As métricas das canções deveriam ter um limite ou um nome, assim a pessoa podia escolher a música que gostasse com a letra que preferisse. Há umas canções que, por coincidência têm a mesma métrica da outra, de forma que você pode cantar uma melodia com a letra de outra. Por exemplo, você pode cantar a letra de “Pense em Mim”, grande sucesso de Leandro e Leonardo, com a melodia de “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores” de Geraldo Vandré. Ou vice-versa, pode-se cantar “caminhando e cantando e seguindo a canção” com a melodia de “em vez de você ficar pensando nele”. Outras duas canções que por coincidências de encaixam é “O Caminhoneiro” de Roberto e Erasmo e “Retrato em Branco e Preto” de Tom Jobim e Chico Buarque. Experimente, cante “todo dia quando eu pego a estrada quase sempre é madrugada e meu amor aumenta mais” com a melodia de “já conheço os passos dessa estrada sei que não vai dar em nada seus segredos sei de cor” e vice-versa (desconfio até que o letrista de “O Caminhoneiro" tenha se inspirado de propósito na métrica de Retrato em Branco e Preto, veja que, na frase seguinte “porque eu penso nela no caminho, imagino o seu carinho e todo bem que ela me traz”, o seu correspondente na outra canção seria “já conheço as pedras do caminho, e sei também que ali sozinho vou ficar tanto pior”, perceba que nos dois casos a palavra “caminho” coincide no mesmo lugar da melodia, aliás, na primeira frase a palavra “estrada” nas duas canções estão no exato compasso da melodia, não pode ser mera coincidência, principalmente porque “estrada” e “caminho” é tudo a mesma coisa) (para ficar mais interessante a junção, você pode misturar geral no fim da canção, cantando “vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto, um coração e o nome dela”). Há um caso famoso que não é coincidência. “Nova Ilusão” de Pedro Caetano e Claudionor Cruz que foi gravada por Paulinho da Viola e “Da Cor do Pecado” de Bororó se encaixam perfeitamente, a letra de uma com a melodia da outra. Mas essa foi de propósito, Pedro Caetano e Claudionor Cruz acordaram de um fazer letra e outro uma música alternativa à canção de Bororó. Qualquer soneto alexandrino, por exemplo, ou qualquer outra forma poética com rigidez métrica, pode ser cantado com a mesma melodia que se tenha feito para um deles. Disto isto, para agradar o freguês, os compositores deveriam adotar quatro ou cinco formatos de métrica para composição de suas músicas. Dessa forma, a pessoa poderia escolher a melodia que quisesse com a letra que quisesse. Deve haver muita gente que adora as letras do Vinícius, mas não suporta a melodia do Tom Jobim ou do Carlos Lyra, gosta mesmo de Reginaldo Rossi, por exemplo. Pronto, pegue uma melodia de Reginaldo Rossi e case com uma letra do Vinícius de mesmo formato. As parcerias se multiplicariam, os compositores até lucrariam mais com isto e cada um ouviria a música que quisesse como quisesse. No karaokê seria divertido.
Posted by César Miranda at janeiro 4, 2006 06:13 AMQue legal! Bom saber que já morou em Goiânia.E quando voltará aqui?
Abraços
N. do E.Ah, passarei aí o primeiro fim de semana de fevereiro, irei dia 3, sexta-feira. Se quiser ser minha guia pelos sebos do centro no sábado de manhã, estarei lá.
Moro em Goiânia - Goiás ;)
N. do E. Morei quase 15 anos em Goiânia. Tenho grandes amigos aí.
Posted by: karla at janeiro 13, 2006 12:54 AMProcurando letras de ELOMAR "caí" aqui em sua página, confesso que foi um acidente muito bom!! Obrigada e parabéns por postar tantas pérolas na rede.Adorei CANÇÕES ;)
abraços
N. do E.: Karla, seja bem-vinda. Que bom que gostou. Volte sempre. Onde você mora?
Posted by: karla at janeiro 12, 2006 11:24 AMFaço minhas as palavras do Milton. É preciso ter um ouvido afiado e o conhecimento estrutural de música para perceber esses detalhes, gerando um texto tão interessante. Hum - acho que me encontro no caso citado, de quem até gosta (não muito, um pouco) de poemas/letras de Vinicius porém não das melodias...
Posted by: Claire at janeiro 5, 2006 03:51 AMHá cantigas infantis com a mesma melodia, como "Pai Francisco entrou na roda" e "Meu pintinho amarelinho", e tudo é, em princípio, parodiável (Bakhtin diz que Dostoievski parodiava até a si mesmo). Muito curioso é ver como a obra de Chico Buarque serve como um cântico às avessas (?), talvez um réquiem de antemão (??) para o atual estado de coisas. 2006 pode acabar com Fua Efelênfia entoando algo assim como: eu bato o portão sem fazer alarde, muita saideira, pouca saudade, e a pesada certeza de que já vou tarde.
Posted by: Grenadier at janeiro 4, 2006 05:37 PMQue coisa curiosa. Só sendo músico para descobrir exemplos tão deliciosos. Abraços e um grande 2006.
Posted by: Milton Ribeiro at janeiro 4, 2006 10:07 AMAh, droga. Furou meu post musical.
Quem mandou eu demorar?
Ok, quando eu postar o mp3 posto link pra cá.
Abc,
N. do E.: Pô, desculpa aí, Merc. Lembro que falamos disto. Eu deveria ter lembrado das canções que você falou também aqui neste post. Pára com isto, posta lá, vai!
Posted by: Merc at janeiro 4, 2006 09:46 AM