1 - Viver é esperar.
2 - Selecionar é desperdiçar.
3 - Criatividade é acidente.
4 - Relativismo é desonestidade.
5 - Cozinha é artesanato.
6 - Internet é masturbação.
7 - Espaço também é coisa.
8 - Ler é dirigir um filme.
9 - Arte é para museus.
10 - Milagre é quando a fé e a ciência se avistam.
POLITICAGEM
“A tal da politicagem é o acento circunflexo da palavrinha cocô.”
O MATUTO E O CORONÉ
“O cabra pra ser político no Brasil, precisa no mini-minimóro dos seguintes adjutórios, dois pontos.”
COMÍCIO DE BECO ESTREITO
“E a pisadinha é essa: três promessas por minuto.”
*Aulas de política do poeta Jessier Quirino, para vocês aí que terão o desprazer de escolher entre gatunos e asnáticos.
I
Urge que se invente uma fórmula para que nas olimpíadas um vencedor (e não um derrotado) ganhe a medalha de prata. Todo mundo feliz e o ganhador da medalha de prata chorando destoa horrendamente o pódio. Além disso, pódio, por definição, não é lugar de perdedores.
OITO
Uma pena realmente dura desencoraja o meliante. Mas não adianta cassar direitos políticos (grande merda!). A pena deveria ser determinada após um estudo da vida do apenado. Para uma moçada aí, deveria haver previsão penal proibindo email, Orkut, blog, MSN, briga de galo...
SIX
Existe gente que quer eliminar quem pense diferente. E há outras, como Sócrates que ansiava por sentar à mesa e conversar amigavelmente com alguém assim.
QUATTRO
Você teria que ser Deus para poder ter a autoridade de dizer que Deus é uma ilusão ou que Ele não é grande. “Ah, Eu sou uma ilusão, Eu não sou grande, não...” diz o Todo-Poderoso todo cheio de humildade.
DEUX
Fizeram uma lei autorizando matar anencéfalos, como não sou anencéfalo, não me importei, etc...
TRE
Ao cientista cabe revelar coisas que Deus já sabe. O mentiroso conta novidades a Deus. O sujeito conta uma mentira e Deus pensa: “isso para Mim é novidade”.
CINQUE
Os governos cobram altos impostos para injetar no mercado os recursos necessários para a sociedade se desenvolver, coisa que não acontece por causa dos altos impostos extorquidos da sociedade pelos governos.
SETTE
Um paradoxo moderno: intelectuais são um bando de idiotas. Acreditam mais na teoria que abraçam do que na realidade que os cercam.
NEUF
No Brasil há excessos de leis para que os burocratas de plantão possam invocá-las caso necessário, quer dizer, quando algum inimigo desobedecer a tal lei. Amigo pode.
X
Se a razão do terrorismo de 11 de setembro fosse mesmo religiosa, os aviões teriam se chocado contra catedrais e sinagogas.
Meu romance já não era mais meu. Eu já não escrevia mais nada nele, apenas lia. Cismei que qualquer interferência minha seria danosa, pois fora danosa nas vezes em que interferi. Bem, quando voltei ao livro, resumindo tudo, havia começado uma quase guerra. Um dos fiéis do Templo do Grande Autor provocou uma cisma e fundou uma igreja protestante chamada “O Livro da Vida”. Ele não concordava com alguns dogmas de Alexandre Clark. Discordava dos longos períodos em pé e de profundo silêncio dos cultos no Tempo do Grande Autor, que, segundo Clark, seria uma reverência ao Grande Autor (eu, é mole?). O silêncio era para que Ele (eu de novo, hehehe) pudesse escrever o Grande Livro. O fiel protestante se chamava Gildásio e era um ex-cantor sertanejo, amigo desde quando um dia fora ao programa de rádio de Clark divulgar um LP seu. Gildásio entrou para o Templo e logo se tornou presbítero, que é um tipo de subpastor. Surgiram as discussões quando Gildásio teorizou em uma homilia para jovens que o “Grande Autor” era um modo de dizer, era outro nome que se daria ao Todo-Poderoso e eles, na verdade, não eram personagens de um livro coisa nenhuma. Aquilo era uma metáfora para o fato de que Deus fez o mundo e fez as pessoas, deu-lhes vida e o segredo da felicidade era que fizéssemos o mínimo possível, isto é, deveríamos entregar nossa vida a Deus e confiar. Era disso que se tratava toda a doutrina do Templo do Grande Autor, segundo Gildásio. Alexandre Clark chamou-o para uma conversa. Na verdade, era para seri uma espécie de inquisição digna do papo que devem ter tido São Bernardo e Pedro Abelardo na Idade Média, que resultou na excomunhão do Abelardo, mas não foi bem assim. Alexandre, que não era nenhum São Bernardo, era mais um pitbull, disse o seguinte: “você quer me destruir? Você quer acabar com minha igreja? Você está ficando doido? Que conversa é essa de metáfora? Metáfora é o caralho. Meta fora daqui essa porra dessa sua metáfora. Meta sua metáfora no cu”. Gildásio, incrédulo, arregalou os olhos e tentou uma reação e disse que era claro que era uma metáfora, pois quem seria idiota de acreditar realmente que aquilo lá era um livro e eles eram personagens? Alexandre disse que ele acreditava! Mais do que isso, tinha absoluta certeza, pois conhecera o menino que ouvia as vozes e conversara também com o tio do menino e não tinha a menor dúvida, pois, por exemplo, ele mesmo não lembrava da própria infância. E por que não se lembrava? Por que o autor não tinha escrito nada, apenas o tinha descrito como ex-locutor de rádio que teve um caso com uma fã, etc, etc. Gildásio disse que se fizesse um esforço se lembraria da própria infância e que Alexandre estava realmente maluco. Meses depois, Gildásio fundou a própria igreja, a qual deu o nome de “O Livro da Vida” e em pouco tempo estava com tantos fiéis quanto o Templo do Grande Autor. Consideravam-se mais inteligentes que “aquele pessoal do Templo”. Logo a cidade se dividia entre fiéis do Livro e fiéis do Templo. E começaram os aborrecimentos, as brigas entre fiéis, casais se separavam, famílias se destruíam por causa das duas igrejas. Aquilo foi demais para mim. Aquela gente lá... só matando. Fechei o arquivo, fui ao diretório onde ele estava e o deletei.
(continua...)
Tudo começou quando um gerente de banco disse, para humilhar o escriturário, que até seu cachorro faria um ofício melhor que aquele. E para provar, no mesmo fim de semana, o gerente começou a adestrar seu cão na habilidade de redigir ofícios bancários. Com algumas aulas, o partor já fazia ofícios com qualidade realmente superior aos do escriturário, que foi despedido e substituído pelo cachorro. No começo, os colegas estranharam, mas o gerente fez uma campanha sobre a igualdade entre espécies que deveria prevalecer naquele ambiente e todos passaram a tratar o cachorro como um seu igual e todos foram matriculados em cursos que ensinavam língua canina, afinal neste mundo globalizado, quem souber só um idioma está perdido. Em alguns meses, já tinham contratado mais cinco cães, o que demandou também banheiros e restaurantes específicos. Logo, outro empregado do banco, um caixa, foi substituído por uma felina (era uma gata, precisavam ver), que fazia o serviço de contar dinheiro com invejável destreza. O banco começou a tirar proveito institucional desses fatos e fazia propaganda na TV sobre o clima de liberdade e responsabilidade social e animal que reinava na empresa, etc. Todos admiravam aquilo, afinal um animal desempregado é muito triste e os bancos concorrentes resolveram imitar. Então, abriram-se as portas da selva: gambás, macacos, preguiças, onças, girafas e ratos já trabalhavam pela cidade em lojas de calçados, bares, clubes, departamentos de Estado e empresas públicas. Logo, uns zoológicos começaram a encomendar espécies humanas para fazer parte de seu acervo. A procura foi muito grande. Houve concursos para escolher pessoas que viveriam enjauladas. Em uma área do zoológico, construíram casas com quarto e sala, como têm nas cidades e lá dentro viviam o casal de humanos caucasianos, que são os mais raros. Houve muitos protestos, acusaram a direção do zoológico de preconceito contra os mestiços. Então, criaram zoológicos só de humanos com um casal de cada subespécie: anões, pretos, paraibanos, índios, baianos, baixinhos, altões, carecas, árabes, chineses e muitos outros. Nos fins de semana, cães e gatos tiravam a gravata e levavam os filhos ao zoológico para ver os bichos humanos. Obedientes às placas, não davam comida.
1. Amar é ter mais de uma vida.
2. Na delegacia: “me grampearam”, reclama o papel.
3. Paciente não é o doente. Paciente mesmo é o defunto, que fica lá quietinho, pacientemente.
4. Todo infeliz deveria ser infeliz por isto, mas muitos são felizes.
5. Sou responsável pelo que digo, por isso eu só falo do que digo. E nada mais digo.
6. Os visionários brasileiros sofrem de glaucoma, catarata, hipermetropia e cegueira congênita.
7. Não confunda maxixe com xaxado.
8. Achei um defeito em “Batman – O cavaleiro das trevas”: não tem mulher pelada.
9. O tempo está passando tão rapidamente que até o que é ruim tem durado pouco.
10. O espelho foi feito para a gente refletir melhor.