Após alguns anos morando lá, ele descobriu que ali era um hospício e ele, evidentemente, era um doido. Contou, animado, a revolucionária descoberta para os amigos e ouviu: “tá maluco!” A partir disto, passou a ser tratado pelos outros como um demente. Não era a primeira vez que era tratado pelos seus pares como um matusquela. Desde que nasceu sempre o consideram um lunático, de tal maneira que o internaram no hospício. Agora era a vez dos doidos de verdade o julgarem um doido. Logo agora que possivelmente estava bom, pois pela primeira vez tivera a noção correta de sua situação. Sentiu-se feliz. Era doido sim, porém, na opinião de um bando de birutas. Sentiu-se normal mesmo proscrito e marginalizado pelos amigos. Já estava acostumado. Pensava o tempo todo: “que loucura, meu Deus! Que loucura!”
Posted by César Miranda at agosto 8, 2006 08:55 PM