As coisas estão aí para serem usadas. Use direito sua raiva. Use bem sua inveja. Capriche no uso de sua ira. Deus é supremo em tudo e, sobretudo na arte de transformar o mal em bem. Eu por exemplo, sinto uma inveja linda dos sanfoneiros. Devem ser as pessoas mais felizes do mundo. Os palhaços, acho que são tristes. Mas o sanfoneiro parece que vai voar quando sua cento e vinte baixos abre as asas e canta. Há tanto o que se aprender com o sanfoneiro, não sei bem o quê, mas que há, há. Vamos por partes, o “cada um por si” é o natural do ser humano. “Projetos coletivos” é que é algo estranho, é que é uma moda e as tentativas de levá-los ao extremo gerou Stalin, Mao Tse-Tung e Fidel Castro. Isto é, o neoliberalismo não inventou o “cada um por si”, apenas o neoliberalismo é o capitalismo após o comunismo, isto é, o capitalismo sem Deus, e aí, danou tudo. A grande vantagem do capitalismo sobre o comunismo não era o fato de que o capitalismo só sabe gerar riqueza e o comunismo só sabe gastar. A grande vantagem era que o capitalismo era cristão e o comunismo era ateu. O cristianismo é um verdadeiro achado, pois ali há um individualismo bom, isto é, o indivíduo é julgado pelo que fez de bem para os outros. Nesse intento, cada um por si, tentará salvar a própria alma usando as armas do amor ao próximo. Essa noção se some no marxismo, pois é uma ideologia atéia e, mata-se Deus e passa-se para o Estado a obrigação de fazer o bem, putz, não há idéia mais tosca. Como o comunismo não deu certo, o capitalismo declarou-se vitorioso e os países comunistas agora obrigam seus cidadãos a serem capitalistas, então surge um capitalismo esquisito, um capitalismo ateu, isto é, sem a melhor parte do que o capitalismo tinha. O capitalista inteligente (ou minimamente cristão) sabe que enriquecerá se inventar uma coisa qualquer que facilite a vida das pessoas. O caminho para a riqueza é este: facilitar a vida das pessoas. Porém, ninguém faz isto se não for recompensado. A ação humana é dirigida pela recompensa. Se a isto chamam individualismo, então individualismo não é nem defeito nem qualidade, é um fato e contra fatos não há argumentos (não se deve confundir “individualismo” com “egoísmo”, este sim, intrinsecamente mal). O grande erro dos projetos coletivos é esse de querer mudar a natureza humana, pois todas essas ideologias sanguinárias são filhas de Rousseau, que acreditava que “o homem nasce bom”. Não nasce não, o homem precisa da graça de Deus para ser bom. A “França da solidariedade” trata-se de um dos países mais estúpidos da história da humanidade, que desde a Revolução de 1789 vem dando espetáculos dantescos à humanidade. Há um livro chamado “A Fabrica de Desempregados”, em que a autora, uma francesa chamada Beatrice Majnoni D’Intignamo prevê o que ocorreria a França neste dias por causa desse monopólio da bondade que a sociedade deu ao Estado. Não é papel do Estado a administração do bem-estar de seu povo. Um texto do Le Monde reclama que a solidariedade está em frangalhos, claro que está, ninguém mais tem medo de ir pro inferno. A evolução do ser humano sozinho é o mesmo que sempre foi quando o homem virou as costas para Deus. O fato é que ou você serve a Deus ou ao mal, não há meio termo. Não há como ser bom, sem Deus ali lhe lembrando disso o tempo todo. Uma coisa interessante no texto do Le Monde é a frase “Não raro esses militantes da solidariedade se sentem decepcionados com a política, na qual eles não mais encontram o que procuram para satisfazer sua vontade de engajamento coletivo”. De fato, a tal da politicagem é o acento circunflexo da palavrinha cocô (como diz o poeta Jessier Quirino). Eis um dos grandes defeitos dos sábios de nosso tempo: a ingenuidade em acreditar que as ações políticas podem melhorar a vida das pessoas. Jamais melhoraram, não sei por que o fariam agora. De fato, se você tem uma idéia incrível para ajudar seu semelhante, você deve mesmo arregaçar as mangas e, com seu dinheiro, tocar tal projeto. Se você montar uma ONG e essa ONG começar a receber dinheiro do governo, você será o primeiro a torcer para que o tal problema se perpetue. Então esse tal “engajamento coletivo” muitas vezes é mero disfarce para assaltar os cofres públicos. Isto é, não acredito na bondade que quer se institucionalizar. Lobby do bem para mim é uma contradição em termos. Confunde-se muito “esquerda” com solidariedade (basta ver todos os políticos de esquerda quando estão no poder como agem, isto é, do mesmo jeito dos políticos de direita, isto é, o interesse de permanecer eternamente no poder). A solidariedade da esquerda é o famoso cumprimento com o chapéu alheio ou como diria o Lobão é o gozar com o pau dos outros. O tal “interesse geral” tem servido tão somente à demagogia de políticos de direita e esquerda, vem daí a necessidade de um estado pequeno. O fato é que foi por causa da economia de mercado que os países ricos enriqueceram. No fim do século XIX, o PIB do EUA era menor que o PIB do Maranhão. O caminho que os dois países tomaram, um com um choque de capitalismo e o outro com um choque de paternalismo é o que explica a situação dos dois atualmente. Devemos discutir sempre o papel do Estado, principalmente hoje no Brasil em que, parece, a sociedade tem optado mais uma vez por um Estado paternalista. Dias piores virão, principalmente porque os “pais” de plantão, é, na verdade, no dizer do Procurador Geral da República, uma quadrilha que se apropriou do Estado brasileiro. Que Deus nos ajude. O outro assunto é a questão do individualismo moderno que é mesmo fruto do cristianismo e do capitalismo, com ótimos resultados para quem o abraçou com amor, sinceridade e honestidade. Porém, não é crível um mundo de homens livres sem conflito. O conflito (e a guerra, seu mais terrível momento) é fruto do conflito de liberdades. O problema é que algum idiota culpou o capitalismo pela Segunda Guerra mundial e sugeriu que o Estado deveria intervir e cortar as asas do liberalismo econômico instalando-se as ordens de Lord Keynes que nos governará até o fim do mundo. Mas é óbvio que a tal mão invisível do mercado trará conflitos, pois certamente trará progresso, riqueza, dinheiro, muito dinheiro. Não é possível não existir conflito onde exista muito dinheiro. Pois onde há dinheiro há inveja. Os países que adotaram a economia de mercado ficaram ricos, tão ricos que em suas fronteiras não cabiam mais o dinheiro que tinham. Então os ricos daqueles países resolveram investir em outros países. Os países beneficiados com essa grana ficaram putos com isso e começaram a chamar os países ricos de imperialistas e exploradores etc. Enfim, é o que ocorre hoje entre a Petrobrás e o Evo Morales. Eu sendo rico não titubearia em simplesmente tirar meus investimentos de países mal agradecidos. Mas os anticapitalistas acham certo é que os países me tomem o dinheiro que eu investi em seus países. Putz. O certo é que se tem uma coisa que a mão invisível do mercado jamais garantirá é a harmonia entre os homens, pois há muitos males sociais que não têm nenhuma raiz social. Há diversos problemas sociais que sempre existirão e que não têm causa na luta de classes ou qualquer outro tipo de conflito social. Há diversos problemas sociais que não são causados pela pobreza ou pelo analfabetismo. Há diversos problemas sociais que não são causados pela exclusão, má distribuição de renda ou qualquer outro clichê do discurso socialista. Essas centenas de problemas de causas não sociais jamais serão resolvidos pelo Estado, quer dizer, por algum artifício de engenharia social. A política jamais será o remédio de todos os males sociais. A economia de mercado tem sido o remédio de alguns desses males. Abolir a economia de mercado é um remédio que vai matar o doente. E dar ao Estado a possibilidade e o direito de ser um agente mercantil é abolir a economia de mercado, pois a mão deixa de ser invisível e se torna a mão (ou as mãos) do burocrata de plantão e de sua quadrilha. É preciso que voltemos a nosso estágio humano de antes de sermos o animal político ou ainda, antes de sermos o animal cidadão titular de direitos e deveres. Antes disso, há que se perguntar que direitos são esses e que deveres são esses. Só após se estabelecer essa base é que poderemos decidir que tipo de Estado nós precisamos e queremos. Nessa base fixaremos nossa sociedade. É importante que nossa base seja fixa, senão caímos. Aí sim, sob essa base, todos nós seremos iguais, isto é, todos obedecerão aos pressupostos dessa base para que o corpo social não desabe. Então TUDO que diz respeito a uma sociedade deve começar desses pressupostos. Quem não obedece a tais pressupostos são degredados, mandados para a prisão para serem reformados, são enxotados das relações políticas até que provem merecer algum crédito. Não importa se são eficientes, talentosos, se são bonitos, inocentes, gente boa etc. O critério primeiro e eliminatório é O BEM. O que é O BEM no jogo político? É simples, são meras ações baseadas na ética. Então, se há um grupo que trabalha com cocaína e armas, isto é com produtos ilegais e destrutivos, mesmo que esse grupo seja bonzinho para a comunidade, dê segurança, saúde, casa, comida, roupa lavada, deve ser enxotado e digno de repúdio à priori, por todos. Pois, não atenderam ao primeiro pressuposto. Há um grupo no poder que dá bolsa-escola, vale-gás, bolsa-família, casa, comida e roupa lavada para todos os habitantes da nação, mas se esse grupo é uma quadrilha que compra políticos, que tem relações obscuras com regimes autoritários, se vive mergulhado na lama de escândalos, assassinatos, coerção de testemunhas, fortes suspeitas de terem sido eleitos com dinheiro de traficantes dos quais são irmãos ideológicos, esse grupo deve ser repelido e visto pelo povo com desprezo, do contrário significa que vivemos em uma sociedade de cegos ou pior (muito pior), que vivemos em uma sociedade que elegeu uma base podre para se fixar. A coisa mais importante para se fazer uma casa são os alicerces. Não adianta você ter um excelente material de acabamento, sem o alicerce, você pode dispensar todo o resto, pois você não é doido de adquirir ótimos azulejos, excelente esquadrias, caríssimas pias e jogar tudo sobre um alicerce de areia movediça. É isto que tem acontecido neste nosso pobre país. A primeira coisa a fazer seria retirar os atuais engenheiros que nos trazem tal proposta de tentar construir um país sobre a areia movediça. Mandá-los para o limbo com suas carradas de lindos azulejos, belos tijolos e magníficas tintas, enquanto insistirem em usar a areia movediça, o lamaçal e o lodo como base de nosso país. Mas não, o povo, assim como admira e chora a morte dos traficantes de cocaína, se prepara animadamente para reeleger os enlameados que lhes dá duas mariolas todo mês e só por isto, que importa se a mariola vem suja de lama?! Jesus perguntou a um cego de Jericó “que queres que eu te faça?”. O cego respondeu “Senhor, que eu veja”. Deveríamos pedir isto a Deus, que vejamos. Ouvindo os hinos nacionais no começo das partidas da copa do mundo de futebol constatamos o quanto são bélicos todos eles. Ridículos de tão bélicos do tipo, prendemos e arrebentamos, quem nos invadir nadará no próprio sangue, nós é nós o resto é o resto. Chega a ser engraçado ouvir, sei lá, Togo ou a Costa do Marfim arrotando tal valentia. Esses hinos são apropriados para as crianças cantarem, pois aquelas que entendem a letra (coisa rara, só muito recentemente vim a entender parte do nosso hino) podem realmente concordar com aquilo. Bertrand Russell diz que quando era criança acreditava que um inglês com um só braço batia em dois alemães. Os hinos devem ter sido feitos todo na era do militarismo das nações. Se esperassem um pouco mais, pela era do comércio, teríamos hinos falando em superávits primários e câmbios flutuantes. No nosso, cantaríamos, “verás que um filho teu não deixa de aplicar na poupança”. Poderia ser pior, poderiam fazer hinos da era social onde se falaria de ONGs, igualdade social e cantaríamos “verás que um filho teu vota no Lula”. Quando mais construirmos cemitérios, mais os urubus passarão fome, pois o preço da carniça está pela hora da morte. Ah, esta é a página mais importante da internet. É a mais preciosa. Coloque nos seus favoritos e todo dia leia um pouco até o fim. Antigamente só Deus e as lombrigas conheciam a pessoa por dentro, mas depois se inventou a endoscopia e só a pessoa mesmo, o próprio dono do ser é que não se conhece por dentro. O tarado e o casto têm muito em comum. Cícero dizia que o amor é o desejo de alcançar a amizade de uma pessoa que nos atrai pela beleza. Poder-se-ia dizer da amizade que ela é o desejo de alcançar o amor de uma pessoa que nos atrai pela simpatia. Um de meus desafios é dizer coisas desagradáveis sem ser chato. Briga de galo é crime, mas abortos querem liberar. Deus é um juiz que torce pelo réu. Um juiz cujo réu é seu filho. Um ateu é apenas um filho de Deus com baixa auto-estima. A Erudição é apenas um instrumento. Você pode usá-la para qualquer coisa. Vou exigir auxílio-funeral porque eu estou morrendo de trabalhar. Tchau, gente.
Posted by César Miranda at junho 23, 2006 07:56 PM(retificando: não sei se o post é o maior pelo que estou vendo rsrs)
Posted by: Lele Carabina at julho 13, 2006 02:03 PMTenho a impressão que tu começou a escrever e só parou (e respirou) no último ponto.
É isso: "vivemos em uma sociedade que elegeu uma base podre para se fixar", é difícil explicar isso para as pessoas, ainda mais sem ser tachado de chato.
Muito bom mesmo (fora que deve ser o maior post teu aqui rsrsrs).
Abraço.
Meu caro amigo César,
Está tudo aí, a poesia, os aforismos, a erudição.
Mas de tudo o melhor deste é:
"Poder-se-ia dizer da amizade que ela é o desejo de alcançar o amor de uma pessoa que nos atrai pela simpatia."
Je suis d'accord.
Amitiés,
Betoq.
O texto está ótimo, mas o desenvolvimento das idéias está muito melhor. Parabéns, me sinto gratificado por ter lido.
Posted by: Roberto at junho 24, 2006 08:45 AMLindo texto, César, lindo texto.
Posted by: Von Hoffmann at junho 23, 2006 11:18 PM