Um santo nasceu, viveu e morreu em ambientes santos. Morto, foi santificado e foi morar no céu. No paraíso, batia um papo com Santo Agostinho que lhe contava a vida de devassidão que teve no começo da vida e nesse momento ao santo, que nascera, vivera e morrera em ambientes santos, ocorreu que jamais fora tentado de nenhuma maneira e que mesmo um devasso vivendo naquelas circunstâncias em que ele viveu, é provável que também se tornasse um santo. Lá naqueles ambientes santos, seu trabalho de toda sua vida foi cuidar de velhos e doentes, sua maior diversão era ir à igreja. E então, se imaginou no lugar de Agostinho e temeu que pudesse estar no inferno caso nascesse noutro lugar. Agradeceu a Deus pela graça de ter vivido sob condições que lhe levaram naturalmente à santidade, mas lhe nasceu uma ponta de autocomiseração por não ter sido responsável em nada pela própria salvação, ignorando que ninguém mesmo o é. Enquanto isto, Deus achava graça.
Posted by César Miranda at junho 15, 2006 01:22 PMagora que me ocorreu que com o Dalai Lama é bem assim também, né? pegam um menino de 4 anos e criam em ambiente de templos, orações, o nego só pode virar santo mesmo. Sorte dele.
N. do E.: Muito bem observado, Thata. Parecem que eles esquecem que Buda só teve a iluminação quando saiu da vida protegida em que vivia e viu o mundo de verdade.
Posted by: thata at junho 20, 2006 07:34 PMEnquanto isso, Deus achava Graça. :)
Delícia de conto, César.
Um abraço.
Como disse alguém, a religião é o ópium da humanidade. Jesus é um Ser sublime, que com certeza acha pena e graça de coisas parecidas com essa que vc contou!
bjo com saudade!
K.Insuela
Me veio um palíndromo pós CVII: Missa é assim ?
Posted by: Gustavo Amaral at junho 16, 2006 01:06 PMIndeed, Claire
Posted by: Igor Taam at junho 15, 2006 09:40 PMGostei muito da idéia, César. E da realização. Difícil ser "religioso" em ficção e ser algo gostoso de ler. Você conseguiu.
Posted by: Claire at junho 15, 2006 06:44 PM