dezembro 17, 2005

PÁTRIA MÃE NADA GENTIL

Pode-se não amar seu país de origem, tem gente que não ama a própria mãe, mas isto não o torna menos filho da mãe e nem lhe subtrai as responsabilidades de filho. Não posso negar que sou filho do Brasil. Só o Brasil poderia me produzir (tenho sangue índio, europeu e africano e não foi transfusão), mesmo que esta idéia possa me ser profundamente repugnante, sou brasileiro. Mesmo os filhos de Hitler teriam que amá-lo (e obedecer-lhe), até para lutar por uma mudança nele, pois só quando tentamos mudar o que amamos, essa tentativa pode ser pacífica. Aliás, como disse Chesterton “amar significa amar o que é difícil de ser amado, do contrário não será virtude alguma”. Então é bonito amar nossa pátria justamente quando ela não merece absolutamente nenhuma admiração ou respeito. Devemos amar nossos pais (e nossos filhos) sejam eles o que forem e isto não significa aprovar o que eles fazem. Além disto, de que adianta odiar o Brasil? Que beleza há nisso? O antipatriotismo é uma das provas de que somos filhos de nossa pátria, pois é típico dos filhos julgarem mal os pais e se comportarem de forma rebelde em relação a eles. Enfim, não se trata de fazer política partidária (cruz-credo) nem de ir à guerra, se trata de ser um cidadão exemplar mesmo por amor à pátria que lhe pariu e se interessar pelos destinos dela. O Catecismo da Igreja trata nossa obrigação como cidadão justamente no capítulo que trata do 4º mandamento, “honrar pai e mãe”. Assumindo essa maternidade da pátria sobre nós, o que deve fazer um filho que tem uma mãe que bebe cachaça, avança o sinal, joga no bicho, vota em jumentos para governantes, adora ouvir axé e sertanejo e, além disto, é uma prostituta que troca de homem de vez em quando? O que fazer um brasileiro que não tem nenhum orgulho do Brasil? Por exemplo, se for rico, deve ir embora daqui? O que deve fazer um cristão em face do que nos espera neste nosso patético país? Antigamente eu falava que se eu fosse rico não moraria no Brasil. Hoje para mim isto soa como o cara que diz que se fosse rico trocaria de mulher e filhos. Se olharmos sempre o lado político-partidário de uma nação, viveremos sempre em um inferno, pois se a política partidária tiver a força de direta ou indiretamente expulsar quem não vai com a cara do burocrata de plantão, jamais seremos uma nação mesmo, além disto, ao sair do Brasil, eu levaria comigo a desconfortável – e anticristã – sensação de estar escolhendo o caminho largo. Sentiria o que sente uma mulher que fez aborto.

Posted by César Miranda at dezembro 17, 2005 11:04 PM
Comments

Amigo cesar...seus comentarios no texto de Patria mae sao definitivamente pateticos. Para nao lhe dizer coisa muito pior. Sair do Brasil e estar escolhendo um caminho mais largo ?? Voce e como um bom brasileiro amigo....e merece estar aqui nesse pais de merda. Seja patriota ate o fim e por favor fique no brasil. Nao saia nunca daqui....e continue comendo muita carne vermelha tambem, imagino que voce deva adorar ....
Muita sorte no seu caminho, amigo....e cuide do Brasil por mim.

N. do E.: Ricardo, o fato é que sou quase vegetariano. Como carne vermelha apenas socialmente. Sobre o restante de seu comentário (sem acentos, o que dificulta o entendimento), eu diria algo, se você tivesse argumentado algo, mas apenas usou meu blog para desabafar. Boa sorte.

Posted by: Ricardo at dezembro 22, 2005 11:10 AM

Vai ver que para todo brasileiro vale a definição do mineiro dada por Paulo Mendes Campos: moderninho por fora, barroquinho por dentro. Por isso sentimos tanta falta do Brasil quando estamos fora. Tomara que ainda recuperemos nosso jeito ímpar de ser, tão maltratado já faz algum tempo.

Posted by: Grenadier at dezembro 20, 2005 10:50 AM

mas o que fazer pelo Brasil? o máximo que eu faço é desejar que retornemos à monarquia.

Posted by: Luy at dezembro 18, 2005 09:31 AM
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