fevereiro 20, 2006

FOBOFILIA (conto curto)

Era a terceira vez que os dois rivais poupavam um ao outro. Pensavam: “Se ele morrer, onde arranjarei rival tão bom?” Amavam-se aqueles dois inimigos, pois somente temiam um ao outro.

Posted by César Miranda at 06:40 PM | Comments (0)

ESTATUTOS

"No dia em que saírem no tapa uma criança e um velho qual estatuto prevalecerá?"
Pior, Cláudio, e no dia em um estrangeiro idoso sair de um estádio com um adolescente refugiado e entrarem os dois em uma gafieira e forem atacados por um índio petista armado que fala português errado e por um estudante que estava preso, que estatuto prevalecerá, o do Desarmamento, do Estrangeiro, do Idoso, do Índio, da Criança e do Adolescente, do Servidor, do PT, do Refugiado, do Preso, da Cidade, da Regência, da Família, do Torcedor, do Estudante ou o Estatuto da Gafieira?
Posted by César Miranda at 06:37 PM | Comments (2)

AMOR AOS LIVROS

Quando alguém normal quer ler um livro, vai à livraria, compra o livro e lê. Já quem ama os livros, vai à livraria, namora o livro, lê várias partes, volta na semana seguinte, lê mais um pouco e só enttão compra porque achou "realmente estupendo". Quando chega em casa, coloca-o na estante e jamais o pega tão cedo, como um Dom Juan que, conquistada a presa, vai a procura da próxima. Demasiado humano, como diria o Frederico. Alguém normal é apenas humano, não o é em demasia. O fato é que, quando um livro entra em nossa estante, se junta a outros tantos que já estavam lá e que também ainda não foram lido, então seria injusto com os outros livros, ler o livro novo logo, é bom deixar que o novo morador da estante possa fazer amigos na nova casa, só depois o permita influenciar pessoas.

Posted by César Miranda at 06:34 PM | Comments (3)

PRA QUEM AINDA NÃO SABE

Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou. Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou, Meg voltou.

Posted by César Miranda at 06:28 PM | Comments (2)

O CARNAVAL E A CORRUPÇÃO

- Qual o nome da primeira bolada que o corrupto recebe para propor aquele projeto?
- Comissão de Frente.

Posted by César Miranda at 06:28 PM | Comments (0)

ORAÇÃO

"Obviamente o cristão que reza, não pretende mudar os planos de Deus nem corrigir o que Deus previu; procura, antes, o encontro com o Pai de Jesus Cristo, pedindo-Lhe que esteja presente, com o conforto do seu Espírito, nele e na sua obra. A familiaridade com o Deus pessoal e o abandono à sua vontade impedem a degradação do homem, salvam-no da prisão de doutrinas fanáticas e terroristas. Um comportamento autenticamente religioso evita que o homem se arvore em juiz de Deus, acusando-O de permitir a miséria sem sentir compaixão pelas suas criaturas. Mas, quem pretender lutar contra Deus tomando como ponto de apoio o interesse do homem, sobre quem poderá contar quando a ação humana se demonstrar impotente?" Papa Bento XVI, Deus Caritas Est.

Posted by César Miranda at 06:26 PM | Comments (0)

AINDA AS CHARGES

Se alguém me chamar de careca (eu sou careca) eu mando ir à merda ou digo que ser calvo é ótimo, pois é um peso a menos para eu carregar, etc. Mas jamais desejarei (e se o desejar, estarei ficando doido) que se deva colocar no Código Penal que chamar alguém de careca seja crime. Se assim o fizesse, eu estaria agindo como os politicamente corretos que depois de muita campanha e organização política conseguiram tipificar criminalmente o ato de chamar um preto de preto e um viado de viado. Sou contra esse tipo de tipificação que faz com que o Estado substitua o indivíduo na coisa mais banal do mundo que é você falar para alguém ir pentear macacos. Você chamar alguém de corno, por exemplo, não deveria ser crime, porém, não sendo crime, se alguém chamar o Maguila de corno, deve esperar que ele responda verbalmente cheio de bom humor com algum gracejo? Há um erro, inclusive entre pessoas muito inteligentes, ao abordar o assunto das charges que é julgar que a briga entre dinamarqueses e muçulmanos é uma briga entre iguais. Os dinamarqueses chamaram alguém de corno achando que era um marquês, mas era o Maguila. É aconselhável que não se chame o Maguila de corno. A defesa da liberdade de expressão ampla, geral e irrestrita é coisa de cristão. A liberdade é um valor cristão porque o perdão e a graça são basilares ao cristianismo (sem o perdão, a liberdade fica difícil). Logo, o que se cobra em muitos foros é que os muçulmanos sejam... Cristãos, Alá, meu bom Alá, será que isto se dará? Pode-se achar o Islã uma religião ridícula e equivocada, porém o diálogo deve ser com os seres humanos inteligentes, honestos e sensatos adeptos dessa religião, não com as feras brutas selvagens que meramente repetem os trechos do Corão. As feras devem ser tratadas apenas com amor e sem argumentos, os seres humanos inteligentes, honestos e sensatos é que podem ser convencidos (inclusive por meio de charges). Se alguém for realmente honesto e estudar o assunto, não fica ateu por muito tempo (e deixando de ser ateu, se torna cristão certamente), porém, para isto, é necessário sair do estágio de fera primeiramente. O intelectual médio do ocidente é francamente ateu (ou agnóstico) e filocomunista e chama de atrasado o muçulmano, como se ele ocidental fosse muito esperto. Essas charges são um exemplo do quanto são espertos, ao chamarem o Maguila de corno. Alá, meu bom Alá. Daqui de onde estou, não sei quem é mais violento e digno de ser trancafiado, se os fiéis de Fidel que escrevem nos jornais ou os muçulmanos que tocam fogo em embaixadas. A diferença é que é possível – e desejável - tipificar a ação dos incendiários. Já uma ação meramente intelectual/artística, por mais violenta que seja, contra ela, como bons cristãos, exerçamos o dom do perdão, mesmo que xinguem nossa mãe. Não façamos coisa feia contra quem nos fez coisa feia. Ah, leiam o Sermão.

Posted by César Miranda at 06:21 PM | Comments (2)

LISTA NEGRA

Mussum, Grande Otelo, Zezé Mota, Milton Gonçalves, Vinícius de Moraes, Toni Tornado, Pelé, Al Johnson, Cartola, Geraldo Pereira, César Miranda, Antônio Pitanga, Benedita da Silva, Delúbio Soares, Jamelão, Dercy Gonçalves, Stevie Wonder, Desmond Tutu, Naomi Campbell, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Zé Dirceu, FHC, Oscar Peterson, Sidnei Poitier, Thelonius Monk, Diana Krall, Countie Basie, Nara Leão, Maomé, Scarlett Johansson, Miles Davis, Michael Jackson, Ataulfo Alves, João Gilberto...

Posted by César Miranda at 06:16 PM | Comments (1)

fevereiro 15, 2006

SAPATO NOVO (conto curto)

É por causa do sapato novo que ele não tem andado bem.

Posted by César Miranda at 08:44 PM | Comments (1)

“O AMOR DE CRISTO NOS CONTRANGE”

Leiam “Deus é Amor“, a primeira Encíclica de Bento XVI. Literatura de altíssimo nível. Foi escrita para a humanidade, não apenas para os católicos. Uma aula sobre Deus, uma aula sobre o Amor. O amor em todas as suas formas, cuja fonte é Jesus Cristo, o Amor que se fez humano. O Amor que nos ama porque nos criou. O Amor que nos ama por isto nos criou. E nos criou porque antes nos desejou criar. E nos cuida porque nos ama. O amor, pois, deseja, ama, cuida, cria, perdoa, é fiel e, o ápice, dá a própria vida para salvar o ser amado. Eros e Ágape caminhando juntos simbolizando o verdadeiro amor, o amor de Deus.

Posted by César Miranda at 08:41 PM | Comments (0)

O PENSADOR

Há pouca coisa mais inútil, paradoxal e bocó do que livro de um pensador. Todo livro de um pensador só serve para constrangê-lo. Um pensador se pensar bem não publica livro algum, no máximo tem um blog para poder apagar velhos posts de vez em quando. “Caraca, eu pensava isto?” O chato são os chatos que querem que o sujeito viva e pense daquele jeito como certa vez leram na “obra-prima” que foi seu primeiro livro (se o livro foi um best seller, coitado do cara, tá condenado). O fato é que vamos aprendendo a viver devagar e com a própria vida, que, não por acaso, é só nossa. Ninguém é pensador porque quer e sim por necessidade, como alguns nordestinos que comem ratos. Pensar é estudar a própria vida. Estudar a vida, porém, não é garantia de aprendizagem e evolução. O livro de um pensador é como uma tese de uma criança da segunda série. Dois ou três anos depois, escreve outro livro, agora na quinta série e morre de vergonha do quão infantil era. Pegam no pé daquele cara que disse “esqueçam o que eu escrevi”, mas ele está certo. Nada mais correto na boca de um pensador: “esqueçam o que eu escrevi”. O ideal seria que o pensador fosse analfabeto, assim não imprimiriam seu pensamento, pois o pensamento de um pensador só serve a ele. Não leiam pensadores. É como tentar usar a dentadura de alguém. Dito isto, eu que sou um pensador, reitero o que já disse aqui, “escrevo para saber o que eu pensava semana passada”, e escrevo porque blog é algo que ninguém além do dono deveria ler. Ter um blog é como mostrar seu diário para as pessoas. Quem lê deveria ser um grande e fraterno amigo do dono e não enchê-lo o saco no futuro ou cobrar-lhe coerência (por Deus não) com o que ele escreveu ou deixou de escrever. Quem me cobra coerência é meu inimigo, simples assim. Amar é não cobrar coerência. Evoluir (e regredir também) é fruto do pensar. Só o pensador evolui. E a incoerência é o gás do pensamento, pois é nela que se toca fogo na caldeira da dialética. Logo, seria incoerente um pensador coerente. Pior, seria uma contradição. O pensandor coerente é um refém do próprio pensamento o que o torna tudo menos um pensador. É uma alma prisioneira, uma contradição ambulante. Mas voltemos a nossa primeira contradição que são os livros dos pensadores. Um livro é uma fotografia. Ora, toda fotografia é fotografia de um morto. Aquele ali na fotografia já não existe mais. Um livro de um pensador é certamente um amontoado de coisas com as quais muita gente concorda, mas possivelmente não o pensador. Ele, se for mesmo um pensador, já está em outra há muito tempo e se for chamado para dar alguma palestra, se for honesto, corre o risco de jamais dar palestra alguma. Conheço um grande palestrante aqui do planalto central que, vejo claramente que aquele sujeito jamais evoluirá justamente porque teria que discordar que quase tudo o que diz nas palestras. Começou como pensador, terminou como múmia (como o amante que começa como poeta e termina como ginecologista, na sacada de Cioran). Todo fervor tende ao tédio. Em outras palavras, toda inspiração sonha em ser engarrafada e vendida. É assim que belas orações viram rezas para que os entediados fiéis finjam que são São Francisco de Assis. (Se bem que, muitas vezes, é melhor repetir a oração de outrem do que pedir coisas como uma bicicleta ou um casamento a Deus). Mas o que eu quero falar é do livro do "mestre". O livro é uma letra morta. Toda letra é morta, jamais se viu uma letra saindo por aí fazendo o que bem entende. Mas o ponto a que quero chegar é: um pensador não diz nada quando escreve, ele não fala sério, apenas está pensando alto. Tão alto, que um editor o ouviu e resolveu vender seus pensamentos. Mesmo que o pensador morra pensando aquilo lá que está em seu livro, você, caro leitor, não deve acreditar naquilo, pois não é com você. Você tem tudo o que precisa para pensar sozinho. E nem a si deve levar muito a sério, pois amanhã você pode pensar diferente. Pelo menos é o que eu penso agora. A coerência é mesmo alguma coisa muito pontiaguda que os inimigos gostam de cravar na biografia dos outros. Já ouvi gente falando mal das idéias de Karl Marx, afirmando que estão todas erradas, afinal ele era um detestável pai, péssimo marido e lastimável filho e que ele não poderia falar a favor dos trabalhadores porque afinal jamais pisara em uma fábrica. Ora, isto é lá argumento? (então Jesus não deveria ter falado sobre o casamento, afinal, Nosso Senhor jamais teve uma mulher esquentando seu pé-do-ouvido) Se as idéias econômicas de Marx estão erradas, a história já provou e os argumentos que devo usar devem vir da economia, não vou usar esses argumentos fajutos como se eu fosse um santo homem e Marx um pecador imundo e incoerente e por isto equivocado em tudo o que disse. Mas os partidários da coerência dizem que não, Marx teria que ser coerente com suas idéias para que suas idéias... Não terminam a frase, pois cairiam em tautologia. Marx teria que ser coerente com suas idéias para que suas idéias fossem coerentes com ele, só isso, pois ser coerente com as idéias que defende não fará delas serem mais nem menos verdadeiras, pois isto seria pensar justamente de modo marxista, isto é, seria defender que há uma classe (a dos coerentes) a quem é dado o poder de dizer a verdade. E a outra classe, a dos incoerentes, esta, coitada, estaria mergulhada na eterna ignorância. Assim, nenhum crápula deveria concordar que dois mais dois são quatro. Somente pessoas boas e santas saberiam que soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Tiram assim todo o direito de um pensador ser gente. Ora, minha gente, pensador também é gente. Pensar deveria ser um ato bem particular, mas tem gente que não se contém e quer, parece, uma ajudinha para pensar direito e começa a escrever coisas sobre o que pensa. Sou contra. Mas escrevo. É uma incoerência da minha parte, paciência!

Posted by César Miranda at 08:30 PM | Comments (4)

CULPA E CULPADO

Quando não temos a quem culpar, o problema se resolve mais rapidamente dentro de nós. Quando temos um culpado, consumimos precioso tempo odiando a pessoa.

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fevereiro 10, 2006

O CÉU SÃO OS OUTROS

O inferno é a solidão.

Posted by César Miranda at 05:59 PM | Comments (1)

O BOOM DA PANELA DE EXPRESSÃO

A liberdade de expressão é uma excelente idéia. Pena que ela não exista, afinal os maometanos queimando embaixadas também estão se expressando. Liberdade não é fazer o que se quer. Liberdade é obedecer a várias regras a começar pela regra soberana: a estética. Não se deve fazer coisas feias sejam elas charges ou passeatas.

Posted by César Miranda at 05:53 PM | Comments (5)

INTESTINO PRESO (conto curto)

Prenderam o intestino. Bem feito, o cara só faz merda!

Posted by César Miranda at 05:53 PM | Comments (0)

COMO CONSEGUIR O CONTRÁRIO DO QUE SE PRETENDE

- Os jornais e países que estão replicando as charges de Maomé para mostrar o quanto são livres, doravante viverão perseguidos pelos terroristas e jamais saberão o que é liberdade, pois viverão congelados pelo medo.
- Toda a quebradeira e incêndio que os muçulmanos estão fazendo é para mostrar ao mundo que o Islã é uma religião de paz e que Maomé não tem relação alguma com a imagem violenta que aparece naquelas charges.

Posted by César Miranda at 05:51 PM | Comments (0)

COERÊNCIA

Os equivocados costumam se gabar da coerência, como se fosse ela, por si só, uma qualidade, e se esquecem do equívoco que veneram e que deveria anular qualquer qualidade. A coerência sozinha é, na verdade, um defeito grave, pois pode impedir a evolução do equivocado. A “qualidade” coerência é muito usada para elogiar um idiota quando ele morre. Uma vez que não se deve falar mal de quem morreu, vão lá buscar a coerência, única qualidade de boa parte dos bocós. Ora, em um insensato, coerência é defeito. Não me chamem de coerente, que vou logo pensar que ando acreditando em besteira. Dispense a coerência e veja o que sobra. O que sobra é o verdadeiro retrato do ser em análise, logo, coerência é uma coisa que não serve para nada, exceto para acomodar falhas, disfarçar erros, desculpar crimes, encaixar excessos. Quem precisa de coerência para se embelezar, boa coisa não fez.

Posted by César Miranda at 05:47 PM | Comments (0)

A SUPERIORIDADE DO CINEMA NA ARTE DE NOS FAZER VER BESTEIRA

Eu disse aqui (olha aí, novo link do texto em página especial para os convidados apostos) que ir ao cinema é a melhor forma de ler um romance. Pois bem, essa faca tem dois gumes. Vi um dia desses a bosta desse filme aqui e concluí que o cinema é também a melhor forma de se ler péssimos romances. Lembro-me do velho ditado, “o que dá pra rir, dá pra chorar”, pois naturalmente eu jamais deixaria o divertidíssimo livro que estou lendo (desse senhor aqui) para ler o romance da história que conta o tal filme. Facilidade nos enche de coisas inúteis, já aquilo que requer certo esforço, nos torna seletivos. Só veja um filme que, se fosse livro, você leria.

Posted by César Miranda at 05:37 PM | Comments (1)

fevereiro 06, 2006

TUDO O QUE SE PRECISA SABER (conto curto)

“Beba isto”, me disse o rapaz, “e assim saberá tudo o que se precisa saber”. Eu estava em um bar e conversava com esse desconhecido que me disse saber tudo o que se precisa saber, mas que infelizmente tudo o que se precisa saber não pode ser dito com palavras. No entanto, ele desenvolvera uma bebida que quando eu bebesse saberia tudo o que se precisa saber. Tomei a bebida e subitamente soube tudo que se precisa saber. Ao engolir o preparado, um líquido com consistência e gosto parecido a suco de abacaxi, que o desconhecido tirou de uma daquelas garrafinhas que os viciados levam no bolso de dentro do paletó, foi como se fosse incorporado a minha vida experiência de trezentos anos e cento e cinqüenta anos de leitura ininterrupta. O problema é que tudo que se precisa saber não pode mesmo ser dito com palavras, acreditem. Então me veio à idéia compor uma peça para violão que quando as pessoas ouvissem sentiriam subitamente o que eu senti quando tomei aquele líquido. Depois de alguma pesquisa, teci as notas certas e compus a peça. Foi frustrante, pois, pelo jeito, a partitura também não é um meio adequado para se traduzir a verdade que não pode ser dita com palavras. É que sempre que toco essa peça ao violão, as pessoas depois de a ouvirem costumam exclamar “ah, mas isto é suco de abacaxi!”

Posted by César Miranda at 05:09 PM | Comments (0)

ENTRE OS INFIÉIS

Os muçulmanos são adeptos da poligamia e é a nós que chamam de infiéis.

Posted by César Miranda at 05:08 PM | Comments (1)

DESSACRALIZAR

Quando esquecemos que tudo em nossa vida deve ser sagrado, geralmente escolhemos a pior parte de cada coisa, pois tudo é miserável quando é desprovido do sagrado. O sexo é o melhor exemplo disto. Você escolhe o tipo de sexualidade que quiser para sua vida. A sexualidade pode ser algo meramente físico, como fazem os animais (São Francisco chamava o corpo de “irmão burro”). Para o ser humano o sexo deveria ser mais que isto, pois se for só isto, abriríamos mão da parte mais rica do sexo. Os terapeutas fazem fortuna com pessoas traumatizadas pelo sexo dissociado do amor. O sexo pelo sexo o torna um fim em si e mera pornografia. O sexo deve ser um meio de união e procriação, jamais de sexo. Seria o mesmo que a comida fosse um fim em si. É degradante todo costume que tira do objeto seu objetivo certo. O fato é que nem os animais fazem sexo pelo sexo (e nem comem sem ter fome). Em seguida, há o perigo maior que é o do desvio de transcendência, ao colocarem o sexo no centro de suas vidas, moda muito em voga e que faz a alegria dos terapeutas. (uma conseqüência inevitável do sexo como a coisa central da vida é a utilização do outro ser humano como mero objeto e a redução de si mesmo também a simples coisa). A “liberdade sexual” tão desejada pelas últimas gerações (principalmente de feministas) é na verdade uma prisão com danos terríveis às mulheres, pois considerar o sexo mera fonte de prazer é um ótimo argumento para justificar a prostituição, a indústria da pornografia e toda sorte de aviltamento à mulher, como quando os meninos apontam aquelas meninas que são para casar e aquelas que são para transar. Há também prostitutos casados. Casais que prostituem o sexo. Um casal que usa camisinha é prostituto. O poeta latino Virgílio tem uma frase muito interessante que sugere o seguinte: não foram os deuses quem nos deram desejos incontroláveis, somos nós que transformamos em deuses incontroláveis os nossos desejos.

Posted by César Miranda at 05:04 PM | Comments (3)

AZARAR E SORTEAR

Quando você azara alguém, na verdade o que você fez foi sortear aquela pessoa. Isto é, você imagina que aquela pessoa tem muita sorte em você ter se interessado por ela, então você resolve azará-la.

Posted by César Miranda at 05:03 PM | Comments (0)

RICOS E POBRES NO TABULEIRO

Esse governo que temos serve aos piores pobres (o vagabundo que recebe o dinheiro referente à freqüência do filho na escola) e aos piores ricos (o especulador financeiro e o banqueiro, bando de sanguessugas e usurários). Enquanto isto, o bom pobre não tem emprego porque o bom rico não tem coragem de montar uma empresa no Brasil, pois sabe que vai pagar os maiores juros e impostos do planeta, o que inviabiliza qualquer negócio. Assim, o bom pobre se junta ao mal pobre tendo que se humilhar e viver de esmolas e o bom rico se junta ao mal rico no grande cassino onde se paga os maiores juros do mundo. Isto é que é um governo trabalhar contra a desigualdade. Os ricos e os pobres que deveriam estar na cadeia, estão todos mamando nas tetas do governo. Os ricos e pobres que deveriam (e gostariam) de estar trabalhando, estão se humilhando e frustrados jogam o único jogo que o governo permite, os ricos jogam xadrez e o pobre joga damas, ambos no mesmo tabuleiro.

Posted by César Miranda at 05:00 PM | Comments (2)