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abril 02, 2008
Triste piada
A piada mais sem graça do primeiro de abril completou 44 anos esta semana.. o golpe militar de 1964 . E mais de quatro décadas depois, as peguntas seguem pertinentes: o que teria sido da democracia brasileira se os fardados
(aloprados úteis da época..hoje maridos trtaídos, amantes abandonados, pedintes envergonhados) não tivessem encampado a idéia da " Redentora" ? estaríamos pior do que estamos ? haveria alguma possibilidade de radicalização à esquerda ? teríamos feito a reforma agrária e alterado substancialmente o cenário medieval no campo? conseguiríamos, de forma menos traumática, consolidar o processo de industrialização ?
Mais uma vez o assunto passou batido na imprensa, ainda que as conseqüências nefandas do dito cujo sejam sentidas até hoje ...ou não ? No entanto, uma breve passada no sítio do Clube Militar, do Rio de Janeiro ainda nos brinda com pérolas tipo isso aqui, da lavra do general da reserva Ulisses Lannes:
(...)
" Em março de 1964, a desordem e a intranqüilidade atingiram novos patamares. Sucediam-se as greves, e aumentavam as arruaças e ameaças de intervenção de grupos armados ligados a Brizola. A população sofria com o desabastecimento, os freqüentes e inopinados cortes de energia elétrica e a quase diária paralisação do transporte público.
Arregimentada pela grande imprensa, pela Igreja católica e por líderes políticos, a opinião
pública começara a protestar e a participar, maciçamente, de manifestações contra aquele estado de
coisas. Em tão conturbado ambiente, três eram os cenários mais prováveis para a evolução do quadro
nacional: a implantação de um regime ditatorial de esquerda; o agravamento do anarquismo sindical; e
a eclosão de uma guerra civil com conotações ideológicas. Claramente, a sucessão democrática
normal, prevista para ocorrer no ano seguinte (1965) tornava-se a cada dia mais distante e implausível.(...)
A incitação ao motim; o estímulo à quebra da hierarquia e da disciplina, a virulência de Jango; e a clara intenção de aprofundar a anarquia e a desordem despertaram nas forças vivas da nação a necessidade de pronta e enérgica reação, ainda que à custa da quebra da ordem constitucional. A destemida e intrépida decisão dos Generais Mourão e Guedes de iniciar, em Minas Gerais, com absoluta inferioridade de meios, o deslocamento em direção ao Rio de Janeiro e a Brasília, aglutinou e catalisou a resposta da sociedade brasileira aos desmandos e à subversão. A rapidez com que o movimento se fez vitorioso, sem encontrar a menor resistência de nenhum setor da sociedade, constitui a melhor prova do repúdio popular ao esquema golpista engendrado por Goulart e
seus aliados.
A momentânea quebra da ordem institucional, respaldada e legitimada pelo Congresso e pelo
imenso apoio popular, salvou a democracia, ameaçada pela intimidação do parlamento, pela pressão
das massas sindicalizadas e pela anarquia das Forças Armadas. Desse modo, o 31 de Março de 1964
... é, primordialmente, um fato político e não uma quartelada, como insinuam seus adversários e
detratores...*
Não pode, pois, ser rotulado como golpe militar, como, aliás, atestou o jornalista Roberto Marinho,
em editorial do jornal O Globo de 7 de outubro de 1984:
"Participamos da Revolução de 1964, identificados com os anseios nacionais de
preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica,
greves, desordem social e corrupção generalizada... Sem o povo, não haveria revolução,
mas apenas um “pronunciamento” ou “golpe” com o qual não estaríamos solidários." "
Neste mundoe neste país, onde insistem em decretar a morte das ideologias e a pasteurização hegemônica das fórmulas políticas e econômicas, também teimam em ignorar o tanto ainda por faze . Isto, claro, se houver algum interesse de fazer disso aqui um lugar digno de viver.
Posted by lins at abril 2, 2008 11:47 AM
