Tenho sobrinhos entre 15 e 20 anos, o que me deixa na iminência de ser tio-avô, se os meninos não tiverem juízo (aliás, jamais entendi porque os pais não querem que os filhos sejam pais, uma vez que criança é a melhor coisa do mundo), caso os meninos, eu dizia, não façam como fizeram seus pais (graças a Deus que fizeram, pois meus sobrinhos são maravilhosos). Mas divago, pois o que quero falar é do diálogo sobre sexo entre pessoas normais e adolescentes, que o Fantástico insiste que tenhamos sob o risco de nos sentirmos os piores seres da face da terra. Eu não me importo muito com a pecha, porque se assim o Fantástico (ou seus irmãos de armas, quer dizer, o gay de esquerda, o maconheiro natureba, o pseudo-intelectual de miolo-mole, a estudante feia de sociologia, o adolescente marxista, o jornalista burro, o legislador brasileiro, o cantor de hip-hop, o poeta funcionário público, o eleitor da Heloísa Helena, os juízes de direito, o professor da USP, o dono de ONG, os candidatos à presidência etc) me considerar, estaremos empatados. Eu não teria problema em conversar sobre sexo com um adolescente, apenas não vejo nenhuma necessidade, pois eles sabem tanto do assunto quanto eu. Acredito que a única coisa relevante e correta que se deva dizer a respeito de sexo, não só para um adolescente, mas para qualquer outra pessoa, é o seguinte: só se deve fazer sexo dentro do casamento (do próprio casamento, é bom assinalar). Faça diferente e, como diziam os cangaceiros, você se lasca. Mas não é isto que quer o Fantástico. O Fantástico quer que o adulto vá à farmácia comprar quilos de camisinha e distribua aos adolescentes. Nisto se resume um diálogo franco e maduro com adolescentes de hoje em dia sobre sexo. Mas essa premissa é fantasticamente falsa. Camisinha é tudo o que o sexo não é. Camisinha é sexo tanto quanto macaco é gente. É um disfarce, uma máscara (eis um bom apelido para camisinha “máscara de pau”) cujo objetivo é justamente burlar as funções sagradas do sexo, de união plena entre duas pessoas e de possibilidade da procriação. Ao usar camisinha, as duas pessoas estão dizendo uma para a outra “não confio em você, mas neste momento, quero usá-la para obter prazer sexual, então finjamos que nos adoramos por um minuto e que camisinha é o máximo, quando sabemos que camisinha é um nojo e que jamais nos amaremos de verdade enquanto pularmos etapas irrecuperáveis no afã de fazer sexo, mas sabe como é, o Fantástico disse, basta usar camisinha que ficaremos bem e poderemos nos divertir sem culpa, sabemos que queremos, então não sejamos hipócritas, o Fantástico é que está certo” e assim, a camisinha torna prostituição todo sexo. Mas voltemos ao assunto do começo, como eu vou dizer a um adolescente que só se deve fazer sexo dentro do casamento? Ele olha a sua volta e não vê um exemplo sequer de adulto que tenha agido assim, exceto alguma solteirona bizarra, daquelas que ninguém nem lembra (e que jamais fez sexo mesmo). Todo muito que ele conhece fez (ou faz) sexo fora do casamento. Se alguém der esse conselho para ele corre sério risco de ser chamado pelo horrendo nome de hipócrita. A hipocrisia é tudo contra o que o Fantástico luta. Não se vê nada demais que vivamos em uma sociedade imoral, que adora música ruim, insensata, atéia, de esquerda, que usa piercing na língua etc, não, nada disto importa. Mas a hipocrisia corta de dor a alma do Fantástico. Hipocrisia que na maioria das vezes está somente na cabeça do acusador, que almejando ser absolvido pelo sexo irresponsável que ele faz, sugere que aquilo é a coisa mais normal do mundo e que todos devem fazer. Ocorre com esse sexo-normal-para-todos, a mesma coisa que ocorre com o aborto. Um dos argumentos dos abortistas é o ridículo “todo mundo faz, logo não pode ser crime”. Mas voltemos à hipocrisia. O Fantástico prefere um mundo depravado a um mundo hipócrita. Uma pessoa que luta contra o aborto e providencia que sua filha aborte quando esta é estuprada não é um hipócrita, um moralista que é pego em flagrante com alguma imoralidade também não é hipócrita. São seres humanos na posse do que há de mais humano em nós: a fraqueza. Contra a fraqueza há A Fortaleza, que é a fonte de todo bem e que diz em nossos ouvidos o que é correto e o que deve ser defendido e mesmo que não consigamos sempre, devemos morrer gritando o que é certo, apesar de nossa fraqueza. Pois bem, o Fantástico não acha assim, ele acha que, uma vez que somos fracos, devemos instituir a fraqueza como norma para que jamais sejamos hipócritas, pois esse nome é feio feito o diabo. Já eu, evidentemente também não defendo a hipocrisia, mas a acho preferível à glorificação da zona. Sejamos hipócritas, é um mal menor. Por mais que tenhamos impulsos baixos, saibamos que eles são baixos. Por mais que erremos, gritemos que aquilo é um erro. O medo de não conseguir discernir o certo do errado deve ser maior do que o de ser chamado de hipócrita pelo Fantástico. Há uma febre nas mentes deste tempo que as fazem louvar e glorificar a coerência, como se fosse ela por si só uma grande coisa. O diabo, por exemplo, é um sujeito muito coerente e vive sem nenhuma hipocrisia. É o que nos espera se prosseguirmos essa meta de viver sem hipocrisia, tão somente por causa da hipocrisia: faremos companhia ao chifrudo. A questão da coerência é muito usada como campanha contra a Igreja Católica e todas as instituições que têm um código moral rígido. Já ouvi diversas pessoas me dizendo que não são católicas por causa dos padres pedófilos, comunistas etc. Então, eu lhes digo, “eu sou cristão por causa de Jesus Cristo”. Certamente querem que os padres sejam santos como os fiéis deveriam ser. Sentir-se-iam satisfeitos com a santidade dos outros, mas a própria vilania não os incomoda. Deveríamos ouvir o que dizem os padres, pecadores como nós, que não falam (ou não deveriam falar) pela própria boca e sim movidos pelo Espírito. São Pedro, o primeiro Papa fez coisa feia também, por exemplo, ao negar o Senhor quando O prenderam, foi, ali, um incoerente com tudo o que vira. Mais tarde, São Pedro deu a própria vida pela Verdade, também morrendo crucificado. Saber o que é certo e pregar a boa nova, não nos impede de cair nem mesmo de trair aquilo que pregamos e acreditamos. Somos concupiscentes, pois humanos. Então, incoerência, hipocrisia são palavrões que o mal adora usar contra aqueles que mesmo contra toda a fraqueza insiste em clamar pelo que é correto. Um costume feio reiterado não o torna bonito. Cabe a quem tem boca falar e a quem tem ouvidos escutar. Os surdos que assistam ao Fantástico. Já critiquei aqui a incoerência dos esquerdistas, que vestem calças jeans, usam internet e toda gama de coisas produzidas e inventadas pelos EUA. Depois elogiei os esquerdistas incoerentes, pois tudo o que um esquerdista com um mínimo de neurônio deve ser é incoerente. A coerência só presta quando todos os valores envolvidos são bons. Quando a base e o discurso do sujeito é falso e ruim, o desejável é que ele seja incoerente mesmo. Ninguém acusa a China de hipócrita por não bombardear o Japão e se unir aos terroristas muçulmanos para invadir os EUA, pois todos os valores e atos envolvidos neste caso seriam (são) vis. O “hipócrita” de quem é cobrado ações diferentes é aquele que sustenta um valor positivo e bom, porém procede diferentemente. O que seria preferível? Claro, sustentar o que é bom e proceder igualmente, não importando a conseqüência (como, por exemplo, Jesus fez em Sua vida e não me ocorre mais nenhum exemplo). Para nós, que não somos Cristo, existe a religião que servirá de base fixa em contraposição à realidade transitória, que existe para baixar nossa bola quando ao se chocar com “nossos princípios” (que é o nome que damos para aquilo que achamos certo). Acreditamos em algo absoluto justamente para que saibamos como agir naqueles momentos em que o transitório nos atinge. E nessa hora agimos conforme o que cremos ou elegemos nossa situação como especial e fazemos justamente o contrário do que sabemos ser o certo. Passado o vendaval, para um cristão verdadeiro, vem a contrição e a busca pelo perdão de Deus e renovação e insistência (desta vez até com mais veemência) na pregação do que é correto, tentando mais uma vez ser o menos teórico possível, pois ser cristão apenas teoricamente não é ser cristão. Todo cristão sabe o quanto ele próprio é medíocre em face da grandiosidade que é o seu projeto pessoal de santidade, requerido e pago pelo sangue do próprio Senhor do universo na pessoa de Seu Filho. Já a pessoa claudicante vê naquela sua ação incoerente a prova de que ela, a pessoa, estava errada e que sua ação errada é que é a correta e que ele vivia hipocritamente, mas agora aprendeu na prática que sua teoria estava equivocada, então monta um ONG para “ajudar” pessoas como ele a se livrarem das exigências absurdas dessa sociedade hipócrita que aí está. No domingo seguinte, feliz por não ser mais hipócrita, talvez até apareça no Fantástico.
Posted by César Miranda at janeiro 24, 2006 07:13 AMeu neeem queria leer sabe né?!
mais já que teenho né?!
para as provas vamos láááá!
:***
sabe que eu nãoq uero leer esse negocio mais meu pai ta mim obrigando
OAPKSPKAOSPKAOPKSAPOSKPOAK
O Pedro Sette tem toda razão, é o texto do ano. É a primeira vez que visito o blog e que preciosidade esse primeiro encontro.
Fernando Rodrigues Batista (Foz do Iguaçu-PR)
N. do E.: Obrigado, Fernando. Volte sempre.
Posted by: FERNANDO RODRIGUES at fevereiro 17, 2006 09:43 AMO Pedreo Sette tem toda razão, é o texto do ano.Parabéns, é a primeira vez que visito o blog e achei maravilhoso...
Fernando Rodrigues Batista (Foz do Iguaçu-PR)
Posted by: Fernando at fevereiro 17, 2006 09:35 AMMuito bom! Aguda observação da sociedade!
O argumento falacioso da hipocrisia, muito bem denunciado por você, e o conceito do "políticamente correto", seu irmão gêmeo, têm sido usados com sucesso para anestesiar mentes e corações para as nossas mazelas, enquanto destroem os nossos valores e princípios.
Ambos são frutos do mesmo vale-tudo individualista, pelo qual a sociedade deixa de se colocar e de agir como sociedade, abrindo mão do seu direito/dever de denunciar e desestimular comportamentos anti-sociais e nocivos.
É a sociedade perdendo o instinto de auto-preservação.
Posted by: Bear at janeiro 29, 2006 06:38 PMÉ mesmo, o texto lembra C. S. Lewis!
Li no Literature Lost de John M. Ellis que os esquerdistas costumam ter uma espécie de doença do pensamento chamada, no livro, de "all or nothing logic" - ou seja, eles têm grande dificuldade de ver nuances, então costumam eleger um dos extremos como verdadeiro e realizar um apagamento do outro. Exemplo: dizem que não existe objetividade pura, pois toda objetividade almejada pelo homem sempre contém alguma subjetividade. Daí, no entanto, concluem que "a objetividade não existe, tudo é subjetivo"! Creio que essa é uma possível explicação para a questão, tão bem assinalada no texto, sobre a hipocrisia: dizem que não há pureza possível, que o ideal do homem está sempre em dissonância com sua vida real. De onde "concluem" que, não havendo possibilidade de inteira realização do ideal, é melhor vivermos sem ideal algum! Parece que tudo concorre para voltarmos a um estado semiconsciente, sem freios morais para os instintos. Isso já tem seus frutos nocivos na violência e na sexualização exacerbadas que parecem tomar conta da mentalidade de nossa época. Mas toda espiral para baixo parece não ter fim. Que Deus nos ajude.
Parabéns pelo post!
Oi, César
Gosto dos seus textos, venho sempre ler seu blog, e vou continuar vindo. Mas confesso que larguei esse post quando cheguei nesse ponto: "Sejamos hipócritas, é um mal menor. Por mais que tenhamos impulsos baixos, saibamos que eles são baixos. Por mais que erremos, gritemos que aquilo é um erro."
Também acho de uma miséria inacreditável uma educação sexual que se resuma à orientação para o uso da camisinha. Mas quando li essa parte que copiei/colei, percebi que você estava falando para a sociedade, fazendo projetos para um mundo melhor - exatamente como faz a esquerda. Me deu a impressão que você, aqui, não está se dirigindo a um indivíduo concreto, mas a uma multidão.
Um abraço,
Marcio
N. do E.: Márcio, estava lendo seu comentário e confesso que parei neste ponto "Mas confesso que larguei esse post quando cheguei nesse ponto:". Brincadeira, li tudo...ainda bem que você confessa que não leu o texto todo. Então, leia e conversaremos.
Posted by: Marcio Hack at janeiro 26, 2006 07:46 AM"O diabo, por exemplo, é um sujeito muito coerente e vive sem nenhuma hipocrisia" : Genialmente sintético.
Posted by: 0!/\@|£ at janeiro 26, 2006 07:04 AMPalmas, tocantinense!
Posted by: Grenadier at janeiro 25, 2006 06:58 PMEste texto, sim, é fantástico. O programinha dominical é, como Faustão, Gugu et caterva, asnático.
Posted by: Sportsman at janeiro 25, 2006 05:48 AMParabéns. Mil vezes parabéns.
Posted by: Guilherme at janeiro 24, 2006 01:10 PMDileto amigo,
Fiz um comentário sobre este post, mas perdi a anotação.
O texto me lembra muito C.S.Lewis.
Naturalmente, o que há de melhor aqui é sabermo-nos fracos, mas tendo a certeza de que contra a fraqueza há A Fortaleza. O sentido do sacramento da penitência é difícil de ser entendido de pronto pelo s 'expectadores do Fantástico', mas é vital para a compreensão deste courrieur.
Naturalmente o texto remete ao capítulo A Negação de Pedro, de O Bode Expiatório, do R. Girard e merece ser posto naquele escaninho da reflexão para gerar mais comentários e, quem sabe, dar à luz a outros posts sobre Girard.
Saudações,
BetoQ.
O ano mal começou, e este já é o texto do ano.
Posted by: Pedro Sette Câmara at janeiro 24, 2006 08:53 AM