§579 Esse princípio da integralidade da observância da Lei, não somente em sua letra, mas em seu espírito, era caro aos fariseus. Tomando-o extensivo a Israel, levaram muitos judeus do tempo de Jesus a um zelo religioso extremo. Este zelo extremo, se não quisesse envolver-se em uma casuística "hipócrita", só podia preparar o povo para essa intervenção inaudita de Deus que será o cumprimento perfeito da Lei exclusivamente pelo Justo em lugar de todos os pecadores. (Catecismo da Igreja Católica)
Quando Jesus começou seu ministério encontrou muitos homens a quem chamavam fariseus, que eram afamados pelo rigor com que defendiam a lei, de tal forma que hoje a palavras “fariseu” é sinônimo de hipócrita. Na verdade, um fariseu era um estudioso da lei, para o sujeito chegar a fariseu teria que estudar a lei pelo menos por 35 anos. Deus nos quer santos, mas Ele sabe que somos imperfeitos. Quem diz “eu sou bom, sou perfeito” é, não só um fanfarrão, é, no mínimo, um hipócrita (um fariseu). Então Deus veio pessoalmente cumprir a própria lei, afinal é Ele o legislador, alguém não concupiscente. Temos todos nós a concupiscência, isto é, a tendência para o mal, tendência que só será aniquilada quando formos glorificados com a volta de Jesus. Ao buscar um coração puro podemos combater os movimentos da concupiscência, pois abrimos nosso coração para o Espírito Santo e é inacreditável como as fichas caem rapidamente quando se tem o Espírito Santo de Deus. Mas voltemos aos fariseus. O que faz uma pessoa virar um fariseu, no sentido que o termo tem hoje? O que nos faz ser hipócritas? Provavelmente a mesma coisa que fazia o fariseu ser um hipócrita, que é dar mais importância à lei do que a sua vida. O hipócrita diz uma coisa enquanto sua própria vida segue outro rumo. Uma criança (aquela de quem Jesus disse que devemos ser como), ao contrário do fariseu, segue as regras a ela impostas porque acredita que tais regras são boas para sua vida. Se a vida contradisser a regra, a criança ignora a regra e a faz de imediato e às claras sem medo de ser feliz. Ao mesmo tempo, ser criança é obedecer aos pais. Deixe eu fazer aqui uma defesa do fariseu. Ostentar as próprias virtudes é o que faz o fariseu. Não significa que ele não esteja sendo sincero. Certamente existiam fariseus que, tirando a jactância, eram santos. Temos uma pressa horrorosa de que se faça justiça, a começar por nós mesmos. Não basta ser virtuoso, é importante que vejam isto e já que ninguém vê, o fariseu toca trombetas em torno de seus atos. É justamente aí que Jesus chega e nos lembra que há o olho de Deus tudo vê e é só a Deus que devemos “tentar impressionar”. Deus é o único público para quem devemos representar. É preciso fé, muita fé, para resistir ao farisaísmo. Rezemos, pois. Nossos defeitos, nossas fraquezas e pecados estarão sempre grudados em nossas ações, pois mesmo as boas ações muitas vezes são frutos de egoísmo nosso. Esse problema só teria solução com a Graça de Deus, isto é, com o perdão incondicional do Deus, que é lento na ira e rápido no amor. A cada queda, teremos sempre Jesus com a mão estendida para que nos levantemos, por isto não há motivo algum para hipocrisia, preocupemos-nos em amar a Deus e a nosso próximo, pois Jesus já revogou a Lei. O amor é a nova Lei. Posted by César Miranda at janeiro 7, 2006 03:43 PMEste post e uma amostra do que o Rene Girard chama de 'sejamos biblicos'...
Muito mas muito bom,mesmo.
Amities,
BetoQ.
"Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei." (Rom. 3:31)
Essa passagem da epístola de Paulo aos Romanos parece resumir o assunto.
Abraço;
Márcio Guilherme.
Adorei este texto. Abraços, César.
Posted by: Adelice at janeiro 7, 2006 08:08 PM