setembro 03, 2008
DESATAVIOS
1. Amar é ter mais de uma vida.
2. Na delegacia: “me grampearam”, reclama o papel.
3. Paciente não é o doente. Paciente mesmo é o defunto, que fica lá quietinho, pacientemente.
4. Todo infeliz deveria ser infeliz por isto, mas muitos são felizes.
5. Sou responsável pelo que digo, por isso eu só falo do que digo. E nada mais digo.
6. Os visionários brasileiros sofrem de glaucoma, catarata, hipermetropia e cegueira congênita.
7. Não confunda maxixe com xaxado.
8. Achei um defeito em “Batman – O cavaleiro das trevas”: não tem mulher pelada.
9. O tempo está passando tão rapidamente que até o que é ruim tem durado pouco.
10. O espelho foi feito para a gente refletir melhor.
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janeiro 24, 2006
COISAS BOAS DE FAZER
Cantar, de olhos fechados, uma canção bonita em língua estrangeira do começo ao fim sem entender o significado das palavras, mas sabendo exatamente o que diz a melodia.
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janeiro 04, 2006
CANÇÕES
As métricas das canções deveriam ter um limite ou um nome, assim a pessoa podia escolher a música que gostasse com a letra que preferisse. Há umas canções que, por coincidência têm a mesma métrica da outra, de forma que você pode cantar uma melodia com a letra de outra. Por exemplo, você pode cantar a letra de “Pense em Mim”, grande sucesso de Leandro e Leonardo, com a melodia de “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores” de Geraldo Vandré. Ou vice-versa, pode-se cantar “caminhando e cantando e seguindo a canção” com a melodia de “em vez de você ficar pensando nele”. Outras duas canções que por coincidências de encaixam é “O Caminhoneiro” de Roberto e Erasmo e “Retrato em Branco e Preto” de Tom Jobim e Chico Buarque. Experimente, cante “todo dia quando eu pego a estrada quase sempre é madrugada e meu amor aumenta mais” com a melodia de “já conheço os passos dessa estrada sei que não vai dar em nada seus segredos sei de cor” e vice-versa (desconfio até que o letrista de “O Caminhoneiro" tenha se inspirado de propósito na métrica de Retrato em Branco e Preto, veja que, na frase seguinte “porque eu penso nela no caminho, imagino o seu carinho e todo bem que ela me traz”, o seu correspondente na outra canção seria “já conheço as pedras do caminho, e sei também que ali sozinho vou ficar tanto pior”, perceba que nos dois casos a palavra “caminho” coincide no mesmo lugar da melodia, aliás, na primeira frase a palavra “estrada” nas duas canções estão no exato compasso da melodia, não pode ser mera coincidência, principalmente porque “estrada” e “caminho” é tudo a mesma coisa) (para ficar mais interessante a junção, você pode misturar geral no fim da canção, cantando “vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto, um coração e o nome dela”). Há um caso famoso que não é coincidência. “Nova Ilusão” de Pedro Caetano e Claudionor Cruz que foi gravada por Paulinho da Viola e “Da Cor do Pecado” de Bororó se encaixam perfeitamente, a letra de uma com a melodia da outra. Mas essa foi de propósito, Pedro Caetano e Claudionor Cruz acordaram de um fazer letra e outro uma música alternativa à canção de Bororó. Qualquer soneto alexandrino, por exemplo, ou qualquer outra forma poética com rigidez métrica, pode ser cantado com a mesma melodia que se tenha feito para um deles. Disto isto, para agradar o freguês, os compositores deveriam adotar quatro ou cinco formatos de métrica para composição de suas músicas. Dessa forma, a pessoa poderia escolher a melodia que quisesse com a letra que quisesse. Deve haver muita gente que adora as letras do Vinícius, mas não suporta a melodia do Tom Jobim ou do Carlos Lyra, gosta mesmo de Reginaldo Rossi, por exemplo. Pronto, pegue uma melodia de Reginaldo Rossi e case com uma letra do Vinícius de mesmo formato. As parcerias se multiplicariam, os compositores até lucrariam mais com isto e cada um ouviria a música que quisesse como quisesse. No karaokê seria divertido.
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janeiro 01, 2006
MEMÓRIAS DE UM VIOLONISTA
Tenho saudades de meu tempo de Garoto. Que veio logo depois de meu tempo de Villa-Lobos e Bach. O tempo de Garoto é algo inesquecível na vida de um violonista.
Posted by César Miranda at 09:04 AM | Comments (0)
novembro 21, 2005
A MÚSICA DO ANO
A música mais bonita que ouvi neste ano se chama “Vida Madrasta” (Hermínio Belo de Carvalho e Elton Medeiros). O interessante é que quando a ouvi não sabia que era de Elton Medeiros (um verdadeiro imperador da melodia), mas voltava e ouvia de novo e de novo e de novo e de novo e de novo. Passei alguns dias ouvindo somente essa canção. Devo conhecê-la mais que seus compositores. Assinalo que dois senhores, um de 70 e outro de 75 anos fizeram uma bela canção e o fazem amiúde, não se trata aqui de um acidente. Elton Medeiros (parceiro de Cartola e Paulinho da Viola) é autor de meu samba favorito (Sentimento Perdido, parceria com Paulinho) utiliza para compor suas lindas melodias um instrumento de percussão: a caixa de fósforo. Hermínio é aquele produtor que você pode adquirir o produto ou ir ao espetáculo sem pestanejar, caso seu (his) nome esteja na ficha técnica. Os intérpretes de “Vida Madastra” são Paulinho da Viola e Dona Ivone Lara, que é tudo o que uma canção pode pedir a Deus.
Posted by César Miranda at 08:29 PM | Comments (1)
novembro 17, 2005
TOP FIVE – MPB – DISCOS FUNDAMENTAIS
1 Na quadrada das águas perdidas – Elomar
2 Onze Sambas e Uma Capoeira – Paulo Vanzolini
3 Delírio Carioca – Guinga
4 Cantigas de Abraçar – Dércio Marques
5 Ensaio do Dia – Eduardo Gudin
Posted by César Miranda at 10:08 PM | Comments (1)
setembro 13, 2005
CDS

Um dia fui gravar uma fita com músicas do Paulinho da Viola. Era começo da década de 90. Ouvindo os discos notei que há um Paulinho da Viola hard (dos sambões), outro soft (de sambas dolentes) e um terceiro que é o Paulinho da Viola intérprete. Só agora, 15 anos depois das fitas, que nem sei se gravei, algum executivo de gravadora descobriu isto e acabou de sair o CD “Paulinho da Viola Intérprete”. Com um detalhe que prova a debilidade mental dos executivos de gravadora. Eu ia comprar o CD, não vou mais, não só porque tenho todos aqueles fonogramas em CDs diferentes, mas por causa do tal detalhe. O CD é protegido contra gravação. Evidentemente que isto não é problema, há dezenas de softwares que passam para mp3 qualquer fonograma por mais protegido que seja. Qualquer grab-a-sound faz isto. Atualmente eu não ouço os CDs que compro diretamente em um tocador de CD normal nenhuma vez. Meu procedimento quando compro um CD é: pego o CD recém comprado, pego uma faca, tiro o plástico fora, guardo a faca, levo o CD para o micro, transformo-o em mp3, guardo na estante e jamais o pego de volta novamente. É bom esclarecer, mp3 de CD que você adquiriu legalmente e para seu uso pessoal não é crime. Se a indústria fosse inteligente, incluiria nos CDs um diretório com o conteúdo já em mp3 para me poupar o trabalho. Mas não, as toupeiras espanta-clientes fazem justamente o contrário, tentam atrapalhar algo que eu preciso fazer para utilizar o produto que comprei deles. Isto tudo é para dizer que não vou comprar esse CD do Paulinho só por causa dessa chatice de CD protegido e que me impede de fazer o que eu quiser com meu disco. Falar em disco, bom mesmo é o novo do Los Hermanos e igualmente maravilhoso é o “Braseiro”, CD de estréia da Roberta Sá, essa gata aí em cima.
Posted by César Miranda at 06:29 PM | Comments (2)
agosto 17, 2005
COMPOSITORES
Muitos maus compositores são apenas bons arranjadores. Um arranjador não toca no assunto. O assunto é coisa do compositor. Há compositores que ficam girando em torno do tema e jamais deixam a música dizer a que veio. Sua música é um eterno arranjo, uma eterna introdução e variação sobre o tema. Uma preparação sem fim para uma música que afinal não ocorre. Outros, porém não fazem rodeio (não são peões) e vão direto ao que interessa. Esses são os grandes compositores. A música de Bach, Mozart, Guinga, Elomar, João Pernambuco, Garoto, por exemplo, vai ao ponto direto e não permite ao ouvinte virar de lado, pois toda nota ali é fundamental. Qualquer parte seria a melhor parte de tão essencial que é ao todo. Por outro lado, temos os compositores-arranjadores, Philip Glass, por exemplo, que faz uma música que seria como um discurso de um político que dissesse o seguinte: “meus amigos, estamos aqui neste dia memorável perante vocês, um povo que mora no meu coração e navega triunfalmente no mar caudaloso que é minh’alma. Estou aqui, meus amigos como um filho que retorna a casa, como um bicho na floresta, como um pinto no lixo. E neste dia tão ensolarado em que a luz do sol seca todo o pranto e ilumina toda a escuridão, nós, meus amigos, estamos aqui.” Pois é, falou bonito, mas não disse nada. Não é um político, é um arranjador.
Posted by César Miranda at 06:52 PM | Comments (2)
junho 09, 2005
O SÉCULO DO NADA NA MÚSICA
O escritor Gustavo Corção escreveu um livro nos anos setenta chamado “O Século do Nada”, monumental documento contado a história de como a esquerda infectou a Igreja Católica. Seria interessante que se empreendesse um projeto de um livro desvendando a infecção da esquerda em outras áreas da cultura. Eu adoraria ganhar uma bolsa para escrever o século do nada na música popular. No caso da música brasileira pouquíssima gente ficaria de fora. Também assim é a música francesa e, claro, a música cubana. Se bem que a música cubana não dá para saber o quanto ali é espontâneo. O certo é que a maior parte dos compositores populares pelo mundo acha que o capitalismo é o grande culpado da miséria no mundo e que o Estado é que deve resolver o problema. De onde tiraram essa idéia e a coragem de colocar isto em suas canções? É uma boa pergunta. Por que Chico Buarque faz loas a pivetes e não a meninos que trabalham?
Posted by César Miranda at 07:53 PM | Comments (6)
maio 07, 2005
DIAS DAS MÃES
À mãe de Pixinguinha, que foi a primeira a ouvir seu choro.
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abril 26, 2005
SAMBA E MARXISMO
Engels é o Vadico de Marx. Não chega a ser um Newton Mendonça porque Tom Jobim, diferentemente de Marx, vivia às próprias custas. Espera um pouco, Vadico também vivia às próprias custas. Marx e Engels é uma dupla única mesmo.
Posted by César Miranda at 09:03 PM | Comments (1)
abril 08, 2005
DESCOBERTA
Tenho ouvido Jorge Drexler. É muito bom. Eis a única dívida que terei com o Che.
Atualização seis meses depois:
Mais uma dívida, agora uma dívida que terei com Drexler.
Posted by César Miranda at 09:41 PM | Comments (0)
março 23, 2005
ESSES MOÇOS, POBRES MOÇOS
!!
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março 17, 2005
LINGUAGEM UNIVERSAL
Fala-se muito na música como sendo uma “linguagem universal”. E é mesmo. Há, porém uma outra linguagem igualmente universal: a dor. Não é à toa que há no Brasil um gênero musical chamado “choro”. Nos EUA há também um de nome semelhante, o “blues” e em Portugal há o "fado". Em toda cultura musical deve haver um gênero que junte essas duas linguagens universais demasiado humanas, a música e a dor.
Posted by César Miranda at 07:47 PM | Comments (0)
março 09, 2005
NOTAS MUSICAIS III
Não é preciso saber ler música para ser bom músico. Assim como não é preciso saber ler para ser um bom contador de histórias. Ser alfabetizado, porém, é a diferença entre o Geraldinho (excelente contador de “causos” de Goiás) e Guimarães Rosa. Entre um virtuose qualquer e Raphael Rabello. O piano e o violino, por exemplo, são instrumentos que raramente um analfabeto musical aprende. O violão, porém, é dentre os instrumentos, o mais fácil de tocar mal e mais difícil de tocar bem (essa frase é de Paganini). Por isto, há milhões de instrumentistas horrendos tocando seus violões em nossos ouvidos.
Posted by César Miranda at 06:35 PM | Comments (3)
março 02, 2005
HOW LONG HAS THIS BEEN GOING ON?
!
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fevereiro 24, 2005
A CHANGE IS GONNA COME
!
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fevereiro 22, 2005
É CADA PERGUNTA
Perguntaram-me se eu gosto de balada. Ora, que bobagem, todo mundo gosta. Seria o mesmo que alguém dizer que odeia valsa. A balada é uma das espécies de canção das mais inocentes. Vocês já ouviram o Vander Lee? Excelente as baladas do cara. Não entendi foi quando disseram "cair na balada", deve ser o mesmo que "cair no samba". Pois é.
Posted by César Miranda at 10:55 PM | Comments (1)
fevereiro 09, 2005
ELLA É DEMAIS
Agradeço a Deus que fez Ella Fitzgerald, para alegrar a solidão.
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janeiro 27, 2005
INSTRUMENTISTA
Sou um instrumentista razoável, infelizmente tenho cada vez menos tempo para tocar meu violão. Agora mesmo tava ali tocando um samba e me ocorreu a idéia deste post. Vamos lá. Uma das importâncias de ser instrumentistas, de aprender qualquer instrumento e aprendê-lo bem é adquirir uma disciplina e uma humildade sem a qual é impossível a qualquer um enfrentar um prelúdio de Bach ou um choro de João Pernambuco. Estudar uma peça até saber tocá-la é, eis a novidade, uma atividade de amestramento, de domesticação. Não é preciso muita inteligência para aprender a tocar bem uma peça. É preciso apenas ser bem amestrado. E isto requer a humildade, eis a inteligência do instrumentista, de um animal sob as ordens, às vezes tirânicas, de um amestrador. A inteligência entra depois de devidamente amestrado, quando então o instrumentista dá sua contribuição, às vezes danosa, à peça, fruto do amestramento. É corriqueira a história de grandes pianistas que ficam três horas tocando dois compassos, de instrumentistas que ficam 18 horas tocando uma mesma peça que eles mesmos compuseram. Isto é, se amestrando. Como é bom poder tocar um instrumento!
Posted by César Miranda at 08:55 PM | Comments (0)
janeiro 10, 2005
MUSA MÚSICA
E o escritor entusiasmado começa a obra que, pretende ele, em trezentas páginas emocione seu leitor tanto quanto vinte segundos de um solo de oboé que ele acabara de ouvir o emocionara.
Posted by César Miranda at 07:38 PM | Comments (0)
novembro 10, 2004
REGINALDO ROSSI, GUINGA E ELOMAR
Se os artistas não falam a língua do povo, o povo forja seus artistas. É o que ocorre atualmente. O povo chegou a um ponto de indigência mental de dar pena. A geração atual é o que há de mais fino em matéria de grossura. Atualmente, se alguém tem jeito para a música e é compositor, a pior coisa que pode fazer para sua conta bancária é estudar música. Quando um músico estuda, seu nível sobe e o raio de atenção de sua música se reduz pois o povo não estuda música. Mesmo que estudasse música, seu nível em outras matérias é tão baixo que prejudica também sua percepção musical. O nível musical de hoje é tão caótico que coisas que não são músicas, como rap e assemelhados, são consumidos como se o fossem. O povo, evidentemente, não vai se dar ao trabalho de evoluir para entender a música de Elomar. Elomar também quer que o povo vá ouvir a porcaria que costuma ouvir, pois Elomar também se recusa a descer sua linguagem só para agradar o povo. Guinga um dia disse que gostaria de ser popular. É pena (para suas pretensões de ser popular) , pois ele estudou com Hélio Delmiro. Quem estuda com Hélio Delmiro está a uns graus acima do popular, nem que queira consegue imitar o Reginaldo Rossi. Foi mal, Guinga, quem mandou estudar!. O verdadeiro artista não deve viver de sua arte. E quer saber, não vivem mesmo. Se viver, não é um grande artista. Não neste mundo de hoje. Este mundo não quer a grande arte. Admira-se aqui umas porcarias inacreditáveis, coisa muito pior que Reginaldo Rossi (que tem senso de humor e tornou-se uma paródia de si mesmo).
Posted by César Miranda at 11:54 PM | Comments (1)
novembro 01, 2004
GEORGES BRASSENS
Nelson Ascher chama Georges Brassens de "uma espécie de Chico Buarque francês". Será que Ascher conhece Elomar? Caço e não acho semelhança entre Brassens e Buarque. Com Caymmi eu concordaria.
Posted by César Miranda at 06:40 PM | Comments (2)
outubro 12, 2004
CHANSON 1
HEUREUX CELUI QUI MEURT D'AIMER
Louis Aragon
O mon jardin d'eau fraîche et d'ombre
Ma danse d'être mon coeur sombre
Mon ciel des étoiles sans nombre
Ma barque au loin douce à ramer
Heureux celui qui devient sourd
Au chant s'il n'est de son amour
Aveugle au jour d'après son jour
Ses yeux sur toi seule fermés
Heureux celui qui meurt d'aimer
Heureux celui qui meurt d'aimer
D'aimer si fort ses lèvres closes
Qu'il n'ait besoin de nulle chose
Hormis le souvenir des roses
A jamais de toi parfumées
Celui qui meurt même à douleur
A qui sans toi le monde est leurre
Et n'en retient que tes couleurs
Il lui suffit qu'il t'ait nommée
Heureux celui qui meurt d'aimer
Heureux celui qui meurt d'aimer
Mon enfant dit-il ma chère âme
Le temps de te connaître ô femme
L'éternité n'est qu'une pâme
Au feu dont je suis consumé
Il a dit ô femme et qu'il taise
Le nom qui ressemble à la braise
A la bouche rouge à la fraise
A jamais dans ses dents formée
Heureux celui qui meurt d'aimer
Heureux celui qui meurt d'aimer
Il a dit ô femme et s'achève
Ainsi la vie, ainsi le rêve
Et soit sur la place de grève
Ou dans le lit accoutumé
Jeunes amants vous dont c'est l'âge
Entre la ronde et le voyage
Fou s'épargnant qui se croit sage
Criez à qui vous veut blâmer
Heureux celui qui meurt d'aimer
Heureux celui qui meurt d'aimer
Posted by César Miranda at 12:07 AM | Comments (1)
setembro 30, 2004
INSTRUMENTOS
Tocar trombeta para um anjo é fácil. Parece óbvio quando se imagina um anjo tocando um instrumento, que se pense que é uma trombeta ou um violino. Tocar um violoncelo, por exemplo, para um anjo seria meio chato porque voando, como eles voam, onde apoiariam o instrumento? Tem um filme do Woody Allen que o sujeito resolve tocar violoncelo em uma fanfarra e não dá muito certo na hora do desfile.
Posted by César Miranda at 01:32 PM | Comments (2)
setembro 10, 2004
LE GOÛT DES AUTRES
O Bolero de Ravel e Pour Elise de Beethoven são exemplos de piores músicas de um compositor que são ao mesmo tempo as mais populares. São como a Conceição do Cauby. São ruins porque são populares ou vice-versa?
Posted by César Miranda at 08:07 AM | Comments (9)
CANÇÃO CALADA
A canção morreu, disse o Tinhorão na Folha. Talvez tenha morrido a moral da canção nestes tempos. Estes não são tempos de canções perenes. Só vive de canção hoje os compositores de grandes sucessos do passado ou quem faz canções descartáveis. Qual será a última canção minimamente perene feita? Beatriz? Tocando em Frente? São canções com quase 20 anos. Mas não se pode simplesmente dizer que a canção morreu quando se ouve, por exemplo, as canções de Vander Lee ou de Moacyr Luz, compositores na plena atividade de fazer canções. Quer dizer, morta a canção não está. Algumas estão apenas quase mudas. Quem calou essas canções? Será que o jabá funcionaria com canções que as pessoas realmente detestassem? Ou mesmo na indústria do jabá não haveria ali uma disposição em agradar aos ouvidos dos ouvintes? Alguém compraria abadás em 12 vezes pelo cartão para seguir um trio elétrico que tocasse canções que ele odeia? Encheriam os rodeios para ouvir breganejos se as canções realmente desagradassem aos ouvidos? Não se pode subestimar o gosto de quem consome a música descartável e reduzir tudo ao poder de quem compra espaço no rádio e à submissão de quem vende esse espaço. E se tipificassem essa prática como criminosa (no intuito de "elevar" o nível músical das rádios) e os ouvintes continuassem a pedir as mesmíssimas canções?! Seria divertido.
Posted by César Miranda at 08:04 AM | Comments (6)
junho 30, 2004
A GALERA
Fico pensando na cara da "galera" se um trio elétrico daqueles depois da dança do boneco doido tocasse em seguida "homenagem a um menestrel" de Elomar Figueira Melo. Cá pra mim tenho certeza que iam adorar. No dia seguinte iriam atrás de algum disco de Elomar.
Posted by César Miranda at 12:03 AM | Comments (3)
junho 23, 2004
EU VOS AFIRMO
Isto aqui é muito bom. Isto aqui também.
Posted by César Miranda at 08:01 AM | Comments (1)
junho 16, 2004
UMA BOA MÚSICA É UMA FORMA DE ORAÇÃO
Vou explicar este post aqui ( para não magoar ninguém, tenho pessoas muito próximas de mim que freqüentam a Renovação Carismática, inclusive minha mãe). Mas não vou falar da Igreja, vou falar só do samba. Noel já fez letra para um samba de Vadico chamado “Feitio de Oração” e Vinícius de Moraes, aproveitando a deixa, disse que um bom samba é uma forma de oração. Dito isto, não precisaria mais dizer nada, mas direi. Não só o grande samba, mas a grande música em geral é triste. A música alegre tem grandes momentos aqui e ali, em Mozart, em Bach, e só. De resto, quase toda grande música é triste. O carnaval é justamente a esculhambação da tristeza do samba. Um dia desses sugeri o mais recente CD de Moacyr Luz, onde, eu dizia, “Lindos sambas melancólicos, plenos de uma tristeza que a grande música deve ter...” (reitero a indicação, veja aqui). A música alegre existe e pode ser bela, mas como o carnaval ela é um evento de três dias por ano. Ou deveria ser, infelizmente hoje em dia todos os dias é carnaval e todo o país é a Bahia. Resolvi, vou falar de Igreja, vá a uma missa em uma Igreja influenciada pela RC, aquela com palmas, pulinhos, violão, bateria, baixo e coreografias, depois vá a uma no mosteiro de São Bento onde os credos são cânticos em latim e me digam o que é mais bonito e até mais apropriado.
Posted by César Miranda at 07:57 AM | Comments (11)
junho 01, 2004
ELOMAR - OS POBRES, MISERÁVEIS E DESVALIDOS
Na obra de Elomar, cantar o pobre, é cantar o ser humano, pois nada mais miserável do que a condição humana nesta prisão escura das três dimensões. Cantar o pobre em Elomar não é, jamais, cantar lutas revolucionárias ou coletivistas. O pobre em Elomar diz “Vô corrê trecho, vou percurá uma terra pr’eu pudê trabaiá.”, (e não “vô corrê trecho, vou percurá uma terra pr’eu pudê invadir...”, como uma versão MST da canção seria). O pobre em Elomar tem apenas a espada dos justos, mansos e humildes de coração, “te dêxo intregue nas guarda de Deus”. É um pobre que sonha em “num sê mais impregado / e tomem num sê patrão” e de “um dia arresolvê jogá a carga no chão” mas que, resignado leva a vida como a cigarra e a formiga, cantando e ganhando o pão. Ele considera o sonho de abandonar as dificuldades da vida, uma “cegueira”, que é o mesmo que falta de lucidez, ou de inteligência, de bom senso, etc. E quando pensa nessas coisas lhe dá um “pirtucho na guela e um nó no coração”, afinal, (surge de novo a resignação perante o Criador), comer o pão com o suor do rosto é uma Lei de Deus, e, mesmo Jesus também foi pião. O pobre na obra de Elomar, é como Elomar, pleno de misticismo, por que não dizer, de cristianismo. Um pobre que não vê saída e se resigna, pois sofre não por ser pobre, mas por que é humano.
Canções relacionais: Curvas do Rio e O Peão na Amarração
Links: Os pobres... e Elomar - O X da questão
Posted by César Miranda at 08:05 PM | Comments (7)
maio 31, 2004
A OBRA DE NOEL ROSA - AS RIMAS
As rimas em Noel são especiais. Quer aprender a rimar direito? Preste atenção nas letras de Noel. Ali há tudo, seu palavrório é farto e rico, não descarta nada, só falta o óbvio. Eis alguns exemplos:
- Vou explicar a razão / Eu vivia tão pesado / Que até fui atropelado / Por um carrinho de mão (Você foi o meu azar - Noel Rosa e Arthur Costa);
- Você é uma pequena / Que não resta a menor dúvida / E eu por sua causa / Já não pago a minha dívida (Não resta a menor dúvida - Noel Rosa e Herve Cordovil);
- Eu devo, não quero negar / Mas te pagarei quando puder / Se o jogo permitir / Se a polícia permitir / E se Deus quiser... (Malandro Medroso - Noel Rosa)
- Toma cuidado que eu te ripo / Porque tu não é meu tipo / E eu contigo não fiz fé / Podes dar marcha ré/ O banzé eu sempre evito/ E não me fica bonito/ Exemplar uma mulher (Vou te ripar - Noel Rosa)
- Tanta gente vive bem sem um pulmão/ Você, por exemplo, não tem coração (Você, por exemplo - Noel Rosa)
Link relacional: Papai Noel Rosa
Posted by César Miranda at 08:48 PM | Comments (4)
maio 21, 2004
QUEM GOSTA DE MPB
É bom começar dizendo que EU gosto de MPB e acho que é a única coisa sobre a qual posso dizer que sou um especialista. Quem gosta de MPB é no mínimo um músico frustrado. Quem gosta de MPB aprecia harmonias bem feitas e ouve uma melodia abstraindo o ritmo, por exemplo. Quem gosta de MPB é odiado por muita gente. Quem gosta de MPB tem inveja dos grandes violonistas. Quem gosta de MPB gosta de um roque ou outro. Quem gosta de MPB gosta de tango. Quem gosta de MPB fica meio viciado quando conhece o Guinga e a Mônica Salmaso. Quem gosta de MPB tem que conhecer o Sérgio Santos. Quem gosta de MPB adora o João Gilberto e o Luiz Gonzaga. Quem gosta de MPB torce para que o Chico Buarque pare de escrever livros. Quem gosta de MPB é meio arqueólogo. Quem gosta de MPB não vive só do passado, pois o presente está também excelente. Quem gosta de MPB gosta muito dos mineiros. Quem gosta de MPB considera o carnaval um tipo de Renovação Carismática do samba. Quem gosta de MPB também é gente.
Posted by César Miranda at 08:18 AM | Comments (3)
maio 17, 2004
ÁLBUM

Vinha voando no meu carro quando vi pela frente. Quer dizer, não vi. Era um buraco. Brasília está cheia de buracos. Com o solavanco, meu discman que tocava "passaredo", parou de tocar. Enquanto eu acariciava o aparelho no afã de que ele voltasse a funcionar, cantava na minha cabeça a voz do Chico "pra mim", "pra mim", "pra mim". É assim que começa a canção "basta um dia", "pra mim, basta um dia, não mais que um dia". Explico-me. No álbum “meus caros amigos”, depois de “passaredo” vem a música "basta um dia". Sempre que ouço "passaredo" em uma rádio, quando a música termina, eu canto "pra mim, basta um dia, não mais que um dia, um meio dia. Me dá, só um dia, que eu faço desatar, a minha fan-ta-sia, só um...".É assim um álbum. Um álbum, desses bem feitos, não é a simples gravação de um monte de músicas, isto são as coletâneas ou álbuns baratos. As canções de um bom álbum são os versos de uma sinfonia. Um bom álbum é, na verdade, uma única canção.
Posted by César Miranda at 06:28 PM | Comments (3)
maio 14, 2004
ELOMAR - O X DA QUESTÃO

Elomar é um ser humano extremamente religioso. Essa religiosidade extrema o fez sempre desprezar de certa forma este mundo, talvez dando ouvidos ao Cristo que dizia seu reino não ser deste mundo. Porém este mundo que Elomar despreza não é o planeta terra, é sim, este nosso mundo contemporâneo. Elomar escreve como se nascera no século X. Eis o xis da questão, Elomar não nasceu no século X e sim no XX. O Século X era o auge da Idade Média, que muitos equivocadamente, chamam idade das trevas. Idade das trevas, Elomar (e eu também) considera este tempo em que vivemos. Naquele tempo, as crianças eram mais sábias que os homens de hoje, embora, as crianças de hoje conheçam mais coisas do que os homens daquele tempo. As pessoas naquele tempo tinham Esperança (com E maiúsculo), hoje, vivemos todos, quase a definhar de medo, fruto da falta de fé e do tédio em que os últimos quatro séculos estão mergulhados. Dito isto, entende-se por que Elomar, um ser totalmente fora de seu tempo, jamais se importou muito em divulgar sua música. Em fazê-la, ao contrário, considerando-a como uma dádiva divina, Elomar se empenha bastante. Vara noites estudando orquestração, escrevendo melodias e letras. Elomar é o melhor melodista do país e também seu melhor letrista. Um menestrel do século X, nascido no século XX, na caatinga, com todas as possibilidades de produzir a música soprada pelos céus a seus ouvidos e disposto a ouvir o que a bendita musa lhe dita, ignorando totalmente as contingências seculares, os modismos e demais seduções mundanas. Na idade média havia a comum figura dos menestréis, andarilhos que, com seu instrumento, cantavam a esperança, o amor, a amizade e a fé. Elomar é isto, um desses menestréis, que vive como menestrel, como se no seu mundo não houvesse gravadora, rádio, tv, direito autoral, etc. Felizmente é assim, pois aproveita seu tempo para escrever sua música imortal, em sua quase totalidade inédita em disco. Suas óperas, todas inéditas nos palcos, seus concertos e peças para instrumentos solos, todas, inexplicavelmente inéditas nos programas de nossos instrumentistas. É o que dá estar muito além de seu tempo. Os homens do século XXX, certamente, se forem sábios como os do século X eram, verão Elomar ao lado de J. S. Bach, Mozart e Beethoven, com uma vantagem, Elomar era melhor letrista que os outros três. Aqueles do século XXX, encantados com o compositor do século XX que mais parece do século X, não entenderão por que seus contemporâneos o ignoraram. É possível que este nosso tempo entre para a história como a incrível época em que só uma pequeníssima parcela conseguia distinguir uma boa música de um barulho qualquer. Sorte nossa que fazemos parte da tal parcela e sorte de Elomar que, sem muito incômodo, segue chiqueirando seus bodes e escrevendo sua música suprema.
Posted by César Miranda at 06:50 PM | Comments (10)
maio 12, 2004
SEU LUIZ
Não deve existir ninguém mais feliz do que um sanfoneiro (“só poetas seguem tristes” diz a canção). O que eu não daria para fazer um forró como os de Luiz Gonzaga, um xote, um arrasta-pé qualquer. Já presenciei um evento fabuloso. Dominguinhos deixando todos inquietos com seus 120 baixos. Inesquecível, de arrepiar. Como invejo um sanfoneiro. Trata-se de um artista realizado que pode seguir triste se quiser depois da festa porque a festa é sempre dele também. Certa vez ouvi falar de alguém que chorara com um poema meu, não imaginam como eu gostaria de estar ali ao lado desse alguém/leitor(a) e chorar junto. Mas isto não ocorre a escritores, são uns tristes. Um sanfoneiro “chora” junto com seu “leitor” inapelavelmente. E até amanhecer o dia.
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maio 11, 2004
VELHA BOSSA-NOVA (ou ACONTECE QUE ELE BAIANO)

Nada mais antigo do que um disco novo de João Gilberto. Quase nada é mais imperdível. Eterno João.
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abril 30, 2004
JOÃO SEBASTIÃO BAR
Alguns de meus intérpretes favoritos de J.S. Bach são violonistas. Juliam Bream é uma das pessoas que eu gostaria de ser se eu não fosse eu. Outra é o Warren Beatty mas esta é uma outra história que não tem nada a ver com música.
Posted by César Miranda at 07:10 PM | Comments (0)
abril 27, 2004
BOSSA-NOVA
Um dos motivos que me faz gostar de Bossa-Nova é porque é música para não dançar, é uma música para ser ouvida. Não vejo relação alguma entre dança e música, já disse isto em outro post. Não preciso de música para dançar (e acho chata gente que dança só porque a música que está tocando foi feita para dançar, há lugar para tudo, né não?!). Dança-se sob um ritmo, que é apenas um dos elementos da música. Parece que tentaram, mas não conseguiram fazer uma dança Bossa-Nova. Fica para a próxima!
Links relacionais
- Dançar, Verbo Intransitivo
- Post sem título do Alexandre
Posted by César Miranda at 06:05 PM | Comments (4)
abril 19, 2004
A MPB HOJE
Nunca os jovens brasileiros souberam tanto o idioma inglês, talvez por isto mesmo nunca tiveram tanto interesse pela MPB (as letras das canções em inglês não escapa quase nada que preste) e, como eu já disse, nunca se fez tão boa MPB como atualmente. Um menino de uns dez anos comprava um LP da Clara Nunes - para ele mesmo - um dia desses ao meu lado em um sebo.
Posted by César Miranda at 09:00 PM | Comments (0)
abril 15, 2004
NEM TUDO ESTÁ PERDIDO...

No Jornal Nacional de sexta-feira da paixão ocorreu um milagre. Passou, como fundo musical de uma reportagem, cinco segundos da peça Ecos de uma Estrofe de Abacuc (peça escrita originalmente para violão e violoncelo) de Elomar. Vocês ouviram, né?!
Posted by César Miranda at 09:25 PM | Comments (9)
março 25, 2004
NOTAS MUSICAIS II
"Música não é aquela coisa que faz barulho?", pergunta o Millôr. Quanto a seu estudo e interpretação (no sentido de decifrar) a música é como uma pintura abstrata. O que significa um prelúdio bachiano, um frevo pernambucano, um choro de Pixinguinha? O que melhor lhes parecer. A música erudita contemporânea é o abstrato do abstrato. A música está sempre à frente das outras artes na liberdade que dá ao usuário de ver-se nela ou de não ver nada, caso queira, ou não queira. É a matéria mais bruta das artes ou a menos explicativa. Se a leitura de música caisse no vestibular, o mundo ficaria mais agradável. Os taxistas ouviriam Vivaldi. Quem tem um grupo de RAP hoje, teria um quarteto de cordas. Para tocar uma música há centenas de instrumentos e para contar uma história há tão poucos, por quê? Porque a maioria de nós é analfabeta musical. Se todos fôssemos alfabetizados musicalmente os instrumentos musicais seriam irrelevantes. Acontece que os instrumentos existem e existindo seus timbres até inspiraram a criação de novas melodias. O instrumento, que nasceu evidentemente depois e por causa da música, tornou-se sinônimo dela. Um instrumento só existe como, ora, ora, instrumento. E um instrumento só existe porque facilita a vida do homem. E para quê o ser humano quer facilidade? Porque não consegue ou acha difícil fazer a empreitada prescindindo de instrumentos. Somos limitados e preguiçosos. A escrita musical como é hoje data do século X de nossa era, é, pois, recentíssima. No fim das contas, música é para ser ouvida mesmo e não lida, por isto Dilermando Reis começou a compor para violão porque não sabia ler partitura e sua virtuosidade ao violão demandava um repertório. Termino com a anedota daquele músico (algumas versões dizem que foi Mozart) que ao entrar em uma sala avistou num relance uma partitura, que leu instantaneamente, e virou a cara, decepcionado, “que música horrível”, disse, como se a tivesse ouvido. E ouviu mesmo. Com os olhos.
Link relacional - Notas musicais
Posted by César Miranda at 08:42 PM | Comments (4)
março 17, 2004
13 CANÇÕES QUE GOSTO DE FRANCIS CABREL
1 - Ma place dans le traffic
2 - L'instant d'amour
3 - La Cabane Du Pecheur
4 - Je t'aimais, je t'aime, je t'aimerai.
5 - Je rêve
6 - Je l'aime à mourir
7 - Hors saison
8 - Elle s'en va vivre ailleurs
9 - C'etait l'hiver
10 - Les Chevaliers Cathares
11 - Je Te Suivrai
12 - Madeleine
13 - Tout Le Monde Y Pense
ps - lista em homenagem aos meus amigos francófilos Zadig e Sherazade.
Posted by César Miranda at 09:09 PM | Comments (0)
março 03, 2004
LINDO DE MORRER
Alguém conhece algo mais lindo do que o Concerto 23 para piano e orquestra de Mozart? Quero esse som em meu enterro. Com o Rubistein, por favor, senão venho pegar no pé de vocês... A propósito, meu enterro não está nos meus planos não, é só para lembrar!
Posted by César Miranda at 09:26 PM | Comments (1)
dezembro 29, 2003
COR DE CINZA
Quando vejo nos livros que a canção “Cor de Cinza” de Noel Rosa foi feita em 1933, isto é, quando ele tinha apenas 23 anos(!!!), dá vontade de me dedicar a ser um ótimo bancário.
Posted by César Miranda at 08:37 AM | Comments (0)
dezembro 23, 2003
JÁ QUE TODO BLOG TEM QUE TER LETRA DE MÚSICA...
A Meu Deus um Canto Novo
(Elomar Figueira Mello)
Bem de longe na grande viagem
Sobrecarregado paro a descansar,
emergi de paragens ciganas
pelas mãos de Elmana, santas como a luz
vê em silêncio contemplo, então
mais nada a revelar
fadigado e farto de clamar às pedras
de ensinar justiça ao mundo pecador
oh lua nova quem me dera
eu me encontrar com ela
no pispei de tudo
na quadra perdida
na manhã da estrada
e começar tudo de novo
topei em certa altura da jornada
com um que nem tinha pernas para andar
comoveu-me em grande compaixão
voltano o olhar para os céus
recomendou-me ao Deus
Senhor de todos nós rogando
nada me faltar
resfriando o amor a fé e a caridade
vejo o semelhante entrar em confusão
oh lua nova quem me dera
eu me encontrar com ela
no pispei de tudo
na quadra perdida
na manhã da estrada
e começar tudo de novo
boas novas de plena alegria
passaram dois dias da ressurreição
refulgida uma beleza estranha
que emergiu da entranha
das plagas azuis
num esplendor de glória
avistaram u'a grande luz
fadigado e farto de clamar às pedras
de propor justiça ao mundo pecador
vô prossiguino istrada a fora
rumo à estrela canora
e ao Senhor das Searas, a Jesus eu louvo
levam os quatro ventos
ao meu Deus um canto novo.
Posted by César Miranda at 10:01 AM | Comments (0)
dezembro 16, 2003
CENTENÁRIO É COISA QUE ACONTECE UMA VEZ A CADA SÉCULO

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dezembro 11, 2003
NOSSO SENHOR NA VOZ DO NOSSO MAIOR COMPOSITOR

O cego viu, o coxo caminhou
O mudo de nascença falou
Quando Jesus andou aqui
Jesus, o bom pastor da casa de Davi
NOITE DE SANTO REIS (Elomar Figueira Mello)
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dezembro 09, 2003
MOACYR LUZ

Não é toda hora que se tem um CD novo de Moacyr Luz nas mãos. Lindos sambas melancólicos, plenos de uma tristeza que a grande música deve ter. Ouçam o Samba da Cidade do Moa e vejam do que é capaz a nostalgia. E principalmente comprovem que a MPB vive um momento magnífico. Que Deus seja louvado!
Posted by César Miranda at 08:01 AM | Comments (0)
novembro 28, 2003
PAPAI NOEL ROSA

Posted by César Miranda at 10:59 AM | Comments (12)
novembro 20, 2003
EU NÃO PEÇO DESCULPA
Só agora adquiri esse CD do Cara com o Jorge Mautner. Trata-se de um disco pornô. A obsessão com o sexo ou com ousadia de dizer que devemos nos comportar como nossos apetites mais baixos pedem é uma das marcas do disco. No caso das drogas, porém, o disco é meio careta. Isto é, não falta muito para o Cara entrar para a TFP. Caetano já se disse liberal. Seria maravilhoso se estudasse economia austríaca e não faria algumas perguntas bobas que fez na entrevista na Folha de sábado. Intuo que Caetano Veloso quando morrer bem velhinho, morrerá um senhor católico como o Doutor Alceu ou Gustavo Corção. No CD há uma canção – um fado – chamada “Graça Divina” que eu gostaria de ter feito de tão católica e bela que é. Resumo da opereta, é muito bonito falar mal das drogas, mas é muito feio fazer loas a um tarado. O mundo não precisa de sexo, muito pelo contrário.
ps -Tenho vontade de perguntar (um jornalista jamais perguntaria, são um bando de idiotas), o que Caetano acha realmente de Noel Rosa, de vez em quando ele faz uma canção antitética à Noel, desta vez foi "Feitiço" que de certa forma contra-argumenta “Feitiço da Vila”, coisa que já tinha feito antes com “Dom de Iludir” que é uma resposta de “Pra Que Mentir” de Noel.
Pps - Há uma referência sem querer sobre as drogas. No encarte na parede da sala onde está Nelson Jacobina há um pôster que acho que é a Maria Juana Piovani quase nua, uma beleza.
Posted by César Miranda at 09:34 AM | Comments (3)
novembro 17, 2003
ESPÍRITO NOELINO
Este ano a fúria comercial foi ridícula pois em outubro (!) os shoppings já estavam no espírito do natal. Com papai Noel e tudo. Eu também estou no espírito natalino, quer dizer, mais no espírito noelino. Noel, Noel, tenho ouvido muito Noel Rosa. É um presente dos céus. Em breve falarei mais de papai Noel Rosa. Ninguém merece viver sem conhecer Noel Rosa.
Posted by César Miranda at 09:19 AM | Comments (0)
novembro 11, 2003
LOAS PARA O JUSTO
Quando os campos luminados são
Pelos largos de ouro do sol
E os rebanhos magrinhentos vão
Vagabundos procurando sal
Sopra o norte vento amigo
Forma um forro e a chuva cai
Confundem o autor dessa grandeza
Uns dizem é a Natureza
Cantam os Menestréis
Já eu canto com fé e firmeza
O autor da Natureza
É Cristo o Rei dos reis
Se na noite tenebrosa
O anjo mal ferir meu coração
Turbulenta e pavorosa
Arderá minha consciência de réu
Tua presença silenciosa
Enternece o peito meu
Minh'alma candeia falida
De noiva vestida
De novo acendeu
Levantaste-me do monturo
E em meu pavio escuro
A luz resplandeceu
Certificam que estas loas
Urdidas no fuso coração
Ciente que tu povoas
Meus campos com tua inspiração
Já entreguei-te minha vida
Meus queridos tudo mais
Receba agora meu cantares
E nestes louvores
Minha alma te faz
Levanta e segue os menestréis
Cantai que o autor de tudo
É Cristo o Rei dos Reis.
Posted by César Miranda at 07:05 AM | Comments (0)
novembro 10, 2003
MARIA RITA 2 – A FILHA DA MÃE
Ganhamos duas entradas e fomos – eu e minha senhora – ao show de Maria Rita no sábado em Brasília. Um teatro monstro, de milhares de lugares, lotado, unicamente por que a cantora é filha de Elis Regina e tem um timbre semelhante. O show é bom, melhor do que o CD. Merece o prestígio que tem, mas sabemos que é um prestígio artificial, engendrado pelo marketing da gravadora e pela sorte que a cantora tem de ser filha da mãe (e do pai também) . Mas se for falar de merecimento, Mônica Salmaso, por exemplo, provavelmente jamais atrairia tanta gente, infelizmente, pois é a maior cantora de sua geração. Maria Rita também é uma boa cantora em uma geração de grandes cantoras. Está iniciando e tenta fazer uma carreira independente do resto da família, de indissolúvel basta o timbre privilegiado que carregará enquanto viver. Só o tempo dirá se vai conseguir encontrar seu próprio rumo e quiçá fazer de Elis Regina a mãe de Maria Rita. Eu apostaria que vai.
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outubro 31, 2003
MODINHA
Modinha é uma canção de Tom e Vinícius. No Brasil não gostam muito de regravação, infelizmente, Modinha é um caso raro de farta regravação principalmente pelas maiores intérpretes da língua. Faltava Olívia Byington gravar essa canção maravilhosa, gravou no seu mais recente CD. Todas as grandes intérpretes já o tinham feito: Eliane Elias, Ná Ozzetti, Alaíde Costa, Zizi Possi, Jane Duboc, Elizeth Cardoso, Nana Caymmi, Elis Regina, Eugénia de Melo e Castro, Maria Bethânia, Vânia Bastos, Mônica Salmaso... A canção, além de bela evidentemente, exibe uma extensão de quase três oitavas, o que mais do que exige, permite ao intérprete demonstrar técnica e emoção, além de ser uma melodia riquíssima para o trabalho de harmonização e arranjo. Como diz a letra, Modinha “semeia emoção”.
Posted by César Miranda at 07:11 AM | Comments (0)
outubro 23, 2003
SONHOS DE CONSUMO
Quando lançarão toda os discos de Almirante em CD? Tudo o que conheço como ele é delicioso, o cara era uma figura extraordinária, um tipo de intérprete que parece que era o compositor da música tal marca própria imprimia em cada performance.
Posted by César Miranda at 07:06 AM | Comments (0)
outubro 22, 2003
MARIA RITA
Eu sempre disse que a fase ótima de Elis Regina é a de quando estava com César Camargo Mariano, doravante incluirei Maria Rita como exemplo disto. Não entendi por que não tem nenhuma canção do Chico Pinheiro no CD (podia haver uma no lugar de uma das da Rita Lee). Para quem ainda não ouviu, posso dizer que é um disco noir com fumaça no ar e gelo no copo, um disco samba-canção, muito bom para uma estréia (o fato de NÃO ser um disco "jovem" é um sinal maravilhoso). Ouvir aquele timbre em canções novinhas é emocionante. Espero que Maria Rita vá fundo, se envolva com as pessoas certas e que tenha uma longa vida.
Posted by César Miranda at 07:52 AM | Comments (3)
outubro 21, 2003
SEIS CANÇÕES COM LUIZ GONZAGA*
1 - Nega Zefa (Severino Ramos - Noel Silva)
2 - Mangaratiba (Luiz Gonza e Humberto Teixeira)
3 - Mané Zabé (Luiz Gonzaga - Zé Dantas). Participação: Marinês.4 - Baldrana Macia
4 - Baldrana macia. (AnacletoRosas Júnior - Arlindo Pinto).
5 - A Rede Véia (Luiz Jacinto - Luiz Queiroga).
6 - Fulô da Maravilha (Luis bandeira).
*nestas séries de canções que sugiro aqui, priorizo canções pouco conhecidas, relacionar músicas de Luiz Gonzaga é covardia, quase tudo é excelente. Ocorre um problema com canções muito tocadas como clássicos tipo Asa Branca e Assum Preto são ótimas mas de tão tocadas deixam os ouvidos insensíveis, algumas canções deveriam ser proibidas por 15 anos para que se veja o quanto são belas. Ocorre esse tipo de problema a canções e a quadros muito populares. A literatura está a salvo de tal fenômeno, imagino. Os filmes também, se bem que com excessivas reprises nas sessões da tarde da vida, um excelente filme também pode ser banalizado.
Posted by César Miranda at 07:54 AM | Comments (0)
outubro 18, 2003
COMO SEMPRE
Uma novidade antiga, para variar, o novo CD do Guinga Noturno Copacabana é excelente. A novidade são as parcerias com a Simone Guimarães, excelentes. Senti falta de alguma com o Nei Lopes. Como diriam, Guinga é um compositor que não resta a menor dúvida. Uma dádiva. Guinga é tudo o que um músico queria ser e desconfio que não seja muito diferente, o ser humano Guinga. Demos glória a nosso Deus por Guinga!
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outubro 16, 2003
OLÍVIA BYINGTON
Ontem vi um show da Olívia Byington, acompanhada de músicos dos sonhos de qualquer intérprete, em um Shopping da cidade. Olívia é uma cantora maravilhosa, que tem um bom gosto e um repertório irretocável. Cantou as canções de seu mais recente trabalho, a regravação do clássico "Canções do amor demais"(clique aqui). Foi tão rápido o show, mas é mesmo sempre pouco algo ótimo, lindo e de barato daquele jeito. Uma graça! Cheguei em casa e corri para o violão e cantei "Janelas Abertas" em rítmo de choro, tava meio alto o tom, faltava a Olívia para atingir traqüilamente aqueles agudos.
Posted by César Miranda at 07:58 AM | Comments (0)
outubro 06, 2003
CANÇÕES COM MOREIRA DA SILVA
1 - Olha o Padilha (Bruno Gomes - Ferreira Gomes - Moreira da Silva)
2 - Morenguera Contra 007 (Miguel Gustavo)
3 - O conto do pintor (Miguel Gustavo)
4 - Vou me casar no Uruguai (Walfrido Silva e Gadé)
5 - Vou Caçar o Seu Mandato (Moreira da Silva)
6 - 1.296 Mulheres (Zé Trindade e Moreira da Silva)
7 - Rebocador Laurindo (Geraldo Gomes - Moreira da Silva)
8 - Faustina (Gadé)
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setembro 30, 2003
TEM DIA EM QUE UMA CANÇÃO NÃO NOS SAI DA CABEÇA
Passei o final de semana com minha rádio-cabeça tocando "Cabrochinha" (Maurício Carilho e Paulo César Pinheiro). A vantagem da rádio-cabeça é que você dá a voz que quiser para as músicas, desta vez quem cantava era a Mônica Salmaso.
ps - por falar em MPB, um dos melhores blogs sobre o assunto é em inglês, é o Daniella Thompson on Brazil (clique aqui) Take a look!
pps - para quem não sabe, Mônica Salmaso (clique aqui) é a melhor cantora Brasileira em atividade.
Posted by César Miranda at 08:05 AM | Comments (0)
setembro 29, 2003
HUMBERTO TEIXEIRA
Meu Deus, como fiquei triste com esse CD em homenagem a Humberto Teixeira, um dos grandes nomes de nossa música e digno de todas as homenagens. Foi um erro aquelas gravações ao vivo. Do pouco que se salva, a gravação emocionante de "Asa Branca" com Maria Bethânia é uma beleza.
Posted by César Miranda at 08:11 AM | Comments (0)
setembro 26, 2003
OITO CANÇÕES
- Malandro Medroso (Noel Rosa)
- Fulô da Alegria (Gereba/Carlos Pita)
- Estrela Miúda (Luiz Vieira/João do Vale)
- Acauã (J.B. Silva "Sinhô")
- Rainha de Todos os Dias (Maciel Melo)
- Boca Fria (Raimundo Monte Santo/Fábio Paes)
- Sargaço Mar (Dorival Caymmi)
- Encanto Caiçara (Luiz Perequê)
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CD QUE QUEM NÃO TEM DEVERIA TER / QUEM NÃO OUVIU DEVERIA OUVIR
Nino Rota por Solistas Brasileiros.
Posted by César Miranda at 07:52 AM | Comments (0)
setembro 25, 2003
FRANCIS HIME
Francis Hime é um caso seríssimo, um dos melhores arranjadores da história, compositor de melodias belíssimas, acaba de lançar a terceira obra-prima seguida, seu novo CD "Brasil Lua Cheia" está quaaaaase no mesmo nível do anterior disco solo "Choro Rasgado" que trata-se de um verdadeiro acontecimento relevante na história da Música (a terceira obra-prima trata-se do CD "Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião onde ele é 'apenas' compositor arranjador e maestro de majestosas canções), mostrando que a perfeição existe, seu único defeito é que não manda uma melodia para eu colocar a letra. Repito, jamais se fez música melhor do que a que se faz atualmente no Brasil.
Posted by César Miranda at 08:06 AM | Comments (0)
setembro 24, 2003
RIO E BAHIA ONTEM E HOJE
O Rio de Janeiro é o estado mais abençoado por Deus em produzir bons compositores. E não vive só de passado, hoje com Minas Gerais e São Paulo, tem dado ao mundo grandes fazedores de canções. No passado, a Bahia era o grande concorrente do Rio nesse quesito, hoje, porém, a Bahia rendeu-se à própria indústria, pasteurizou-se e faz uma música que já é datada antes de sair da moda, algo vergonhoso.
Vou citar nomes: a Bahia nos deu Dorival Caymmi, João Gilberto e Elomar. Pronto não precisava ter dado mais ninguém mesmo. O Rio de Janeiro, porém nos deu Pixinguinha e Noel Rosa que são os pais de nossa melhor música instrumental e melhor música urbana. Por influência direta de Pixinguinha surgiu todo o choro e música instrumental e de Noel Rosa, o bom samba e começou com ele uma tradição da letra bem feita, de grandes poetas da música. Hoje o Rio ainda e produz a nossa melhor música instrumental e o nosso melhor samba. Quanto à Bahia...
Posted by César Miranda at 08:02 AM | Comments (0)
setembro 18, 2003
CINCO MINHAS CANÇÕES FAVORITAS
- Sentimento Perdido (Paulinho da Viola e Elton Medeiros)
- O Peão na Amarração (Elomar Figueira Melo)
- My Funny Valentine (Rodgers & Hart)
- Capoeira do Arnaldo (Paulo Vanzolini)
- Ó melancolia (Silvio Rodriguez)
*Quer me alegrar,
é só colocar
essa turma pra tocar
Posted by César Miranda at 08:31 AM | Comments (0)
setembro 16, 2003
CHICO BUARQUE
Chico Buarque acaba de lançar seu novo livro, o que significa que doravante deverá trabalhar em seu próximo CD. Viva!!!!!!!!!!!!
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setembro 15, 2003
OS MISERÁVEIS E OS DESVALIDOS DA CANÇÃO
A audição deve ser o mais lento dos sentidos. Vejo pessoas falarem com desenvoltura sobre, por exemplo, a dialética de Hegel e a influência de Heráclito na obra de Heidegger e em seguida falamos sobre música e a pessoa vem com um papo de banda isto, banda aquilo, enfim, gente que considera a barulheira que vende discos para as massas como sendo música. São os miseráveis da música. Têm alguma esperança de salvação. Muitos dos que fazem barulheira apreciam boa música, como o guitarrista do Sepultura que em casa toca João Pernambuco ao violão. Já ouvi dizer também que o Amado Batista gosta mesmo é de João Gilberto (sério!). Há também os desvalidos, esses não têm salvação. Curtem com prazer qualquer coisa que o Gugu toque em seu programa. Felizmente neste campo o governo ainda não se manifestou querendo acabar com a miséria, quem quiser ouvir o que não presta pode fazê-lo livremente. Poderiam porém ter a honestidade de dizer, "eu gosto mesmo é de porcaria", não tem nada demais, gosto é gosto (eu por exemplo não tenho o menor ânimo para ficar rico de dinheiro, famoso ou coisa que o valha, nem vontade de colecionar borboletas, tenho coisa melhor para fazer). A causa da miséria musical é só uma preguiça fruto da falta de interesse (ou azar mesmo). Os miseráveis da música são pessoas que na década de 70 adoravam/adorariam Caetano, Chico, Milton, porque tocavam no rádio. Hoje gostam da Marisa Monte e do Jorge Vercilo, enfim artistas que qualquer um pode ouvir sem precisar fazer esforço. Seu alimento auditivo não é obrigatoriamente ruim. Um miserável não come algo podre, come coisas achadas no lixo mas só o faz quando encontra algo palatável (um miserável pode comer até caviar se encontrá-lo no lixo). Hoje, porém, para alguém ser "classe média" musical é preciso algum esforço. Para ser rico é preciso muito esforço. A verdade é que a riqueza musical existe e por incrível que pareça jamais se fez música de um nível tão alto como se faz atualmente no Brasil (querem um nome? Moacyr Luz). Mas infelizmente toda essa riqueza não chega aos miseráveis e desvalidos da canção. Os miseráveis se alimentam tanto melhor quanto for a fartura da sociedade em que vive. Os pobres, de quem quase nada falei, são os mais infelizes nessa história toda. Pobres são aqueles que se alimentam do que sempre comeram. Não se interessam pelo novo. Compram todos os discos do Djavan, Fagner e/ou do U2 porque sempre o fizeram desde que tais artistas eram novidade. Têm a mesma opinião, sobre música, que sempre tiveram.
Posted by César Miranda at 08:11 AM | Comments (0)
agosto 26, 2003
7 CANÇÕES*
- Pergunta a Meus Tamancos (Lupicínio Rodrigues);
- Jabá Sintético (Adoniran Barbosa);
- Canção do Lobisomem (Guinga e Aldir Blanc);
- Por Causa Desta Cabocla (Ary Barroso);
- Num Samba Curto (Paulinho da Viola);
- O Mau Lavrador (Élton Medeiros e Délcio Carvalho);
- Faviela (Elomar Figueira Mello);
*procure conhecer...
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agosto 12, 2003
SUGESTÕES A JOÃO GILBERTO
João Gilberto deveria gravar um disco - ou dois - por ano, aí vai algumas sugestões:
- Um CD com releituras dos sambas gravados por Miltinho (canções como "Teimoso" e "Idéias Erradas" ficariam excelentes em um andamento mais lento);
- O Geraldo Pereira SongBook;
- O Lupicínio Rodrigues SongBook;
- O Paulo Vanzolini Songbook;
- Um CD com músicas insólitas para seu repertório, como "Radinho de Pilha" e "Procurando Tu";
- CDs todo em inglês, só com canções de Gershwin, Porter e Rodgers.
Posted by César Miranda at 08:27 AM | Comments (0)
agosto 06, 2003
FAZENDO A ALEGRIA DA GALERA
Ao contrário do Christian Rocha, eu gostei da Ave Maria de Schubert com Jorge Aragão e seu grupo, Jorge Aragão é um compositor de sambas muito bons, usa-se muito a palavra “pagodeiro” pejorativamente e põem no mesmo saco farinhas que não são de lá. De vez em quando no carnaval da Bahia algum guitarrista daqueles lá toca também uma Ave Maria para delírio da massa. Depois de quatro dias e quatro noites de orgia, saciados que estão de tanto dizerem sim para os desejos da carne, aflora-lhes o sentimento religioso e vão para casa felizes.
Não são muito diferentes daqueles que assistem aos showmissas do Padre Marcelo onde ao som de violões e com palmas manifestam sua animalesca religiosidade. São pessoas que hoje vão à missa, na próxima semana ao futebol, na outra ao show de seu artista favorito. Querem apenas emoções, uma do tipo auditiva, a outra é para agradar aos olhos, a outra é do tipo religiosa, quanto mais emoções, melhor, “isto é que é viver a vida”, dizem. Trata-se apenas de irracionais atendendo as próprias vontades, matando fomes rasteiras. No caso do show de pagode, pelo menos dão o prato completo, boa música e sentimento religioso e mostram aos ouvidos atentos o quanto a música de Schubert é maravilhosa. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça...
Outra questão que me ocorreu, quem vai a um show de pagode, vai para ouvir música? Mas isto é outro assunto.
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julho 14, 2003
5 MÚSICAS PARA QUEM NÃO CONHECE IR ATRÁS
- Estrada de Canindé (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
- Ainda Mais (Eduardo Gudin e Paulinho da Viola)
- Coqueiro Alto (Sidney Miller)
- Choro do Ceará (Paulo Vanzolini)
- Cor de Cinza (Noel Rosa)
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junho 26, 2003
VIVA A COMPETIÇÃO
O sucesso de um artista diluidor contemporaneamente ao artista diluído é vital para a arte deste, por exemplo, doravante, o Djavan sempre que compuser uma canção tomará cuidado para que não se pareça com as canções do Jorge Vercilo, e quiçá se reinvente e crie algo novo.
Posted by César Miranda at 08:37 AM | Comments (0)
junho 25, 2003
TIRE O SEU KI-SUCO DO CAMINHO QUE EU QUERO PASSAR COM MEU LICOR
A Cristina Buarque diz que o Nelson Cavaquinho era um dos bebedores [de alcool] mais resistentes que já viu.
Era o verdadeiro gênio da garrafa.
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junho 20, 2003
ELLA E A OUTRA(OU SARAVÁ, SARAH VAUGHAN)
Ella Fitzgerald é a grande cantora americana, a maior intérprete de quase todos os compositores que gravou. Porém (aaaaai porém), Sarah Vaughan cantando "It never entered my mind" no The Rodgers & Hart Songbook é arrepiante de tão maravilhoso.
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PRA QUÊ ROCK?
Esse disco da Alaíde Costa cantando Hermínio é uma coisa maravilhosa.
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SONHO FRUSTRADO
Nelson Gonçalves não ter gravado "Vou de Taxi"
* essa é pro Ruy Goiaba
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junho 10, 2003
O SILÊNCIO...
Eis me aqui, assobiando a inpirada canção 4'33" de John Cage...
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junho 09, 2003
NELSON FREIRE E TIRIRICA
Ouvir, como ontem, o Nelson Freire dizer que tem inveja do Erroll Garner - "pela alegria com que toca" - é algo assim como se, usando o mesmo argumento, o Woody Allen dissesse que inveja o Tiririca.
Posted by César Miranda at 08:45 AM | Comments (0)
maio 27, 2003
OS BICHOS E A MÚSICA
Você pode escolher entre "A Truta" de Schubert, a "Egüinha Pocotó", "Eu não sou cachorro não" (I'm not dog no) de Waldick Soriano/Falcão, a "Sabiá" de Tom e Chico ou "Asa Branca" de Luiz Gonzaga.
A escolha revelará que tipo de animal você é.
Posted by César Miranda at 08:21 AM | Comments (0)
maio 20, 2003
BETHÂNIA E VANZOLINI
BETHÂNIA E VANZOLINI
Um defeito do novo CD de Maria Bethânia - Cânticos Preces Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu - é que é muito curtinho, só 22 minutos.
Não padecendo desse defeito, a caixa com 4 CDs com a música de Paulo Vanzolini - Acerto de Contas - é perfeita.
Posted by César Miranda at 08:39 AM | Comments (1)
maio 19, 2003
O MOZART DE BRUNO WALTER...
...é um Mozart maravilhoso. A Sinfonia 39, uma das minhas favoritas, tem o último movimento com o maestro Bruno Walter um dos momentos supremos da interpretação musical. Os violoncelos são valorizados, claríssimos, como sempre imaginei na interpretação perfeita. De repente penso, "não seria apenas culpa do técnico de som que colocou um microfone perto demais do cellos?". Jamais saberemos.
Posted by César Miranda at 08:28 AM | Comments (0)
maio 16, 2003
J S BACH
Você sabia que a Suíte BWV 995 de Bach (que é a de número 3 para alaúde) é a mesma BWV 1011, que é a de número 5 para violoncelo?
Pois é.
Posted by César Miranda at 08:13 AM | Comments (0)
maio 09, 2003
NOTAS MUSICAIS
A afirmação de que música é uma arte para ser ouvida não me convence muito. Uma história e quase tudo o que se pode escrever não existiria principalmente para ser contado oralmente? A escrita é apenas uma das formas de alguém contar sua história, a técnica da escrita não é a história. Muitas formas há de se contar uma história. A escrita serve aos alfabetizados, os audiobooks àqueles que não podem ou não querem ler, o cinema e o teatro serve aos que querem "ver" a história. Graças à alfabetização – de contadores de história e do público – hoje é o livro o mais popular meio de se conhecer uma história. Graças ao analfabetismo musical – de músicos e público – hoje é a gravação o meio mais popular de se conhecer uma música. Somos 99,99% analfabetos musicais, não sabemos ler ou escrever música. Se soubéssemos, leríamos música como lemos livros e a ouviríamos apenas em casos especiais, como hoje ouve-se os audio-books. Seríamos todos intérpretes da músicas que conhecemos. Quem lê música, "ouve" com os olhos, assim como ouvimos nossa própria voz quando lemos um livro. Um músico não se impressiona com o fato de que Beethoven era surdo, Goya também era e ninguém vê nada demais nisto porque a arte que ele fazia, como a de Beethoven podia muito bem prescindir do sentido da audição.
Posted by César Miranda at 08:34 AM | Comments (0)
maio 08, 2003
EU SOU NORMAL!!!!!!!!
Um cara tocando um funk ou reggae em sua guitarra se diverte à beça, dá inveja até. Já Cláudio Arrau sofria naquele piano.
O que sei é que tendo eu aquela alegria trocava por essa tristeza e voltava alguns trocados.
Posted by César Miranda at 08:15 AM | Comments (0)
maio 02, 2003
FILOSOFIA BAIANA II
"Segura o tchan
Amarra o tchan
Segura o tchan
Tchan, tchan,
Tchan, Tchan"
É fundamental atentarmos para este aspecto: "segura o tchan" (e) "amarra o tchan". Há aí uma silepse, porém, a conjunção aditiva "e" é claramente subentendida. "Segura e amarra" [o tchan], pois se você apenas segurar o tchan sem ao mesmo tempo amarrá-lo (e vice-versa), os resultados podem ser catastróficos. Não nos enganemos.
Posted by César Miranda at 02:45 PM | Comments (0)
abril 23, 2003
LINK DO DIA
A página oficial de Paulinho da Viola.
Posted by César Miranda at 08:31 AM | Comments (0)
março 17, 2003
QUANTO MAIS A MODA É FEIA MAIS O POVO ACHA BONITO
A estética do RAP me é enormemente repulsiva.
Só o fato de haver pouca mulher naquele mundo já é uma ordem para que eu o despreze.
PS - o título é uma frase de uma canção de Juraíldes da Cruz
Posted by César Miranda at 08:33 AM | Comments (0)
janeiro 28, 2003
OS DOIS PESOS DO CRÍTICO DE MÚSICA
Tem uma música da Carmen Miranda cujo refrão diz "quiriquiri quiri qui" chama-se "Manuelo" está no disco Carmen Miranda On Broadway e é a cara de um daqueles axés cantados pelo marido da Carla Perez.
Mas com a Carmen é chique.
Vá entender...
A próposito, o disco da Carmen é óóóóótimo, pelo menos é o que EU acho, né, Zé?
(post em homenagem a Zé Rodrix )
Posted by César Miranda at 07:00 AM | Comments (0)
janeiro 23, 2003
Ouço neste momento o CD
Ouço neste momento o CD Au Ras de Paquerettes de Alain Souchon , uma beleza.
MP3 que gravei de meu amigo Adalberto de Queiroz do Zadig
Posted by César Miranda at 07:21 AM | Comments (0)
