maio 10, 2008

SAUDAÇÕES

Estava eu no interior de um ontem qualquer, quando o Márcio Guilherme me chamou para o Apostos, falei que seria uma honra participar de tão seleto grupo, porém, o adverti que eu seria um peso morto aqui. Ele disse que estavam precisando de um peso morto, então eu seria bem-vindo (na verdade ele não disse isso, mas eu gostaria que tivesse dito). Eu sou um monumento à preguiça, mas depois disso, sob tão alvissareira possibilidade de fazer parte do portal, pipocou em meu coco um monte de idéias dignas de mim mesmo, se é que isso é alguma coisa. Por exemplo, me ocorreu propor a criação do Dia Mundial de Combate à Porrada ou escrever sobre o prédio que tinha cobertura de chocolate ou inventar uma mistura de Rinossoro com Diabo Verde, que seria um desentupidor de pia e nariz. Mas me sentiria deslocado como Luiz Gonzaga cantando “Oh, Carol”, pois não entendo de porradas, minha rinite está sob controle e nem gosto muito de chocolate (tenho esse defeito). Outro defeito grave que tenho, para um humorista, é que uma das técnicas de humor mais usadas é a autodepreciação, na qual eu, desgraçadamente, sou um desastre. Sou o Rubinho Barrichelo da autodepreciação (lento, porém persistente). Além disso, internet é coisa de quem não tem convite pra sair à noite e eu que não sou pai (e com o passar do tempo não serei nem avô) tenho tempo sobrando, além do fato de que as pessoas do sexo masculino vão ficando infantis na medida em que envelhecem (algumas mulheres também vão ficando mais novas enquanto envelhecem, mas isso é outra história) e ser infantil é importante para quem é humorista. Um velho humorista é uma criança com muita idade, que morrerá por excesso de infantilidade. Um velho que teima em dizer a verdade é isso, um humorista. Tem que ser muito teimoso para continuar dizendo a verdade neste mundo onde tudo o que se faz é caçar níqueis. Ah, inventei um trava língua bem facinho: “típico título caça níquel” (repita isso o dia inteiro). Na verdade esse negócio de ser criança tem seus dois lados. Cristo quando elogiava as crianças evidentemente não estava elogiando a infantilidade. Lembrei desse aspecto da coisa porque ultimamente tenho sido uma espécie de paparazzi. Levo a máquina digital para o trabalho e tiro fotos dos colegas quando não estão vendo. O objetivo é unicamente documental. Acho importante que no futuro olhem para aqueles instantâneos. Há muitos que odeiam aquilo e me odeiam por aquilo e penso nessas pessoas como crianças. Aceitar ser fotografado é sinal de maturidade. Seres infantis não gostam, como os índios que acham que vão ter a alma roubada. Aqui em Brasília tenho me divertido muito fotografando também os turistas. Quase sempre vou à missa dos domingos na Catedral, que é o lugar mais visitado da cidade e fica fácil. O turista fica em frente a uma estátua daquelas dos apóstolos e seu amigo bate a foto, nessa mesma hora eu também bato a minha foto do turista sendo fotografado em frente à estátua. Ninguém desconfia que estou fotografando o turista. Gosto demais de ver turistas. Vou aos pontos turísticos para ver os turistas, não me interesso pelo ponto. Vou à praia para ver banhistas, pois a praia mesmo, eu detesto. Vou ao show para ver os fãs, passeio para ver as pessoas do lugar, afinal a estátua da liberdade vai ficar lá (enquanto o Osama deixar), mas aquelas mesmas pessoas não. Vou ao restaurante para comer (claro), mas quase não como, fico reparando as pessoas que passam. A internet, como quase tudo (do xote ao orkut), foi inventada para que as pessoas se encontrem. Deus criou o mundo para isso. Todo mundo foi criado para encontrar todo mundo. E quando todo mundo encontrar todo mundo deve amar todo mundo e ser amado por todo mundo, pois todo mundo é o grande barato do mundo. Agora, me dá licença que vou escrever um enorme poema em homenagem à prosa. Saudações a todo mundo.

Posted by César Miranda at maio 10, 2008 11:18 PM | TrackBack
Comments

Tamos aí, César! Comentários no ar!

Grande abraço (e bem vindo mais uma vez),
Márcio Guilherme.

Posted by: Márcio Guilherme at maio 14, 2008 01:34 AM

Bem-vindo, meu caríssimo! Abração.

Posted by: Ruy at maio 14, 2008 02:05 AM

Bem-vindo, caro! Enfim mais uma alma cristã para me fazer companhia neste portal de ateus bem-intencionados (rs, rs). Abraços.

Posted by: Antonio Fernando Borges at maio 14, 2008 06:17 AM

Uau!
Obrigado Márcio. Você é ótimo.
Grande abraço, Ruy e Antônio, meus colegas Apostos.

Posted by: César Miranda at maio 14, 2008 07:37 AM

Oba!!!
Abração, César

Posted by: Adelice at maio 14, 2008 08:50 AM

Ueba! Longa vida ao humorista. Longa vida ao apostos.
Amitiés,
BetoQ.
P.S.: Como já te disse, gostei demais do post do Aznavour cantado na chuva.

Posted by: Adalberto Queiroz at maio 14, 2008 11:45 AM

Grande César,
Fiquei feliz com o retorno do humor e das verdades dita de um jeito tão César.
Longa vida ao portal.
Como te disse, gostei muito do post sobre Aznavour e a chuva.
Amitiés,
BetoQ.

Posted by: Adalberto Queiroz at maio 14, 2008 11:48 AM

Olá meu querido,
Grand première!!
Merd* pra você!
E, com comentários abertos, então, ficou completo.
Beijo,

Áurea

Posted by: Áurea Cruz at maio 14, 2008 12:04 PM

Parabéns pelo novo espaço!

Posted by: Ana Paul at maio 14, 2008 01:25 PM

César presenteando o Apostos e seus leitores com seu grande espírito, muito bom.
Um beijo.

Posted by: Fran Scalcon at maio 14, 2008 04:19 PM

Obrigado, meu amigo-irmão Adalberto de Queiroz. Aquele post é dedicado a você.
Adelice, eu bem que lhe disse, você é minha leitora favorita.
Áurea, obrigado por tudo. Saudade de você.
Ana Paul, obrigado por aparecer, gosto muito de você.
Fran querida, volte sempre. Gosto de você por perto.
Abraços e beijos a todos.

Posted by: César Miranda at maio 15, 2008 08:49 PM
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