Um dos eventos mais importantes na vida de Jesus foi quando Ele impediu o linchamento de uma mulher adúltera. Ele ficou lá, escrevendo na areia, não encarou a multidão (e René Girard assinala isso como muito importante, pois se o fizesse poderia até ser linchado) e nem se juntou a ela, apenas mostrou a verdade “quem nunca pecou, atire a primeira pedra”. Ele optou por amar aquela mulher e não por fazer justiça, pois a lei autorizava o linchamento de uma adúltera. A mulher se tornou uma santa seguidora de Cristo e cada um que fazia parte da multidão foi para casa pensar melhor na merda que ia fazer. Multidão é o lugar onde o diabo se infiltra e fazer a festa. Devemos fugir da multidão sempre, ela geralmente está errada. Mesmo uma multidão de santos faria merda. Cristo é a melhor lente que existe para se enxergar as coisas como elas são, afinal Ele é A verdade. Muita gente boa fica indignada com o espetáculo que estão fazendo em torno da sevícia e morte da menina Isabella. Uma horda tosca quer linchar os pais, supostos culpados. Por outro lado, há muita gente boa querendo linchar os linchadores. Parece que foi na última revista Bravo que li a frase de Walt Whitman em que ele diz algo assim “não sou do tipo que fica a se queixar de que as pessoas só ficam se queixando”. Quem julga o povo que quer linchar está cometendo o mesmo erro que eles e nem percebe isso, pois há um raciocínio sinistro (marxista?) também de que os linchadores são “eles” e nós não somos linchadores, “nós” somos bons (o mesmo que eles dizem dos linchadores que lincham como quem afirma “eles são assassinos, nós não”). A análise dessa gente boa do ponto de vista psicanalítico – e marxista - está correta (quem sou eu pra dizer que não?!). Acontece que esse negócio do “pega e lincha” é algo antiqüíssimo. Trata-se do mecanismo do bode expiatório. O bode expiatório é um teatro satânico que consiste no fato de que toda uma população odeia alguém a quem culpa pelos seus próprios (da população) erros. Depois de julgar e executar o “culpado”, a população verifica que aquele era inocente, porém o assassinato leva a população a se recolher e viver certo período de normalidade. Essa história do bode expiatório é um dado antropológico, é um fato presente em todas as civilizações (estudado com profundidade pelo já citado René Girard, escritor francês, antropólogo das religiões). Quem veio para acabar com isso foi justamente Nosso Senhor Jesus Cristo (claro que Ele não conseguiu acabar, pois o demônio não se aposentou e manda seus auxiliares para remontar a peça sempre e sempre e essa peça, pelo jeito, não sai de cartaz tão cedo), justamente se oferecendo Ele mesmo para o papel do bode expiatório definitivo(é por isso que ele morreu por todos nós). Com Cristo, a tal peça muda seu roteiro, pois diferentemente do bode expiatório tradicional, Cristo se oferece voluntariamente à morte, diferentemente do bode expiatório tradicional Ele é não só declaradamente inocente como é o próprio Filho de Deus. E, antes de morrer, deixa um recado, para que paremos de odiar quem quer que seja “amai vossos inimigos e orai por quem vos persegue”. Antes de morrer, Ele perdoa quem o matou. Essa é a fórmula para o fim desse teatro de lúcifer. . Devemos dar um basta ao ciclo demoníaco de odiar. Um psicanalista marxista jamais escreveria que a culpa desse enlouquecimento da multidão é do diabo, ele provavelmente não acredita no diabo (e nem em Deus). Ele jamais assumiria que a solução para esse problema já nos foi dado por Jesus Cristo, isto é, vamos dizer que foram mesmo os pais da garota os assassinos, o que devemos fazer? Amá-los e rezar por eles. Qualquer drama humano tem que despertar em nós enorme piedade, jamais ódio, pois é isso que o diabo quer de nós, que odiemos. Marx é um dos diletos auxiliares do demônio ao convencer muitos de que é a luta de classe a máquina que faz a história caminhar. Para Marx, o pobre deveria odiar o rico, tirá-lo seus bens e se tornar dono de tudo, pois todo rico é mau e todo pobre é bom (como se, ao tomar os bens do rico pra si, o pobre não se tornasse automaticamente rico também e, num passe de mágica, uma pessoa má). Como dizia um psicanalista cristão, o demônio é burro.
Saímos do concerto de Charles Aznavour e chovia pouco, mas já tinha chovido muito. Deixei minha amiga Naza no seu prédio na Octogonal que é um pouco longe de onde moro. Quando saí da Octogonal chovia muito e no tocador de MP3 tocava uma música de Laurent Voulzy, um cantor francês. Coincidência? Vocês não viram nada. Quando acabou essa canção, a chuva aumentou, e entrando no Parque da Cidade começou tocar uma canção do Celso Adolfo que diz “eu quero cair igual a chuva que cai e molha o pé da cidade”. Coincidência? Je ne sais pas. O fato é que chovia muito e eu cantava a canção junto com o coro infantil da gravação agradecido pela coincidência. Brasília tem chovido muito ainda neste fim de abril, que já deveríamos ter um céu muito azul e imenso como só em Brasília há. Quando chovia em março, eu cantava que eram as chuvas de março fechando o verão, como se aquelas fossem as últimas do ano. Não eram não. Hoje mesmo choveu muito e molhou ainda mais o pé da cidade. A chuva são nuvens que emocionadas com o calor se desmancham sobre nós. A chuva é o retrato de minha infância e a Naza, que cresceu no Pará como eu, me dizia que só não gosta de Brasília quando fica muito tempo sem chover. Se Brasília chovesse mais do que chove seria a perfeição dos trópicos. Chegando ao eixo monumental vi um relógio digital enorme informando que faltavam 739 dias para os 50 anos de Brasília. Eu sou mais novo que Brasília 7 anos e 1 mês, façam as contas se quiserem saber quando dias faltam para eu fazer 50 anos. Será em breve, pois os primeiros 90 anos de nossa vida passam muito rapidamente, estarei cantando “hier encore j'avais cinquante ans...”, como hoje cantaria Aznavour, que tem 83, ótima idade para a pessoa se casar. Nessa hora tocava no MP3 uma canção de amor de Mauro Duarte, naquele que é o melhor disco que comprei este ano. Uma obra-prima que não associei a nada, pois não tenho ninguém que tenha me abandonado e eu não queira mais, como diz o samba (pois eu quero sim todas as que me abandonaram). Passando pela rodoviária, entrei na Asa Norte, onde moro. O chão estava menos molhado, a chuva já tinha parado. Começou uma canção que não lembro qual, lembro que naquela hora resolvi escrever este post. O chão ficava cada vez mais seco e quando entrei em minha quadra parece que não tinha chovido nadinha ali. Começava no MP3 Luiz Gonzaga a cantar “já faz três noites que pro norte relampeia e a asa branca ouvindo o ronco do trovão...” (logo no começo da canção se fala em "norte" e "asa"). Eu pensei, “aqui na asa norte pode ter relampeado, mas não choveu nada”. Entrei em casa meio frustrado porque Monsieur Aznavour não cantara “Et Pourtant”. O show foi magnífico, mas nunca se está satisfeito e lembrei da piada do cara que tinha um cachorro que todo dia ia comprar carne para a casa e um dia o dono deu uma surra do animal porque o cachorro foi fazer compras e esquecera de levar a chave da porta. Obrigado pelo ótimo filé, Monsieur Aznavour, pardonnez-moi, je suis três content mesmo sem “Et Pourtant”.
- César, como eu faço pra perder peso?
- Passa fome, criança! Fome é a única coisa que realmente emagrece e, além disso, é grátis.
Eu perdi uns 6 quilos na última quaresma. Sinto-me um charlatão quando emagreço com jejum. Na verdade, quem está acima do peso, faz jejum com redobrado ânimo. Percebi perfeitamente isso: para emagrecer, nada melhor do que fome. Às 10 da manhã eu estava jubiloso de tanta fome. Não me importava, pois a idéia era aquela mesmo, passar fome. Se não passasse fome, cortaria ainda mais a ração que me mantinha de pé. O resultado foi ótimo, pois eu precisava mesmo emagrecer e eu que já fui gordo e já fui magro sei que ser magro é melhor. E vi o óbvio, que tudo o que fazemos por causa de Deus, os beneficiados somos nós. Passe fome e perca peso, pois a obesidade é um dos dois grandes males que atacam a humanidade. O outro é a fome. Há enorme diferença entre fome e jejum e entre jejum e dieta. Porém, entre dieta e fome há pouquinha diferença.
Uns meninos invadiram a UNB e comecei a pensar sobre a sedição e a lei com as próprias mãos, impulso de muitos de nós. Boa parte de meus amigos acha que a polícia tinha que ter entrado lá e tirado os meninos à força. Eu sou contra a ocupação de propriedades privadas. Mas das propriedades públicas, não vejo nada demais, afinal a praça é do povo como o sol é do condor. Além disso, é legítimo que o povo vá aos lugares públicos dizer o que pensa ou firmar uma posição, inclusive aquele povo com quem eu não concordo. O que deveria era o povo com quem eu concordo também se unir e invadir uma ou outra propriedade pública de vez em quando, mas isso ia ficar parecendo com coisa do povo com quem eu não concordo. É como o grande encontro dos machões que nunca acontece porque ia parecer coisa de gays. A maioria queria que o reitor saísse. Na verdade, o povo é o superego dos políticos. Se eles tivessem essa parte da personalidade que têm as pessoas normais, boa parte deles já teria, para o bem do país e de sua própria alma, tomado atitudes de gente. Renúncias seriam normais. Suicídios, corriqueiros. Expatriações, banais. Eu, quando era menino, não fazia nada errado porque achava que morreria (literalmente) de vergonha se fosse pego. Achava também que ao se flagrar um ladrão no ato do furto, ele se desmancharia em prantos, esmagado sob o peso da vergonha e se entregaria à polícia aos choros. Achava que os homens de bens tinham, só por serem de bem, autoridade física sobre os maus. Achava que os bandidos usavam máscaras porque tinham vergonha do que estavam fazendo. Eu era uma criança não entendia nada, como diria Erasmo de Niterói. Não obstante, a vergonha continua existindo e as pessoas sentem muita vergonha geralmente do que não deveriam e não sentem do que deveria matar de vergonha. Hoje se vê gente com vergonha de confessar sua real posição política, sua fé (e sua dúvida) e, a pior de todas as vergonhas, a vergonha de amar. Ainda bem que Deus não tem isso ("isso" é “vergonha de amar”, você acha que eu sou doido de chamar Deus de sem-vergonha?!). Depois de grande e vendo o quanto as coisas são diferentes do que eu pensava quando era pequeno, mesmo o mundo não tendo se adaptado a mim, faço o mesmo com o mundo e não me adapto a ele, pois continuo morrendo de vergonha das mesmas coisas da infância e amando sem a menor vergonha, que é para isso que fui feito.
UPDATE: dois dias após a publicação da parte aí de cima deste post, o MST invadiu a empresa em que trabalho, que é pública. Aí, sou contra, pois o MST não é povo, é um bando. O MST bem merecia um estado de sítio (perceberam o chiste?). O que me deixa tranqüilo como empregado da estatal é que o MST, como se sabe, só invade terra produtiva (de preferência devidamente arada e saneada).
Eu quase faço como o Noronha, mas felizmente os Rolling Stones voltaram ao ar. Não é por que minha preguiça só aumenta com a idade, há também o fato (contra o qual não há argumento. Fica aí sentado lendo, não discorde de mim, senão paro com este post bem aqui mesmo) é que eu já dei minha contribuição para o mundo blogueiro e agora chega. O Paulo Salles e o Marcelo de Polli é que estão certos, esse negócio de blog não dá camisa a ninguém e eu preciso de camisa, pois não vou sair por aí a mostrar meus pêlos tonirrâmicos. Além disso, nunca usei todas as possibilidades que a internet oferece. Esse negócio de só escrever textinhos engraçadinhos é muito sem graça. É que eu, além de morrer de preguiça, nunca achei um artista gráfico para me ajudar. Por exemplo, eu queria fazer uma coisa que requer tempo, paciência e photoshop. Eu iria a uma feira aqui em Brasília e compraria uns 10 litros de pequi (uma fruta ruim, mas muito popular entre as pessoas que gostam dela, aqui no Centro-Oeste). E então faria várias fotos de pequis fazendo algum esporte. Pequi sendo usado como bola de ping-pong (que nas olimpíadas chamam “tênis de mesa”. Teriam que inventar outro nome para “Peteca” ou ela nunca vai ser esporte olímpico, mas posso estar falando bobagem), pois bem, teríamos pequis como jogadores de futebol, argolas de pequis fazendo aquele símbolo das olimpíadas, pequi andando de bicicleta, pequi jogando vôlei, etc. Embaixo de cada um desses quadros haveria, com letras bem bandeirosas, a frase “Olimpíadas de Pequi”. Ia ser engraçado, não ia? Pois é, mas não vou nisso não, ia dar muito trabalho. Enfim, estou por aqui, qualquer hora eu falo mais. Estou escrevendo uns decassílabos, depois eu mostro. O que me torna mesmo um peso morto neste seleto grupo de blogueiros maravilhosos e suas máquinas voadoras é que um dia resolvi que não escreveria mais sobre uma porrada de assuntos (1 porrada é o equivalente a 20, para quem não sabe), por exemplo, política. Ah, também não ia mais dar nenhum pitaco sobre filosofia. Religião? Deus me livre. Economia? Nem me pagando. Mulher? Apesar de afrodisíaco, seria melhor deixar pra lá também (não quero falar mal delas e falar bem, segundo o Alexandre, não vai me ajudar conquistar nenhuma). Chocolate? Não, chocolate engorda. E fui fazendo a lista a respeito do que não seria aconselhável falar. Depois da lista feita, concluí que seria mais sábio que ficasse calado, pois não sobrava mais nada que pudesse sair de meus dedos e que fosse interessantinho. Pois bem, claro que eu não respeito as decisões que tomo e nem sou coerente com as promessas que faço para mim, o que me permite falar sobre todas essas coisas sem nenhum problema quando eu esquecer tais promessas. Além disso, há tanta gente que não mantém a palavra comigo, por que eu iria fazê-lo? Seria ridículo eu considerar a palavra de quem, logo a minha, como se fosse lei. Aliás, nem toda lei eu obedeço. A lei da gravidade, por exemplo, burlo de vez em quando e vou em vôo por aí. A lei da gravidade por sua vez também não me obedece e estamos quites (eu, com alguns hematomas). As leis não obrigam ninguém a nada, apenas nos impõem sua sanção, mas quem quiser pode desobedecer, não é proibido. A lei da oferta e da procura também é outra que me expulsa da blogosfera. Eu sou um tipo zero, como diria Noel Rosa, sou um tipo que não tem tipo e o mercado blogosférico foge de seres como eu. Então fica um doido ou outro (como a Meg, por exemplo) dizendo que gosta de mim, enquanto a maioria boceja e sai por aí fazendo coisas mais interessantes como upload de fotos no Orkut que agora aceita que você coloque mil e quinhentas fotos e, melhor ainda, permite que você em seguida proíba as pessoas de olhá-las. Eu, por minha vez, farias coisas mais interessantes do que postar, como ouvir Jamelão cantando Lupicínio e fazer sonetos para uma garota de olhos azuis. Seria bom para todo mundo. A verdade é que não tenho novidade, tudo continua como no último post, continuo sem assunto porque a realidade deste país é mais engraçada que qualquer texto que eu pudesse escrever e outra coisa que resolvi foi não escrever nada baseado em fatos reais, afinal sou um poeta e o poeta é um fingidor. O problema é que sou também humorista e o humorista é sempre verdadeiro (basta dizer a verdade e as pessoas morrem de rir), o humorista é aquele que diz a verdade, o poeta é o que mente. Sendo eu um humorista poeta ou um poeta humorista, trago forte tendência de ficar em silêncio, pois tenho meu verbo neutralizado pelas duas atividades, uma que me impede dizer a verdade, outra que me impede mentir. O que me resta, quando tenho que escrever mesmo é desobedecer a um dos dois dons e depois não dormir de noite por não ter sido suficientemente poético ou engraçado o bastante. Vou postar com mais freqüência, acreditem, pois estou muito feliz. Saudações a todos.