Tudo começou quando um gerente de banco disse, para humilhar o escriturário, que até seu cachorro faria um ofício melhor que aquele. E para provar, no mesmo fim de semana, o gerente começou a adestrar seu cão na habilidade de redigir ofícios bancários. Com algumas aulas, o partor já fazia ofícios com qualidade realmente superior aos do escriturário, que foi despedido e substituído pelo cachorro. No começo, os colegas estranharam, mas o gerente fez uma campanha sobre a igualdade entre espécies que deveria prevalecer naquele ambiente e todos passaram a tratar o cachorro como um seu igual e todos foram matriculados em cursos que ensinavam língua canina, afinal neste mundo globalizado, quem souber só um idioma está perdido. Em alguns meses, já tinham contratado mais cinco cães, o que demandou também banheiros e restaurantes específicos. Logo, outro empregado do banco, um caixa, foi substituído por uma felina (era uma gata, precisavam ver), que fazia o serviço de contar dinheiro com invejável destreza. O banco começou a tirar proveito institucional desses fatos e fazia propaganda na TV sobre o clima de liberdade e responsabilidade social e animal que reinava na empresa, etc. Todos admiravam aquilo, afinal um animal desempregado é muito triste e os bancos concorrentes resolveram imitar. Então, abriram-se as portas da selva: gambás, macacos, preguiças, onças, girafas e ratos já trabalhavam pela cidade em lojas de calçados, bares, clubes, departamentos de Estado e empresas públicas. Logo, uns zoológicos começaram a encomendar espécies humanas para fazer parte de seu acervo. A procura foi muito grande. Houve concursos para escolher pessoas que viveriam enjauladas. Em uma área do zoológico, construíram casas com quarto e sala, como têm nas cidades e lá dentro viviam o casal de humanos caucasianos, que são os mais raros. Houve muitos protestos, acusaram a direção do zoológico de preconceito contra os mestiços. Então, criaram zoológicos só de humanos com um casal de cada subespécie: anões, pretos, paraibanos, índios, baianos, baixinhos, altões, carecas, árabes, chineses e muitos outros. Nos fins de semana, cães e gatos tiravam a gravata e levavam os filhos ao zoológico para ver os bichos humanos. Obedientes às placas, não davam comida.
Posted by César Miranda at setembro 8, 2008 07:49 PM | TrackBackDigo: um bicho-preguiça.
Posted by: Chico Sena at setembro 9, 2008 04:47 PMEis um miniconto georgeano. Eu desejo ser substituido por uma preguiça.
Um abraço
Posted by: Chico Sena at setembro 9, 2008 04:45 PM