fevereiro 06, 2006

DESSACRALIZAR

Quando esquecemos que tudo em nossa vida deve ser sagrado, geralmente escolhemos a pior parte de cada coisa, pois tudo é miserável quando é desprovido do sagrado. O sexo é o melhor exemplo disto. Você escolhe o tipo de sexualidade que quiser para sua vida. A sexualidade pode ser algo meramente físico, como fazem os animais (São Francisco chamava o corpo de “irmão burro”). Para o ser humano o sexo deveria ser mais que isto, pois se for só isto, abriríamos mão da parte mais rica do sexo. Os terapeutas fazem fortuna com pessoas traumatizadas pelo sexo dissociado do amor. O sexo pelo sexo o torna um fim em si e mera pornografia. O sexo deve ser um meio de união e procriação, jamais de sexo. Seria o mesmo que a comida fosse um fim em si. É degradante todo costume que tira do objeto seu objetivo certo. O fato é que nem os animais fazem sexo pelo sexo (e nem comem sem ter fome). Em seguida, há o perigo maior que é o do desvio de transcendência, ao colocarem o sexo no centro de suas vidas, moda muito em voga e que faz a alegria dos terapeutas. (uma conseqüência inevitável do sexo como a coisa central da vida é a utilização do outro ser humano como mero objeto e a redução de si mesmo também a simples coisa). A “liberdade sexual” tão desejada pelas últimas gerações (principalmente de feministas) é na verdade uma prisão com danos terríveis às mulheres, pois considerar o sexo mera fonte de prazer é um ótimo argumento para justificar a prostituição, a indústria da pornografia e toda sorte de aviltamento à mulher, como quando os meninos apontam aquelas meninas que são para casar e aquelas que são para transar. Há também prostitutos casados. Casais que prostituem o sexo. Um casal que usa camisinha é prostituto. O poeta latino Virgílio tem uma frase muito interessante que sugere o seguinte: não foram os deuses quem nos deram desejos incontroláveis, somos nós que transformamos em deuses incontroláveis os nossos desejos.

Posted by César Miranda at fevereiro 6, 2006 05:04 PM
Comments

Eu optaria por uma visão mais abrangente. It takes all sorts to make a world. Inclusive prescritores taxativos, ¿por que não?

Posted by: Permafrost at fevereiro 12, 2006 10:35 AM

César, sou obrigada a discordar de vc quanto às feministas (pelo menos, as q fazem auto-crítica do movimento): em "O Relatório Hite" , década de 70, Shere Hite perguntou a centenas de mulheres americanas o q achavam da "revolução sexual". Resposta: um engôdo. Muitas disseram : "Agora eu 'tenho' de dizer sim, ou sou ultrapassada, reprimida...' Ou seja, uma feminista como Shere Hite, pense o q pensar, foi capaz de perguntar às próprias mulheres o q 'elas' achavam dessa liberação toda - e muitas se confessaram em desacordo. Ainda: em "A Tirania do Prazer", Guillebaud cita feministas mais recentes -anos 90 - q defendem uma nova abstinênia ou castidade. Porque, como sempre, a dita 'liberação sexual' só oprimiu de nova maneira as mulheres. antes, na repressão, uma mulher 'honesta' não tinha desejos; agora, toda mulher 'normal' tem de desejar e satisfazer o desejo em qq situação.

Posted by: Claire at fevereiro 8, 2006 05:38 AM

Seus escritos salvam manhãs tediosas e enriquecem mentes.
Mas creio que nos alimentemos por prazer, meu caro.

N. do E.: FH, eu me alimento quando tenho fome. Não como por prazer não. Mas creio que aqueles que têm dificuldade de ganhar peso devam comer por prazer sim. A maioria das pessoas comem sem motivo algum. Vão ao cinema para comer, vão à praia para comer, vão a show para comer, até em pizzaria só se vê gente comendo. Em todo lugar que estão comem. Por isto a obesidade hoje é algo mais grave do que a fome.

Posted by: Fernando Henrique at fevereiro 7, 2006 10:21 AM
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