O canibal morreu por desnutrição. Não queria comer ninguém.
Minha mãe costuma falar da briga do corpo com a alma em que um vive se queixando do outro. Nosso corpo e nossa alma raramente são semelhantes. Há almas violonistas em corpos com unhas de pianista (um desperdício). Gente com alma de escritor e corpo de jogador de basquete. Almas lindas em corpos depauperados e corpos divinos em almas miseráveis. Corpos grossos em almas gentis. Almas santas amaldiçoando os corpos esmilingüidos que as impedem de realizar tudo o que sua bondade deseja. Almas imundas destruindo o belo corpo que ganhou do Criador. As coisas são assim. O dono do corpo e da alma fica ali meio impassível sem saber direito que partido tomar ou a qual dos dois “eus” odiar. “Ah, eu adoro meu corpo”, diz a menina com 10 quilos a menos do que seria razoável e ignora a alma balofa, carente de uma boa malhação metafísica. Mas essa questão toda vem de berço. Berço do corpo e berço da alma. Aliás, a cirurgia plástica, muito mal usada, está aí para transformar os corpos naquilo que as almas ocas lá dentro gostariam ou o que o cirurgião conseguir (já vi plásticas que pioraram terrivelmente a “plasticada” e já vi casos em que a paciente ficou satisfeita, mas eu não fiquei nem um pouco, pois a preferia com aquele “defeito” que ela mandou corrigir, é que as pessoas não sabem o quanto um bom defeito pode ser muito interessante). A plástica da alma é algo pouco executado, por falta de procura e por falta de cirurgiões. Geralmente o próprio Todo-Poderoso se encarrega de dar uma garibada na alma de um ou outro. E dói muito, pois é sem anestesia. Posso dizer, já passei por isto (depois tudo cai de novo e eis nós – eu no caso – precisando de novos reparos na alma). Se víssemos nossa alma (ou se pelo menos, olhássemos para ela com honestidade), o mundo provavelmente melhoraria muito, caso o efeito da visão da alma feia fosse tão terrível aos olhos dos donos da alma como o é o culote para a menina de 16 anos, “ah, eu nunca gostei de me olhar no espelho”, diz a lolita que prefere ganhar de presente uma cirurgia plástica do que um carro zero. Não se faz campanha para incentivar as pessoas a ficarem satisfeitas com o corpo que têm e evitar a plástica. Poderiam fazer e justificar com umas coisinhas simples: um peitão – artificial - nem sempre é grande coisa, um nariz assim meio chatinho pode ser lindo, uma barriguinha tem o seu valor e há poucas coisas mais feias do que uma mulher com silicone nas maçãs do rosto. Dito isto, isto é, que gosto é gosto, fica difícil saber se as almas melhorariam caso fossem tão visíveis quanto os corpos. Algumas melhorariam, outras piorariam, o certo é que haveria moda também no mundo das almas. Então é melhor deixar assim, deixando a alma por conta do Criador. Somos atraídos por corpos lindos que têm a alma feia e com o tempo não acharmos mais tão lindos assim. Ou conhecemos almas lindas de corpos feios, que vão se moldando à nossos olhos à beleza da alma que vemos (há também os abençoados lindos de corpo e alma e os deprimentes feios de corpo e alma). A alma tem uma força que geralmente vence as limitações do corpo, graças aos dons que alma recebe do Criador. Deus gosta de fazer essas coisas, talvez para nos dar pistas do quanto somos muito mais do que meros robôs de carne e osso e os exemplos são muitos como o fato de um dos maiores jogadores de futebol da história ser um sujeito de pernas tortas, de o maior artista do barroco brasileiro ser um quase sem mãos, de um dos maiores compositores da história ser um surdo etc. São exemplos de casos em que a alma vence as limitações do corpo inadequado que recebeu. Então é praticamente irrelevante o tipo de corpo que você tem em face da alma que o anima, pois o corpo é um instrumento para as potencialidades da alma. Você pode ficar reclamando “putz, que corpo horroroso que eu ganhei para fazer isto aqui que minha alma pretende, ah, não vou fazer nada disso não, vou inventar outra coisa.” Ou ignorar o corpo que tem e partir para desenvolver seus dons d’alma. Tem gente que tem muita sorte, como as modelos que têm corpo de modelo e alma de modelo e, como se sabe, para ser modelo, não precisa absolutamente nada, basta nascer e caminhar. Não precisa estudar, nem comprar tinta, basta caminhar, que é uma coisa que até modelo faz. Falando com uma amiga carioca, descobri que ela tem alma paulista. É interessante também isto, de quando a alma da pessoa nasce em um lugar e o corpo em outro. O fato é que tem gente que é alemão de olhos azuis e tem alma negra. Quando criança, a pessoa não entende, ninguém entende, os pais, os tios, as professoras, na sua cidade natal Marktbreit, na Alemanha, perto de Colônia, olham atravessado para aquele gingado, malemolência e telecoteco do pequeno Fritz. Claro, jamais entenderiam, ninguém olha mesmo para a alma, só para o corpo das pessoas*. Um dia, crescido, Fritz vai para a Bahia em férias e jamais volta para a Alemanha. Casa-se com uma baiana que conheceu quando comprava um abadá do “Chiclete” (jamais vou entender o interesse das mulheres bonitas pelo “Chiclete”). Nove meses depois, nasce o primeiro rebento, Bira da Silva Braunsberger. Acontece que a alma do menino baiano é do Afeganistão. Com 15 anos, Bira abre uma comunidade no Orkut chamada “Taliban é bambambam, Hamas ainda mais”, morre de vontade de ir para a Turquia e região, mas o corpo baiano fala mais alto e bate uma preguiça daquelas, num sabe, meu rei?!
*Jesus, como sempre, a exceção (porque era Deus), via primeiramente a alma das pessoas. Um dia, levaram um sujeito entrevado em uma cama para Ele curar. Ele olhou para o paralítico e disse “seus pecados estão perdoados”. Isto é, quando ele viu que a alma do sujeito estava em condições piores que o corpo, cuidou logo de fazer o milagre mais urgente e difícil que é restituir inocência, coisa que só Deus consegue fazer. O sujeito (que não vê a própria alma) deve ter pensado “carái, véi, deixa minha alma pra depois, quebra o galho aí e conserta minhas pernas, vai!”
A melhor música é a feita para ouvir.
Repetindo e repetindo
Eu estou me repetindo
Eu estou me repetindo
Repetindo e repetindo
Eu estou me repetindo
Tempo todo repetindo
É tô mesmo repetindo
Repetindo e repetindo
Eu estou me repetindo
Repetindo e repetindo
Eu estou me repetindo
Eu estou me repetindo
A mim estou repetindo
Repetindo e repetindo
Sejamos democratas, mas não sejamos fanáticos (pela democracia, quero dizer).
A língua é morta pela letra, pois a letra mata. Quem assassinou as línguas mortas foi a letra morta. As línguas vivas morrem de medo das letras vivas. Língua também é gente.
Precisamos dizer de verdade por que o Brasil não vai para frente e onde está a verdadeira concentração de renda. Conta-nos o Elio Gaspari, que o presidente Lula, por exemplo, foi preso durante a ditadura militar por 31 dias e caçaram seu mandato de sindicato. Por isto, ele recebe quase 4 mil reais por mês, para sempre, isto é, o constrangimento que passou em 1980, resultante de sua ideologia política, lhe deu o direito a que a sociedade brasileira o sustentasse vitaliciamente. No Chile, teria tido uma pensão de pouco mais de 500 reais. O exemplo de Lula não é único nem o mais calamitoso. O fato é que o povo brasileiro é extorquido pelo Estado brasileiro em bilhões de reais todo mês a fim de manter bocadas como essas. Desse tipo de concentração de renda os esquerdistas não se lembram e tome culpar o capitalismo e a globalização pela situação de miséria de muitos de nossos concidadãos. A verdade é que ou o Brasil acaba com o direito adquirido ou o direito adquirido acaba com o Brasil.
- Quem dorme de tarde, passa a noite em claro.
- Colha o botão e não existirá rosa.
- É fácil envelhecer precocemente, basta caçar a pureza.
- A cruz é tortura no começo e salvação em seguida.
- O provisório mata o eterno.
- Corte um pedaço e o todo está destruído.
- Liberdade é não fazer quando todos fazem.
- Só os seguidores do diabo fogem da cruz.
- Eu vim pedir a mão de sua filha.
- Hmmm, leva a menina toda, sô!
Temeroso com o avanço da fé, o diabo resolveu distribuir uma medalhinha que protegerá seus seguidores contra milagres e uma pequena prece diária que ajudará os céticos a se livrarem da tentação de crer.
Tenho sobrinhos entre 15 e 20 anos, o que me deixa na iminência de ser tio-avô, se os meninos não tiverem juízo (aliás, jamais entendi porque os pais não querem que os filhos sejam pais, uma vez que criança é a melhor coisa do mundo), caso os meninos, eu dizia, não façam como fizeram seus pais (graças a Deus que fizeram, pois meus sobrinhos são maravilhosos). Mas divago, pois o que quero falar é do diálogo sobre sexo entre pessoas normais e adolescentes, que o Fantástico insiste que tenhamos sob o risco de nos sentirmos os piores seres da face da terra. Eu não me importo muito com a pecha, porque se assim o Fantástico (ou seus irmãos de armas, quer dizer, o gay de esquerda, o maconheiro natureba, o pseudo-intelectual de miolo-mole, a estudante feia de sociologia, o adolescente marxista, o jornalista burro, o legislador brasileiro, o cantor de hip-hop, o poeta funcionário público, o eleitor da Heloísa Helena, os juízes de direito, o professor da USP, o dono de ONG, os candidatos à presidência etc) me considerar, estaremos empatados. Eu não teria problema em conversar sobre sexo com um adolescente, apenas não vejo nenhuma necessidade, pois eles sabem tanto do assunto quanto eu. Acredito que a única coisa relevante e correta que se deva dizer a respeito de sexo, não só para um adolescente, mas para qualquer outra pessoa, é o seguinte: só se deve fazer sexo dentro do casamento (do próprio casamento, é bom assinalar). Faça diferente e, como diziam os cangaceiros, você se lasca. Mas não é isto que quer o Fantástico. O Fantástico quer que o adulto vá à farmácia comprar quilos de camisinha e distribua aos adolescentes. Nisto se resume um diálogo franco e maduro com adolescentes de hoje em dia sobre sexo. Mas essa premissa é fantasticamente falsa. Camisinha é tudo o que o sexo não é. Camisinha é sexo tanto quanto macaco é gente. É um disfarce, uma máscara (eis um bom apelido para camisinha “máscara de pau”) cujo objetivo é justamente burlar as funções sagradas do sexo, de união plena entre duas pessoas e de possibilidade da procriação. Ao usar camisinha, as duas pessoas estão dizendo uma para a outra “não confio em você, mas neste momento, quero usá-la para obter prazer sexual, então finjamos que nos adoramos por um minuto e que camisinha é o máximo, quando sabemos que camisinha é um nojo e que jamais nos amaremos de verdade enquanto pularmos etapas irrecuperáveis no afã de fazer sexo, mas sabe como é, o Fantástico disse, basta usar camisinha que ficaremos bem e poderemos nos divertir sem culpa, sabemos que queremos, então não sejamos hipócritas, o Fantástico é que está certo” e assim, a camisinha torna prostituição todo sexo. Mas voltemos ao assunto do começo, como eu vou dizer a um adolescente que só se deve fazer sexo dentro do casamento? Ele olha a sua volta e não vê um exemplo sequer de adulto que tenha agido assim, exceto alguma solteirona bizarra, daquelas que ninguém nem lembra (e que jamais fez sexo mesmo). Todo muito que ele conhece fez (ou faz) sexo fora do casamento. Se alguém der esse conselho para ele corre sério risco de ser chamado pelo horrendo nome de hipócrita. A hipocrisia é tudo contra o que o Fantástico luta. Não se vê nada demais que vivamos em uma sociedade imoral, que adora música ruim, insensata, atéia, de esquerda, que usa piercing na língua etc, não, nada disto importa. Mas a hipocrisia corta de dor a alma do Fantástico. Hipocrisia que na maioria das vezes está somente na cabeça do acusador, que almejando ser absolvido pelo sexo irresponsável que ele faz, sugere que aquilo é a coisa mais normal do mundo e que todos devem fazer. Ocorre com esse sexo-normal-para-todos, a mesma coisa que ocorre com o aborto. Um dos argumentos dos abortistas é o ridículo “todo mundo faz, logo não pode ser crime”. Mas voltemos à hipocrisia. O Fantástico prefere um mundo depravado a um mundo hipócrita. Uma pessoa que luta contra o aborto e providencia que sua filha aborte quando esta é estuprada não é um hipócrita, um moralista que é pego em flagrante com alguma imoralidade também não é hipócrita. São seres humanos na posse do que há de mais humano em nós: a fraqueza. Contra a fraqueza há A Fortaleza, que é a fonte de todo bem e que diz em nossos ouvidos o que é correto e o que deve ser defendido e mesmo que não consigamos sempre, devemos morrer gritando o que é certo, apesar de nossa fraqueza. Pois bem, o Fantástico não acha assim, ele acha que, uma vez que somos fracos, devemos instituir a fraqueza como norma para que jamais sejamos hipócritas, pois esse nome é feio feito o diabo. Já eu, evidentemente também não defendo a hipocrisia, mas a acho preferível à glorificação da zona. Sejamos hipócritas, é um mal menor. Por mais que tenhamos impulsos baixos, saibamos que eles são baixos. Por mais que erremos, gritemos que aquilo é um erro. O medo de não conseguir discernir o certo do errado deve ser maior do que o de ser chamado de hipócrita pelo Fantástico. Há uma febre nas mentes deste tempo que as fazem louvar e glorificar a coerência, como se fosse ela por si só uma grande coisa. O diabo, por exemplo, é um sujeito muito coerente e vive sem nenhuma hipocrisia. É o que nos espera se prosseguirmos essa meta de viver sem hipocrisia, tão somente por causa da hipocrisia: faremos companhia ao chifrudo. A questão da coerência é muito usada como campanha contra a Igreja Católica e todas as instituições que têm um código moral rígido. Já ouvi diversas pessoas me dizendo que não são católicas por causa dos padres pedófilos, comunistas etc. Então, eu lhes digo, “eu sou cristão por causa de Jesus Cristo”. Certamente querem que os padres sejam santos como os fiéis deveriam ser. Sentir-se-iam satisfeitos com a santidade dos outros, mas a própria vilania não os incomoda. Deveríamos ouvir o que dizem os padres, pecadores como nós, que não falam (ou não deveriam falar) pela própria boca e sim movidos pelo Espírito. São Pedro, o primeiro Papa fez coisa feia também, por exemplo, ao negar o Senhor quando O prenderam, foi, ali, um incoerente com tudo o que vira. Mais tarde, São Pedro deu a própria vida pela Verdade, também morrendo crucificado. Saber o que é certo e pregar a boa nova, não nos impede de cair nem mesmo de trair aquilo que pregamos e acreditamos. Somos concupiscentes, pois humanos. Então, incoerência, hipocrisia são palavrões que o mal adora usar contra aqueles que mesmo contra toda a fraqueza insiste em clamar pelo que é correto. Um costume feio reiterado não o torna bonito. Cabe a quem tem boca falar e a quem tem ouvidos escutar. Os surdos que assistam ao Fantástico. Já critiquei aqui a incoerência dos esquerdistas, que vestem calças jeans, usam internet e toda gama de coisas produzidas e inventadas pelos EUA. Depois elogiei os esquerdistas incoerentes, pois tudo o que um esquerdista com um mínimo de neurônio deve ser é incoerente. A coerência só presta quando todos os valores envolvidos são bons. Quando a base e o discurso do sujeito é falso e ruim, o desejável é que ele seja incoerente mesmo. Ninguém acusa a China de hipócrita por não bombardear o Japão e se unir aos terroristas muçulmanos para invadir os EUA, pois todos os valores e atos envolvidos neste caso seriam (são) vis. O “hipócrita” de quem é cobrado ações diferentes é aquele que sustenta um valor positivo e bom, porém procede diferentemente. O que seria preferível? Claro, sustentar o que é bom e proceder igualmente, não importando a conseqüência (como, por exemplo, Jesus fez em Sua vida e não me ocorre mais nenhum exemplo). Para nós, que não somos Cristo, existe a religião que servirá de base fixa em contraposição à realidade transitória, que existe para baixar nossa bola quando ao se chocar com “nossos princípios” (que é o nome que damos para aquilo que achamos certo). Acreditamos em algo absoluto justamente para que saibamos como agir naqueles momentos em que o transitório nos atinge. E nessa hora agimos conforme o que cremos ou elegemos nossa situação como especial e fazemos justamente o contrário do que sabemos ser o certo. Passado o vendaval, para um cristão verdadeiro, vem a contrição e a busca pelo perdão de Deus e renovação e insistência (desta vez até com mais veemência) na pregação do que é correto, tentando mais uma vez ser o menos teórico possível, pois ser cristão apenas teoricamente não é ser cristão. Todo cristão sabe o quanto ele próprio é medíocre em face da grandiosidade que é o seu projeto pessoal de santidade, requerido e pago pelo sangue do próprio Senhor do universo na pessoa de Seu Filho. Já a pessoa claudicante vê naquela sua ação incoerente a prova de que ela, a pessoa, estava errada e que sua ação errada é que é a correta e que ele vivia hipocritamente, mas agora aprendeu na prática que sua teoria estava equivocada, então monta um ONG para “ajudar” pessoas como ele a se livrarem das exigências absurdas dessa sociedade hipócrita que aí está. No domingo seguinte, feliz por não ser mais hipócrita, talvez até apareça no Fantástico.
- Ter fé é prova de inteligência.
- A oração é um repente; A reza é uma canção.
- Não somos tão familiares assim a nós mesmos.
- Remédio é a porção adequada da mesma matéria que em outra medida chamamos veneno.
- Namoro não se inicia, namoro se constata.
Cantar, de olhos fechados, uma canção bonita em língua estrangeira do começo ao fim sem entender o significado das palavras, mas sabendo exatamente o que diz a melodia.
Os surdos não são mudos, apenas não têm repertório.
Com a epidemia que dizimou sua criação de patos, o dono da granja ficou com quatro patas. Desesperado, meio bobo, perdeu a razão, endoidou. Virou um andarilho e saía com suas quatro patas pelas ruas, pastos e terreiros. Às vezes entrava nas casas e a dona não gostava dos bichos “tire suas quatro patas daqui” e ele saía. Acordava sempre com o barulho das patas que brigavam de vez em quando e voavam para longe e logo voltavam para seus pés. Íntimas do dono, era comum ele acordar com as quatro patas no ar, voando sobre ele. Resolveu um dia treinar as patas para que o protegessem e foi muito bem sucedido, tanto que um dia foi atacado por um salteador e as quatro patas pularam em cima do bandido. O meliante gritava desesperado “tire essas patas de cima de mim”. Nesse momento chegou a polícia e ordenou “tire essas quatro patas de cima do rapaz” e levou o bandido para o xilindró. Um dia alguém lhe deu um emprego em uma casa de farinha, mas com uma condição “não entre no depósito com suas patas e mantenha suas patas longe da farinha”, ele recusou o emprego e seguiu andarilho com suas quatro patas nômades fugindo de epidemias, de ordens superiores, trocadilhos e piadas de duplo sentido, deixando para trás o chão pisado de seus pés e dos pés de suas quatro patas.
O anticoncepcional reduziu o casamento a prostituição, que é o sexo meramente recreativo e com camisinha. O divórcio reduziu o casamento a mero contrato que pode ser rescindido quando uma das partes não estiver satisfeita. Por isto não duram, foram reduzidos.
Um dos problemas da indústria de filmes pornôs é que os atores (e algumas atrizes) estão ali claramente só de sacanagem. São uns depravados que só entram na indústria de filmes eróticos por causa de sexo. Na maioria das vezes falta profissionalismo e o resultado é aquela zona toda, que torna, o que deveria ser uma obra de arte, pura putaria. Isto sem falar dos camera-men, pessoal da iluminação, contra-regra, maquiagem e todo o resto envolvido, tá todo mundo ali por pura luxúria. Tudo um bando de libertinos. Se houver um ou outro ali por motivos profissionais, fica totalmente perdido, gritando em vão “vamos ser profissionais, minha gente, vamos ser profissionais, por favor. Ah! Sacanagem, assim não dá para trabalhar direito!” É isso o que destrói a indústria da pornografia, o excesso de gente lasciva, sem-vergonha, libidinosa, indecente e licenciosa. É o que faz com que as atrizes pornôs sérias tenham vergonha da profissão e os bons roteiristas pornôs procurem a Disney atrás de trabalho, indignados com o excesso de gonzos que tornam os filmes pornográficos tão obscenos. Tanta devassidão é uma vergonha, uma desmoralização, um balde de água fria nos grandes, nos enormes, imensos mesmo, artistas desse pungente ramo da sétima arte.
Tá bom, eu estarei disposto sempre que você quiser, contanto que, para compensar, você também não queira, sempre que eu não estiver disposto.
Querida Rê,
Como vai? Lembra-se de mim? Desde a minha última declaração anual, nunca mais tínhamos nos falado. Confesso que não estava com saudade, Rê. Eu sou aquele seu contribuinte do CPF nº 432.586.898-28. Tá lembrada agora? Sinto-me meio constrangido com essas declarações, mas não tenho vergonha de confessar que, apesar de tantas receitas que fizeram parte de minha vida neste ano, você continua a ser a mais importante de todas. Lembro-se bem de uma receita de sorvete com torta de pêra, que acabei não fazendo, não me seduziu muito, além disso, eu engordaria e uma malha fina não me cairia bem. Ah, uma receita que gostei muito, até fiz o prato foi de picanha ao forno. É muito fácil, você faz um iglu de sal grosso e clara de ovos em cima da picanha e deixa no forno por 40 minutos. Fica ótimo. Outras receitas passaram pela minha mão, mas preferi um fast food na maioria das vezes. Fujo de receitas que contenham os termos “banho-maria” ou “bater as claras em neve”. Você, cara Rê é a minha receita favorita, com você não tenho preguiça. Você é federal. Gosto tanto de você como de meu Gol Mil 1995 que em 31 de dezembro do ano passado custava R$ 3.500,00 e no dia 31 de dezembro anterior, custava R$ 4.000,00. Pena que minha conta corrente na mesma data, estava negativa em setecentos reais. Dá para acreditar? Ainda bem que sou amigo do gerente. A culpa de tudo foi meu apartamento que comprei, sito à Rua 16-A, nº 748, Bloco C, Apt 306, Vila Curitiba e que me custou R$ 23.000,00 adquiridos com o saque de meu FGTS. Mas prossigamos com esta declaração que tenho a lhe fazer. Falemos de minha saúde. Ah, querida Receita, você não imagina como a vida foi madrasta demais comigo neste ano. Um dos problemas da medicina, que a torna sua inimiga, inclusive, é que cada médico que passa em nossa vida, nos enche de receitas. Receita é também sinônimo de doença. Pois é, fazer o que?! A vida nos pega de jeito mesmo e não se sai vivo dela. Só Jesus Cristo conseguiu. Falar nisto, anota aí, gastei mil e duzentos reais de dízimo neste ano. Cem por mês. Sei que Deus não tem preço, mas foi o que pude pagar e não quero cair nas suas garras, cara Rê, por causa de minha religião. Seria eu o primeiro mártir da malha fina. Mas, de que falávamos? Ah, da saúde. Anota aí: Dr. Raulino, paguei mil e quinhentos paus para aquele desalmado me arrancar as amídalas. Não se preocupe, foi uma cirurgia normal. Já o doutor Sid Ruy (é esse o nome dele mesmo, seu CPF é 564.521.236-21) cobrou-me o olho da cara por um exame de vista e ainda me receitou umas lentes de quinhentos reais que duraram dois meses. Um verdadeiro roubo. Falar nisto, é bom contar essa e acho até que você, querida Receita, deveria criar um espaço em nossas declarações anuais para um gasto cada dia mais natural nestes dias de hoje. Falo do gasto com o assalto. Fui assaltado uma vez neste ano. Não se preocupe, está tudo bem. Foi um assalto tranqüilo, eram ladrões conservadores e tudo correu bem, pois os bandidos estavam com mais pressa do que eu para que aquilo acabasse logo. Levaram-me 250 reais, meu relógio, o celular e meu disc-man. Então se der alguma diferença do que ganhei com o que digo ter gasto, se lembre do assalto, infelizmente o ladrão não me deu nenhum comprovante, você terá que acreditar em mim. Falar nisto, se a gente for seqüestrado, por exemplo? Como comprovar o valor gasto na operação? Por falar em operação, voltemos a minha saúde. Fiz (ou fizeram em mim) quatro operações, não é gozação não, mas se deu comigo o que se dá com a aritmética mesmo. Quatro operações. A primeira foi uma pequena lipo, é que consegui um médico bem baratinho, que, descobri, tinha sido condenado por prática ilegal da medicina, mas como era réu primário, resolvi arriscar. Essa foi a única das operações que deu certo, por incrível que pareça. Abstenho-me de contar as outras, apêndice e vesícula, pois das Amídalas já falei (sim, aquela com o doutor Raulino). Depois dou o nome dos outros açougueiros, com CPF e tudo. Ainda continuo naquele mesmo emprego. É, aquele mesmo do ano passado, é só olhar na declaração do ano passado, tá tudo lá. Quase fui mandado embora, mas apareceram mais uns serviços e me deixaram. O salário aumentou 10% depois de uma greve. Juntamos com os profissionais da limpeza e fizemos um movimento paredista, felizmente vitorioso, embora eu pensasse que fizesse movimento paredista somente o pessoal da construção civil. Por falar em civil, mudei meu estado civil. Põe aí, não sou mais casado. Pois é, a ingrata da Judite cassou o meu mandato e pediu asilo na embaixada do pai dela. Gente boa o seu Belarmino, mas aquela filha, bem que eu desconfiava. Imagina que ela teve o desplante de dedicar uma música para um sujeito de iniciais O.X. Quando a pressionei sobre quem era o tal amante com aquelas iniciais, ela confessou que era o Ontõim Xofer, aquilo foi demais. Dei uma surra na mulher. “Antônio Chofer é que é o nome do cara, sua analfabeta, e as iniciais são A. C.” gritava eu enquanto o coro comia. Onde já viu tamanha ignorância?! Passei dois dias na cadeia, que foi onde conheci o médico que fez a lipo a um precinho camarada, coisa assim de réu primário para réu primário. Por enquanto é isto, cara Rê. Segura as pontas aí, vê se não me deixa cair na malha, pois tive um ano difícil. Assinado, Betim.
Uma boa resolução de ano novo: “livrar-se da escravidão do conforto”. Sempre buscamos uma situação ou circunstância tal que nos sintamos como gostaríamos, sem nenhum incômodo, isto é, queremos conforto. Queremos viver à sós com nossos “lindos sonhos”, que são, na prática, a fonte de todo o tédio. O dinheiro serve para isto: comprar conforto. Ser rico é viver confortavelmente. Infelizmente dinheiro não compra nada além de conforto. Dinheiro não compra aventura verdadeira. A vida de um miserável pode ser bem menos tediosa do que a vida de um milionário. É a tal “sabedoria da insegurança”. Ter controle sobre a própria vida é ter menos vida. Se aventurar só faz algum sentido se essa aventura for o mais longe possível da ilha da fantasia (aquela do Tatoo).
Felipe Ortiz (que já era sábio três anos atrás) me disse naquela época que o primeiro e mais importante público de um blog é o seu dono. Eu pensei, “ah, então este será um bloguinho caipira, quase troglodita, de deixar poliglotas ligeiramente constrangidos”, pois este blog sou eu. A questão é que eu mesmo não sou só eu (e se fosse, não me daria muita importância). Mais importante para mim do que eu são algumas pessoas que amo e que, por acaso, gostam do que publico aqui, então, quando percebi isto, passei a produzir acima de minhas forças, tempo, talento e mesmo vontade estes textos que se vê por aqui e que me tem trazido muita alegria. (só uma curiosidade, este é o post n° 2.844 desde o nascimento do Pró Tensão). Tem sido muito bom escrever e aprender enquanto escrevo ainda que, apesar do esforço, isto seja o máximo que posso, com a vida que levo, o tempo que tenho, os livros que leio e outro tantão de limitações. Peçam a Deus por mim. Parabéns a todos nós.
Demorou em ele ver que era guia de cego.
- Descartes, você não existe!
- O moralismo é uma espécie de tara.
- Ô raça ruim, essa dos racistas.
- Os ateus são mesmo insensatos, será que não sabem que ateísmo é pecado?
- Deveria existir farmácia de placebo para pessoas que não gostam de tomar remédio.
§579 Esse princípio da integralidade da observância da Lei, não somente em sua letra, mas em seu espírito, era caro aos fariseus. Tomando-o extensivo a Israel, levaram muitos judeus do tempo de Jesus a um zelo religioso extremo. Este zelo extremo, se não quisesse envolver-se em uma casuística "hipócrita", só podia preparar o povo para essa intervenção inaudita de Deus que será o cumprimento perfeito da Lei exclusivamente pelo Justo em lugar de todos os pecadores. (Catecismo da Igreja Católica)
Quando Jesus começou seu ministério encontrou muitos homens a quem chamavam fariseus, que eram afamados pelo rigor com que defendiam a lei, de tal forma que hoje a palavras “fariseu” é sinônimo de hipócrita. Na verdade, um fariseu era um estudioso da lei, para o sujeito chegar a fariseu teria que estudar a lei pelo menos por 35 anos. Deus nos quer santos, mas Ele sabe que somos imperfeitos. Quem diz “eu sou bom, sou perfeito” é, não só um fanfarrão, é, no mínimo, um hipócrita (um fariseu). Então Deus veio pessoalmente cumprir a própria lei, afinal é Ele o legislador, alguém não concupiscente. Temos todos nós a concupiscência, isto é, a tendência para o mal, tendência que só será aniquilada quando formos glorificados com a volta de Jesus. Ao buscar um coração puro podemos combater os movimentos da concupiscência, pois abrimos nosso coração para o Espírito Santo e é inacreditável como as fichas caem rapidamente quando se tem o Espírito Santo de Deus. Mas voltemos aos fariseus. O que faz uma pessoa virar um fariseu, no sentido que o termo tem hoje? O que nos faz ser hipócritas? Provavelmente a mesma coisa que fazia o fariseu ser um hipócrita, que é dar mais importância à lei do que a sua vida. O hipócrita diz uma coisa enquanto sua própria vida segue outro rumo. Uma criança (aquela de quem Jesus disse que devemos ser como), ao contrário do fariseu, segue as regras a ela impostas porque acredita que tais regras são boas para sua vida. Se a vida contradisser a regra, a criança ignora a regra e a faz de imediato e às claras sem medo de ser feliz. Ao mesmo tempo, ser criança é obedecer aos pais. Deixe eu fazer aqui uma defesa do fariseu. Ostentar as próprias virtudes é o que faz o fariseu. Não significa que ele não esteja sendo sincero. Certamente existiam fariseus que, tirando a jactância, eram santos. Temos uma pressa horrorosa de que se faça justiça, a começar por nós mesmos. Não basta ser virtuoso, é importante que vejam isto e já que ninguém vê, o fariseu toca trombetas em torno de seus atos. É justamente aí que Jesus chega e nos lembra que há o olho de Deus tudo vê e é só a Deus que devemos “tentar impressionar”. Deus é o único público para quem devemos representar. É preciso fé, muita fé, para resistir ao farisaísmo. Rezemos, pois. Nossos defeitos, nossas fraquezas e pecados estarão sempre grudados em nossas ações, pois mesmo as boas ações muitas vezes são frutos de egoísmo nosso. Esse problema só teria solução com a Graça de Deus, isto é, com o perdão incondicional do Deus, que é lento na ira e rápido no amor. A cada queda, teremos sempre Jesus com a mão estendida para que nos levantemos, por isto não há motivo algum para hipocrisia, preocupemos-nos em amar a Deus e a nosso próximo, pois Jesus já revogou a Lei. O amor é a nova Lei.Estamos sempre esperando reconhecimento, admiração e apreço das pessoas, enquanto isto Deus bate na testa de decepção.
Deveria haver réguas, metro e trenas para medir beleza. “Quanto você mede de boniteza?”, perguntaria o rapaz para a moça. “Oitenta e cinco”, ela responderia. “Ah, parece bem mais”, diria o galanteador.
As métricas das canções deveriam ter um limite ou um nome, assim a pessoa podia escolher a música que gostasse com a letra que preferisse. Há umas canções que, por coincidência têm a mesma métrica da outra, de forma que você pode cantar uma melodia com a letra de outra. Por exemplo, você pode cantar a letra de “Pense em Mim”, grande sucesso de Leandro e Leonardo, com a melodia de “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores” de Geraldo Vandré. Ou vice-versa, pode-se cantar “caminhando e cantando e seguindo a canção” com a melodia de “em vez de você ficar pensando nele”. Outras duas canções que por coincidências de encaixam é “O Caminhoneiro” de Roberto e Erasmo e “Retrato em Branco e Preto” de Tom Jobim e Chico Buarque. Experimente, cante “todo dia quando eu pego a estrada quase sempre é madrugada e meu amor aumenta mais” com a melodia de “já conheço os passos dessa estrada sei que não vai dar em nada seus segredos sei de cor” e vice-versa (desconfio até que o letrista de “O Caminhoneiro" tenha se inspirado de propósito na métrica de Retrato em Branco e Preto, veja que, na frase seguinte “porque eu penso nela no caminho, imagino o seu carinho e todo bem que ela me traz”, o seu correspondente na outra canção seria “já conheço as pedras do caminho, e sei também que ali sozinho vou ficar tanto pior”, perceba que nos dois casos a palavra “caminho” coincide no mesmo lugar da melodia, aliás, na primeira frase a palavra “estrada” nas duas canções estão no exato compasso da melodia, não pode ser mera coincidência, principalmente porque “estrada” e “caminho” é tudo a mesma coisa) (para ficar mais interessante a junção, você pode misturar geral no fim da canção, cantando “vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto, um coração e o nome dela”). Há um caso famoso que não é coincidência. “Nova Ilusão” de Pedro Caetano e Claudionor Cruz que foi gravada por Paulinho da Viola e “Da Cor do Pecado” de Bororó se encaixam perfeitamente, a letra de uma com a melodia da outra. Mas essa foi de propósito, Pedro Caetano e Claudionor Cruz acordaram de um fazer letra e outro uma música alternativa à canção de Bororó. Qualquer soneto alexandrino, por exemplo, ou qualquer outra forma poética com rigidez métrica, pode ser cantado com a mesma melodia que se tenha feito para um deles. Disto isto, para agradar o freguês, os compositores deveriam adotar quatro ou cinco formatos de métrica para composição de suas músicas. Dessa forma, a pessoa poderia escolher a melodia que quisesse com a letra que quisesse. Deve haver muita gente que adora as letras do Vinícius, mas não suporta a melodia do Tom Jobim ou do Carlos Lyra, gosta mesmo de Reginaldo Rossi, por exemplo. Pronto, pegue uma melodia de Reginaldo Rossi e case com uma letra do Vinícius de mesmo formato. As parcerias se multiplicariam, os compositores até lucrariam mais com isto e cada um ouviria a música que quisesse como quisesse. No karaokê seria divertido.
Toda vez que digo “te amo”, eu digo “obrigado” a Deus. É uma técnica para não a colocar no lugar dEle.
Ouve-se a miúdo que a culpa da miséria dos países miseráveis é do capitalismo. Nem reparam direito que os países miseráveis, não por coincidência, não são capitalistas, logo a culpa do capitalismo da miséria das nações se dá por falta dele, não pela presença. Mas não se pode esperar que a esquerda use tal lógica, pois o marxismo é mesmo o grande fomentador do mecanismo do bode expiatório na modernidade. Não satisfeitos em culpar o capitalismo por tudo de ruim que há no mundo, um dia desses vi uma faceta (que nem é tão nova assim) em uma entrevista de Ferreira Gullar, comunista e poeta, a de atribuir tudo que há de bom no mundo ao esquerdismo. Dizia Gullar que as conquistas do trabalhador de hoje (nos países não comunistas, seria bom lembrar) se deram graças à “utopia socialista”. Ora, minha gente, o culpado neste caso também é o capitalismo, gerador da riqueza que tornou possível a boa vida dos trabalhadores (nos países capitalistas) dos dias de hoje. Se a tese de Gullar estiver correta, a “utopia socialista” se trata de enorme chantagem feita pelos teóricos de esquerda aos homens de negócio. Isto é, de qualquer forma, fica muito feio para a tal utopia se confessar meramente como uma extraordinária chantagem. Chantagem que resultou na morte de milhões de mortos nos países comunistas (nos países que optaram pela chantagem como regime de governo) e a boa vida justamente nos países inimigos da ideologia chantagista. É de dar nó na cabeça, né não?!
Prometa que será fiel a Deus e, em conseqüência disto, você será fiel a todas as outras pessoas. Seja verdadeiro com Deus e com todos os outros você será verdadeiro. Seja honesto com Deus e será honesto com todo mundo. Que Deus seja seu eixo. Basta estar em harmonia com Ele que todo o resto estará perfeito. E, sem perceber, você começará a rir à toa. O contrário ocorre com quem tem tudo menos a harmonia com Deus. Sem perceber, começa a chorar, sem entender, afinal você tem tudo e está infeliz. Ignora que “tudo” é um termo que não inclui Deus. Não basta ter tudo, basta ter Deus.
Tinham tanto assunto para conversar que não dormiam de noite conversando. Quando ficavam juntos nem comiam, só conversavam. Quando estavam longe, morriam de saudade dos papos e corriam do trabalho para se encontrar e continuar a prosa. Então, resolveram se casar para poder, quiçá, terminar o interminável assunto. Faziam amor entre longos argumentos a respeito de coisas variadas. Tiveram três filhos, um mudo e dois surdos e nem notaram, pois achavam que as crianças apenas prestavam atenção ao animado diálogo dos pais, que nunca acabava. Quando se afastavam, não resistiam e ligavam um para o outro para mais um dedo de prosa. Sofriam muito em eventos como missas, reuniões sérias ou outros lugares que requeria silêncio deles. Então tiveram a idéia de aprender a língua dos sinais. Foi um alívio, nas missas batiam altos papos, faziam cada gesto e chamavam a atenção. Perceberam que estavam ridículos e este também foi um assunto muito conversado. Passaram vários meses com a metalinguagem de conversar sobre a própria conversa (os vários meses foram 15 meses para ser exato). Decidiram então desenvolver uma linguagem própria, baseada em olhares, arquear de sobrancelhas e lábios e balançar de cabeça. Começaram com frases simples, mas fizeram um progresso vertiginoso e em pouco tempo já conseguiam conversar a respeito das diferenças entre o primeiro e o segundo Wittgenstein. Porém ao trazer tal linguagem a público, o resultado foi pior do que a língua de sinais, pois aquelas caretas todas assustavam adultos e crianças. Não era muito fácil falar as paroxítonas sem colocar a língua para fora, por exemplo, sem falar de uma vez em que ela deu um jeito no maxilar enquanto discutiam sobre o argumento ontológico de Santo Anselmo. Sem outro jeito, resolveram tentar a telepatia. Desde então não se falam mais, só trocam olhares perplexos cheios de significados que só eles conhecem, olhares íntimos, secretos e intermináveis. O pessoal do hospício acha ótimo.

Quando o destino nos dá
Naomi Watts de presente
Achamos que ela é nossa
Mas é ela, a dona da gente
Tenho saudades de meu tempo de Garoto. Que veio logo depois de meu tempo de Villa-Lobos e Bach. O tempo de Garoto é algo inesquecível na vida de um violonista.
- Masoquista é o sádico em causa própria.
- Tem gente que se tortura tentando provar que não é masoquista. Outros são cruéis com quem o chama de sádico.
- Deveríamos pegar esse bando de masoquistas e dar uma surra, para ver se aprendem.
- No ringue, o sádico, só de sacanagem, deixou o masoquista bater.
- O céu do masoquista é ala do inferno destinada aos sádicos.
- O inferno do sádico é a ala do inferno destinada aos masoquistas.
- A dor do masoquista só dói nos outros, ele mesmo acha tudo delicioso.
- Para um sadomasoquista tanto faz bater ou apanhar, o importante é brigar.
Apesar de mim
Não pense "os homens
São todos assim"
Apesar de mim
Não sofra não chore
Cante, reze, ore
Peça a Deus por mim
Apesar de mim
Continue grande
Ria, dance e cante
Sou seu trampolim
Apesar de mim
Jamais perca a fé
Seja mais mulher
Apesar de mim
Apesar de mim
Não feche seu peito
Não mude de jeito
Ignore o fim
Apesar de mim
Continue linda
Amando-me ainda
Apesar de mim