Era assim que começava a história que resolvi escrever:
No quarto, o tio e o sobrinho dormiam. Então o tio era despertado por barulho de ratos. Os ratos do casarão faziam barulhos durante a noite. Nessa hora o sobrinho começava a conversar. O garoto toda noite falava sozinho enquanto dormia.
Parei a história nesse ponto, coloquei o computador de lado e fui à cozinha tomar água. Lá chegando, um amigo, que há tempos eu não via, chegou quase junto comigo. Ficamos ali conversando sobre nada muito importante, isto é, os problemas da nação, o roubo dos políticos, política internacional e afins. Eu gostava muito de falar sobre tais coisas com esse meu amigo porque ele não tem opinião alguma sobre essas questões, então minha opinião sempre prevalece quando conversamos, e isso me deixa muito satisfeito e aliviado. É como tomar um trago sem que ninguém veja, para um alcoólatra, em período de abstinência. Desde que prometi não opinar sobre mais nada, não perco a chance de conversar com esse amigo, porque com ele posso opinar como se não estivesse opinando. É como se conversasse comigo mesmo. No final acabo pensando porque parei de opinar, afinal continuo pensando o que penso, não adianta negar. Depois que conversamos bastante, meu amigo foi embora e eu voltei para o micro para continuar o romance do tio e do sobrinho que dormiam em um quarto e escutaram barulhos de ratos, pois tais barulhos aconteciam toda noite e toda noite o garoto falava enquanto dormia. Pois bem, quando voltei para continuar, ao olhar onde tinha parado a história, o dia já tinha amanhecido, o garoto tinha ido estudar e o tio conversava com garotas em uma sala de bate-papo virtual. Achei aquilo estranho, os dois personagens saírem assim sem minha permissão, e muito bizarro que o tempo tenha passado naquela história sem que eu tenha escrito nada. O fato é que era assim que estava. Enquanto eu conversava com meu amigo, o tempo passara e os personagens seguiram a vida. Nada podendo fazer, meio desorientado, peguei a história dali mesmo e a continuei. Eu tinha que mostrar quem é que mandava.
(continua...)
Este é um conto longo, publicado em partes, toda segunda-feira.
Legal a idéia, César
Posted by: at junho 4, 2008 09:46 AMDoida pra saber onde essa história vai dar...
:*