parte de nossa classe dirigente,  ou sobre a mentalidade escravocrata da chamada elite agrária,  trasmutada em empreendedores do agribusiness, ou ainda sobre as intenções escusas, a serviço de interesses difusos, de boa parte dos escribas de plantão.<br />
  A expectativa é que venham mais , que de uma vez por todas seja posta à mostra a chaga, em toda sua grandiosidade purulenta. A ferida só se fecha a contento depois de desinfectada. A opção é assumir a derrota e pagar o preço da infecção generalizada.     </p>]]>
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<title>Malandra-mente</title>
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<modified>2008-06-23T17:41:36Z</modified>
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<summary type="text/plain"> Assim como os papos sobre um onipresente &quot;jeitinho&quot; a esconder toda e qualquer falcatrua sob a capa de uma malemolente esperteza remissora......</summary>
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<![CDATA[<p>  Assim como os papos sobre um onipresente "jeitinho" a esconder toda e qualquer falcatrua sob a capa de uma malemolente esperteza remissora...  </p>]]>
<![CDATA[<p>..acomodamo-nos a repetir a máxima de que " Esta é mais uma lei que não vai pegar". Só que sempre com a envergonhada omissão do final da mesma, tão obviamente claro quanto o estouro de uma bola de encher, elevada ,  pelo aumento da pressão interna,  aos limites de sua elasticidade. Só muda o momento em que o látex,  impotente ante as lufadas de ar e perdigotos, desiste de resistir. O punch line da supracitada máxima, voltando a ele , só pode ser um: "para mim." Claro, pois a partir do momento em que o sujeito conscientemente diz que não há como a diretriz ser respeitada , ele já assume com toda a desfaçatez que engrossará o coro dos ignorantes. Mesmo ciente dos benefícios para a coletividade inerentes a uma eventual aplicação da norma. Como mais  recente exemplo de mais esta louvação à hipocrisia pátria, não há como não citar as recentes restrições ao binômio do capeta álcool + direção. Ou você conhece alguém que passou ao menos uma noite abstêmia no último finde, só para elevar , um tantinho que fosse, o grau de segurança de seus próximos, dos outros motoristas e dos transeuntes e assim injetar alguma dose, por mínima que fosse, de tranqüilidade no trânsito etilizado e ensangüentado da urbe ? <br />
  Se a Espanha nos deu Cervantes e ele o estóico Quixote de La Mancha, podemos bem resgatar para o mundo Angélica, a filósofa da mancha, que em priscas eras, sabida que só ela, ia de táxi.           </p>]]>
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<title>Idade média high tech</title>
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<modified>2008-06-19T17:41:37Z</modified>
<issued>2008-06-19T17:20:53Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Saio da hibernação , pois parece que os rinocerontes hibernam, só para ter vontade de voltar a dormir profundo. O cheiro é insuportável e o barulho, ensurdecedor, superado apenas pela magnitude do silêncio da hipocrisia dominante. Sempre e mais....</summary>
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<dc:subject>Do asfalto</dc:subject>
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<![CDATA[<p><br />
   Saio da hibernação , pois parece que os rinocerontes hibernam, só para ter vontade de voltar a dormir profundo. <br />
O cheiro é insuportável e o barulho, ensurdecedor, superado apenas pela magnitude do silêncio da hipocrisia dominante. Sempre e mais.    </p>]]>
<![CDATA[<p><br />
  Entre epidemias redivivas, shoppings de alto luxo isolados da sujeira das ruas,  execuções sumárias com o incentivo dos homens de Caxias e celulares com telas sensíveis ao toque , cambaleamos de abismo em abismo.  <br />
  A normalidade é mantida a base de carro blindado, vidro fumê , erotização forçada e antidepressivos. E já que nada indica que tenhamos tão cedo força para sanear,urbanizar, civilizar, sugiro ações pontuais. Começando pela destruição sistemática de dois elementos-símbolo do atraso: o quebra-molas e o fradinho das calçadas, também chamado de consolo de viúva, aquela horrenda estrutura de cimento que tem como intuito original impedir o estacionamento nas calçadas e, como resultado prático, contundir pedestres incautos e atrapalhar a passagem dos carrinhos de bebê. Além de servir como multiplicador de banheiro canino,  claro. Explosivos plásticos devem ser evitados por questões legais, mas vale pensar em formas engenhosas de dar um jeito nisso e,  por conseguinte humanizar as ruas.  Superado este primeiro desafio, sugiro focar a revolta evolucionista  na instituição da novela televisiva ou nos restaurantes a quilo..  </p>]]>
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<title>Então ?</title>
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<modified>2008-05-13T15:18:09Z</modified>
<issued>2008-05-13T14:41:22Z</issued>
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<summary type="text/plain"> À primeira vista, não havia o que estranhar . A grande diferença para ontem era o sol, esquentando e secando o que o friozinho tropical molhara e resfriara....</summary>
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<![CDATA[<p>  À primeira vista, não havia o que estranhar . A grande diferença para ontem era o sol, esquentando e secando o que o friozinho tropical molhara e resfriara.  </p>]]>
<![CDATA[<p>  Os tiros, esgarçando a tensão do silêncio na alta madrugada tinham sido até menos intensos do que três noites atrás. E não dava nem para comparar com as horas de tiroteios de alguns anos antes na Usina ( Muda ? ), velando pela esperança( vã, constataríamos tristes)  ao lado do velho, no hospital. Aqueles sim foram pipocos, ali sim nêgo sentou o dedo. Dia seguinte nos jornais, nada. Corriqueiro , normal.  Ontem ? só uma lembrancinha de que este ainda é o Rio de Janeiro.<br />
   Na cabeça , os negros ainda são avassaladora maioria. Mas os branquinhos , renitentes, vão ocupando espaço. Tem jeito não. Deve ser aquele eufemismo do charme gris.<br />
   Foi fechar os olhos no lusco-fusco matinal para ver a sucessão de instantâneos: crianças na inocência infantil driblando a tensão do Aeroporto Internacional dos Guararapes, na época em que o Médici apertou e o exílio foi o caminho. O frio parisiense, crèpes de chocolate na rua, na escala em família rumo à ainda mais fria Genebra. E foram cinco anos de notícias pelos jornais, revistas, raros telefonemas, visitas esporádicas e reminiscências de uma terra quente. Uma tia , depois de uns bons copos: " Não somos nem papel higiênico para limpar a bunda dos militares.." A criançada achou graça, mas pensando bem..<br />
  Na volta, o reencontro com o Rio,  a bagunça e os cheiros da feira-livre, planos, o tal resgate. Lado pessoal, independência, descobertas, hiperinflação, fila do feijão, primeiras duras. Daí prum curso universitário fake em conteúdo e pródigos em amigos e  cerveja, a redenção dos botecos. Na seqüência, Londres, e nela Prince´s square em Bayswater, Brixton, Clapham Junction(".. the busiest railway station.." dizia a placa)  com esticadas a Paris , Roma, Edimburgo, Dubrovnik, Sarajevo, Sharm-el-Sheik, Jerusalém. Mas de novo, sempre e mais, a velha cidade de São Sebastião, osolavancos de um país em movimento, apesar de tudo. A dura rotina dos proletários da informação, o surrealismo cotidiano, a loucura necessária para levar adiante. A morena amada, os amigos, o milagre da prole. Corta.<br />
O espelho tá meio embaçado, a areia nos olhos ainda incomoda, as rugas são inquestionáveis. Experiências. E mais importante: o fundamental pé no chão, a ausência de auto-comiseração e a tranqüilidade de olhar pra trás. Para um homem de 40 anos,  já é um começo.<br />
    </p>]]>
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<title>A calma dos ignorantes</title>
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<modified>2008-04-10T15:50:59Z</modified>
<issued>2008-04-10T15:20:14Z</issued>
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<summary type="text/plain">Enquanto o rubro-negro sapecava , cheio de fôlego, o cientificismo de araque nas alturas do Peru, mais novo integrante do safadíssimo e risível clube do &quot; investment grade&quot;.....</summary>
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<dc:subject>De hoje</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Enquanto o rubro-negro sapecava ,  cheio de fôlego, o cientificismo de araque nas alturas do Peru, mais novo integrante do safadíssimo e risível clube do " investment grade"..   </p>]]>
<![CDATA[<p>..do meu lado enxugava uma lágrima renitente e culpada, que teimava em se multiplicar. Não era para menos . Horas antes tinha dado um adeus envergonhado a um bom amigo, grande homem, bela figura. Era o gentleman do Leme, o prosador do calçadão, o último pensador sóbrio do Nova Capela. Um cosmopolita de padrões holandeses que, no Rio, comprovou nossa tola incompetência para a vida. Um homem ético e reto, no país das trapaças curvas.  Morto pelas inépcias sabidas e convenientemente esquecidas dia após dia e, mais do que isso, vítima de um mal que teima em nos peseguir, uma injustificável e imperdoável acomodação.  <br />
 Entre o diagnóstico da doença no fígado e a hora derradeira, foram cinco anos de incertezas e sofrimento, os três últimos, na fila de um transplante, que afinal chegou tarde. Acompanhando o drama,   amigos esclarecidos,  gente bem nascida e bem pensante, parentes dedicados. Alheios, todos, ou pelo menos muitos,  à nuvem negra que pairava mais acima, impiedosa e certeira : a calma dos ignorantes. É ela que alimenta a apatia das massas desprezadas,  patrocina o cinismo desenfreado e garante a hipocrisia cotidiana. <br />
  Em momento algum o estóico amigo tentou valer-se de contatos, muitos nas altas esferas, para burlar a fila, só pediu que ela andasse. E pela falta de transparência, tão característica na nossa história de nação embrionária, talvez nunca tenha sabido de fato onde estava nessa fila. Quando enfim a gravidade do caso nos tirou da inércia, em duas semanas surgiram duas possibilidades de transplante. E foi feita a cirurgia. Mas não deu. Fica o vazio, mais um, e a certeza de que se não enfrentarmos esta calma sórdida e corrosiva, o vácuo tende a aumentar.<br />
           </p>]]>
</content>
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<title>Idos</title>
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<modified>2008-04-06T01:52:52Z</modified>
<issued>2008-04-06T01:41:10Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Outro dia , sumiu o prazer genuíno de acreditar numa linha ideológica a ponto de defendê-la com gosto e, em casos extremos, com a vida. Numa nota bem mais leve, foram-se também os cônicos copinhos de papel onde, na...</summary>
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<![CDATA[<p> Outro dia , sumiu o prazer genuíno de acreditar numa linha  ideológica a ponto de defendê-la com gosto e, em casos extremos, com a vida. Numa nota bem mais leve, foram-se também os cônicos copinhos de papel  onde, na pureza juvenil,  degustávamos laranjadas, mate ou a prosaica ainda que fundamental água gelada.  </p>]]>
<![CDATA[<p>     No embalo, sumiram os seios fartos naturais, o Electra da ponte aérea,  a Cantina Gaúcha ,onde comia-se à sorrelfa a melhor paca com feijão tropeiro do Centro do Rio. Quando caímos em nós, sumira a brisa circular que bafejava o Maraca em dia de clássico, turbilhonada a partir do anel superior, por onde aliás a massa escoava folgazona antes desses abjetos camarotes apartheidicos. Isso sem falar, falando,  no triste desaparecimento do verdadeiro camisa 10, clarividente virtuose, organizador do diálogo a partir do meio de campo. Agora , foi-se o América para a segundona. Para nunca mais. Danado.  </p>]]>
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<title>De aparências e realidade</title>
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<modified>2008-04-04T14:16:09Z</modified>
<issued>2008-04-04T14:12:11Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Se a oposição no Congresso e na imprensa tivesse para as artimanhas políticas um décimo da competência de alguns dos muitíssimos blogueiros neocons têm, ou julgam ter para explicitá-las......</summary>
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<dc:subject>De hoje</dc:subject>
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<![CDATA[<p> Se a oposição no Congresso e na imprensa tivesse para as artimanhas políticas um décimo da competência de alguns dos muitíssimos blogueiros neocons  têm, ou julgam ter para explicitá-las...</p>]]>
<![CDATA[<p>  ,este governo já não seria. Como não tem, e apesar das muitas mazelas e do absoluto descaso com as artes da comunicação (para Zelites, bem entendido, que com a massa ele se entende) Lula continuará surfando na onda de popularidade que construiu, a largas doses populismo, alguma fundamental distribuição de renda e um certo "laisser-faire" na condução da política econômica. E terminará o mandato como o melhor presidente dos últimos quarenta anos, pelo menos ,com os mais altos índices de aprovação  já registrados e elegendo o sucessor com alguma facilidade. Quem quer que seja o dito cujo. A esta altura do campeonato, ninguém nem lembrará que um dia uma Dilma existiu.<br />
 Aos tucanos (menos o Aécio que de bobo tem pouquíssimo), pavões, corvos e outras aves menos cotadas restará pegar na mão do ex-pefêlê, para tentar, uma vez mais, entender que o Brasil não é Higienópolis. <br />
</p>]]>
</content>
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<title>Triste piada</title>
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<modified>2008-04-02T15:36:20Z</modified>
<issued>2008-04-02T14:47:40Z</issued>
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<summary type="text/plain"> A piada mais sem graça do primeiro de abril completou 44 anos esta semana.. o golpe militar de 1964 . E mais de quatro décadas depois, as peguntas seguem pertinentes: o que teria sido da democracia brasileira se os...</summary>
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<dc:subject>De ontem</dc:subject>
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<![CDATA[<p>  A piada mais sem graça do primeiro de abril completou 44 anos esta semana.. o golpe militar de 1964 . E mais de quatro décadas depois, as peguntas seguem pertinentes: o que teria sido da democracia brasileira se os fardados <br />
(aloprados úteis da época..hoje maridos trtaídos, amantes abandonados, pedintes envergonhados) não tivessem encampado a idéia da " Redentora" ? estaríamos pior do que estamos ? haveria alguma possibilidade de radicalização à esquerda ? teríamos feito a reforma agrária e alterado substancialmente o cenário medieval no campo? conseguiríamos, de forma menos traumática,  consolidar o processo de industrialização ?    </p>]]>
<![CDATA[<p> <br />
  Mais uma vez o assunto passou batido na imprensa, ainda que as conseqüências nefandas do dito cujo sejam sentidas até hoje ...ou não ?  No entanto, uma breve passada no sítio do Clube Militar, do Rio de Janeiro ainda nos brinda com pérolas tipo isso aqui, da lavra do general da reserva Ulisses Lannes:</p>

<p>(...)<br />
" Em março de 1964, a desordem e a intranqüilidade atingiram novos patamares. Sucediam-se as greves, e aumentavam as arruaças e ameaças de intervenção de grupos armados ligados a Brizola. A população sofria com o desabastecimento, os freqüentes e inopinados cortes de energia elétrica e a quase diária paralisação do transporte público.<br />
  Arregimentada pela grande imprensa, pela Igreja católica e por líderes políticos, a opinião<br />
pública começara a protestar e a participar, maciçamente, de manifestações contra aquele estado de<br />
coisas. Em tão conturbado ambiente, três eram os cenários mais prováveis para a evolução do quadro<br />
nacional: a implantação de um regime ditatorial de esquerda; o agravamento do anarquismo sindical; e<br />
a eclosão de uma guerra civil com conotações ideológicas. Claramente, a sucessão democrática<br />
normal, prevista para ocorrer no ano seguinte (1965) tornava-se a cada dia mais distante e implausível.(...)<br />
   A incitação ao motim; o estímulo à quebra da hierarquia e da disciplina, a virulência de Jango; e a clara intenção de aprofundar a anarquia e a desordem despertaram nas forças vivas da nação a necessidade de pronta e enérgica reação, ainda que à custa da quebra da ordem constitucional. A destemida e intrépida decisão dos Generais Mourão e Guedes de iniciar, em Minas Gerais, com absoluta inferioridade de meios, o deslocamento em direção ao Rio de Janeiro e a Brasília, aglutinou e catalisou a resposta da sociedade brasileira aos desmandos e à subversão. A rapidez com que o movimento se fez vitorioso, sem encontrar a menor resistência de nenhum setor da sociedade, constitui a melhor prova do repúdio popular ao esquema golpista engendrado por Goulart e<br />
seus aliados.<br />
 A momentânea quebra da ordem institucional, respaldada e legitimada pelo Congresso e pelo<br />
imenso apoio popular, salvou a democracia, ameaçada pela intimidação do parlamento, pela pressão<br />
das massas sindicalizadas e pela anarquia das Forças Armadas. Desse modo, o 31 de Março de 1964<br />
... é, primordialmente, um fato político e não uma quartelada, como insinuam seus adversários e<br />
detratores...*<br />
Não pode, pois, ser rotulado como golpe militar, como, aliás, atestou o jornalista Roberto Marinho,<br />
em editorial do jornal O Globo de 7 de outubro de 1984:<br />
"Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de<br />
preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica,<br />
greves, desordem social e corrupção generalizada... Sem o povo, não haveria revolução,<br />
mas apenas um “pronunciamento” ou “golpe” com o qual não estaríamos solidários." "</p>

<p> Neste mundoe neste país, onde insistem em decretar a morte das ideologias e a pasteurização hegemônica das fórmulas políticas e econômicas,  também teimam em ignorar o tanto ainda por faze . Isto, claro,  se houver algum interesse de fazer disso aqui um lugar digno de viver.   </p>]]>
</content>
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<title>Drama real</title>
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<modified>2008-03-28T18:05:01Z</modified>
<issued>2008-03-28T17:57:08Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Camaradas, uma pausa para uma observação mais atenta de uma situação dramática, com toques surreais.....</summary>
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<dc:subject>De hoje</dc:subject>
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<![CDATA[<p> Camaradas, uma pausa para uma observação mais atenta de uma situação dramática, com toques surreais.. </p>]]>
<![CDATA[<p> ..e onde qualquer tipo de ajuda pode determinar a diferença entre a vida e a morte. Desculpem o mau jeito, mas isto não é literatura, não é "fait divers", não é ego-blog-centrismo. Isto aqui é Brasil em estado puro. Fica o meu apelo para que se alguém souber de alguma forma de ajudar o personagem que exponho abaixo, deixe uma mensagem. Desde já , muito obrigado, na esperança de poder escrever com mais leveza em breve.  Só para situar o caso: o autor do depoimento é um grande amigo,  jornalista, de coração gigante e que não merece o calvário a que é submetido há anos , pelas mazelas do nosso país. A culpa dele ? ter desenvolvido uma cirrose hepática de origem aparentemente genética - perdoem minha ignorância - uma vez que o cara nunca bebeu. </p>

<p><br />
"Amigos, peço desculpas pelo atraso da resposta, mas ando muito cansado e pouco tenho entrado na internet.<br />
A minha situação é crítica e na semana passada, pela primeira vez desde que iniciei meu tratamento há 5 anos, ouvi dos médicos que posso morrer a qualquer momento se o transplante nao acontecer.<br />
Meu organismo está muito enfraquecido por uma crise das funções hepáticas que foi devastadora. Coleciono hoje, por causa da cirrose hepática, uma serie de enfermidades. <br />
Além da cirrose, sou portador de tuberculose, síndrome hepato pulmonar (redução da capacidade respiratória) , encefalopatia (distúrbios mentais), retenção de líquido que deixas os <br />
membros inferiores muito pesados e doloridos e outros males secundários, como pressão arterial muito baixa, que me obrigaram a suspender o uso dos diuréticos que são fundamenteis para o <br />
combate à retenção de líqudo.<br />
Peço a todos que tenham a capacidade, por menor que seja, de influenciar na disseminação de informações sobe o atual quadro de transplantes de fígado no Rio, que o façam. O número de erros e<br />
omissões dos orgãos é impresionante. Fui vítima, há cerca de um mês, de um desranqueamento da fila de receptores, por um erro burocrático que resultou na retirada do meu nome lista por falta de informações. Isso significa que eu não seria transplantado se houvesse um fígado disponível naquela semana. Repasso as minhas informações (exames clínicos atualizados, peso corporal, tipo sanguíneo, e outras que estão registradas no meu prontuário faz tempo).<br />
Para se ter idéia, s secretaria estadual de saúde não<br />
disponibiliza na internet os nomes e as posições dos pacientes na lista de transplantes, Oficialemte, eu não sei a minha posição, e só sei que sou o primeiro do tipo B Positivo em todo o estado pelas conversas que eu<br />
tenho com os médicos. A falta de transparência tende a fortalecer a fraude.<br />
 <br />
Da minha parte, estou entrando com uma representação no Ministério Público. É uma das minhas últimas esperanças.<br />
 <br />
Repassem esta mensagem para os conhecidos em comum que não estão na lista. Perdi muitos e-mails<br />
 <br />
Companheiros, peço mais um vez desculpas pelo meu distanciamento, mas falar da minha atual situação é muito doloroso. Além do mais, tenho estado muito cansado e não tenho muito ânimo para conversar.<br />
 <br />
Peço a todos que me compreendam. Se quiserem, liguem para a casa dos meus pais para ter informações.<br />
Sei que todos torcem por mim e se esta doença me ensinou algo foi dar valor aos amigos e ser tolerante com as pessoas. Se tudo der bem, vou tentar recuperar<br />
a minha vida social de um forma mais digna,<br />
 <br />
Um abraço a todos.<br />
 <br />
 <br />
Lauro Parente " </p>]]>
</content>
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<title>Escárnio</title>
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<modified>2008-03-27T14:40:48Z</modified>
<issued>2008-03-27T14:29:11Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Após longo, inexplicável e inadmissível silêncio, enquanto mosquitos picavam ,filas cresciam e crianças morriam, eis que ele reaparece....</summary>
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<dc:subject>De troglodita</dc:subject>
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<![CDATA[<p> Após longo, inexplicável e inadmissível silêncio, enquanto mosquitos picavam ,filas cresciam e crianças morriam, eis que ele reaparece. </p>]]>
<![CDATA[<p>  Diretamente saído da hibernação virtual, eis que ressurge, dizia, em todo seu proverbial mal-humor irônico, o ex-comunista, ex-pedetista, ex-petebista, ex-pefelista e atual blogueiro-mor do município de São Sebastião do Rio de Janeiro. E aparece para que ? para responder , com toda a falta de educação que lhe é peculiar ,  que a cidade só estará livre do flagelo da dengue .." quando atingir uma situação de total assepsia , ou quando o Rio for uma cidade de clima temperado. "  O que equivale a dizer,com o perdão da baixeza , " Fodam-se". Nem uma mísera palavra de solidariedade às famílias das vítimas, ou aos cidadãos forçados à humilhação de filas de resultados mais do que improváveis. Nenhum sinal de assumir , parcialmente que seja, a responsabilidade pela cagalhofança vigente. Nada. Ainda não cheguei ao ponto de um conhecido, que ouvi recentemente dizer " Não sei como até agora não apareceu um maluco pra dar um tiro na boca dele."  Mas que este senhor já ultrapassou todos os limites do aceitável, isso lá já ultrapassou.  E não há passividade que resista a tanto escárnio. </p>]]>
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<title>Quelqun m´a dit</title>
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<modified>2008-03-26T17:47:00Z</modified>
<issued>2008-03-26T17:23:24Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Leio que Sarkô está azeitando o inglês para poder papear sem medo com a rainha da Inglaterra. Parece mais uma babaquice midiática deste mestre da dissimulação . E deve ser mesmo. Sarkô é imagem, Sarkô é estampa, Sarkô é...</summary>
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<dc:subject>De hoje</dc:subject>
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<![CDATA[<p> Leio que Sarkô está azeitando o inglês para poder papear sem medo com a rainha da Inglaterra. Parece mais uma babaquice midiática deste mestre da dissimulação . E deve ser mesmo. Sarkô é imagem, Sarkô é estampa, Sarkô é forma,  agora em sabor limão. Só mesmo a profunda incompetência da esquerda francesa para perder uma eleição para este ( parafraseando o ex-ministro Fernando Lyra  que usou expressão parecida para definir o beletrista Zé Sarney)  "vanguardista do retrocesso" .   </p>]]>
<![CDATA[<p> Tudo bem que os aliados do baixinho pilhado levaram uma piaba da esquerda nas recentes eleições municipais França afora, mas a vitória sobre a instável Ségolène na disputa pelo Eliseu foi um feito e tanto. Mais uma prova de que quando se tem o visual certo e o tom propício, conteúdo é coisa irrevelante. Prova disso é que os franceeses escolheram para presidente um filho de húngaro que odeia estrangeiro, um liberal econômico que defende protecionismos vários,  um machista retrógado que se vende como modernizador dos costumes, um Collor de béret basque ( aquela boininha dos franceses) que se vende como estadista.<br />
   Para completar , o cara tá pegando a Carla Bruni. Mas isso  parece comprovar a tese segundo a qual mulher muito bonita sente uma atração irresistível por homem muito babaca - parece que transmite certa segurança. Assim como homem muito bonito normalmente se sente atraído por homem, bonito ou não. <br />
   Agora, de estampa, dissimulação, ilusões óticas , estéticas e simulacros, ninguém entende mais do que Elizabeth e os dela. Sarkô está bem parado. </p>]]>
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<title>Em tempos de balneário dengoso</title>
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<modified>2008-03-25T14:51:33Z</modified>
<issued>2008-03-25T14:37:15Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Vale recuperar um profético Gêgê, um visionário Gil Black Gil, ministro da Curtura avant la lettre - et après la mélodie..- lá dos idos setentistas , em meio à fumaça do beque solto ( não confundir com o maracatu...</summary>
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<dc:subject>De ontem</dc:subject>
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<![CDATA[<p> Vale recuperar um profético Gêgê, um visionário Gil Black Gil,  ministro da Curtura avant la lettre - et après la mélodie..-  lá dos idos setentistas , em meio à fumaça do beque solto ( não confundir com o maracatu de baque solto, que o finado Chico Science só revelaria ao país décadas depois, pouco antes de esborrachar-se  - talvez borracho - numa semi-curva da mega-artéria que bombeia o sangue de Recife a Olinda e vice-versa,  visse ? ) ..Mas divago, doutor, divago..  </p>]]>
<![CDATA[<p>    Voltemos ao pai da Preta , do Bem , lembrando que Tins e tais são coisas do mano Caetano definido dia desses pelo Paulo Vanzolini, ,o mais desconhecido autor de um dos grandes sucessos do nosso cancioneiro deprê-suicida, " Ronda". Disse o Vanzo à Fôia ao falar de Caê:  "Esse aí não serve pra nada"..<br />
   Mas e o ex de Drão, atual de Flora, o que disse ele naquele insight premonitório ? pois o negão , que reencarnaria sem ter desencarnado numa versão remix de algum sillicone valley adjacente ao Pelô, sob a alcunha de Carlinhos Brown. O nosso afrobaiano ministro café com leite num rasgo de concisa antevisão cantou e disse, sem dó:<br />
 "Traga-me um copo d´água tenho sede, e essa sede pode me matar."  </p>]]>
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<title>Confirmando a sabedoria popular</title>
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<modified>2008-03-25T14:36:40Z</modified>
<issued>2008-03-25T14:31:48Z</issued>
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<summary type="text/plain"> O povo sabe porque é danado, e é danado porque sabe. Ou senão, como explicar este......</summary>
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<dc:subject>Do asfalto</dc:subject>
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<![CDATA[<p><br />
  O povo sabe porque é danado, e é danado porque sabe. Ou senão, como explicar este...</p>

<p> </p>]]>
<![CDATA[<p>...trecho de frase pescado num diálogo entre duas moças , na calçada da TV Grrrrobo,  no aprazível e e emosquitado bairro do Jardim Botânico, Zona Sul do Rio ? </p>

<p>"...o Bonner, o Boninho, esse William Bonner que controla o Big Brother.." </p>]]>
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<title>A quem interessar possa</title>
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<modified>2008-03-22T20:11:16Z</modified>
<issued>2008-03-22T20:07:47Z</issued>
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<summary type="text/plain">Depois de nem tão longo e nem tão tenebroso inverno, na verdade depois de um gigantesco e úmido verão letárgico, o velho perissodátilo está de volta. De casca grossa e chifre na cabeça , que é pra facilitar as coisas....</summary>
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<dc:subject>De hoje</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Depois de nem tão longo e nem tão tenebroso inverno, na verdade depois de um gigantesco e úmido verão letárgico,  o velho perissodátilo está de volta. De casca grossa e chifre na cabeça , que é pra facilitar as coisas. Em meio a vibriões coléricos e aedes aegypt, uma questão se coloca :a quem cargas d´água isso lá interessa ? como única resposta vem-me à mente a frase que virou marca registrada do filósofo Rolinha , do fundo das entranhas obscuras de e uma fábrica de salsichas midiáticas na zona sul do balneário..." Você que vai dizer". Aproveito o gancho e me penduro para provocar, com algumas perguntas (superficiais, que ferrugem é coisa que vai saindo aos poucos)  sobre sujeitos e interesses .    </p>]]>
<![CDATA[<p>Já que ainda ouvimos ao fundo o som da salsa e a carne de porco ainda fumega num espeto amazônico, não custa perguntar: a esta altura do campeonato, a quem interessa a presença de um grupo armado - 11 mil homens,  dizem, com impecáveis uniformes camuflados, indefectíveis Kalashnikov e alguns laptops que ninguém é de ferro-  a quem interessa,dizia, a presença de um grupo armado na América do Sul, dominando parte considerável do território de um país soberano, com livre-trânsito nos territórios circunvizinhos,  recebendo os royalties de boa parte da cocaína do mundo e alimentando a tese de uma revolução inconclusa e, ao mesmo tempo, garantindo manchetes para manter viva a chama da histeria anticomunista?</p>

<p>Por outro lado, lá bem do outro lado, a quem interessa um governo palestino sem bônus nenhum e com todo o ônus, enfraquecido, humilhado, encurralado, abrindo espaço para o pior do fundamentalismo religioso e do radicalismo de métodos, a alimentar por sua vez o mais bem armado e mais bem treinado aparato de guerra de todo o Oriente Médio?  A quem interessa, ainda neste contexto, o gueto de Gaza ? isso tudo claro, enquanto os rios de petróleo fazem marola ali do lado e entopem as artérias do mundo de bem , logo adiante.</p>

<p>De volta à nossa seara tropical, também cabe perguntar: a quem interessa a falta de um debate sério sobre a tragédia fundiária ? a demonização hipócrita das drogas circunstancialmente ilegais? o desmantelamento paulatino de toda e qualquer estrutura de serviço social a cargo do Estado, saúde e educação só para ficar nas mais gritantes e abjetas irresponsabilidades ? a quem interessa enfim o silêncio sobre o cacerígeno e malcheiroso fracasso das políticas de transporte , a um só tempo individualistas e excludentes?<br />
 <br />
Como vemos, os aparentes interesses são muitos..e este Rinoceronte aqui só não aponta com mais clareza os interessados por ainda não ter um advogado legalmente constituído...</p>

<p>Provocações feitas, aguardemos na sombra a volta do cipó da aroeira.     </p>]]>
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<title>A justiça da bola</title>
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<modified>2008-03-22T20:11:16Z</modified>
<issued>2006-06-01T15:45:47Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Corria o ano de 1978. Muitos de nuestros hermanos argentinos sentiam na pele as agruras do combate ao perigo vermelho de Moscou. Outros se apressavam a maquiavelizar os preparativos para o Mundial, com o prestimoso auxílio do sempre soturno...</summary>
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<![CDATA[<p>  Corria o ano de 1978. Muitos de nuestros hermanos argentinos sentiam na pele as agruras do combate ao perigo vermelho de Moscou. Outros se apressavam a maquiavelizar os preparativos para o Mundial, com o prestimoso auxílio do sempre soturno e dissimulado dirigente máximo da FIFA, Jean-Marie Faustin Godefroid d´Havelange. </p>]]>
<![CDATA[<p>  Por aqui, bem de acordo com os tempos que corriam, um capitão da Aeronáutica ,com pinta de galã de pouca paciência, comandava o escrete canarinho na tentativa de apagar o fiasco da participação na Copa de 74, na então Alemanha Ocidental. <br />
  Em 78 abrilhantavam a "seleça" o vitaminado Zico, o contestador Reinaldo, o explosivo Dinamite e o <br />
homoerótico coxudo Leão, apropriadamente debaixo dos paus.<br />
   A epopéia terminou com a vexaminosa garfada da milicada local, presenteando a massa azul e branca com o troféu, e estimulando a algazarra que abafava os gemidos dos porões, a representação brasileira voltou pra casa com o duvidoso título de campeã moral. <br />
   Mas antes mesmo da bola rolar na Argentina, o corte de um artilheiro nordestino de feições cafuzas passou <br />
despercebido. Para quase todo mundo, menos talvez os mais ferrenhos torcedores do Santa Cruz, cobra coral pernambucana, cientes do potencial de garra e explosão do moço. <br />
   Vira a página e chegamos ao domingo 1º de junho de 1980, no mais clássico dos tapetes : o gramado do Estádio Mário Filho, no Maracanã. Frente a frente para a derradeira partida do campeonato brasileiro, Flamengo e Atlético mineiro. Nos dois times, alguns dos personagens de 78..entre eles Zico, Reinaldo e o mesmíssimo nordestino de feições cafuzas, que anos antes, antes mesmo da frustração de 78, havia sido dispensado das categorias de base do rubro-negro da Gávea, do qual ostentava neste domingo de casa cheia a camisa 9.<br />
  E aí o filme corre célere: logo aos 6 minutos, passe de Zico, gol dele, Nunes. Um minuto depois, Reinaldo deixa tudo igual. Finalzinho do primeiro tempo, Zico , na área, saco. 2 x 1. Segunda etapa, e Reinaldo, claudicante pelo joelho bichado empata (resultado que dava o título ao Galo) e revive o punho fechado do black power US, protesto solitário contra a decrépita ditadura tupiniquim. <br />
  Mas não é hora de política. Aos 36, tensão total, bola pela esquerda da área atleticana, Nunes antevê a redenção, dá um drible radiográfico no zagueiro e manda prá rede. Explosão de euforia no Maraca, no Rio, no Brasil, no mundo. <br />
   Na arquibancada, no meio de cento e tantos mil gritando de alegria, entre a Raça e a Jovem, um moleque cabeçudo classe média, eu, aos doze anos , na primeira ida ao estádio sem meu coroa. Delírio nos abraços apertados , presenciando a história, da justiça feita a bola.    <br />
     </p>]]>
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