junho 05, 2008

ORGULHO E PRECONCEITO

Um paulista (desculpe, um cidadão nascido no estado do São Paulo) morador de Teresina, no Piauí, entrou na justiça contra seu chefe, gerente do supermercado em que ele trabalha, por assédio moral. O fato é que o chefe vivia chamando o empregado de “paulista” e ele se sentiu ofendido. Perante o juiz, o empregado reclamou que não só ele, mas vários empregados oriundos do Sudeste são freqüentemente tratados pelo seu gentílico, o que causa muito constrangimento. O juiz perguntou onde ele nascera e o empregado disse que tinha nascido em São Paulo. O juiz disse que então ele era paulista mesmo e perguntou então porque ficara constrangido e ofendido e ele respondeu ao juiz que o gerente não o chamara de paulista e sim de “paulista”, entre aspas. O problema todo era as aspas, elas desciam como martelo em sua cabeça. “Que aspas?”, quis saber o juiz. “Ora, Doutor, as aspas, o senhor sabe o que estou dizendo”. O juiz disse que não sabia não e que nunca vira aspas saindo da boca de ninguém e principalmente batendo como martelo em sua cabeça. “O senhor nunca viu aspas batendo em sua cabeça como martelo porque o senhor é nordestino”, disse o paulista com um sotaque irritante aos ouvidos do juiz, sugerindo que o juiz nunca sentira o peso de uma aspa no seu cocuruto, pois, sendo nordestino que nascera e crescera no Piauí, jamais sofrera as dores do paulista que sobe para ganhar a vida no nordeste maravilha. “Sou o quê?”, perguntou o juiz. “Nordestino”, disse o paulista. O rosto do juiz esquentou e invadiu-lhe a ira. Pela primeira vez, ele sentira aspas batendo em sua cabeça como martelo. Então, o juiz processou o paulista por preconceito.

Posted by César Miranda at junho 5, 2008 12:08 AM | TrackBack
Comments

César, que criatividade!!!Parabéns!!!
A comunicação realmente não engloba apenas as palavras, mas como elas são expressadas.
Que conto fantástico!!!
Beijo

Posted by: Camila at junho 6, 2008 09:45 PM
Post a comment









Remember personal info?