« Idade média high tech | Main | Taí... »
junho 23, 2008
Malandra-mente
Assim como os papos sobre um onipresente "jeitinho" a esconder toda e qualquer falcatrua sob a capa de uma malemolente esperteza remissora...
..acomodamo-nos a repetir a máxima de que " Esta é mais uma lei que não vai pegar". Só que sempre com a envergonhada omissão do final da mesma, tão obviamente claro quanto o estouro de uma bola de encher, elevada , pelo aumento da pressão interna, aos limites de sua elasticidade. Só muda o momento em que o látex, impotente ante as lufadas de ar e perdigotos, desiste de resistir. O punch line da supracitada máxima, voltando a ele , só pode ser um: "para mim." Claro, pois a partir do momento em que o sujeito conscientemente diz que não há como a diretriz ser respeitada , ele já assume com toda a desfaçatez que engrossará o coro dos ignorantes. Mesmo ciente dos benefícios para a coletividade inerentes a uma eventual aplicação da norma. Como mais recente exemplo de mais esta louvação à hipocrisia pátria, não há como não citar as recentes restrições ao binômio do capeta álcool + direção. Ou você conhece alguém que passou ao menos uma noite abstêmia no último finde, só para elevar , um tantinho que fosse, o grau de segurança de seus próximos, dos outros motoristas e dos transeuntes e assim injetar alguma dose, por mínima que fosse, de tranqüilidade no trânsito etilizado e ensangüentado da urbe ?
Se a Espanha nos deu Cervantes e ele o estóico Quixote de La Mancha, podemos bem resgatar para o mundo Angélica, a filósofa da mancha, que em priscas eras, sabida que só ela, ia de táxi.
Posted by lins at junho 23, 2008 02:24 PM
Comments
Há os comedidos: aqueles que se restringiam ao consumo de apenas uma lata de cerveja ou uma taça de vinho. Desconsidera-se que a estatistica - novamente esse emaranhado de números que força a irrazoabilidade normativa - aponta acidentes causados por embriaguez, ou seja, estado alcólico inadmitido pela pretérita lei. O aspecto genérico da norma exorbita as raias do bom-senso; tocam todos para a vala comum por conta da estupidez de alguns. Aliás, isso é recorrente na mente politicamente correta (veja o caso do desarmamento). Não é minha praia, mas suponho que o consumo de maconha começa a ser mais vantajoso: pelos menos leva-se apenas uma advertência do guardinha. Vou perguntar ao cardiologista se vale trocar a taça de vinho...
Posted by: Carlos Job at junho 23, 2008 05:09 PM
"benefícios para a coletividade inerentes a uma eventual aplicação da norma"
Aaaah! A Coletividade! Essa quimera sedutora. Quantos não foram as tragédias, todas grupais, inspiradas por essa musa benevolente.
Posted by: FIX at junho 25, 2008 03:18 PM
Saco do bolso minha planilha Excel e vejo que quase todos os potenciais infratores que a lei procura enquadrar são os caras que saem tensos do trabalho e tomam uma cervejinha ou uma dose de uísque antes de chegar em casa. Sem esse paliativo, o nervosinho estaria bem mais sujeito a se envolver em acidentes. Como não reconheço a autoridade da tal coletividade, falo por mim: duas latinhas de cerveja me tornam um cordeirinho no trânsito.
Se é tão fácil identificar um bêbado irresponsável, não sei por que entre fazer uma lei que enquadre bêbados irresponsáveis no trânsito e outra que enquadre todo mundo que bebe, optaram pela segunda opção. Talvez seja resultado do fascismo ainda envergonhado que já nos envolve.
Posted by: Roger Prado at junho 26, 2008 02:20 PM
