Ah, a propósito, eu sou a favor da censura. “Os critérios” é só essa a questão relevante no que diz respeito ao assunto. De fato, a censura existe, sempre existiu e sempre existirá. O segredo é quem vai ser o censor. Quem programa as músicas que vão tocar no rádio é um censor. Você não pode é montar uma rádio e chamar o Latino para ser o programador. O que toca no seu DVD é você quem escolhe conforme critérios próprios. A censura consiste em alguém escolher o que você deve consumir. Ora, se esse alguém for alguém a quem admiro no seu ramo de atuação e que conhece mais do assunto em questão do que eu, ótimo. Ando, por exemplo, com a lista de livros do Prof. Adler, que nesse caso, é meu censor para assuntos literários. Jesus deveria ser o censor de todo mundo para assuntos éticos e morais. Tudo o que faço é procurar por censores de confiança. O bom censor deve ser um esteta, o resto deve liberar. Só coisas bonitas chamam a atenção do bom censor e seu lápis faz xis apenas em cima de feiúras. Não deveriam ter acabado a censura, bastava dar umas aulas de história da arte para dona Solange. O bom censor não é ideológico, pois só ama a beleza. O bom censor não proíbe nada, apenas esconde a coisa censurável. A censura é apenas um instrumento. Bom ou ruim é o censor. O problema do mundo atual é apenas um: os idiotas tomaram o poder, por isto são contra a censura. E deu no que deu, com o povo sem um censor para dizer o que ouvir, hoje ninguém ouve Chopin, estão todos coladinhos no radinho ouvindo axé e funk.
Posted by César Miranda at abril 2, 2006 12:16 AM"A censura é apenas um instrumento. Bom ou ruim é o censor."
obrigado por esclarecer esse ponto
e se escolher jah eh censurar, entao jah existe censura demais no mundo
next question, please
Posted by: mário rotta at abril 5, 2006 10:48 AMSorry, but no.
Vc está usando a palavra 'censura' em dois sentidos diferentes e dando o aval de um sentido ao outro sentido.
Me faz lembrar de uma conversa q ouvi em q alguém dizia q o problema do Brasil é q não se investe em "educação", resultando em uma população muito "mal-educada", q não pede por favor, cospe na rua e bate em crianças. É claro q "escolaridade" e "polidez" estão relacionadas; mas só se embrulha as duas definições de 'educação' na mesma conversa por malandragem ou por indiscernimento.
Me cheira a malandragem chamar 'triagem' de 'censura', pra depois usar 'censura' nesse sentido pra jogar sob o tapete toda a arbitrariedade, a desonestidade intelectual e as imposturas do poder q a palavra 'censor' evoca.
Ta certo q "escolher é perder"; mas a infinita quantidade de coisas perdidas a cada escolha torna essa frase uma banalidade, uma banalidade q pretende negar a individualidade de cada caminho.
N. do E.:Eu sabia que seu problema era com os "anos da ditadura". Arre! A palavra "censura" não tem culpa de ter sido estigmatizada. É só uma palavra, me deixe usá-la. A individualidade de cada caminho é feita de censura, queiramos ou não.
Posted by: Permafrost at abril 4, 2006 11:56 PMPois eu concordo inteiramente com você quanto a dificuldade de as pessoas entenderem, que qualquer escolha é feita em detrimento de outra.
Sempre, desde que mundo é mundo, e homem é..bem, homem e mulher hohoho, *censere* sempre quis dizer avaliar, julgar, pesar, para finalmente escolher uma coisa e *NÃO* outra.
Ora, quando eu faço isso, eu pretensamente o faço, com base no bem ou mal que tenciono ou desejo.
Então, decorre daí que quem grita Morte à censura ou Viva a censura, também quando faz isso está exercendo o poder de censurar de ser o censor.
Simple like that.
E, paro por aqui, se fosse me estender teria que citar, no mínimo Sócrates e Nietzsche, e obviamente, Moisés e Jesus;-)
beijos, muitos beijos e saudade.
Chopin? Aquela bicha?
¡Mas vc gosta de um paizão, hein? Tudo tem q ter um paizão ali, cuidando de nóis. Ou ¿será q é vc mesmo q quer ser esse paizão censorzão, aquele q tem acesso a tudo e abre e fecha as torneirinhas? (falsete:) Ah, isto pode. Isto não pode. Isto pode. Isto não pode.
Agora falando sério, parece sintomático do cristianismo e das outras religiões desérticas q uma pessoa como o Prof Adler seja visto como um "censor" e não como um divulgador. Ele, é claro, divulga narcisistamente o q ele quer, mas ¿ver uma pessoa assim narcisitamente bem intencionada como um "censor"? ¡Arreda, Capeta!
N. do E.: Permafrost, não seja fetichista. Terror a palavras é puritanismo. Professor Adler era o que era, goste você ou não, goste eu ou não. Divulgador e censor é a mesma coisa, pois escolher é perder. Arre, que trabalheira ter que explicar sutilezas!
Posted by: Permafrost at abril 3, 2006 10:50 AMFica até difícil discordar de vc, mas - eu discordo. O Adler aqui deve ser Mortimer J. (é ele?). Uma das minhas listas de consulta é a q ele fez num dos apêndices do seu livro "A Arte de Ler" (amo, amo este livro!). Eu vivo consultando essa lista e de tempos em tempos marco um título q consegui ler... Quando foi que os sábios estiveram no poder com uma censura atuante, que fosse positiva? Platão criou uma sociedade ideal onde, pelos seus planos, haveria censura - e ele não aprovaria Aristófanes, que (assim disse meu professor de Filosofia) contribuiu para a morte de Sócrates por satirizá-lo em "As nuvens". Esta eu não li; mas li "Lisístrata" e é ótima! Jesus seria meu único censor; em geral, Ele me faz ficar longe das coisas feias, de mau gosto, burras... Mas não me deu uma lista detalhada a evitar. Sua argumentação é boa, muito boa. Quase me convence. Mas só quase.
N. do E.: Claire, não consegui localizar o "quase" entre nós. Você concorda comigo que Jesus é um ótimo censor. Eu concordo com você que Platão não é. Esqueçamos o poder institucional, elejamos cada um, nosso "personal" censor.
Posted by: Claire at abril 2, 2006 06:36 AM