agosto 07, 2008

DECÁSSILABOS MODERNOS - ELEIÇÃO

Vote em calvos, pois eles brilharão!
Da cabeça ao bico dos sapatos
Vote em putas, porque humilharão
Esses filhos-da-puta com seus atos
Vote em sábios porque eles farão
Coisas como renunciar mandatos
Vote em gatos, pois acompanharão
Tantos veados, sapos, patos, ratos.
Vote em branco, pois logo inventarão
As tais cotas raciais para candidatos.

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julho 05, 2008

DESAVISOS DE 10 A 7

10
O DETRAN deveria fazer provas para concessão de carteira de habilitação para bêbados. O sujeito enche a cara, faz a prova e obtém a carteira comprovando que dirige bem, mesmo embriagado. Nada de lei nova ou bafômetro, basta a “carteira do motorista ébrio”.
SEIS
Todo mundo é hétero, pois todo mundo é atraído pelo outro. O único homo da história foi Narciso e o narcisismo é a mó viadäge.
5
Dois lincos aí prosëis – Pensamentos Cativos e Contra Impugnantes.
DEUX
Um dia desses, eu disse que era conservador e uma garota me olhou atravessado. Ela concluiu que eu sou também moralista e puritano. Nada a ver...
VIII
Coisas negativas se anulam. O sim ao sim é sim, mas o não ao não é sim. E não ter vergonha é ter vergonha de ter vergonha.
CUATRO
O adultério é um dos combustíveis das histórias de amor. Sem ele, a literatura ocidental teria poucas obras-primas. A literatura ocidental é uma lavoura farta de cornos.
TROIS
Idéia para camiseta: na frente em letras pretas: “Marxistas, graças a Deus”, abaixo da foto de Groucho Marx. No verso, os dizeres: “Não me filio a partido que me aceite como militante”.
NINE
Entre os taquígrafos os clichês são conhecidos por números. “Gelou-me o sangue nas veias”, por exemplo, é o número 112.
UNO
“Ah, isso é a sua opinião”. Muita gente acha que isso é argumento. Eu acho que não é, mas e se isso for só minha opinião? Tem outro “argumento” igualmente podre: “se você é feliz pensando assim...” E quem disse que eu sou feliz? Humpf...
7
Um triângulo encontrou uma reta e acalentou-a docemente em seu vértice. Era um triângulo amoroso.

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junho 29, 2008

DECASSÍLABOS MODERNOS - O QUE FAÇO

Todo sim que escuto é amargurado
Todo trago que tomo é por inteiro
Todo pranto que tenho é engraçado
Todo medo que sofro é bem ligeiro
Todo cheiro me vem falsificado
Todo clone me vem tão verdadeiro
Todo ensejo me chega atrasado
Todo azo para mim é brasileiro
Todo verso que faço é inventado
Todo fato que invento é verdadeiro

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junho 12, 2008

DOIS FORMATOS PARA UMA HISTÓRIA

FÁBULA – o conto curto

Um dia uma flor ainda em botão foi despetalada e se transformou em uma menina que não via o amor.

FÁBULA - o soneto

Ainda em botão, um dia, uma flor
Foi muito violentamente despetalada
Quando cresceu se viu transformada
Em uma menina que não via o amor.

E ela seguia pelas madrugadas
Lembrando do tempo em que era flor
E era de perfume as suas pegadas
E sem sentir, se ia, semeando amor

E ela pisa o amor enquanto caminha
O amor e todo seu estranho esplendor
Porque ela pensa que está sozinha

E não vê o brilho do sol do amor
O amor para ela é qual erva daninha
O amor é espinho para aquela flor

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abril 06, 2006

TOC-TALK

Falar é se livrar de sons
Como ensinar é aceitar fingir
Como temer é se iludir
Mostrar é presentear números

Falar é motivar um fogo
Como o amor é a danação do ódio
Como esperar é querer o jogo
Como viver é representar o óbvio

Falar é avisar ouvidos
Como ouvir é retocar silêncios
E cheirar é enxergar o nojo
Repousar é ruminar cansaços

Falar é pintar significados
Como a mente que discursa pensamentos
Como os olhos que conceituam fatos
E a alma que canta pausas.

Falar é exalar palavras
Como as flores que dizem cheiros
Os alimentos que contam sabores
E as mãos que pronunciam carícias.

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março 12, 2006

MARCHINHA DA ANÁLISE SINTÁTICA

O sujeito é aquele que faz
Da oração é um dos termos essenciais
O outro termo é o predicado
Que é do que o sujeito é o culpado

Complemento nominal, termo integrante.
Usado para completar o significado
De um advérbio ou até do adjetivo
E evidentemente do substantivo

O objeto complementa o verbo
Podendo ser direto ou indireto
E tem também o agente da passiva
Que é o sujeito do verbo na voz ativa

A oração tem termos acessórios
Cujos papéis são quase ilusórios
O aposto e o adjunto adverbial
E mais um, o adjunto adnominal

Adjunto adnominal é um complemento
Que modifica um substantivo
E tem esse nome de adjunto
Porque ao substantivo fica junto

Adjunto adverbial também completa
O verbo, o advérbio ou o adjetivo
Se eu digo “eu pulei o carnaval”
“O carnaval” é adjunto adverbial

O aposto serve para explicar:
“Marchinha, patrimônio popular”
Não pense que esqueci o vocativo
Mas esse, ó leitor, vá estudar!

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março 08, 2006

DST E MST

Estupro das leis.
A camisinha do PT.
A sífilis da sociedade.
O cancro da democracia.
O MST é uma blenorragia.

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SEMPRE PRESENTE

O passado é um presente.
Só o passado não passa.
Só o passado nos pertence.
É o passado que nos mata.

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janeiro 31, 2006

SONETO ZEN

Repetindo e repetindo
Eu estou me repetindo
Eu estou me repetindo
Repetindo e repetindo

Eu estou me repetindo
Tempo todo repetindo
É tô mesmo repetindo
Repetindo e repetindo

Eu estou me repetindo
Repetindo e repetindo
Eu estou me repetindo

Eu estou me repetindo
A mim estou repetindo
Repetindo e repetindo

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janeiro 01, 2006

APESAR DE MIM

Apesar de mim
Não pense "os homens
São todos assim"
Apesar de mim
Não sofra não chore
Cante, reze, ore
Peça a Deus por mim

Apesar de mim
Continue grande
Ria, dance e cante
Sou seu trampolim
Apesar de mim
Jamais perca a fé
Seja mais mulher
Apesar de mim

Apesar de mim
Não feche seu peito
Não mude de jeito
Ignore o fim
Apesar de mim
Continue linda
Amando-me ainda
Apesar de mim

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dezembro 11, 2005

PAROLES

Eu gosto de ver as palavras e arrancar delas o que elas não dizem de cara. É só apertar, que as palavras abrem o jogo. Ah, elas merecem ser torturadas, que é desse atrito que nasce o fogo das imagens que só as palavras desenham. Mas acho que já disse isto e detesto me repetir, detesto me repetir, detesto me repetir, já falei isto, não é?

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HAICAI SHIVA

Enquanto Deus assovia
E todo o universo dança
Eis que nasce um novo dia

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dezembro 07, 2005

HAICAI DA FEIURA

O feio não dá na vista,
Pois não encontra razão
Para bancar o narcisista

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dezembro 04, 2005

DESCONEXÕES

O amor não nasce nem morre. A chuva cai e vai lavando a rua e sujando os carros. Fêmeas sonham com machos, que rezam para Deus, que sofre por todos. A musa passeia por São Paulo e de ônibus vai até Brasília. Alguém encontra ouro e joga fora, pois queria diamantes. As canções são eternas crianças que repetem sempre a mesma coisa e por isto são belas. A distância destrói sonhos, constrói sonhos, volta a destruí-los e o amor resiste em amar. Coloridas e sem cheiros, as flores virtuais enfeitam eternamente a área de trabalho. A vida das crianças é ameaçada por hordas de mães cheias de carinho. Palavras e sono se misturam, lá pelas duas da manhã começam a brigar e o sonho nasce. Uma mudança está por vir após cinco mudanças seguidas, é muita mudança! A cidade sorri enquanto aviões vomitam políticos em suas cidades bem longe. Alguém corre atrás de quem corre atrás de uma carreira e o amor perde por uma cabeça, mas a corrida segue. A tradução mais perfeita luta com o mais que perfeito, pois o amor é monoglota. Eu quero minha saudade de volta. E toda obra de arte é um oráculo.

Posted by César Miranda at 03:09 AM | Comments (3)

HAICAI DO SONHO

Já não faço mais nada
Só mendigar seu amor
Pela luz da madrugada

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novembro 28, 2005

HAICAI COM ÁGUA E SAL

Sabe o que é o chorar?
É o olhar que se livra
De suas águas do mar.

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novembro 21, 2005

HAPPY

Felicidade é ser bobo. É tão bom ser bobo. Só os bobos são felizes.

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novembro 17, 2005

HAICAI DA ILUSÃO

Ó, entende
Não existe
Happy end.

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novembro 10, 2005

HAICAI DA MINORIA BARULHENTA CONTRA A MAIORIA SILENCIOSA

Contra um barulhento,
Nada como o silêncio.
É o melhor argumento.

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RECEITA DE NÓS (ou COMO EU E VOCÊ VIRAMOS NÓS)

Ingredientes:
Corpo, Alma, Escrita, Distância, Palavras, Admiração, Poesia, Música, Respeito, Verdade, Solidão, Flores, Frio, Fé, Vozes, Ilusão, Esperança, Chuva, Coragem, Confiança, Tempo.
Modo de fazer:
O objetivo do prato é fazer com que dois corpos-almas se tornem um harmônico. Pegue dois corpos e duas almas separados por grande distância, misture a eles palavras até que se liguem completamente. Se forem poucas as palavras, redija mais até que as palavras sejam suficientes para grudá-los. Adicione pitada de veneração (que é um tipo de creme feito de admiração) até a liga ficar bem afetiva. Com a poesia, faça alguns versos, bem poucos só até o ponto de sentir o cheiro de um sentimento belo. Da música, retire a harmonia e separe, para juntar à mistura final. A melodia e o ritmo podem ser descartados. Respeito, a gosto, pois a deferência, princípio ativo do respeito, ajuda na união das duas almas. Verdade em quantidades generosas, esse tipo de receita não funciona se faltar verdade. Pode exagerar na verdade, não deixe faltar. Flores para embelezar o prato.
“Nós” jamais fica pronto. É um prato que ao modo de fazer sempre se acrescentará procedimentos, porque “nós” é um ser vivo.

Posted by César Miranda at 06:34 PM | Comments (2)

outubro 31, 2005

HAICAI INTUITIVO

Eles vêm do mesmo lugar
A capacidade de sorrir
E o talento para pensar

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outubro 25, 2005

MENINO BRINCANDO

A mesma história. A mesma história. A mesma história. A mesma história. E Deus, criança que é, não se entedia. Almas perdidas, almas arrependidas, almas puras, almas frágeis, almas cheias de graça, almas voadoras, almas nascendo, almas que sonham, almas cegas, almas mancas, almas com aparelho ortodôntico, almas loucas, almas nervosas, almas calmas. A mesma história, a mesma história, a mesma história, a mesma história, a mesma história, a mesma história. Passando, passando, passando, passando, passando, passando, passando. E Deus, razão de tudo isto, sorri e ainda acha pouco.

Posted by César Miranda at 06:34 AM | Comments (1)

outubro 17, 2005

ECO 2 (ou UM BREVÍSSIMO LAPSO DE ESTADO DE GRAÇA)

Alguém chega e deixa a alma da gente cheia de impressões digitais.

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outubro 07, 2005

FELIZ

Quero chorar, mas meu riso não deixa.

Posted by César Miranda at 11:01 AM | Comments (0)

agosto 24, 2005

ALIMENTO

Os olhos comem o mundo.

Posted by César Miranda at 06:34 PM | Comments (2)

VERSO LIMPO DO MANDIOCAL

- Quem
Faria a
Farinha?
- Nós
Farínhamos!

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agosto 15, 2005

HAICAI DON JUAN

Um sedutor
É o típico
Torturador

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julho 12, 2005

HAICAI DA TEMPERATURA

Não há nada mais viril
Nesse tempo congelado
Do que tomar banho frio

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VERSOS PARA DAR O FORA USANDO A POLÍTICA

Se você quiser me ter
Terá o coração ferido
Desiste então de me ver
Que eu sou igual ao PT
Sou um péssimo partido

Ansiando a minha pele
Terá um futuro sofrido
E essa paixão cancele
Sou como o PFL
Sou um péssimo partido

Não queira ser a minha dona
Me escute, pois tem ouvido
A minha vida é uma zona
E sou igual ao PRONA
Sou um péssimo partido

Já tô quase andando nu
Ontem até fui despedido
Só me aparece urubu
Tipo o PSTU
Sou um péssimo partido

ps – utilize o que lhe convier, todo partido brasileiro de direita ou de esquerda é péssimo mesmo. Os de centro também são de amargar.

Posted by César Miranda at 09:08 PM | Comments (3)

julho 01, 2005

POESIA CIENTÍFICA 2

A máquina do tempo
Na quina do espaço
Maquina o meu passo
Na quina do tempo

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junho 30, 2005

HAICAI DO BRASIL

Aqui no Brasil, o ilegal
É quem sustenta o legal
E todos acham normal.

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junho 29, 2005

PEITO ABERTO

Quer um coração? Tenho um aqui, pode ficar com ele, não tenho usado.

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junho 28, 2005

HAICAI RAPIDINHA

Após a possuir
Ele ouviu dela
"Eu posso ir?"

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junho 27, 2005

VÁ NÃO

Se tu fores
Quem vai tornar
Este ar Respirável?

Se tu fores
Quem irá
Inspirar Minhas dores?

Se tu fores
Faltará-me
Matéria Para sonhar

Se tu fores
Este lugar
Ficará Vazio

Se tu fores
Esvaziarás
Céus e mares

Meu olhar
Há de procurar
Teus passos
Nos espaços
Dos lugares

Tudo encherá
De dores
Se fores
E me deixares.

Posted by César Miranda at 07:04 PM | Comments (1)

junho 24, 2005

HAICAI DA FLOR

A rosa não ficou triste
Quando viu seu cravo
Com a haste em riste.

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junho 22, 2005

HAICAI REALISTA (ou AI, A PAIXÃO! V)

Tenho saúde e idade
Que infelizmente me
Impedem a santidade

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VEM

Se vieres
Este ar
Vai se tornar
Respirável

Vem
Pois preciso
Inspirar
Minhas dores

Vem
Pois preciso
Matéria
Para sonhar

Vem
Que este lugar
Está Vazio

Vem
Estão vazios
Céus e mares

Meu olhar
Procura
Teus passos
Nos espaços
Dos lugares

Tudo se encherá
Das cores
De flores

Se vieres

Posted by César Miranda at 10:00 PM | Comments (1)

junho 20, 2005

HAICAI CURTO

E
É
E
ps – este, como poderia se dizer, não é um daqueles haicais em que há três versos sobrando. Não este. Em seus três versos ele diz tudo. Por “e” não é “a” nem “i” nem “o” nem “u”. “E” É “E”. Assim com “a” é “a” e “b” é “b”

Posted by César Miranda at 07:22 PM | Comments (1)

junho 14, 2005

NÃO SE CONTER

O amor é uma nascente. Deus é o amor que não se conteve em si e explodiu-se em galáxias, planetas, natureza, bichos, gente. O rio é também uma fonte que não se conteve e saiu por aí distribuindo água. Somos assim também quando amamos e não nos contemos: explodimos e saímos por aí, distribuindo pedaços de nós.

Posted by César Miranda at 07:05 PM | Comments (2)

junho 01, 2005

GHOST SODA

Um dia pegou uma asma
Porque tomou muita fanta
Tanta asma e tanta fanta
Que se tornou um fantasma.
Pois para se fazer fantasma
É só juntar fanta e asma.

Posted by César Miranda at 10:00 PM | Comments (0)

HAICAI RATO

Quero ter a liberdade
A liberdade dos ratos
Mas não a raticidade

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maio 05, 2005

ATO E POESIA

Em uma boa ação há mais beleza do que em todos os poemas já feitos. Um belo poema é inútil. Uma bela ação é poética. Dedicar-se à poesia verdadeiramente é ter uma vida de belos atos. Jesus é um exemplo de poeta que jamais escreveu livros.

Posted by César Miranda at 07:08 PM | Comments (1)

maio 01, 2005

VIVA TUA SAUDADE

Chora a tua saudade
Navegue-a no teu pranto
Que a saudade é um encanto
De um mar que nos invade

Canta a tua saudade
Faça uma linda seresta
Pois da linda mocidade
Só a saudade nos resta

Beba a tua saudade
Bebendo a saudade passa
Que a saudade é a umidade
Molhando o fundo da taça

Coma a tua saudade
Como alimento e remédio
Que ela é jovialidade
Que ela é o avesso do tédio

Viva a tua saudade
Chora, canta, beba e coma!
A saudade é de quem ama
É a clarão da eternidade

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abril 27, 2005

DEDOS

As pessoas estão
Cheias de dedos
As alianças, os anéis,
Todos cheios de dedos
Também, cheios de dedos
Estão as mãos e os pés

A família dos teclados
E instrumentos dedilhados
Todos cheinhos de dedos
Cheios de dedos as luvas,
Narizes, ânus e vulvas
Cheios de dedos os sacos
Quase todos os buracos

Teclas de computadores
E de aparelhos telefônicos
Também controles remotos
E as bolsas das mulheres
De dedos estão eles cheios

Dedos que apontam e contam
Dedos que coçam e estimulam
Dedos que buscam e procuram
Dedos que mexem e não param

Os dedos são para o tato
O tato para o carinho
O carinho para o chato
Que quer dividir um ninho

E fica cheio de dedos

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abril 25, 2005

HAICAI SÓ DELA

Ela inala fonema
Ela cala morfema
Ela exala poema.

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abril 22, 2005

SINAIS

Faço sinais ateus
A teus olhos
Com óculos escuros
Faço sim, a teus
Olhos escuros
Ateus sinais

A teus óculos
Escuros
Como me ensinais
E voltas a teus
Afazeres
Sem perceberes
Meus ais
E eu que sinais atinha
Neles não me atenho mais
E dou a teus sinais adeus

E meus, ateus sinais
Põem uns óculos escuros
E votam a olhar para Deus
Como os ateus mais normais.

Posted by César Miranda at 10:00 PM | Comments (2)

abril 16, 2005

NO GALINHEIRO, O CONCLAVE

No galinheiro o conclave
Para escolher bem ligeiro
A quem se daria a chave
Deixada pelo pioneiro

Os pintos se reuniram
Naquele grande terreiro
Ciscaram e se ungiram
Com ânimo verdadeiro

E piando o dia inteiro
Expiando todo o feito
Consideraram perfeito

O escolhido verdadeiro
E o tal sucessor eleito
Chamou-se Pio Primeiro

Posted by César Miranda at 07:10 PM | Comments (3)

abril 13, 2005

POETA, POIS SIM!

O poeta é tão somente
um canalha lírico.
um galinha romântico
um simpático empulhador
um adúltero cheio de flores
um conquistador barato
um domador de metáforas
um normal ser humano
uma criança aprendendo
a falar e já apaixonado
um tarado em castidade
um normal ser humano
um sonso deslumbrado
um egoísta condescendente
um amante em teoria
um normal ser humano
um massacrador de rimas
um Dom Juan fracassado
um Casanova desabitado
um John Holmes mal dotado
um normal ser humano
um bebê chorão mamado
um embusteiro amoroso
um chifrudo embriagado
um normal ser humano
um doente incurável
um saudável idólatra
um desastrado adorador
um tenor butequeiro
um normal ser humano
um porteiro de bordel

um poeta se destrói
reclama do que não dói
sonha com o que possui
e ignora os próprios olhos
é um ser humano normal

e vive do adverso
é ele o seu universo
que ele povoa com verso
e chora de tristeza
quando está muito contente
e bebe para relembrar
todas as mágoas que teve
tudo o que na alma ferve
é um ser humano normal

um voyeur alfabetizado
um volúvel apaixonado
um manhoso tântrico
um doutor enamorado
um ser humano normal
um meloso arrebatado
um piegas exaltado
um nobre sentimental
um visionário arrebatado
um utopista cego
um excêntrico com ideal
não estou falando por mim
mas um poeta é assim
um ser humano normal

Posted by César Miranda at 09:50 PM | Comments (2)

abril 07, 2005

QUEM NÃO TIVER PECADO, ATIRE!

A primeira pedra é a última
Gota no copo da ira
A primeira pedra é a vitória
Do pai da mentira

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abril 05, 2005

QUADRA SOBRENATURAL

As sombras não
São assombração
Mas assombração
Sim sombras são

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março 30, 2005

POEMAS INEXPLICÁVEIS - UMA VISÃO INFANTIL II

Para Dani, que é parente de Carlos.

No meio do caminho tinha um caminhão cheio de pedra
No meio do caminho tinha um quebra-molas
Minhas retinas estavam cansadas, mas vi mais...

No meio do caminho tinha um cachorro
Um menino vendendo manga
Uma ponte em cima de um rio
Uma cidade pequena
Uma casa caiada

Minhas retinas cansadas

No meio do caminho tinha um posto de gasolina
Muito buraco também no meio daquele caminho
Um acidente feio do meio do caminho.
Um homem morreu, jamais esquecerei.
Que tinha muito, mas muito muito
Muito mais do que pedra
No meio do caminho.

ps - O outro.

Posted by César Miranda at 07:15 PM | Comments (1)

março 28, 2005

ORAÇÃO

Ame, ama,
Amai, amem,
Ameis, ames,
Amemos,
Amém.

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O ÓDIO E O AMOR

O ódio da vingança aumenta nossas forças, sempre que nos vingamos o fazemos com mais vigor do que normalmente temos. Já o amor nos deixa molinhos, molinhos.

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março 27, 2005

LULA E SEVERINO

É o Lula e o Severino
É o Severino e o Lula
É ali que se acumula
Hoje o nosso destino

De trabalhar sol a pino
Como fosse uma mula
Pra sustentar Severino
Também a laia de Lula

São assim desde menino
E seguem a mesma bula
Chula dança o Severino
Bailarino feito o Lula

Quem não gostar, pia fino
Quem desgosta que engula
Merecemos o Severino
Até escolhemos o Lula

E até que se dobre o sino
E o figurino do Lula
Nossa sorte não se anula
Na gula de Severino

Nossa é a firula de Lula
Qual o ladino Severino
Porque nascemos sem tino
Porque azar não se regula

E ao futuro, vaticino:
À nação já muito fula
Terá mais um Severino
E elegerá um outro Lula

Posted by César Miranda at 12:20 PM | Comments (4)

março 20, 2005

HAICAI DOS MARAVEDIS

Depois do Quixote, Cervantes
Foi do paraíso ao purgatório
Já não escrevia como dantes.

Posted by César Miranda at 08:30 PM | Comments (0)

LEMBRETE

Seguir o caminho mostrado pela saudade.

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março 19, 2005

SEXTETO DO MATERIALISMO CIENTÍFICO

O marxista preocupado
Vendo o pobre espoliado
Sofrendo como ninguém
Pensou lá com seus botões
“Por que só esses patrões?”
Vou explorá-los também.

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HAICAI AMOROSO

Eu, fiel sem templo,
Pleno em adoração,
Daqui lhe contemplo.

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março 18, 2005

HAICAI DE HOJE EM DIA

Hoje em dia
É prosaica
Até a poesia

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março 17, 2005

A QUEM DEVO A ALMA

Se eu pagar o que lhe devo,
Nem minh’alma será minha.
Quando lê o que eu escrevo
Saiba que não está sozinha

Se mesmo a viver me atrevo
Se amo e escrevo esta linha
É pagando o que lhe devo
Dona da alma que é minha

Jurei-lhe não mais versar-te
E poupá-la de minha arte
Mas esqueça o que prometo

E ficará ao Deus-dará
Que moeda é um soneto?
Quando a dívida é o amar?

Posted by César Miranda at 07:45 PM | Comments (1)

março 15, 2005

HAICAI DOS ATEUS

A existência dos ateus
É só mais uma das provas
Da existência de Deus

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março 09, 2005

GOLPE

Foi só um golpe de ar
Que me deixou arrepiado
Não foi nenhum fim de mundo
Nenhum golpe de Estado
Nenhum golpe de azar

Um estranho golpe de sorte
E estamos na mesma estrada
Não foi nenhuma cruzada
E nenhum golpe de mestre
Foi o amor vencendo a morte

Não foi uma inquisição
Nem foi um golpe de abril
Foi só seu olhar sutil
Que em um golpe de vista
Laçou o meu coração

Que santo ofício este o seu:
Semear a poesia que me invade
Enquanto a vida galopa
A golpes de liberdade.

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fevereiro 27, 2005

HAICAI DO CUIDADO

Hei, você, me ouça!
Tenha muito cuidado
O amor é de louça.

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fevereiro 24, 2005

HAICAI CUBANO

A minha nação
Que tanto amo
É minha prisão

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fevereiro 23, 2005

HAICAI DO ESTALO DA DOR

A dor roda num estalo
No vão de um intervalo
A dor é o nosso calo.

ps – ps de haicai é estranho mas vá lá... Só duas coisinhas, essas rimas me surgiram quando conversava com a Meg no msn. A outra coisinha é que a frase “A dor roda” é um palíndromo.

Posted by César Miranda at 09:43 PM | Comments (2)

fevereiro 22, 2005

SORTE E VIDA CAVALCANTI

O meu nome é Severino
Não tenho outro no instante
Como há muitos severinos
Nesta terra tão distante
Deram então pra me chamar
Severino Cavalcanti

Posted by César Miranda at 10:58 PM | Comments (3)

LUA TUA

Disseste-me o quanto é triste
Uma noite sem luar
Para mim a tristeza existe
Se ela mora em teu olhar

Então pra te ver contente
Fiz a lua pratear
Talvez não para outra gente
Mas um luar, pra ti, há.

Quero ver continuares
A sentir falta da lua
Se um dia a ignorares

Tudo bem, a lua é tua;
Teu serão os meus luares
E minha poesia crua.

Posted by César Miranda at 10:54 PM | Comments (0)

fevereiro 21, 2005

OS E AS

Os opostos se atraem
As apostas se traem
Os dispostos se distraem
As respostas se retraem

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fevereiro 14, 2005

HAICAI DO MSN

Complicado
É explicar
Ao teclado

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fevereiro 10, 2005

VERSO LIMPO DO PARAÍSO


Eterno
Lar

Posted by César Miranda at 07:55 PM | Comments (1)

fevereiro 08, 2005

HAICAI KRAFTWERK

Eis o que eu sou
Adoro sintetizar,
Sou sintetizador

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fevereiro 07, 2005

IR E VIR

As pessoas vêm e vão
Vêm e vão
E quando vêm
Não vêem o vão
Que deixam
Quando vão

E quando vão
Não vêem
O vão
Que deixam
Por que
Vieram

Posted by César Miranda at 08:59 AM | Comments (0)

fevereiro 03, 2005

HAICAI DO PRESENTE

Cego não vê o dente
Do cavalo baio que
Ganhou de presente

Posted by César Miranda at 08:53 PM | Comments (0)

janeiro 30, 2005

HAICAI DOS OMBROS DELAS

As quero faceiras
Saindo do banho
Com saboneteiras.

Posted by César Miranda at 06:46 PM | Comments (0)

janeiro 27, 2005

VERSO LIMPO GRÁVIDO

Bendita
Maldição:
O seu aceno
Emprenhou-me
De três sonetos.

Posted by César Miranda at 08:36 PM | Comments (0)

janeiro 26, 2005

DEPENDÊNCIA

Nem só de trem vivem os trilhos
Nem só de milhos vive um xerém
Nem só de sertão vive a fome
Nem só de pão vive o homem

Nem só de saudade vive a solidão
Nem só de ilusão vive a felicidade
Nem só de nós dois vive uma relação
Nem de feijão e arroz vive uma refeição

É muito mais do que isso sim
Ou então pode ser o reverso
E pode nem ser tanto assim
Nem só de mim vive este verso.

Posted by César Miranda at 08:41 PM | Comments (0)

janeiro 25, 2005

CANTIGA

Melodia
Silenciosa
Calmaria
Vaporosa
Cantoria
Mote e glosa
Filosofia
Gostosa

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janeiro 24, 2005

ANÁLISE

É o espelho
Cem por cento
O melhor aparelho
De autoconhecimento

Posted by César Miranda at 10:45 PM | Comments (0)

janeiro 23, 2005

VERSO LIMPO DOS DENTES

O sorriso
Indeciso
Inda é ciso
Osso riso.

Posted by César Miranda at 08:51 AM | Comments (0)

janeiro 20, 2005

HAICAI DA FALTA DA VERDADE

Sem a verdade
A vida é chata
Sem novidade.

Posted by César Miranda at 10:02 PM | Comments (0)

janeiro 17, 2005

HAICAI MY WAY

Sou assim deste jeito
Um defunto coração
Sepultado em um peito

Posted by César Miranda at 10:05 PM | Comments (0)

janeiro 13, 2005

PONTE E BARCO

Aponte, me apontem
A ponte de agora
Passou, pois a hora
Da ponte de ontem

Meu sentido parco
Vendo-se liberto
Sem saber ao certo
Se é ponte ou barco

Nas pontes de agora
Muda-se de margem
Nos barcos d'outrora

Na mesma estiagem
Por rios à fora
Aflora a paisagem

Posted by César Miranda at 09:33 PM | Comments (0)

janeiro 09, 2005

POR QUE CAMINHAMOS

Caminhamos porque temos pernas e caminho. Caminhamos porque temos um encontro. Caminhamos vigilantes e prevenidos. Caminhamos a um encontro. Caminhamos felizes, pois cheios de esperança. Caminhamos rumo ao advento. Caminhamos sob chuva e vento. Todas as tempestades não nos desviam do caminho, pois nossa estrada é nossa única esperança. Caminhamos porque Ele veio. Caminhamos porque Ele morreu. Caminhamos porque Ele voltará. Caminhamos porque Ele nos deu pernas e caminho. Caminhamos porque lá Ele nos estará esperando.

Posted by César Miranda at 09:11 AM | Comments (0)

janeiro 06, 2005

HAICAI BAIÃO

O tempo tanto esquentou
Até mesmo a asa branca
Bateu asas e se abanou.

Posted by César Miranda at 08:06 PM | Comments (0)

dezembro 29, 2004

QUADRA DA FÉ PRAGMÁTICA

“A fé remove montanhas”
Jesus Cristo disse assim,
Mas o cristão vai ao médico
Remover a pedra do rim.

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VERSO LIMPO – NADAR

Nadar
É nada
Mais
Do que
Voar
No mar

Posted by César Miranda at 07:42 PM | Comments (0)

dezembro 27, 2004

SONETO DA EMA (ou SERÁ QUE O NOSSO AMOR, MORENA, QUE VAI SE ACABAR?!)

Este poema é um tema
Um pretexto de um cantar
É o novelo de um dilema
De quem insiste em falar

A solução de um problema
De quem sofre por amar
Este poema é uma cena
Da vida a nos engambelar

Este poema é um cinema
E lá estamos você e eu
Nós no escurinho a sonhar

Ele é o canto da ema
A tal ema que gemeu
No tronco do juremá.

Posted by César Miranda at 08:46 AM | Comments (0)

dezembro 15, 2004

HAICAI EM BRAILE

O cego tateia a luz
O não cego em vão,
Tateia a escuridão.

Posted by César Miranda at 10:30 AM | Comments (0)

dezembro 01, 2004

HAICAI PRECOCE

Quando nasci
Eu tive logo
Um déjà-vu

Posted by César Miranda at 01:58 PM | Comments (4)

novembro 26, 2004

SONETO CONTRÁRIO A UM XOTE

A água que sai do mar
Vira nuvem, se evapora.
Vento sopra, a nuvem vai.
Até onde se ignora

A nuvem com a água do mar
Voa embora para o sertão
Fazer sombra, amenizar
O absurdo quenturão

E segue o seu desafio
Atravessa o Ceará
Ignora serra e rio

E findo esse seu voar
Pode então se desmanchar
No Riacho do Navio

Posted by César Miranda at 08:43 AM | Comments (4)

novembro 08, 2004

HAICAI SÁBIO

Filosofia
É Religião
Sem poesia

Posted by César Miranda at 09:30 PM | Comments (4)

outubro 28, 2004

VERSO DA PROSA DA ROSA E DO MACHADO

Eis-me aqui, prosa
O Guimarães Rosa
E passando feliz
Exalando Rosa,
O Machado de Assis
Cheirando a machado
Manchado de rosa.

Posted by César Miranda at 07:58 PM | Comments (0)

HAICAI TORTO DOS MALES DO CORPO

O silêncio ensurdecedor
Passeia pelo ouvido
De quem tem zumbido.

Posted by César Miranda at 07:52 PM | Comments (0)

outubro 27, 2004

UM JARDIM

Jamais vi um jardim igual a ti
Um campo florido de formosura
Jamais vi um jardim igual a ti
Sublime obra-prima, uma pintura

Jamais vi um jardim igual a ti
Que me atraísse a vista desse jeito
Jamais vi um jardim igual a ti
Com tanta rosa, lírio e amor perfeito

Jamais vi um jardim igual a ti
Que me enchesse de tantos carinhos
Jamais vi um jardim igual a ti
Que me cravasse de tantos espinhos

Jamais vi um jardim igual a ti
Que perfumasse toda minha solidão
Jamais vi um jardim igual a ti
Que ansiasse por enfeitar meu caixão

Jamais vi um jardim igual a ti
Que exigisse tantos cuidados de mim
Jamais vi um jardim igual a ti
E me colhesse como eu fora o jardim

Jamais vi um jardim igual a ti
Pois os que vi eram jardim de flor
Jamais vi um jardim igual a ti
Assim, um lindo jardim de amor.

Jamais vi um jardim igual a ti
Que realizasse uma doce quimera
Jamais vi um jardim igual a ti
Florindo, e não é mais primavera

Jamais vi um jardim igual a ti
Que produzisse sonho o tempo inteiro
Jamais vi um jardim igual a ti
Nas mãos de tão indigno jardineiro

Jamais vi.

Posted by César Miranda at 08:34 PM | Comments (3)

outubro 26, 2004

HAICAI FRANCISCANO

No pé, o calo.
Na alma, a fé.
À fronte, halo.

Posted by César Miranda at 08:28 PM | Comments (1)

outubro 23, 2004

O HOMEM-BOMBA QUANDO PUXA O PINO

O homem-bomba quando puxa o pino
Lembra de Alá, aquele ser divino
Que lhe prometeu eternamente o céu
De virgens e virgens, virgens a granel

O homem-bomba quando puxa o pino
Ele pensa, "puxa, eu puxei o pino!"
E não tem mais jeito voam os pedaços
Vão-se carnes, sonhos, a paz aos espaços

O homem-bomba quando puxa o pino
Lembra de quando era somente um menino
E todo um filme de sua vida passa
Em câmera rápida, assim bem sem graça

O homem-bomba quando puxa o pino
Nasce ali bem mais que um mero assassino
Nasce ali tristeza, pranto, sangue e herói
E uma coisa que arde, emudece e dói.

O homem-bomba quando puxa o pino
Nem vê o quanto é que ele foi cretino
Nem percebe o estrago que seu ato faz
Pois nunca dá tempo de voltar atrás

O homem-bomba quando puxa o pino
Vai aos ares mais do que um palestino
Voam outros muitos prédios e passantes
Nada será mais ali o que era antes

O homem-bomba quando puxa o pino
Escuta-se nítido um estrondo repentino
Da esperança triste e da paz que agoniza
Beleza que some e dor que se eterniza.

O homem-bomba quando puxa o pino
Mostra onde é que vai um louco masculino
Que na sua sanha cega se torna pueril
Uma bravura típica da loucura juvenil

O homem-bomba quando puxa o pino
O faz como se fora um doce bailarino
Que ousa infringir a lei da gravidade
Ele desrespeita a lei da eternidade

O homem-bomba quando puxa o pino
Dança nestes versos que agora termino
Porque o homem-bomba se mostra um nada
Quando puxa o pino da gorda granada

Posted by César Miranda at 09:21 PM | Comments (5)

outubro 19, 2004

VERSO LIMPO DA UTOPIA

A realidade
Fria
Entupiu
A pia
Da Utopia.

Posted by César Miranda at 08:12 PM | Comments (4)

outubro 14, 2004

ELE CANTOU

Desprezado pelo mundo
Sem família e sem abrigo
Sujo, como um ser imundo
Preso num poço sem fundo
Sem esperança e sem amigo

Só, no frio e na tristeza
Quase nu, triste e com fome
Desdenhou toda a riqueza
E penetrou na natureza
Um homem sem sobrenome

Sangue lhe invadia a palma
Preso ao limite da dor
E a noite invadiu-lhe a alma
Mas de repente, eis a calma
E Francisco, então, cantou

Ele cantou, cantou
Como se fosse feliz
E o seu canto iluminou
A sua Assis

Ele cantou, cantou
Pois viu a liberdade
E o seu canto embalou
A humanidade

E os seus versos de poeta
Brilhavam naqueles breus
E a alegria no asceta
Mostrava a graça de Deus

ps - Este poema eu devia a São Francisco e é fruto também de minha dívida interminável com Chesterton.

Posted by César Miranda at 07:20 AM | Comments (5)

outubro 13, 2004

QUADRA DO COMUNICADOR NÃO-VERBAL (ou CITA UM GESTO AÍ, VAI!)

Ele era mesmo o maioral
Da linguagem não-verbal
Morreu triste e frustrado
Porque jamais foi citado.

Posted by César Miranda at 03:38 AM | Comments (0)

outubro 08, 2004

QUADRA DO CEGO QUE ME GUIA

Desastre que me alivia
Erva daninha que rego
O amor, dizem, é cego
Porém, é ele meu guia.

Posted by César Miranda at 07:24 AM | Comments (0)

outubro 05, 2004

HAICAI DA CUÍCA

A cuíca miou de fato
Lembrou-se do tempo
Que era couro de gato

Posted by César Miranda at 09:52 AM | Comments (2)

setembro 29, 2004

VERSO LIMPO 5

Sou alma
Depenada
Procurando
Um pouco
De corpo.

Posted by César Miranda at 10:37 AM | Comments (0)

setembro 28, 2004

LUZ

A luz não tem nenhuma humildade. A luz brilha sem nenhuma humildade. A função da luz é entreter. A luz é um palhaço. Sem nenhuma humildade.

Posted by César Miranda at 08:28 AM | Comments (0)

setembro 27, 2004

HAICAI DO CONTO CURTO

Ele era tão preguiçoso
Parece até que imitava
O Augusto Monterroso

Posted by César Miranda at 01:00 PM | Comments (1)

SILOGISMO ZEN

O prazer é alimentar um apetite.
O inferno é um apetite jamais saciado.
O paraíso é a ausência de apetite.

Posted by César Miranda at 12:51 PM | Comments (5)

setembro 24, 2004

QUADRA DO GUERREIRO

Um guerreiro tem horríveis pesadelos
Um guerreiro não suporta vídeo game
Um guerreiro tem o tempo a assombrá-lo
Um guerreiro é um ser ultrapassado

Posted by César Miranda at 07:58 AM | Comments (19)

setembro 20, 2004

HAICAI APAIXONADO EM DÚVIDA

Eis uma grande bênção:
Amar à primeira vista
Alguém de segunda mão!

Posted by César Miranda at 01:17 PM | Comments (40)

setembro 12, 2004

A HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO

Antigamente as pessoas
Aprendiam a ler e escrever
Hoje elas aprendem a ler
E a dar o Ctrl C e Ctrl V

Posted by César Miranda at 01:49 PM | Comments (6)

setembro 08, 2004

OLIMPÍADA

A palavra é prata.
O silêncio é ouro.
De bronze então,
É a canção.

Posted by César Miranda at 08:16 AM | Comments (1)

VIVER, FILOSOFAR E MORRER

Aprender a morrer é aprender a viver.
Filosofar é aprender a morrer.
Filosofar é aprender a viver.
Filosofar é aprender.
Aprender a filosofar é aprender a viver.
Aprender a filosofar é aprender morrer
Aprender a viver é aprender a morrer.
Etc.

Posted by César Miranda at 08:15 AM | Comments (2)

HAICAI ONÍRICO

Eu vi um peixe pescando
Na beira de uma piscina
Cheia de gente nadando.

Posted by César Miranda at 08:01 AM | Comments (0)

setembro 03, 2004

MINHA TERRA

Minha terra tem cachoeiras
Cascatas, cinismos e falsidades
Minha terra tem muitos rios
Cataratas e glaucomas
Tem araras e cabides
Tem comadres e penicos
Brasílias, fuscas e corcéis

Minha terra tem Palmeiras
Vascos e Pontes Pretas
Elevados e viadutos
Tom Jobim, Cumbica e Vira-Copos
Minha terra tem Graça, Rosa
Machado, Foice e Cutelo
Millôr, Jaguar e Audi A3
Minha terra tem forró,
Samba, choro, soluços e gritarias
Jongo, coco, maxixe e quiabos
Laranja, bananas e desaforos
Portelas, mangueiras e jabuticabeiras
Ave Maria, Pai-Nosso e Deus me livre
Guerra Peixe, Paz, boi e galinhas
Villa-Lobos, bairros e lobisomens
Maconha, cocaína, heroínas
E nenhum herói.

Minha terra tem jumentos
Minha terra tem
Zabumba, pandeiro, triângulo
E polígonos da seca
Minha terra tem aposentadorias e direitos adquiridos
Cascalho, bufunfa, gaita e foles de oito baixo
Emas, lulas, povos e arrasta-pé.
É assim que minha terra é.

Posted by César Miranda at 07:14 AM | Comments (11)

setembro 01, 2004

VERSO LIMPO DA DICÇÃO

Voffê
Diff
Não
Eu
Digo
Fim.

Posted by César Miranda at 07:18 AM | Comments (0)

agosto 31, 2004

HAICAI FRUSTRADO

Tudo o que não tenho
As rusgas, em rugas,
Retenho-as no cenho

Posted by César Miranda at 07:13 AM | Comments (0)

agosto 28, 2004

A MULHER, A ALFACE E A VERDADE

A mulher eu quero nua
Eu quero a alface crua
A verdade, nua e crua.

Posted by César Miranda at 11:19 AM | Comments (4)

agosto 18, 2004

A CASA É CLARA, MAS É UM OVO

A gema mora na clara.
A clara mora no ovo.
A casa da gema é clara
A casa da clara, um ovo

Mas a gema se prepara
Põe o seu vestido novo
Decidida, não repara
Que frigirão o seu ovo

A clara que a ampara
E lhe protege do povo
Sem a função preclara

De proteger todo o ovo
Acaba também de cara
Na frigideira do povo

Posted by César Miranda at 07:37 AM | Comments (0)

agosto 17, 2004

VERSO LIMPO DA VIDA

O momento
É
Um
Monumento

Posted by César Miranda at 07:20 AM | Comments (0)

DECASSÍLABOS AVULSOS

Depois do temporal a casa voa
E é bem difícil voltar pro lugar
O nó da vida pega na pessoa
E fica até a morte desatar

Posted by César Miranda at 07:18 AM | Comments (2)

MERCADO E ELEIÇÃO

Comprar é eleger um objeto como seu preferido. Na sociedade de consumo, os políticos perceberam isto e contrataram publicitários para suas campanhas. A diferença é que não há órgãos de defesa para esse tipo de consumidor, nem o produto é possível ser devolvido.

Posted by César Miranda at 07:15 AM | Comments (1)

agosto 13, 2004

HAICAI DO DESAMADO

Comigo há uma coisa rara
Nem aqueles que me amam
Vão muito com minha cara

Posted by César Miranda at 06:43 AM | Comments (0)

agosto 11, 2004

VERSO LIMPO - A FONTE

Nadar
Rumo
À fonte
É
Ir
Contra
A corrente

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agosto 05, 2004

QUADRA CANSADA

Quando o mar balança o barco
Sinto saudade da terra
Quando a paz me enche o saco
Sinto saudade da guerra

Posted by César Miranda at 07:08 AM | Comments (1)

agosto 03, 2004

VERSO LIMPO DA NOITE

O grilo
Toca
Rabeca
Na boca
Da noite

Posted by César Miranda at 07:01 AM | Comments (0)

julho 27, 2004

HAICAI DO BEIJA-FLOR

Que o botão caia da rosa
Se o cuitelinho não gosta
É que era muito cheirosa

Posted by César Miranda at 09:25 PM | Comments (1)

VERSO LIMPO – AR PRETO

Ir
No
Ar
Noir
Ri

Posted by César Miranda at 09:16 PM | Comments (0)

julho 23, 2004

HAICAI DO AMOR ASSIM

Vou ser sincero,
Eu apenas te amo
Eu não te quero!

Posted by César Miranda at 07:43 AM | Comments (0)

julho 22, 2004

POESIA CIENTÍFICA 1

Um robô
Roubou
Um burro

Posted by César Miranda at 07:06 AM | Comments (1)

julho 01, 2004

HAICAI DO CHORO

Eu chorei tanto
É que já estava
Pronto o pranto

Posted by César Miranda at 06:43 AM | Comments (3)

junho 29, 2004

QUADRA DOS ELOS DA CORRENTE

Eterna e desnecessária procura
Só na prisão da bem-aventurança
Sujeito aos mil elos da ventura
Que são os grilhões da esperança.

Posted by César Miranda at 07:24 AM | Comments (0)

junho 26, 2004

VÁ ENTENDER

O pinto prodígio piou dentro do ovo
Bem antes de estar sob a asa materna
O pinto piando ainda dentro do ovo
Bem se pode chamar de piada interna.

Posted by César Miranda at 12:38 PM | Comments (2)

junho 18, 2004

VERSO LIMPO – ACORDA, ALMA!

A
cor
da
alma
acorda
a alma,
d’accord?

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junho 14, 2004

HAICAI DA MEGA SENA

Fiquei muito indignado
Porque perdi a bolada
Mesmo não tendo jogado

Posted by César Miranda at 07:48 PM | Comments (5)

junho 07, 2004

ADORAÇÃO

Beijo-te as mãos
Queria beijar-te os pés
Como fazem os cristãos
À santa a que são fiéis.
Em sinal de adoração

Seguir-te-ia
Qual andor da procissão
Como os fiéis de Maria
Dando-te minha alegria
Rogando-te proteção

E esta cena
De hinos e devoção
De graça, fé e novena
Sou eu nessa cantilena
Beijando-te pés e mãos

Posted by César Miranda at 08:53 PM | Comments (1)

junho 01, 2004

PONTA DE ALENTO (ACOSSADO)

Não entendo sua língua
Já lhe contei meu segredo
Siga-me que eu lhe sigo
É tarde para ter medo

É certo
Que o errado seja errado
Que eu queira seu agrado
É certo

É errado
Que a noite seja o dia
E a tristeza, alegria...
É errado

O risco é invisível
Covardia, imperdoável!
O amor é inaudível
Nossa dor é desprezível

Meu abraço
Se queixa de sua mão
Seu cansaço
Me segue na escuridão
Meus passos
Deixam uns rastros profundos
Na superfície do chão...

Posted by César Miranda at 08:01 PM | Comments (1)

maio 30, 2004

GAROA E MARESIA


Vem do mar
Uma canção
Vem domar
A solidão

Um lugar
Se descortina
Uma menina
Intima a paixão

Luares são
Uma lubrina,
De ilusão
No chão

Uma folia
Confusão
Em demasia

Para amar
Vou inventar
A garoa
A maresia

O mar
Que virá
Embalar
Nos salgar
Na beira fria
O amor que ardia

Vem do mar...

Ps - Letra para a melodia de "Garoa e Maresia", melodia que é a primeira faixa do CD de Guinga, Noturno Copacabana. Essa peça é uma homenagem às duas cidades Rio de Janeiro e São Paulo. A letra que fiz, como vêem é livre, não fala nada do Timão nem do Leme... Trata-se apenas de um exercício, não da audácia de quem sonha ser parceiro de Guinga. Por favor, sigam a linha do violão que na faixa vai do minuto 0:30 ao 1:36 (quando já é o flugelhorn que “canta” a última frase “Vem do mar...”). Foi sobre ela que escrevi a letra. Quem não tem o CD, trata de comprar.

Posted by César Miranda at 12:28 PM | Comments (0)

maio 28, 2004

FIEL COM TODAS

Não precisa ser fiel
Quem vive sem ninguém
Carece de fidelidade
É quem já tem o seu bem

Se é mais fiel a uma
Do que fiel a ninguém
Então quanto mais de uma
Mais fiel será também

Conclui-se aqui nesse instante
Sem fazer muito escarcéu
Que quem tem muitas amantes
Tem que ser muito fiel

Posted by César Miranda at 07:42 AM | Comments (5)

SALMO

Bendiz minh'alma ao Senhor
Porque entendi que não devo
só almejar a santidade, devo SER santo.
Bendiz minh'alma ao Senhor
porque muito meu sofrimento
tem me feito refletir, não me rebelar.

Posted by César Miranda at 07:41 AM | Comments (0)

maio 18, 2004

VAMPIRO AUTOFÁGICO - O SONETO

Quem bebe o próprio sangue
Fica pouco tempo vivo
Pois o sangue sai da veia
Pra o sistema digestivo

Assim pensava, me creia!
Não podia estar errado
Mesmo sem sangue na veia
Bem estaria alimentado

E sentiu-se um ser divino
Sendo o próprio doador
O homem-moto-contínuo

Culminou-se a sua sina
Transmutando forma e cor
O sangue tornou-se urina

Posted by César Miranda at 04:32 PM | Comments (9)

VERSO LIMPO - VERDADE ATEMPORAL E GÍRIA TEMPORAL


Bach
É
O
Bicho.

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maio 12, 2004

SABEDORIA

A sabedoria
É uma deusa
Nua

Uma musa
Magnífica
Nua
Uma linda
Mulher
Nua

Pouco vista
Pouco olhada
Pouco admirada
Pouco desejada

Mas
Continua

Deusa, musa, magnífica e linda
E
Nua.

Posted by César Miranda at 09:05 PM | Comments (2)

abril 29, 2004

Rebeldes verbos

As palavras não me ouvem
As palavras não se movem
E elas ficam ali assim

Olhando para mim, paradas
Preciso urgentemente
De palavras amestradas.

Nas mãos de um bom treinador
Assim sim, aprenderiam
A me amar como escritor

E fazer o que lhes imploro
E chegariam um amor
Feito pássaros canoros

Cantando com a alvorada
De inspiração, malhadas,
Suando vírgulas pelos poros

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abril 26, 2004

HAICAI DAS ILUSÕES DO AMOR

As migalhas de teu penar,
Ilusões que me alimentam,
E que vão me envenenar.

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HAICAI DO AMOR À VERDADE

Veja o que clamo:
Amai a verdade!
Pois eu já a amo.

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HAICAI DE DEPOIS DA LEITURA DE MeVC

E finalmente,
Achei aquele
Bom presente

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abril 19, 2004

HAICAI DA SERVENTIA DO POETA

Serve pra quê?
Para descrever
Aquilo que vê.

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HAICAI DE AMOR E MORTE

Ao nosso redor
A Morte ensina
O que é o amor

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HAICAI DOS NOMES - SEGURO

Não deveria ser de vida,
Deveria se chamar sim
Apenas “Seguro de Ida”

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abril 16, 2004

TROCA

Me dá a tua tristeza
Que eu te dou minha alegria
Dá-me aqui o teu silêncio
Dou-te minha cantoria

Me dá teus braços abertos
Te dou minha alma vazia
Dá-me teu seco deserto
Dou-te um poço d’água fria

Me dá teu papel em branco
Dou-te minha poesia
Dá-me tua realidade

Dou-te minha fantasia
Dá-me a noite que te invade
Que te dou a luz do meu dia

Posted by César Miranda at 09:20 PM | Comments (3)

HAICAI DO ILUDIDO

Veja só o que faço eu
Verifico se já chegou
Email de quem morreu.

Posted by César Miranda at 08:45 PM | Comments (0)

abril 15, 2004

HAICAI TERMINAL

Consumir-se
É algo como
Consumar-se

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abril 14, 2004

O GALO

O galo quis novidade
Mandou-se do galinheiro
Resolveu ir pra cidade
Foi pro Rio de Janeiro

Por acaso foi à feira
No Morro do pinto molhado
E viu lá uma desgraceira
Que lhe deixou bem chocado

Um menino e uma bacia
Gritava no meio do povo
E juntava quem queria
"Olha gente, olha o ovo"

O galo ficou doente
E com os olhos sem brilhos
Vendo toda aquela gente
Negociando seus filhos

Lembrou-se então das galinhas
“Vão ficar tão macambúzias
Se souberem que nos vendem
Muito barato e às dúzias..."

Quis pegar logo o menino
E aplicar-lhe uma sova
"Quero ver vender mais ovo
Vai vender ovo, uma ova!"

Chegou perto da criança
Com um nojo de dar dó
E falou o que pensava:
"Có có ró có ró có có"

O menino de kichute
Ficou meio sem entender
E gritou dando-lhe um chute
“Que có ró có có, o quê?!”

Mas o galo retornou
E enfrentou o garotão
Com bicada no calçado
E pancadas de esporão

O guri não piou fino
Vem cá que eu te apunhalo
Era o galo e o menino
O menino contra o galo

O galo voou pra escada
O menino gritou “desça”
E ficou, de uma bicada,
Com um galo na cabeça

Já era hora do rango
E passou uma turminha
“vamos ali comer um frango”
“prefiro comer galinha”

“Eles vão comer a gente?
É demais, meu Deus do céu
Ou pode ser biblicamente
Vai ver que é algum bordel”

“Neste caso eu também vou
Vejo se a história tem nexo
Quem sabe encontro o amor
Faz tempo não faço sexo”

Foi e entrou no recinto
E não creu por um instante
Chegou a encolher o pinto,
O lugar? Um restaurante!

O galo ficou uma fera
“Valei meu São Gonçalo
Já detono essa galera...”
Baixou o santo no galo.

(continua)

Posted by César Miranda at 08:10 PM | Comments (3)

abril 13, 2004

IAIÁ

Ai meu Deus, é sua voz,
Esse som que vem de lá?
Basta o seu canto e veloz
Todo eu quer lhe escutar

O tato vem pede licença
O olfato lhe sente no ar
E o olhar pede a bênção
Também quer, o paladar

Tudo o que posso sentir
Pára só para lhe ouvir
És a santa em meu andor

De trampolim ou voadeira
Canta a minha vida inteira
Iaiá, me deixa ser seu Iôiô

ps – Iaiá é o novo CD de Mônica Salmaso. Como sempre, a perfeição.

Posted by César Miranda at 10:06 PM | Comments (5)

abril 12, 2004

VERSO LIMPO - DA MUDANÇA E DA INDIFERENÇA

Tornou-se
Beija-espinho,
O beija-flor.
O espinho
Furou-lhe
O biquinho.
Já a flor,
Nem ligou...

Posted by César Miranda at 08:50 PM | Comments (0)

HAICAI LUDOPÉDICO

Mas o sujeito era tão chato
Típico torcedor de um time
Que ganhou o campeonato.

Posted by César Miranda at 08:42 PM | Comments (0)

março 29, 2004

HAICAI SACANA

Nem precisa me avisar
Se encontrar o ponto G
Eu gosto é de procurar

Posted by César Miranda at 07:44 PM | Comments (0)

março 21, 2004

A BALADA DOS ROMÂNTICOS

Só os românticos amam
Pois eles odeiam
Temer o ridículo

Só os românticos morrem
Pois só eles vivem
A um passo abismo

Só os românticos sabem
Porque eles ouvem
Espaços e ritmos

Só os românticos choram
Porque eles clamam
Um pouco de riso

Só os românticos pulsam
Pois só eles sabem
Ser tão imprecisos

Românticos penam
Recitam, escrevem poemas
Choram dentro do cinema
E jamais se recuperam

Românticos voam
Têm a cabeça no vento
Querem ir para o convento
Coitados, se desesperam

Só românticos não dormem
Pois só eles sonham
Bebem e se embriagam

Românticos se rasgam
Pois sempre estão intactos
Na doçura que amargam

Românticos não obedecem
Porque eles são servos
Seguem a suas feridas

Românticos jamais crescem
Só eles se estabelecem
Sentam-se perante a vida

E vão os românticos
Cruzando o pacífico,
Índico, ártico e o atlântico

Com um sonho específico
De amar e amar e amar e amar
E entoar o seu cântico

Posted by César Miranda at 08:03 PM | Comments (7)

março 13, 2004

HAICAI DOS DESTERROS DE HOJE EM DIA

Do terrível degredo
Do exílio em Paris,
Eu não tenho medo

Posted by César Miranda at 08:06 PM | Comments (0)

março 11, 2004

TERCETO PARA MEU AMOR

Você nasceu para eu amar
Eu nasci para amar você
O amor nasceu pr'eu lhe dar

Posted by César Miranda at 09:33 PM | Comments (0)

ALIANÇA

Uma aliança
Entre um cristão
E um mouro
Feita de latão
Ou feita d’ouro

Uma aliança
Entre mim
E um camarada

Uma aliança
De amizade e proteção
Feita aqui nesta data
Uma aliança
Feita de ardência e ação
Uma aliança de prata

Uma aliança
Entre mim
E a namorada

Uma aliança azulada
Da ilusão dos amantes
Cravejada de diamantes
Linda qual olhos da amada

No forno mais quente que existe
Uma aliança é forjada
Ela é o avesso do triste
Uma aliança serve para quê?

Uma aliança existe para ser honrada!

Posted by César Miranda at 09:32 PM | Comments (0)

HAICAI DE COMO ME DIVIDO

Eis meu AC/DC
Sou eu antes e
Depois de você.

Posted by César Miranda at 09:30 PM | Comments (1)

ODE

Que seu corpo quente
Sinta as minhas mãos
E esta valsa ardente
Espante a inquietação

Que a madrugada
Beba em nossa taça
E a paz anunciada
Rumo à alvorada
Nos encha de graça

Que o frio morra
Com o nosso abraço
E o dia nos socorra
Plenos de cansaço

E só mais um verso
Para este amor sincero
Nada mais eu peço
Nada mais eu quero

Posted by César Miranda at 09:29 PM | Comments (1)

março 07, 2004

HAICAI DA PODEROSA

Sem falar nada, nada
A mulher irresistível
Passa meio entediada

Posted by César Miranda at 10:03 PM | Comments (0)

fevereiro 29, 2004

POEMAS INEXPLICÁVEIS - UMA VISÃO INFANTIL

Nenhum homem é uma ilha
Nenhuma ilha é um homem
Cuba não é um homem
Nenhum homem é cuba

Ninguém é a Gronelândia
Nenhum a Grã-Bretanha
Java também ninguém
Islândia então, nem pensar
Muito menos a Tasmânia
Sri Lanka também não
Nem a ilha de Marajó
Taiwan não é ninguém
Sicília não é tampouco
Sardenha, Jamaica, Chipre
Porto Rico, Córsega, Creta
Maiorca, Madeira, Santa Maria
Tudo ilha, ninguém gente.

Posted by César Miranda at 07:16 PM | Comments (3)

fevereiro 18, 2004

UMA QUADRA PARA A CHUVA

O tanto que tá chovendo
Tem me dado a impressão
Que São Pedro tá fazendo
No céu, uma liquidação.

Posted by César Miranda at 09:15 PM | Comments (1)

fevereiro 17, 2004

SONETO DA DICÇÃO I

A catarata que tinha no paraíso
A carambola que me trouxe o jardineiro
A saracura que tirou o meu sorriso
E a cabrocha que namorei em fevereiro

A arara que eu vi em Araraquara
A pororoca que eu vi na Guanabara
O paralítico que tropeçou no prego
E o Gregório que tá aprendendo grego

O Tafarel, o Careca e o Romário
E os três zeros que tiraram do salário
O dromedário que mataram à traição

O tigre triste que tragou a atriz
O tarado grosso que queria a meretriz
Só atrapalham minha comunicação

Obs – a ser lido com o “R” gutural, como o cara da propaganda de cerveja (“E aí, mulhegada! cagamba, não tô mais falando egado”).

Link relacional – SONETO DA DICÇÃO 2

Posted by César Miranda at 08:59 PM | Comments (2)

fevereiro 15, 2004

JEAN-PAUL À L’ENFER

O inferno são os outros
O inferno somos nós
O céu são os outros
O céu somos nós

Os outros são os outros
Os outros somos nós
Nós somos os outros
Os outros somos nós

O inferno é o inferno nosso
O céu é o céu dos outros
O inferno é o céu dos outros
O céu é o inferno nosso

Jean-Paul Sartre são os outros
Jean-Paul Sartre somos nós
Simone de Beauvoir são os outros
O inferno é Jean-Paul Sartre

Posted by César Miranda at 01:39 PM | Comments (6)

fevereiro 12, 2004

QUADRA PARA ESTES TEMPOS

Cristianismo, o que há?
O que ocorre está errado
Em vez de influenciar...
Está sendo influenciado!


*Dedicado ao amigo RMF.

Posted by César Miranda at 08:46 PM | Comments (0)

fevereiro 09, 2004

HAICAI DAS BODAS

A boda dos dois amantes
Venceu a descrença toda
E fez bodas de diamantes

Posted by César Miranda at 10:55 PM | Comments (0)

janeiro 15, 2004

HAICAI DO POLÍTICO

Ele é o ser
Que mente
Para viver.

Posted by César Miranda at 08:29 AM | Comments (1)

janeiro 02, 2004

HAICAI DA PANACÉIA 2

Está sentindo alguma dor
Já tentou se perguntar
Se não é falta do Amor?

Posted by César Miranda at 08:18 AM | Comments (2)

dezembro 29, 2003

HAICAI DA PANACÉIA

Uma grande idéia
O Amor cura tudo
É a real panacéia.

Posted by César Miranda at 08:35 AM | Comments (0)

dezembro 23, 2003

JESUS E AS CAPITAIS

Jesus é Salvador
Jesus é Vitória
Jesus é Fortaleza

Uma Boa Vista
Um Campo Grande
Um Porto Alegre
Um Belo Horizonte

Jesus é Belém
Jesus é Natal
Palmas para Jesus
Pois Jesus é capital

Posted by César Miranda at 10:02 AM | Comments (9)

dezembro 12, 2003

DE AMANTES

São quais como no escuro as lanternas
Luzentes, ternas, quentes, lancinantes
Paixões que são bem mais do que eternas
Assim são nossos olhos de amantes

E brilham tanto muito mais que antes
Despertam e vêm moldar toda amplidão
Então eis nossos olhos diamantes
Iluminando a pétrea escuridão

É o que fazem olhos tão brilhantes
Espalham pelos céus nossa paixão
Se estendem nossos olhos de amantes

Despertam e atravessam todo vão
Cintilam, brilham mais que diamantes
Porque decerto de amantes são.

Posted by César Miranda at 10:15 AM | Comments (6)

dezembro 11, 2003

HAICAI DA PRESSA

Eu perguntei para a pressa,
"De quem você é amiga?"
Disse-me “não interessa!”

Posted by César Miranda at 10:21 AM | Comments (3)

novembro 28, 2003

HAICAI DE DOR E AMOR

Em momento doloroso
O amor vem se impor
Vivo e esplendoroso

Posted by César Miranda at 10:07 AM | Comments (0)

novembro 27, 2003

HAICAI ADICTO COM PRINCÍPIOS

São os Vícios
O início do fim
Dos Princípios

Posted by César Miranda at 10:07 AM | Comments (0)

novembro 17, 2003

INTEGRAÇÃO

Que possa ouvir a tempo o meu silêncio
O doce menestrel, o passaredo
E sinta o sofrer de meus cansaços
O grave e meneante arvoredo

A meiga e terna brisa levemente
Perceba a compressão de meus abraços
Que as pedras em silêncio permanente
Persigam os vestígios dos meus passos

Que o fulgurante alvor-manhã me acorde
E o brando anoitecer me adormeça
Que me amarele a insolente tarde

Que o céu imenso encha-me de azul
Que a terra fresca me aceite nu
E os urubus comam a minha carne.

Posted by César Miranda at 01:57 PM | Comments (21)

novembro 12, 2003

HAICAI DO CASAMENTO

Bem conformado
Porém ele se diz
Ser bem casado

Posted by César Miranda at 09:12 AM | Comments (0)

DE VÍSCERAS E DE FATO...

Fatos são fatos
Vísceras são vísceras
Vísceras são Fatos
Fatos são vísceras

Posted by César Miranda at 09:11 AM | Comments (0)

novembro 10, 2003

HAICAI LUSO

Trago um fado de criança
Morro de pena da saudade
E acalento uma esperança

Posted by César Miranda at 07:17 AM | Comments (0)

novembro 07, 2003

CORDÉIS PARA A DONA

Horas passam e eu matuto
Cordéis que me vêm à tona
Com um fim irresoluto
De louvar a sua dona

Dona do amor que me torna
Não mais dono do que sou
Pois eu já tenho uma dona

Meu verso
É mais teu que meu
Minha vida
É mais tua que minha

Tuas são minhas saudades
São tuas minhas vaidades
Meus sonhos também são teus
Deus me ajude, nada tenho

Nada sou nada terei
Que não oferte a teus pés
Pra te mostrares quem és
Senhora das minhas horas
A musa dos meus cordéis

Posted by César Miranda at 07:12 AM | Comments (0)

outubro 31, 2003

HAICAI DE QUEM AMO

Eu sei que eu amo você
Porque sei o quanto dói
Em mim esse seu sofrer

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outubro 29, 2003

UM CASAL DE SONETOS - PREDADORA E PREDADOR

PREDADORA

Predadora singular destreza
Do topo da cadeia alimentar
Escolhe e prende sua presa
Que nada faz só se entregar

O que é que pode fazer
Quando vê aquele olhar?
Quem pode lhe defender
Se é impossível escapar?

Sem maldade só instinto
Vem devorar meu coração
Um animal quase extinto

Mostro que sou boa presa
Comporto-me como sinto
Sequer esboço defesa.


PREDADOR
Esse predador faminto
Depreda-me de surpresa
Após o seu vinho tinto
Serve-me de sobremesa

Nem sairei do lugar
E rindo a me entregar
Vou cair na sua teia
E enfeitarei sua ceia

Inundar seu alguidar
Agradar seu paladar
Vai comer até enjoar

Será meu último alento
E sem nenhum argumento
Serei o seu alimento.

Posted by César Miranda at 07:13 AM | Comments (0)

outubro 24, 2003

SANTO GUERREIRO

Eu sou um santo guerreiro
Nasci pra paz e pro horror
Amo o inimigo que mato
Tenho ódio e muito amor

Nada odeio tudo amo
Nada amo tudo odeio
Não tenho a virtude do meio
Odeio e amo sem freio

Qual Maomé e Santa Joana
Imponho a palavra/Empunho a espada
Empunho a palavra/Imponho a espada

Guerrearei por muito amar
Serei canonizado por ser ruim
Matarei quem não me entende
Nada quero para mim

Multidões me seguirão
Fingindo que me admiram
Enquanto tremem de medo
Fingindo que se amedrontam
Enquanto me admiram

Com minha alma partida
Assim é que serei eterno
Guerreiro na eterna vida
E como santo, no inferno.

*poeminha de quando eu não entendia muita coisa.

Posted by César Miranda at 07:08 AM | Comments (0)

VERSO LIMPO 7

Osso
Duro
De
Roer.
Eu
Também
Sou
Duro.

Posted by César Miranda at 07:05 AM | Comments (0)

outubro 23, 2003

HAICAI SIAMÊS

O que se pode fazer
Se eles são siameses
O amar e o sofrer?

Posted by César Miranda at 07:04 AM | Comments (0)

outubro 22, 2003

MOTE E GLOSA - QUEM MORRE NÃO TEM FUTURO / QUEM NASCE NÃO TEM PASSADO

Quem morre não tem futuro
Quem nasce não tem passado
Pode ser num quarto escuro
Ou num quarto iluminado
Pra uns a vida é um enduro
Pra outros é um feriado
Quem morre não tem futuro
Quem nasce não tem passado

Quem só compra coisa a "juro"
Vive sempre endividado
Quem vive em cima do muro
Um dia cai prum dos lado
Quem tem punho muito duro
Vai morrer apunhalado
Quem morre não tem futuro
Quem nasce não tem passado

Quem já caiu de maduro
Deve estar preocupado
Dar lugar pro nascituro
Todo ser foi condenado
Se o menino é prematuro
Passa um tempo incubado
Quem morre não tem futuro
Quem nasce não tem passado

Quem nasceu pra dedo-duro
Vai morrer um pau-mandado
Menino vai pro monturo
E volta todo breado
Nosso amor eu esconjuro
Só porque não fui amado
Quem morre não tem futuro
Quem nasce não tem passado

Quem tem um coração puro
Não vai pro caminho errado
Quem vai pra Porto Seguro
Pode voltar bronzeado
Se não achar quem procuro
Volto muito chateado
Quem morre não tem futuro
Quem nasce não tem passado

Se você não cura, eu curo
Se já usou, tá usado
Se quer soltar, eu seguro
Eu canto samba e tu, fado
Nem sei porque lhe aturo
Se não estou apaixonado
Quem morre não tem futuro
Quem nasce não tem passado

Posted by César Miranda at 07:50 AM | Comments (0)

outubro 17, 2003

HAICAI METAFÍSICO 2

Eis um ser vivo:
Um mistério meio
Auto-explicativo

Posted by César Miranda at 08:49 AM | Comments (0)

outubro 15, 2003

HAICAI MELADO

Estava mais açucarado
Que o coração partido
D'um poeta apaixonado

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outubro 14, 2003

TERCETOS SOBRE O AMOR

Se é o amor pura entrega
O amor é uma injustiça
É uma injustiça cega

O Amor é correr riscos
Eu louco para lhe mostrar
Minha coleção de discos

Amor é maravilhoso
É a visão do precipício
É um sofrimento gostoso

É não ter e é ter sorte
Amar é achar a causa
Da vida e de nossa morte

O amor é você, boneca,
Ir lá em casa conhecer
A minha biblioteca

Os olhos de Deus mareja
Se o amor é correspondido
Pois normal é que não seja

Vem me ver ao violão
Depositar a seus pés
As flores de uma canção

O amor serve para quê?
Para eu sonhar acordado
Que eu durmo com você

Posted by César Miranda at 07:54 AM | Comments (0)

outubro 10, 2003

RAZÃO

Sei que existe uma razão
De tornar-se uma criança
De insistir no perdão
Uma razão que me alcança

Uma incansável razão
D'uma qual tudo depende
Que me solta pés e mãos
E ao mesmo tempo me prende

É uma razão que é
Motivo dos passos meus
Tal razão se chama Deus

Esperança amor e fé
Encheram-me o coração
E eis-me cheio de razão

Posted by César Miranda at 07:49 AM | Comments (0)

outubro 09, 2003

HAICAI DO INSUFICIENTE

Coitado do pobre que diz
Que é o seu próprio líder
E que assim é que é feliz

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outubro 02, 2003

CRISTIANISMO

Que soldados sejam ferozes
E de respeito
E que santos sejam divinos
Perfeitos

Quero riqueza, beleza,
Finura
Quero pobreza, feiúra,
Grossura

Quero o alto e a terra
O choro, o riso e as orações
Quero a procura, o encontro
E as puras contradições
Quero a fartura e a fome
A amplidão e o abismo
O pecador e o perdão
O povo e a solidão

O claustro e a família
A cruz e o descanso
O simples e o adorno
A furioso e o manso
E que nada seja morno
Só isto.

Quero então
O cristianismo

Posted by César Miranda at 08:18 AM | Comments (0)

SILLY SEASON

Ia eu e a primavera
Num frio do inverno
Uivava um outono
Me sigam e verão

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setembro 29, 2003

HAICAI DA SOLIDÃO

Eu já estive só
Hoje sou junto
Junto é melhor.

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setembro 26, 2003

NOÇÃO

Sou um leigo laico lato
Em meu leito deito e mato
A pau, sento a pua, meto a mão
Sou especialista em nada não
Sei quase nada de tudo
Não me iludo com o que sei
Só sei que nem sei se sei
Nem sei se penso ou se existo
Sei só que me exercito
No meio da imensidão
E tenho vaga noção
Do quase que nada sei

Posted by César Miranda at 07:49 AM | Comments (0)

setembro 25, 2003

HAICAI EGOISTA

Se isto não é uma conversa
É só um verso, então pare!
Lê não, só a mim interessa

Posted by César Miranda at 08:03 AM | Comments (0)

setembro 24, 2003

VERSOS LIMPOS - FOLHAS DE ÁRVORES E LIVROS

As folhas
Amareladas
Caem.
Quantas
páginas
Terão
essas
Árvores?
E as folhas
De meu
livro,
darão
Frutos?

Posted by César Miranda at 08:03 AM | Comments (0)

setembro 18, 2003

VERSO LIMPO 10

As águas não
sossegam
Enquanto
ao mar
não chegam.

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SONETO DA AUTOTRAIÇÃO

No tempo em que me amava
Muito mais tempo eu tinha
Me dormia e me acordava
Tinha uma vida só minha

Vivia em meu próprio meio
A me ver crescer, me ninar
Me levava para o passeio
E não me buscava no bar

Depois disto eu me traí
Decidi me substituir
E parei mais de me ver

Nem sei mais se gostava
Do tempo em me amava
Hoje eu só amo você.

Posted by César Miranda at 08:22 AM | Comments (0)

setembro 17, 2003

HAICAI SUADO

Que calor!
E você vem
Ventilador

Posted by César Miranda at 07:56 AM | Comments (0)

setembro 12, 2003

AS MARGENS E O RIO

Acenando ao rio que passa
Duas margens dão risadas
Sabem que os rios correm
Porque elas estão paradas

E se as margens resolvessem
Correr junto em tal corrida
Pra bater um papo com o rio
E falar das coisas da vida?

E se entrassem em uma disputa
E passassem as duas ao largo?
Veríamos as margens correndo
E o pobre rio ali quieto parado?

Que diria o efésio Heráclito
O velho sábio das paragens?
Diria-nos que ao mesmo tempo,
Não se senta em duas margens.

*versos feitos após ler a crítica literária que a Meg - excelente escritora barroca - fez ao livro Rio de Raivas de Haroldo Maranhão, resenha públicada na Revista Colóquio/Letras da FUNDAÇÃO CALOUSTE-GULBENKIAN

Posted by César Miranda at 08:13 AM | Comments (0)

setembro 11, 2003

O HAICAI (QUASE SEM QUERER) DE LUIZ TATIT

Soletra
Interpreta
Etcetra

Posted by César Miranda at 07:49 AM |