abril 23, 2008

“PEGA E LINCHA ESSES LINCHADORES”

Um dos eventos mais importantes na vida de Jesus foi quando Ele impediu o linchamento de uma mulher adúltera. Ele ficou lá, escrevendo na areia, não encarou a multidão (e René Girard assinala isso como muito importante, pois se o fizesse poderia até ser linchado) e nem se juntou a ela, apenas mostrou a verdade “quem nunca pecou, atire a primeira pedra”. Ele optou por amar aquela mulher e não por fazer justiça, pois a lei autorizava o linchamento de uma adúltera. A mulher se tornou uma santa seguidora de Cristo e cada um que fazia parte da multidão foi para casa pensar melhor na merda que ia fazer. Multidão é o lugar onde o diabo se infiltra e fazer a festa. Devemos fugir da multidão sempre, ela geralmente está errada. Mesmo uma multidão de santos faria merda. Cristo é a melhor lente que existe para se enxergar as coisas como elas são, afinal Ele é A verdade. Muita gente boa fica indignada com o espetáculo que estão fazendo em torno da sevícia e morte da menina Isabella. Uma horda tosca quer linchar os pais, supostos culpados. Por outro lado, há muita gente boa querendo linchar os linchadores. Parece que foi na última revista Bravo que li a frase de Walt Whitman em que ele diz algo assim “não sou do tipo que fica a se queixar de que as pessoas só ficam se queixando”. Quem julga o povo que quer linchar está cometendo o mesmo erro que eles e nem percebe isso, pois há um raciocínio sinistro (marxista?) também de que os linchadores são “eles” e nós não somos linchadores, “nós” somos bons (o mesmo que eles dizem dos linchadores que lincham como quem afirma “eles são assassinos, nós não”). A análise dessa gente boa do ponto de vista psicanalítico – e marxista - está correta (quem sou eu pra dizer que não?!). Acontece que esse negócio do “pega e lincha” é algo antiqüíssimo. Trata-se do mecanismo do bode expiatório. O bode expiatório é um teatro satânico que consiste no fato de que toda uma população odeia alguém a quem culpa pelos seus próprios (da população) erros. Depois de julgar e executar o “culpado”, a população verifica que aquele era inocente, porém o assassinato leva a população a se recolher e viver certo período de normalidade. Essa história do bode expiatório é um dado antropológico, é um fato presente em todas as civilizações (estudado com profundidade pelo já citado René Girard, escritor francês, antropólogo das religiões). Quem veio para acabar com isso foi justamente Nosso Senhor Jesus Cristo (claro que Ele não conseguiu acabar, pois o demônio não se aposentou e manda seus auxiliares para remontar a peça sempre e sempre e essa peça, pelo jeito, não sai de cartaz tão cedo), justamente se oferecendo Ele mesmo para o papel do bode expiatório definitivo(é por isso que ele morreu por todos nós). Com Cristo, a tal peça muda seu roteiro, pois diferentemente do bode expiatório tradicional, Cristo se oferece voluntariamente à morte, diferentemente do bode expiatório tradicional Ele é não só declaradamente inocente como é o próprio Filho de Deus. E, antes de morrer, deixa um recado, para que paremos de odiar quem quer que seja “amai vossos inimigos e orai por quem vos persegue”. Antes de morrer, Ele perdoa quem o matou. Essa é a fórmula para o fim desse teatro de lúcifer. . Devemos dar um basta ao ciclo demoníaco de odiar. Um psicanalista marxista jamais escreveria que a culpa desse enlouquecimento da multidão é do diabo, ele provavelmente não acredita no diabo (e nem em Deus). Ele jamais assumiria que a solução para esse problema já nos foi dado por Jesus Cristo, isto é, vamos dizer que foram mesmo os pais da garota os assassinos, o que devemos fazer? Amá-los e rezar por eles. Qualquer drama humano tem que despertar em nós enorme piedade, jamais ódio, pois é isso que o diabo quer de nós, que odiemos. Marx é um dos diletos auxiliares do demônio ao convencer muitos de que é a luta de classe a máquina que faz a história caminhar. Para Marx, o pobre deveria odiar o rico, tirá-lo seus bens e se tornar dono de tudo, pois todo rico é mau e todo pobre é bom (como se, ao tomar os bens do rico pra si, o pobre não se tornasse automaticamente rico também e, num passe de mágica, uma pessoa má). Como dizia um psicanalista cristão, o demônio é burro.

Posted by César Miranda at abril 23, 2008 11:30 PM