abril 10, 2008

SAUDAÇÕES

Eu quase faço como o Noronha, mas felizmente os Rolling Stones voltaram ao ar. Não é por que minha preguiça só aumenta com a idade, há também o fato (contra o qual não há argumento. Fica aí sentado lendo, não discorde de mim, senão paro com este post bem aqui mesmo) é que eu já dei minha contribuição para o mundo blogueiro e agora chega. O Paulo Salles e o Marcelo de Polli é que estão certos, esse negócio de blog não dá camisa a ninguém e eu preciso de camisa, pois não vou sair por aí a mostrar meus pêlos tonirrâmicos. Além disso, nunca usei todas as possibilidades que a internet oferece. Esse negócio de só escrever textinhos engraçadinhos é muito sem graça. É que eu, além de morrer de preguiça, nunca achei um artista gráfico para me ajudar. Por exemplo, eu queria fazer uma coisa que requer tempo, paciência e photoshop. Eu iria a uma feira aqui em Brasília e compraria uns 10 litros de pequi (uma fruta ruim, mas muito popular entre as pessoas que gostam dela, aqui no Centro-Oeste). E então faria várias fotos de pequis fazendo algum esporte. Pequi sendo usado como bola de ping-pong (que nas olimpíadas chamam “tênis de mesa”. Teriam que inventar outro nome para “Peteca” ou ela nunca vai ser esporte olímpico, mas posso estar falando bobagem), pois bem, teríamos pequis como jogadores de futebol, argolas de pequis fazendo aquele símbolo das olimpíadas, pequi andando de bicicleta, pequi jogando vôlei, etc. Embaixo de cada um desses quadros haveria, com letras bem bandeirosas, a frase “Olimpíadas de Pequi”. Ia ser engraçado, não ia? Pois é, mas não vou nisso não, ia dar muito trabalho. Enfim, estou por aqui, qualquer hora eu falo mais. Estou escrevendo uns decassílabos, depois eu mostro. O que me torna mesmo um peso morto neste seleto grupo de blogueiros maravilhosos e suas máquinas voadoras é que um dia resolvi que não escreveria mais sobre uma porrada de assuntos (1 porrada é o equivalente a 20, para quem não sabe), por exemplo, política. Ah, também não ia mais dar nenhum pitaco sobre filosofia. Religião? Deus me livre. Economia? Nem me pagando. Mulher? Apesar de afrodisíaco, seria melhor deixar pra lá também (não quero falar mal delas e falar bem, segundo o Alexandre, não vai me ajudar conquistar nenhuma). Chocolate? Não, chocolate engorda. E fui fazendo a lista a respeito do que não seria aconselhável falar. Depois da lista feita, concluí que seria mais sábio que ficasse calado, pois não sobrava mais nada que pudesse sair de meus dedos e que fosse interessantinho. Pois bem, claro que eu não respeito as decisões que tomo e nem sou coerente com as promessas que faço para mim, o que me permite falar sobre todas essas coisas sem nenhum problema quando eu esquecer tais promessas. Além disso, há tanta gente que não mantém a palavra comigo, por que eu iria fazê-lo? Seria ridículo eu considerar a palavra de quem, logo a minha, como se fosse lei. Aliás, nem toda lei eu obedeço. A lei da gravidade, por exemplo, burlo de vez em quando e vou em vôo por aí. A lei da gravidade por sua vez também não me obedece e estamos quites (eu, com alguns hematomas). As leis não obrigam ninguém a nada, apenas nos impõem sua sanção, mas quem quiser pode desobedecer, não é proibido. A lei da oferta e da procura também é outra que me expulsa da blogosfera. Eu sou um tipo zero, como diria Noel Rosa, sou um tipo que não tem tipo e o mercado blogosférico foge de seres como eu. Então fica um doido ou outro (como a Meg, por exemplo) dizendo que gosta de mim, enquanto a maioria boceja e sai por aí fazendo coisas mais interessantes como upload de fotos no Orkut que agora aceita que você coloque mil e quinhentas fotos e, melhor ainda, permite que você em seguida proíba as pessoas de olhá-las. Eu, por minha vez, farias coisas mais interessantes do que postar, como ouvir Jamelão cantando Lupicínio e fazer sonetos para uma garota de olhos azuis. Seria bom para todo mundo. A verdade é que não tenho novidade, tudo continua como no último post, continuo sem assunto porque a realidade deste país é mais engraçada que qualquer texto que eu pudesse escrever e outra coisa que resolvi foi não escrever nada baseado em fatos reais, afinal sou um poeta e o poeta é um fingidor. O problema é que sou também humorista e o humorista é sempre verdadeiro (basta dizer a verdade e as pessoas morrem de rir), o humorista é aquele que diz a verdade, o poeta é o que mente. Sendo eu um humorista poeta ou um poeta humorista, trago forte tendência de ficar em silêncio, pois tenho meu verbo neutralizado pelas duas atividades, uma que me impede dizer a verdade, outra que me impede mentir. O que me resta, quando tenho que escrever mesmo é desobedecer a um dos dois dons e depois não dormir de noite por não ter sido suficientemente poético ou engraçado o bastante. Vou postar com mais freqüência, acreditem, pois estou muito feliz. Saudações a todos.

Posted by César Miranda at abril 10, 2008 12:01 AM
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